Após os eventos em Mirante Verde, Lucas e Mariana continuaram sua jornada, sentindo-se fortalecidos por suas vitórias recentes. Entretanto, sabiam que ainda havia muitos mistérios a serem desvendados. Uma noite, enquanto se preparavam para descansar em uma pousada de beira de estrada, Lucas recebeu uma ligação urgente.
"Lucas, é o Joaquim. Preciso que você venha até a Mansão dos Lamentos, em São José da Serra. Algo terrível está acontecendo aqui."
Joaquim era um amigo e investigador de fenômenos paranormais, alguém em quem Lucas confiava plenamente. Sem hesitar, ele e Mariana se prepararam para a viagem.
A viagem para São José da Serra foi longa e cansativa, mas finalmente chegaram à pequena cidade, situada em uma região montanhosa e cercada por florestas densas. A Mansão dos Lamentos estava localizada nos arredores, uma construção antiga e imponente, com uma atmosfera sombria que parecia se agarrar ao ar.
Ao se aproximarem da mansão, foram recebidos por Joaquim, cujo semblante demonstrava cansaço e preocupação. "Ainda bem que vocês vieram," disse ele, apertando a mão de Lucas e abraçando Mariana. "As coisas estão fora de controle aqui."
Joaquim os levou para dentro da mansão, onde encontraram um grupo de pessoas, todas com expressões de medo e desespero. "Estes são alguns dos moradores locais que vieram pedir ajuda," explicou Joaquim. "A mansão tem uma longa história de atividades paranormais, mas recentemente os fenômenos se intensificaram. Objetos se movem sozinhos, vozes são ouvidas nos corredores, e várias pessoas desapareceram."
Lucas e Mariana trocaram um olhar, percebendo a gravidade da situação. "Vamos começar investigando os pontos mais ativos," sugeriu Lucas. "Mariana, você pode fazer algumas leituras de EMF enquanto eu tento estabelecer contato."
Começaram pelo andar térreo, onde os moradores relataram a maior parte das atividades. Mariana usava o medidor de EMF, que logo começou a registrar leituras elevadas. "Tem definitivamente algo aqui," disse ela, concentrada nos aparelhos.
Lucas se posicionou no centro de uma sala ampla, sentando-se em posição de meditação. Fechou os olhos e começou a murmurar uma oração de proteção, tentando sentir a presença dos espíritos ao seu redor. De repente, uma rajada de vento frio atravessou a sala, e uma voz sussurrante encheu o ar.
"Ajude-nos... estamos presos..."
Lucas abriu os olhos, vendo sombras se movendo nas paredes. "Quem são vocês?" perguntou, mantendo a voz calma. "Como podemos ajudar?"
Uma figura espectral apareceu diante dele, uma mulher com trajes do século XIX e uma expressão de profundo sofrimento. "Eu sou Beatriz. Fui a dona desta mansão, traída e assassinada por meu próprio marido. Minha alma e as almas de muitos outros estão presas aqui, atormentadas por ele."
Lucas sentiu um arrepio percorrer sua espinha. "Como podemos libertar vocês?"
Beatriz apontou para uma antiga escada que levava ao sótão. "Há um diário escondido no sótão. Nele está a chave para quebrar a maldição que nos prende aqui. Vocês precisam encontrá-lo e realizar o ritual descrito."
Mariana e Joaquim ouviram atentamente, e juntos começaram a subir a escada rangente que levava ao sótão. O ar estava mais frio e denso à medida que se aproximavam, e a sensação de serem observados era quase palpável.
Chegando ao sótão, encontraram uma sala empoeirada e cheia de velhos móveis e baús. Começaram a vasculhar, procurando qualquer sinal do diário. Depois de um tempo, Mariana encontrou um baú trancado, mas conseguiu abri-lo com uma ferramenta que Joaquim tinha trazido.
Dentro do baú, havia um diário de couro, suas páginas amareladas pelo tempo. "É isso," disse Lucas, pegando o diário e começando a folhear. As páginas estavam cheias de anotações detalhadas, descrevendo os horrores que Beatriz e outros tinham sofrido, e o ritual necessário para libertar suas almas.
O ritual exigia a realização de uma cerimônia de purificação no salão principal da mansão, utilizando velas, água benta, e a recitação de uma antiga oração de libertação. Com todos os materiais necessários reunidos, desceram de volta ao andar térreo, sentindo a tensão aumentar.
Lucas e Mariana montaram um altar improvisado no centro do salão, acendendo velas e colocando uma tigela de água benta ao lado do diário aberto. Joaquim e os moradores observavam, ansiosos.
Lucas começou a recitar a oração de libertação, sua voz ecoando pelas paredes da mansão. Mariana e Joaquim o acompanhavam, repetindo as palavras sagradas. À medida que a oração avançava, o ar ao redor deles parecia vibrar, e figuras espectrais começaram a aparecer, uma a uma, ao redor do salão.
De repente, uma sombra mais densa e ameaçadora emergiu das profundezas da mansão. Era o espírito do marido de Beatriz, o responsável por toda a dor e sofrimento. "Vocês não vão me deter!" ele gritou, sua voz cheia de raiva e desespero.
Lucas manteve-se firme, aumentando o volume de sua recitação. A luz das velas brilhou mais intensamente, e as figuras espectrais começaram a avançar sobre a sombra do marido de Beatriz. "Você não pode mais nos prender!" Beatriz gritou, liderando o ataque.
A batalha espiritual foi intensa, mas finalmente, com um grito agonizante, a sombra do marido de Beatriz foi banida, dissolvendo-se no ar. As figuras espectrais começaram a brilhar com uma luz suave, uma expressão de paz tomando seus rostos.
"Obrigada," disse Beatriz, olhando para Lucas e Mariana. "Vocês nos libertaram. Podemos finalmente descansar em paz."
Com essas palavras, as figuras espectrais desapareceram, e uma sensação de calma e serenidade preencheu a mansão. Os moradores começaram a chorar de alívio e gratidão, abraçando Lucas, Mariana e Joaquim.
Nos dias seguintes, a história da Mansão dos Lamentos começou a se espalhar. Lucas e Mariana documentaram tudo, garantindo que a memória de Beatriz e dos outros nunca fosse esquecida. A mansão, agora livre de sua maldição, começou a ser restaurada, transformando-se em um símbolo de redenção e esperança.
Antes de partir, Lucas e Mariana passaram algum tempo conversando com os moradores, compartilhando suas experiências e ensinando sobre rituais de proteção. Sentiram uma profunda conexão com a cidade e suas pessoas, sabendo que tinham feito uma diferença real.
Enquanto se preparavam para partir, Joaquim se aproximou, apertando a mão de Lucas. "Vocês fizeram algo incrível aqui. Sou eternamente grato. Se precisarem de ajuda em suas próximas aventuras, sabem onde me encontrar."
Lucas sorriu, sentindo uma familiar satisfação. "Obrigado, Joaquim. Cuidem-se e continuem espalhando a luz."
Com a missão cumprida, Lucas e Mariana partiram para novas jornadas, prontos para enfrentar o próximo desafio. Sabiam que o caminho à frente seria repleto de mistérios e perigos, mas também de oportunidades para trazer paz e justiça ao mundo.
Assim, enquanto o sol se punha no horizonte, Lucas e Mariana continuaram sua busca incessante pela verdade, determinados a enfrentar as sombras e trazer luz onde houvesse escuridão. A missão continuava, e eles estavam mais preparados do que nunca para o que viesse em seu caminho.
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Atualizado até capítulo 41
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