O chamado da floresta

Depois de deixar Ponta Negra, Lucas passou alguns dias viajando sem um destino específico em mente, refletindo sobre suas aventuras e o que poderia estar à sua espera. Estava se aproximando de uma pequena cidade chamada Vale das Sombras, quando recebeu um telefonema urgente de uma antiga colega, Mariana, uma pesquisadora de fenômenos paranormais.

"Lucas, estou em Vale das Sombras e preciso da sua ajuda," disse Mariana, a urgência evidente em sua voz. "Algo estranho está acontecendo aqui. As pessoas estão desaparecendo na floresta e os moradores estão aterrorizados. Acho que pode haver uma ligação com um culto antigo."

Sem hesitar, Lucas dirigiu-se para Vale das Sombras. A cidade tinha um ar sombrio, com casas antigas e ruas estreitas, cercada por uma floresta densa e misteriosa. Ao chegar, encontrou Mariana na pequena pousada onde estava hospedada.

"É bom ver você, Lucas," disse ela, dando-lhe um abraço apertado. "A situação aqui é grave. Várias pessoas desapareceram nas últimas semanas, e os poucos que voltaram estavam em estado de choque, murmurando sobre 'sombras vivas' na floresta."

Lucas sentiu um calafrio ao ouvir isso. "Você mencionou um culto antigo. O que descobriu sobre ele?"

Mariana pegou um antigo livro de sua mochila e o abriu, mostrando a Lucas ilustrações e textos antigos. "Este é o 'Livro das Sombras', escrito por um dos fundadores da cidade. Fala sobre um culto que adorava entidades sombrias da floresta, realizando rituais para ganhar poder e proteção. Acho que esse culto pode ter ressurgido."

Lucas folheou o livro, absorvendo as informações. As ilustrações mostravam figuras encapuzadas realizando rituais ao redor de um círculo de pedras na floresta. As inscrições mencionavam uma entidade conhecida como 'A Sombra Ancestral', que prometia poder em troca de sacrifícios humanos.

"Precisamos encontrar esse círculo de pedras," disse Lucas. "Se conseguirmos interromper os rituais, talvez possamos acabar com os desaparecimentos."

Mariana concordou, e juntos começaram a planejar a busca. Passaram o dia conversando com os moradores, tentando obter pistas sobre a localização do círculo. Muitos estavam relutantes em falar, claramente assustados, mas um homem idoso chamado Ernesto finalmente cedeu.

"Há um lugar na floresta que evitamos," disse Ernesto, sua voz trêmula. "Chamamos de 'Clareira das Sombras'. É onde os rituais ocorrem. Cuidado, a floresta tem vontade própria e protegerá o que esconde."

Naquela noite, Lucas e Mariana se prepararam para entrar na floresta. Equipados com lanternas, câmeras e um mapa rudimentar fornecido por Ernesto, eles se aventuraram na escuridão. A floresta era densa e silenciosa, os únicos sons sendo o farfalhar das folhas e o ocasional grito distante de algum animal noturno.

Caminharam por horas, seguindo o mapa e os instintos de Lucas. A atmosfera era cada vez mais opressiva, como se a própria floresta tentasse dissuadi-los. Finalmente, chegaram a uma clareira. No centro, viram o círculo de pedras, exatamente como descrito no livro.

"É aqui," sussurrou Mariana, apontando para as pedras cobertas de musgo. "O que faremos agora?"

Lucas começou a preparar um círculo de proteção ao redor deles, usando sal e ervas sagradas. "Vamos investigar e documentar o máximo possível. Precisamos entender como interromper os rituais e, se possível, confrontar a Sombra Ancestral."

Enquanto exploravam a clareira, Lucas sentiu uma presença observando-os. Ele acendeu velas ao redor do círculo de proteção e começou a recitar uma oração de banimento, na esperança de afastar qualquer entidade maligna. Mariana tirava fotos das pedras e das inscrições, tentando decifrá-las.

De repente, uma rajada de vento apagou as velas, e a clareira foi tomada por uma escuridão palpável. Sombras começaram a se mover ao redor deles, tomando formas humanas. Lucas segurou a mão de Mariana, tentando manter a calma.

"Quem ousa perturbar nosso santuário?" uma voz ecoou na escuridão, profunda e ressonante.

Lucas manteve-se firme. "Sou Lucas, um buscador da verdade. Não permitirei que continuem a sacrificar inocentes."

Uma figura mais alta e imponente emergiu das sombras, seus olhos brilhando com uma luz vermelha. "Eu sou a Sombra Ancestral. Este lugar é meu há séculos. Você não pode nos deter."

Lucas sabia que precisava agir rapidamente. Continuou a recitar a oração de banimento, enquanto Mariana apontava sua câmera para a entidade, registrando tudo. A figura da Sombra Ancestral parecia enfraquecer ligeiramente, mas não o suficiente.

"Precisamos encontrar o ponto focal," disse Mariana, sua voz tensa. "No livro mencionava um artefato que liga este lugar à entidade."

Lucas olhou ao redor freneticamente, procurando qualquer sinal do artefato. Então, viu uma pedra no centro do círculo, diferente das outras, com inscrições brilhando em uma luz fraca. "Ali!" apontou.

Juntos, correram até a pedra, sentindo a pressão das sombras ao seu redor aumentar. Lucas começou a escavar ao redor da pedra, revelando um pequeno ídolo de metal negro semelhante ao amuleto que encontraram em Ponta Negra.

"É isso," disse Lucas. "Precisamos destruir."

Mariana pegou um martelo de sua mochila e, com todas as suas forças, golpeou o ídolo. Um grito ensurdecedor ecoou pela clareira, e a figura da Sombra Ancestral começou a se desintegrar, suas sombras dissolvendo-se no ar.

A escuridão se dissipou lentamente, e a clareira voltou ao normal. Lucas e Mariana ficaram ofegantes, mas aliviados. Eles haviam quebrado o poder da Sombra Ancestral e interrompido os rituais.

Na manhã seguinte, voltaram à cidade, onde os moradores os receberam com gratidão. Ernesto, em particular, parecia profundamente aliviado. "Vocês fizeram o que ninguém teve coragem de fazer," disse ele, apertando as mãos de Lucas e Mariana. "Vale das Sombras está livre graças a vocês."

Lucas e Mariana passaram os dias seguintes documentando suas descobertas e garantindo que a clareira permanecesse segura. Ao partir, sentiram-se mais conectados do que nunca, prontos para enfrentar qualquer desafio que viesse a seguir.

Enquanto dirigiam para o próximo destino, Lucas refletiu sobre a importância de sua missão. Cada vitória era um passo na direção da luz, afastando as trevas que ameaçavam o mundo. E com aliados como Mariana ao seu lado, ele sabia que poderiam enfrentar qualquer coisa.

Assim, Lucas continuou sua jornada, guiado pela promessa de justiça e pela determinação inabalável de trazer paz e segurança aos lugares mais sombrios. E enquanto o mundo ainda tivesse segredos sombrios a serem desvendados, ele estaria lá, pronto para responder ao chamado.

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