Lucas estava determinado a descobrir a verdade por trás da maldição de Vila Nova e o que estava prendendo os espíritos de Amélia e Joaquim. Depois de dias pesquisando na biblioteca e conversando com os habitantes mais antigos da cidade, ele sentiu que estava se aproximando de algo importante. A clareira, onde Amélia havia tirado a própria vida, parecia ser o epicentro da atividade sobrenatural.
Uma noite, armado com sua câmera e gravador de voz, Lucas decidiu explorar a clareira sozinho. O ar estava denso e pesado, carregado com uma energia que ele não conseguia explicar. À medida que ele se aproximava, os sons da floresta diminuíam, como se até os animais evitassem aquele lugar amaldiçoado.
Ao chegar à clareira, Lucas montou seu equipamento e começou a explorar. Ele sentiu um arrepio na espinha quando percebeu que o local onde Amélia havia sido encontrada estava marcado por um círculo de pedras antigas, cobertas de musgo e raízes. Ele acendeu uma lanterna e começou a examinar as pedras mais de perto, notando símbolos gravados nelas, símbolos que ele reconheceu de seus estudos de ocultismo.
Enquanto ele examinava os símbolos, sentiu uma presença atrás de si. Virou-se rapidamente e viu a figura de uma mulher, translúcida e etérea, flutuando no ar. Era Amélia. Seus olhos tristes e angustiados fixaram-se nos dele, e ela começou a falar, sua voz como um sussurro no vento.
"Por favor, ajude-me. Estou presa aqui, presa pelo ódio e pela tristeza. Não consigo descansar."
Lucas tentou acalmá-la, perguntando como ele poderia ajudar. Amélia começou a contar sua história, e Lucas ouviu atentamente, gravando cada palavra.
"Joaquim e eu éramos apaixonados, mas nosso amor era proibido. Fomos traídos por alguém em quem confiávamos, alguém que não podia suportar a ideia de nos ver juntos. Foi ele quem tirou a vida de Joaquim, e a dor de sua perda foi mais do que eu podia suportar. Eu me entreguei ao desespero, mas agora estamos presos neste ciclo interminável de sofrimento."
Lucas sentiu uma onda de empatia e tristeza por Amélia. Ele prometeu a ela que faria tudo o que pudesse para libertá-la e a Joaquim. Mas ele sabia que precisava de mais informações. Voltou à cidade, determinado a descobrir quem havia traído Amélia e Joaquim.
No dia seguinte, Lucas foi até a casa de Dona Irene, uma das moradoras mais antigas da cidade. Ela o recebeu com um sorriso cansado e um olhar compreensivo.
"Eu sabia que você voltaria," disse ela. "Você tem um bom coração, Lucas. Eu posso ver isso."
Lucas contou a ela sobre sua experiência na clareira e sobre o que Amélia havia lhe dito. Dona Irene suspirou profundamente e começou a falar.
"Há algo que a maioria das pessoas nesta cidade prefere esquecer. Naquela época, Amélia estava noiva de um homem chamado Álvaro, um fazendeiro rico e influente. Ele era obcecado por ela, mas ela não o amava. Quando ele descobriu sobre Amélia e Joaquim, sua raiva não conheceu limites. Ele jurou que se não pudesse tê-la, ninguém mais poderia. Foi Álvaro quem orquestrou a morte de Joaquim, e a dor que ele causou levou Amélia ao desespero."
Lucas ficou chocado com a revelação. Ele sabia que precisava confrontar o espírito de Álvaro se quisesse libertar Amélia e Joaquim. Mas ele também sabia que isso não seria fácil.
Naquela noite, Lucas voltou à clareira, desta vez preparado para confrontar Álvaro. Ele trouxe consigo uma cruz antiga e um livro de orações que Dona Irene havia lhe dado, itens que ela acreditava ter o poder de afastar espíritos malignos.
Ao chegar à clareira, Lucas sentiu novamente a presença de Amélia. Ela parecia mais calma, mas ainda presa. De repente, uma sombra densa e opressiva começou a se formar diante dele, tomando a forma de um homem de aparência severa – Álvaro.
"Você ousa desafiar-me?" Álvaro rosnou, sua voz cheia de ódio. "Eu não permitirei que destrua o que construí."
Lucas firmou sua posição, segurando a cruz diante de si. "Não foi amor o que você tinha por Amélia. Foi posse. Você destruiu duas vidas por causa do seu egoísmo e agora deve deixar que encontrem paz."
Álvaro avançou, mas a luz da cruz e as palavras das orações de Lucas o mantiveram afastado. Lucas sentiu uma energia poderosa crescendo ao seu redor, como se a própria clareira estivesse ajudando na luta.
Com cada palavra, Álvaro parecia perder força, até que finalmente, com um grito de raiva e desespero, ele desapareceu, dissipando-se na noite. A clareira ficou em silêncio, a atmosfera pesada dissipando-se gradualmente.
Amélia apareceu novamente, mas desta vez, seu semblante era de alívio. "Obrigado, Lucas. Você nos libertou. Agora podemos finalmente descansar."
Enquanto Amélia desaparecia, Lucas sentiu uma profunda paz. Ele sabia que havia cumprido sua promessa. Na manhã seguinte, a cidade de Vila Nova despertou para uma nova era, livre do passado sombrio que a atormentava há tanto tempo.
Lucas se despediu de Dona Irene e dos outros moradores, sabendo que sua jornada estava longe de terminar. Mas ele também sabia que, onde quer que fosse, carregaria consigo a lembrança de Vila Nova e das almas que ajudou a libertar. Com um coração leve, ele partiu, pronto para enfrentar novos desafios e mistérios em seu caminho.
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Atualizado até capítulo 41
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Que bom que ajudaram Amélia
2024-08-04
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