O chamado das profundezas

Depois de Santa Helena, Lucas achou que merecia um descanso. Passou algumas semanas em casa, refletindo sobre as experiências recentes e tentando recuperar a energia. Mas a paz foi breve. Uma nova carta chegou, desta vez de um velho amigo, Gustavo, um arqueólogo com quem Lucas havia trabalhado anos antes.

A carta de Gustavo era urgente. Ele estava escavando em uma pequena vila costeira chamada Ponta Negra e havia descoberto algo que o perturbava profundamente. "Lucas, preciso de sua ajuda. Encontrei um artefato antigo que parece estar ligado a uma série de desaparecimentos na vila. Tenho certeza de que há algo sobrenatural acontecendo aqui."

Lucas arrumou suas coisas e partiu para Ponta Negra. Ao chegar, encontrou uma vila pitoresca, mas com uma atmosfera tensa. Os moradores evitavam falar com ele, seus olhares cheios de medo e desconfiança. Gustavo o recebeu com alívio.

"Obrigado por vir, Lucas. Estou lidando com algo que não compreendo totalmente e precisava de alguém com sua experiência."

Gustavo levou Lucas até o local da escavação, uma antiga caverna que havia sido selada por séculos. Dentro, eles encontraram um altar esculpido em pedra, coberto de símbolos e inscrições em uma língua desconhecida. No centro do altar, havia um amuleto de aparência sinistra, feito de um metal negro e brilhante.

"Desde que encontramos este amuleto, coisas estranhas têm acontecido," explicou Gustavo. "Pessoas desaparecem, vozes sussurram nas sombras, e uma sensação de pavor tomou conta da vila."

Lucas examinou o amuleto de perto. Sentiu uma onda de energia sombria emanando dele, uma força que parecia viva e malevolente. Ele sabia que precisava descobrir a origem desse artefato e a melhor maneira de neutralizá-lo.

Naquela noite, Lucas e Gustavo voltaram à caverna, armados com lanternas e equipamentos de gravação. Eles começaram a explorar as profundezas da caverna, tentando decifrar os símbolos nas paredes e entender a história do lugar. À medida que avançavam, a sensação de opressão aumentava, como se algo os observasse das sombras.

De repente, uma corrente de ar frio passou por eles, apagando as lanternas por um momento. Quando as luzes se reacenderam, Lucas viu uma figura etérea no fundo da caverna. Era uma mulher, com cabelos longos e flutuantes, e olhos que pareciam feitos de pura escuridão.

"Vocês não deveriam estar aqui," a figura sussurrou, sua voz ecoando nas paredes da caverna. "Este lugar é um portal para os antigos deuses do mar. O amuleto é a chave que mantém o portal fechado. Se for perturbado, eles retornarão."

Lucas compreendeu a gravidade da situação. O amuleto não era apenas um objeto amaldiçoado, mas uma âncora que mantinha forças antigas e poderosas seladas. Ele sabia que precisava descobrir como fortalecer o selo ou arriscar libertar horrores indescritíveis sobre o mundo.

Passaram os dias seguintes pesquisando a história da vila e entrevistando os moradores mais velhos. Descobriram que, séculos atrás, os habitantes de Ponta Negra haviam feito um pacto com os antigos deuses do mar, oferecendo sacrifícios em troca de proteção contra tempestades e outros perigos do mar. O amuleto foi criado como um selo para manter os deuses adormecidos.

Lucas também encontrou referências a um ritual que poderia fortalecer o selo, mas era complexo e perigoso. Requeria ingredientes específicos e a realização de um cântico antigo na presença do amuleto.

Na noite do ritual, Lucas e Gustavo reuniram tudo o que precisavam e voltaram à caverna. A atmosfera estava mais carregada do que nunca, e a sensação de ser observado era quase insuportável. Ao começarem o ritual, as sombras ao redor deles pareceram se agitar, e a figura etérea da mulher reapareceu.

"Vocês estão brincando com forças que não compreendem," ela avisou. "Se falharem, os deuses despertarão e reivindicarão o que lhes foi prometido."

Lucas ignorou o aviso e continuou o cântico, concentrando-se nas palavras antigas. Gustavo ajudou, segurando o amuleto e seguindo as instruções de Lucas. À medida que o ritual avançava, a caverna começou a tremer, e uma luz azulada emanava do amuleto.

De repente, um estrondo ensurdecedor ecoou pela caverna, e uma força invisível arremessou Lucas e Gustavo ao chão. Quando se levantaram, a figura da mulher havia desaparecido, e a caverna estava em um silêncio profundo.

Lucas olhou para o amuleto. Ele ainda brilhava com a luz azul, mas agora parecia mais estável. O ritual havia funcionado; o selo estava reforçado. A sensação de opressão desaparecera, e Lucas sentiu um alívio profundo.

Ao sair da caverna, foram recebidos pelos moradores de Ponta Negra. O medo em seus rostos começava a se dissipar, substituído por expressões de gratidão e esperança.

Gustavo apertou a mão de Lucas, agradecido. "Você salvou nossa vila, Lucas. Não sei como podemos te agradecer."

Lucas sorriu, sentindo uma familiar satisfação. "Apenas lembrem-se de respeitar as forças com as quais lidam. O mundo está cheio de mistérios e perigos além de nossa compreensão."

Com a missão cumprida, Lucas se despediu de Gustavo e dos moradores, prometendo voltar se fosse necessário. Enquanto caminhava pela estrada que o levaria a novas aventuras, ele refletiu sobre o que havia aprendido – sobre o poder dos pactos antigos, dos deuses esquecidos e dos selos que mantêm o equilíbrio entre os mundos.

Ele sabia que novos desafios o aguardavam, mas estava preparado. Armado com conhecimento, coragem e uma determinação inabalável, Lucas continuou sua jornada, pronto para enfrentar as sombras que ainda assombravam o mundo e trazer luz onde houvesse escuridão.

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