Sombras do passado

Lucas partiu de Porto das Sombras com um sentimento de alívio e satisfação, mas também com uma nova inquietação. A batalha contra a Sombria e o mistério de Vila Nova haviam deixado marcas profundas em sua alma. Ele estava determinado a continuar sua missão, ajudando aqueles que precisavam desvendar os segredos sombrios que assombravam suas vidas. No entanto, ele não estava preparado para o que estava por vir.

Algumas semanas após deixar Porto das Sombras, Lucas recebeu uma carta anônima. O envelope era simples, mas o conteúdo foi suficiente para despertar sua curiosidade e preocupação. Dentro havia uma única folha de papel, com uma mensagem escrita em uma caligrafia trêmula:

"Lucas, você precisa vir a Santa Helena. Há algo que só você pode resolver. O tempo está se esgotando."

Santa Helena era uma pequena cidade no interior, cercada por colinas e florestas densas. Lucas nunca havia estado lá, mas o tom desesperado da carta o convenceu a investigar. Ele arrumou suas coisas e partiu imediatamente.

Chegando à cidade, Lucas percebeu que algo estava terrivelmente errado. As ruas estavam desertas, e uma névoa espessa pairava sobre o lugar, criando uma atmosfera de opressão e mistério. Ele se dirigiu ao centro da cidade, onde encontrou a igreja local. Ao entrar, foi recebido pelo padre João, um homem de meia-idade com um semblante preocupado.

"Lucas, que bom que você veio," disse o padre, apertando a mão dele. "Precisamos da sua ajuda. Coisas terríveis estão acontecendo aqui."

O padre João levou Lucas até uma sala nos fundos da igreja, onde havia uma mesa coberta de documentos antigos e recortes de jornais. "Há uma antiga maldição que assombra Santa Helena. Dizem que, há mais de cem anos, um pacto foi feito entre um grupo de colonos e uma entidade sombria. Em troca de prosperidade e proteção, eles sacrificaram uma jovem inocente. Desde então, a cada cinquenta anos, alguém desaparece misteriosamente. E agora, o tempo está se esgotando novamente."

Lucas sentiu um calafrio ao ouvir a história. Ele sabia que estava lidando com algo muito antigo e poderoso. "Onde posso encontrar mais informações sobre esse pacto e a entidade envolvida?"

Padre João indicou uma velha biblioteca na periferia da cidade. "Há registros antigos lá. Talvez você encontre algo que possa nos ajudar."

Lucas passou os dias seguintes imerso nos arquivos empoeirados da biblioteca. Encontrou referências a um culto secreto que adorava uma entidade chamada A Sombra. Os relatos eram vagos e fragmentados, mas descreviam rituais macabros e sacrifícios humanos. Em meio aos documentos, Lucas encontrou o diário de uma das primeiras vítimas, uma jovem chamada Isabela.

"13 de outubro de 1872

Sinto que algo terrível está prestes a acontecer. As pessoas ao meu redor estão agindo de maneira estranha, como se estivessem sob algum tipo de encantamento. Ouvi falar de um pacto sombrio, mas ninguém ousa falar sobre isso abertamente. Preciso descobrir a verdade."

"20 de outubro de 1872

Eles vieram para mim esta noite. Disseram que eu fui escolhida. Tentei fugir, mas eles me pegaram. Eu sei que vou morrer, mas rezo para que minha morte não seja em vão. Se alguém encontrar este diário, por favor, acabe com essa maldição."

Lucas sentiu um profundo pesar ao ler as palavras de Isabela. Ele sabia que precisava honrar seu pedido e acabar com a maldição de uma vez por todas. Decidido a enfrentar a entidade, ele reuniu tudo o que pôde sobre os rituais de banimento descritos nos documentos antigos.

Na noite do próximo sacrifício, Lucas, acompanhado pelo padre João e alguns voluntários corajosos da cidade, dirigiu-se à floresta onde o culto realizava seus rituais. A caminhada pela floresta escura e enevoada foi longa e tensa. Lucas sentia os olhos da entidade sobre ele a cada passo.

Ao chegarem ao local do ritual, encontraram um altar de pedra coberto de símbolos esculpidos e manchas de sangue seco. Ao redor do altar, havia um círculo de pedras negras, cada uma gravada com runas antigas. A sensação de opressão aumentava a cada momento, mas Lucas manteve-se firme.

Ele começou a recitar as palavras do banimento, pronunciando cada sílaba com precisão e força. A atmosfera ao redor do altar começou a mudar, como se a própria floresta estivesse reagindo às palavras. De repente, uma figura sombria emergiu da escuridão, tomando a forma de uma mulher alta e esquelética com olhos brilhando de malícia.

"Você ousa desafiar-me?" a figura sibilou, sua voz ecoando pela floresta. "Eu sou A Sombra. Eu sou a escuridão que alimenta seus medos. Não pode me derrotar."

Lucas não se intimidou. Continuou recitando o ritual, sentindo a energia ao seu redor intensificar-se. A figura tentou avançar, mas as palavras do banimento a mantinham afastada. A luta continuou, a tensão crescendo a cada momento, até que finalmente, com um último grito de raiva, A Sombra começou a dissipar-se, desintegrando-se na escuridão.

A clareira ficou em silêncio, a atmosfera pesada aliviada. Lucas soube que havia vencido. O pacto estava quebrado, e a maldição que assombrava Santa Helena por tanto tempo havia sido desfeita.

Os habitantes da cidade emergiram de suas casas, sentindo a mudança no ar. O padre João e os voluntários expressaram sua gratidão a Lucas, que se sentiu aliviado, mas também exausto. Ele sabia que havia mais mistérios a serem resolvidos, mais lugares a serem libertados de suas trevas.

Antes de deixar Santa Helena, Lucas visitou o túmulo de Isabela no antigo cemitério da cidade. Ele deixou uma flor sobre a lápide, prometendo a si mesmo nunca esquecer sua luta e seu sacrifício.

Com o coração mais leve e uma nova determinação, Lucas partiu para seu próximo destino. Ele sabia que o caminho à frente seria cheio de desafios, mas também estava certo de que sua missão era justa e necessária. Cada cidade libertada, cada mistério resolvido, era um passo a mais na direção da luz, afastando as sombras do passado e trazendo esperança para o futuro.

E assim, Lucas seguiu em frente, pronto para enfrentar o que quer que viesse em seu caminho, sempre guiado pela promessa de justiça e a busca incessante pela verdade.

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