O retorno de Joaquim

Lucas havia deixado Vila Nova com a sensação de dever cumprido. Contudo, à medida que os dias passavam, ele começou a sentir uma inquietação crescente. Algo ainda parecia incompleto. Ele não conseguia afastar a sensação de que havia mais na história de Amélia e Joaquim do que ele havia descoberto.

Foi em uma dessas noites de insônia que Lucas recebeu uma ligação inesperada. Era Dona Irene, a bibliotecária de Vila Nova. Sua voz soava agitada, quase desesperada. "Lucas, precisamos de sua ajuda novamente. Algo estranho está acontecendo na floresta. Pessoas estão ouvindo sussurros e vendo sombras. Parece que o espírito de Joaquim está de volta."

Intrigado e preocupado, Lucas prometeu retornar à cidade imediatamente. Ao chegar em Vila Nova, ele foi direto para a biblioteca. Dona Irene estava esperando por ele, com uma expressão de alívio misturada com apreensão.

"Desde que você ajudou Amélia a encontrar paz, esperávamos que os estranhos eventos cessassem," disse Irene. "Mas agora parece que o espírito de Joaquim está perturbado. Precisamos entender por quê."

Lucas assentiu, sentindo a urgência da situação. Ele sabia que precisava descobrir mais sobre Joaquim e o que poderia estar mantendo seu espírito inquieto. Decidiu começar investigando os relatos mais recentes dos moradores que haviam visto ou ouvido o espírito.

Uma das testemunhas, um caçador chamado Antonio, descreveu uma experiência arrepiante. "Eu estava na floresta à noite, quando ouvi sussurros chamando meu nome. Quando me virei, vi uma figura esbranquiçada, um homem, olhando para mim com uma expressão de desespero. Ele murmurava algo sobre não ter cumprido uma promessa."

Outros moradores relataram avistamentos semelhantes, sempre mencionando um homem fantasmagórico e sussurros sobre promessas quebradas. Lucas percebeu que precisava visitar novamente o local do acidente de Joaquim. Talvez houvesse algo ali que pudesse lançar luz sobre o motivo de seu espírito estar perturbado.

Na noite seguinte, Lucas e Dona Irene se dirigiram ao local do acidente, uma antiga estrada agora em desuso e coberta por vegetação. O lugar tinha uma atmosfera pesada, e Lucas sentiu um arrepio ao se aproximar dos restos da carroça destruída.

Enquanto investigava o local, Lucas encontrou um velho medalhão entre os destroços. Ele abriu o medalhão e encontrou uma pequena foto de Amélia. "Ele estava vindo para encontrá-la, mesmo nos seus últimos momentos," Lucas murmurou, sentindo a dor de Joaquim.

De repente, um frio intenso envolveu Lucas e Irene. Uma figura esbranquiçada apareceu diante deles – o espírito de Joaquim. Seus olhos estavam cheios de desespero e arrependimento. "Eu não pude cumprir minha promessa," murmurou Joaquim, sua voz ecoando como um lamento no vento.

"Joaquim," Lucas disse suavemente, "eu sei que você queria estar com Amélia. Ela sabe da verdade agora e encontrou paz. Mas parece que você ainda está preso aqui. Por quê?"

O espírito de Joaquim parecia lutar para encontrar as palavras. "Eu queria protegê-la... Queria salvá-la da dor... Mas falhei. E agora, não posso descansar sabendo que a deixei sozinha."

Lucas olhou para Irene, que estava visivelmente emocionada. "Joaquim, Amélia não está mais sozinha. Ela sabe que você tentou voltar para ela. Talvez haja algo mais que você precise fazer para encontrar paz."

O espírito de Joaquim parecia ponderar as palavras de Lucas. "Minha promessa... Eu prometi a ela que estaríamos juntos, mesmo na morte. Mas falhei."

Lucas teve uma ideia. "Joaquim, talvez você possa encontrar paz ao se reunir com Amélia, mesmo em espírito. Deixe-nos ajudar você a cumprir sua promessa final."

Com a ajuda de Dona Irene, Lucas organizou um pequeno ritual na clareira onde Amélia tirou sua vida. Eles trouxeram o medalhão e as cartas de Joaquim, simbolizando o amor e as promessas que foram feitas. À medida que a lua cheia iluminava a clareira, Lucas sentiu uma presença crescente ao seu redor.

"Amélia," chamou Lucas, segurando o medalhão. "Joaquim está aqui. Ele quer cumprir sua promessa final."

A figura espectral de Amélia apareceu, flutuando suavemente na luz da lua. Seus olhos encontraram os de Joaquim, e por um momento, os dois espíritos pareciam se reconhecer e se aproximar.

"Joaquim," sussurrou Amélia, "você voltou."

"Amélia, eu nunca quis te abandonar. Meu amor por você nunca morreu," respondeu Joaquim, sua voz cheia de emoção.

Os dois espíritos se aproximaram, suas figuras esbranquiçadas se fundindo em um abraço espectral. Lucas e Irene observaram com reverência enquanto as duas almas finalmente se reuniam, sentindo uma paz profunda e silenciosa envolvendo a clareira.

Por um momento, o tempo parecia parar. Então, gradualmente, as figuras de Amélia e Joaquim começaram a se dissipar, como névoa ao sol. Lucas sentiu uma onda de alívio e tristeza ao mesmo tempo. Ele sabia que havia ajudado a trazer paz a dois espíritos atormentados, mas também que nunca esqueceria a história trágica de seu amor.

Enquanto Lucas e Irene deixavam a floresta, um silêncio pacífico envolveu Vila Nova. A lenda de Amélia e Joaquim agora tinha um desfecho diferente, um final de redenção e amor eterno. E Lucas, com uma nova compreensão do poder das promessas e do amor, partiu de Vila Nova, sabendo que havia feito a diferença na vida – e na morte – daqueles que mais precisavam.

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Comments

Valentina Valente

Valentina Valente

E o que aconteceu com as pessoas que sumiram na clareira???

2024-11-23

0

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Que bom que Amélia e Joaquim se encontram, tendo sua paz e união.

2024-08-04

1

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