Alguns meses se passaram desde que Lucas deixou Vila Nova. A cidade havia encontrado um novo ritmo de vida, e a clareira, agora sem a velha árvore, florescia com uma nova vegetação. A paz reinava, e os habitantes se lembravam da história de Amélia e Joaquim com um misto de tristeza e gratidão. No entanto, para Lucas, a sensação de inquietação nunca desapareceu completamente. Ele sabia que havia ajudado a trazer paz a duas almas atormentadas, mas a presença de um novo mistério pairava no ar, como uma sombra persistente.
Em uma manhã chuvosa, Lucas recebeu uma carta que reacenderia sua curiosidade e o levaria de volta a Vila Nova. A carta era de Dona Irene, e suas palavras transbordavam de urgência e apreensão.
"Lucas,
Espero que esta carta o encontre bem. Algo estranho está acontecendo em Vila Nova novamente. A clareira onde a velha árvore caiu está sendo palco de eventos inexplicáveis. Algumas pessoas afirmam ouvir vozes e ver figuras sombrias. Eu temo que ainda haja segredos enterrados que precisam ser revelados. Por favor, volte e nos ajude a entender o que está acontecendo.
Com gratidão,
Dona Irene"
Lucas não hesitou. Preparou suas coisas e partiu imediatamente para Vila Nova, sentindo que seu trabalho ali ainda não estava completo. Ao chegar, foi direto para a biblioteca, onde Dona Irene o aguardava com uma expressão de alívio.
"Lucas, que bom que você veio tão rápido," disse Irene, apertando sua mão com firmeza. "As coisas começaram a ficar estranhas novamente logo após a queda da árvore. Eu acho que a terra onde a árvore estava escondia mais do que imaginávamos."
Lucas ouviu atentamente enquanto Irene descrevia os eventos recentes. Pessoas relatavam avistamentos de sombras se movendo pela clareira e sussurros ininteligíveis no vento. Alguns até afirmavam ter visto uma figura feminina, diferente da aparição de Amélia, vagando pela área. A situação lembrava muito os fenômenos que ocorriam antes de Lucas ter resolvido o mistério de Amélia e Joaquim.
Determinado a descobrir a fonte dos novos distúrbios, Lucas decidiu explorar a clareira imediatamente. Ele se armou com suas ferramentas de investigação e seguiu em direção ao local. A clareira estava diferente; as plantas haviam crescido rapidamente desde a última vez que ele esteve ali, criando uma atmosfera densa e quase sufocante.
Enquanto caminhava pela clareira, Lucas começou a sentir uma presença. Era uma sensação familiar de ser observado, mas dessa vez, havia algo mais, algo que ele não conseguia identificar. Ele parou próximo ao local onde a velha árvore havia caído e começou a escavar cuidadosamente a terra, na esperança de encontrar alguma pista.
Após algumas horas de escavação, Lucas encontrou algo inesperado – uma antiga caixa de madeira, semelhante àquela encontrada anteriormente, mas em um estado muito mais precário. Ao abrir a caixa com cuidado, ele encontrou um conjunto de documentos e um diário antigo. O diário pertencia a uma mulher chamada Helena, e os documentos incluíam cartas trocadas entre Helena e Estevão, o homem que havia ameaçado Joaquim.
Lucas voltou para a biblioteca com as novas descobertas, onde ele e Irene começaram a examinar o conteúdo da caixa. O diário de Helena revelou uma história perturbadora. Ela era uma mulher que havia se envolvido com Estevão anos antes dos eventos envolvendo Amélia e Joaquim. As cartas entre Helena e Estevão expunham um lado ainda mais sombrio de Estevão – sua obsessão por controle e sua capacidade de manipulação e violência.
“15 de março de 1879
Estou com medo de Estevão. Ele não é o homem que pensei que fosse. Sua obsessão por mim está ficando fora de controle. Não sei quanto tempo mais poderei suportar isso. Preciso encontrar uma maneira de escapar.”
Lucas e Irene perceberam que Helena poderia ter sido uma das primeiras vítimas da crueldade de Estevão. As cartas detalhavam ameaças e promessas vazias de proteção, enquanto o diário de Helena registrava seu crescente desespero e medo.
“12 de abril de 1879
Estevão disse que se eu tentar deixá-lo, ele fará com que eu desapareça. Não posso viver assim, mas não sei como escapar. Tenho que encontrar ajuda.”
À medida que avançavam na leitura, a verdade sobre Helena começou a emergir. Ela havia tentado fugir de Estevão, mas ele a encontrou e a manteve em cativeiro na floresta, perto da clareira onde Amélia tirou sua vida. Helena nunca conseguiu escapar de verdade; ela foi morta por Estevão, e seu corpo foi enterrado sob a velha árvore.
Com essas novas informações, Lucas entendeu que o espírito de Helena estava perturbado, ainda presa à terra onde sofreu tanto. Ele sabia que precisavam encontrar os restos mortais de Helena e dar a ela um enterro digno para finalmente libertar seu espírito.
Lucas e Irene organizaram uma equipe de voluntários para ajudar na busca pelo corpo de Helena. Voltaram à clareira e começaram a escavar com mais precisão e cuidado. Após horas de trabalho, encontraram os restos mortais de Helena enterrados profundamente sob as raízes da antiga árvore.
O enterro de Helena foi um evento solene. A cidade se reuniu para prestar homenagem a uma mulher cuja história havia sido esquecida e cujos sofrimentos haviam sido enterrados sob a sombra de Estevão. Durante a cerimônia, Lucas falou sobre a importância de lembrar e honrar aqueles que sofreram injustiças, e como a verdade, por mais dolorosa que seja, deve sempre ser revelada.
Enquanto as palavras de Lucas ecoavam pela clareira, ele sentiu uma mudança no ar. Uma brisa suave e cálida soprou, como um sinal de aprovação. Lucas viu, por um breve momento, uma figura feminina brilhante, observando à distância. Era Helena, finalmente livre da dor e do medo, pronta para seguir em paz.
Com a descoberta e o enterro de Helena, os eventos perturbadores em Vila Nova cessaram completamente. A cidade voltou ao seu ritmo normal, mas com um novo senso de história e justiça. A clareira, agora livre dos espíritos atormentados, tornou-se um lugar de contemplação e respeito, um símbolo da luta contra a injustiça e a importância de desenterrar a verdade.
Lucas, após se despedir de Dona Irene e dos moradores, deixou Vila Nova uma vez mais, sentindo uma paz profunda. Ele sabia que, ao ajudar a trazer justiça a Helena, havia completado sua missão de trazer a verdade à luz. A cidade e seus habitantes agora poderiam viver em paz, sabendo que os fantasmas do passado finalmente encontraram o descanso que mereciam.
A jornada de Lucas o ensinou muito sobre a complexidade das histórias humanas e a importância de nunca desistir de buscar a verdade. Com essas lições em mente, ele seguiu para seu próximo destino, pronto para enfrentar novos mistérios e ajudar aqueles cujas histórias ainda precisavam ser contadas.
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Atualizado até capítulo 41
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