O espírito do pantano

Depois de deixar Vale das Sombras, Lucas continuou sua jornada pelo interior, desta vez seguindo uma dica que Mariana havia recebido de um contato na cidade de Mirante Verde. A cidade ficava próxima a um vasto e misterioso pântano, conhecido por suas histórias de desaparecimentos e avistamentos sobrenaturais.

Chegando a Mirante Verde, Lucas percebeu que a cidade tinha uma atmosfera sombria. As pessoas evitavam contato visual e as ruas estavam mais vazias do que o normal. Ele encontrou Mariana em um pequeno café no centro da cidade, onde ela estava conversando com um jovem local, Pedro.

"Lucas, este é Pedro," disse Mariana, fazendo as apresentações. "Ele cresceu aqui e sabe bastante sobre o pântano. Pedro estava contando sobre os desaparecimentos recentes."

Pedro assentiu, a preocupação visível em seu rosto. "Nos últimos meses, várias pessoas desapareceram no pântano. Alguns dizem que é um espírito vingativo, outros falam de uma criatura mítica. Meu tio foi uma das vítimas. Ele sempre dizia que algo estava errado com aquele lugar."

Lucas e Mariana trocaram um olhar. "Precisamos investigar isso," disse Lucas. "Pedro, você pode nos levar até a entrada do pântano?"

Pedro concordou, e logo os três estavam a caminho. A borda do pântano era densa e sombria, com árvores altas e raízes que emergiam da água turva. Pedro apontou para uma trilha pouco visível. "Essa é a entrada. Cuidado, a trilha é traiçoeira e fácil de se perder."

Lucas e Mariana agradeceram a Pedro e seguiram pela trilha. À medida que avançavam, a vegetação ficava mais densa e o ar mais pesado. A sensação de estar sendo observados aumentava a cada passo.

"Precisamos ficar atentos," disse Lucas, ajustando a mochila nas costas. "Não sabemos o que vamos encontrar."

Caminharam por horas, documentando tudo que podiam e tentando não perder a trilha. Eventualmente, chegaram a uma clareira inundada, onde a água do pântano formava uma espécie de lago. No centro, havia uma pequena ilha, quase escondida pela vegetação.

"Algo me diz que devemos ir até aquela ilha," disse Mariana, apontando. "Pode ser o centro de tudo isso."

Lucas concordou e começaram a procurar uma maneira de atravessar a água. Encontraram uma velha canoa amarrada a uma árvore. "Parece que alguém já esteve aqui antes," disse Lucas, empurrando a canoa para a água.

Remaram em silêncio, atentos aos sons ao redor. Chegando à ilha, perceberam que havia algo diferente ali. Uma sensação de energia pulsava no ar, como se o próprio pântano estivesse vivo. No centro da ilha, encontraram um antigo altar de pedra, coberto de musgo e inscrições desgastadas pelo tempo.

"Este lugar é mais antigo do que parece," disse Mariana, examinando as inscrições. "Estas inscrições são em uma língua que nunca vi antes."

Enquanto investigavam, um vento frio atravessou a ilha, e Lucas sentiu um calafrio. De repente, uma figura espectral apareceu diante deles, uma mulher com vestes antigas e olhos vazios.

"Quem ousa profanar meu santuário?" a figura perguntou, sua voz ecoando como um lamento distante.

Lucas deu um passo à frente, tentando mostrar confiança. "Somos buscadores da verdade. Queremos entender o que está acontecendo aqui e ajudar os desaparecidos."

A figura espectral os observou por um momento antes de falar novamente. "Eu sou Anara, guardiã do pântano. Fui traída e assassinada há muitos séculos, e minha alma está presa aqui. Os que desaparecem são tomados pelo espírito vingativo de meu assassino, que também está preso neste lugar."

Lucas e Mariana ficaram em silêncio, processando a informação. "Como podemos libertar você e acabar com isso?" perguntou Lucas finalmente.

Anara estendeu uma mão etérea em direção ao altar. "Há um ritual de purificação. Vocês precisam recitar as palavras antigas, acender a chama da verdade e oferecer um símbolo de pureza. Só então os espíritos serão libertados."

Lucas e Mariana começaram a preparar o ritual, usando as poucas instruções fornecidas por Anara. Acenderam uma fogueira no altar e colocaram um medalhão de prata que Mariana havia trazido como símbolo de pureza. Enquanto Lucas recitava as palavras antigas, Mariana acendeu a chama da verdade.

O ar ao redor deles começou a vibrar, e a figura de Anara brilhou com uma luz suave. De repente, uma figura sombria apareceu, o espírito vingativo de seu assassino. Ele tentou avançar, mas foi impedido pela luz emanando do altar.

"Vocês não conseguirão!" a figura sombria gritou, sua voz cheia de ódio.

Lucas continuou a recitar o ritual, sua voz firme e resoluta. A luz ao redor do altar intensificou-se, banhando a ilha em um brilho quase cegante. O espírito vingativo gritou uma última vez antes de se dissipar, sua forma desintegrando-se na luz.

Anara olhou para Lucas e Mariana, gratidão em seus olhos. "Vocês fizeram o que parecia impossível. Meu espírito está finalmente em paz. Obrigada."

Com essas palavras, a figura de Anara desapareceu, e o pântano ao redor deles pareceu respirar aliviado. A sensação de opressão desapareceu, substituída por uma calma serena.

Lucas e Mariana voltaram para a canoa, remando de volta para a borda do pântano. Ao chegarem, encontraram Pedro esperando, ansioso. "Vocês estão bem? O que aconteceu?"

Lucas sorriu, colocando uma mão no ombro de Pedro. "Conseguimos libertar os espíritos. Seu tio e os outros estão em paz agora."

Pedro deixou escapar um suspiro de alívio. "Obrigado. Vocês não sabem o quanto isso significa para nós."

Os dias seguintes foram de celebração em Mirante Verde. Os moradores, agora livres do medo, expressaram sua gratidão a Lucas e Mariana. A cidade, antes sombria, começou a recuperar sua vitalidade.

Antes de partir, Lucas e Mariana passaram algum tempo documentando os eventos e garantindo que a história de Anara fosse conhecida. Sabiam que havia muitas outras histórias semelhantes esperando para serem descobertas e muitas outras almas precisando de paz.

Enquanto se despediam de Pedro e dos moradores, Lucas sentiu uma familiar satisfação. Cada mistério resolvido, cada espírito libertado, era um passo mais perto de trazer equilíbrio e paz ao mundo.

A jornada de Lucas e Mariana estava longe de terminar. Sabiam que o caminho à frente seria cheio de desafios, mas também de descobertas e vitórias. E, com cada vitória, fortaleciam-se, prontos para enfrentar o que viesse, sempre guiados pela promessa de justiça e pela busca incessante pela verdade.

Assim, partiram em direção ao horizonte, prontos para responder ao próximo chamado, prontos para enfrentar as sombras e trazer luz onde houvesse escuridão. A missão continuava, e eles estavam preparados para o que quer que viesse em seu caminho.

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