Ecos do passado

Algumas semanas após a partida de Lucas, Vila Nova começou a encontrar uma paz que não sentia há décadas. A história de Amélia e Joaquim passou a ser contada de uma nova maneira, como uma lembrança do poder do amor e do perdão. No entanto, a paz recém-descoberta não duraria muito.

Numa tarde de verão, uma tempestade súbita e violenta atingiu a cidade. Os ventos uivavam pelas ruas e relâmpagos iluminavam o céu, trazendo uma atmosfera de inquietação. Durante a tempestade, a velha árvore na clareira, onde Amélia havia tirado a própria vida, foi atingida por um raio e caiu, causando um estrondo que ressoou pela cidade.

No dia seguinte, os moradores descobriram que a queda da árvore havia revelado uma antiga caixa de metal enterrada entre as raízes. Curiosos, eles chamaram Dona Irene e o prefeito para investigar. A caixa estava coberta de ferrugem, mas ainda intacta. Com cuidado, Irene a abriu, revelando um conjunto de diários e cartas que pareciam ter pertencido a Joaquim e Amélia.

Dona Irene imediatamente soube que essas descobertas poderiam conter novas revelações sobre a trágica história dos dois amantes. Decidida a compartilhar as descobertas com Lucas, ela o contatou novamente, pedindo que ele retornasse à cidade.

Lucas chegou a Vila Nova pouco depois do amanhecer. A presença da caixa e seu conteúdo o intrigaram. Reunido com Dona Irene na biblioteca, ele começou a ler os diários e cartas com grande interesse.

As primeiras páginas do diário de Joaquim revelavam sua vida antes de conhecer Amélia. Ele descrevia seu casamento sem amor e sua luta para manter uma vida estável para sua família. No entanto, à medida que as páginas avançavam, o tom mudava. Joaquim escrevia sobre sua crescente paixão por Amélia, seu desejo de protegê-la e suas intenções de fugir com ela.

“15 de junho de 1884

Conheci uma mulher hoje, Amélia. Nunca senti nada assim antes. Sua presença ilumina meu mundo sombrio. Sei que é errado, mas não consigo evitar. Tenho que vê-la novamente.”

As cartas e diários revelavam um amor profundo e complicado, mas também algo que Lucas não esperava. Joaquim mencionava várias vezes um homem chamado Estevão, que parecia ter desempenhado um papel importante em suas vidas.

“30 de junho de 1884

Estevão descobriu sobre Amélia e eu. Ele me ameaçou, dizendo que se eu não me afastasse dela, haveria consequências graves. Tenho medo do que ele possa fazer, mas não posso deixá-la.”

Lucas franziu a testa ao ler sobre Estevão. Quem era ele e que papel desempenhava na tragédia de Amélia e Joaquim? Ele decidiu investigar mais a fundo.

Dona Irene, com seu vasto conhecimento da história local, revelou que Estevão era um antigo amigo da família de Amélia e um homem de grande influência na época. Ele tinha uma obsessão doentia por Amélia e estava disposto a tudo para tê-la.

Lucas e Dona Irene começaram a entrevistar os habitantes mais antigos da cidade, procurando qualquer informação sobre Estevão e seu envolvimento com Joaquim e Amélia. As histórias que ouviram eram assustadoras. Estevão era conhecido por sua crueldade e manipulação. Ele usava seu poder para intimidar e controlar aqueles ao seu redor.

Um antigo fazendeiro, Sr. Antônio, lembrou-se de algo crucial. “Estevão sempre foi um homem perigoso. Lembro-me de ouvir rumores sobre como ele estava furioso quando descobriu sobre Joaquim e Amélia. Disseram que ele prometeu que Joaquim nunca mais veria a luz do dia se continuasse com Amélia.”

Lucas começou a conectar os pontos. Estevão provavelmente tinha algo a ver com a morte de Joaquim. Decidido a descobrir a verdade, ele voltou ao local do acidente de Joaquim para investigar mais a fundo.

No local do acidente, Lucas encontrou marcas antigas no solo, que pareciam indicar que a carroça de Joaquim havia sido forçada a sair da estrada. Ele também encontrou pedaços de uma corrente, sugerindo que a carroça poderia ter sido sabotada.

Com essas novas evidências, Lucas voltou à cidade, onde encontrou um registro antigo de incidentes policiais. Entre eles, estava um relatório sobre o acidente de Joaquim. O relatório mencionava testemunhas que viram um homem misterioso perto da estrada na noite do acidente, mas a investigação nunca foi concluída.

Lucas estava cada vez mais convencido de que Estevão havia desempenhado um papel direto na morte de Joaquim. Ele decidiu confrontar a última pessoa viva que poderia saber a verdade – um homem chamado Miguel, antigo capataz de Estevão, que agora vivia recluso nas montanhas.

A viagem até a cabana de Miguel foi difícil, mas Lucas estava determinado. Ao encontrar o velho capataz, ele explicou suas descobertas e a necessidade de saber a verdade.

Miguel, um homem de idade avançada e aparência frágil, inicialmente relutou em falar. Mas a sinceridade e a persistência de Lucas o convenceram. “Estevão era um homem cruel. Ele me mandou sabotar a carroça de Joaquim naquela noite. Disse que precisava ensinar uma lição a quem ousasse cruzar seu caminho.”

As palavras de Miguel confirmaram as suspeitas de Lucas. Joaquim havia sido vítima de uma conspiração cruel, orquestrada por Estevão. Sabendo disso, Lucas sentiu uma nova determinação. Ele precisava trazer justiça ao espírito de Joaquim e fechar esse capítulo sombrio da história de Vila Nova.

Lucas voltou à cidade com essa revelação, compartilhando tudo com Dona Irene e os moradores. A verdade chocou a todos, mas também trouxe um senso de justiça e alívio. Com a verdade finalmente revelada, Lucas organizou uma última vigília na clareira, onde toda a cidade se reuniu para prestar homenagem a Joaquim e Amélia.

Durante a vigília, Lucas sentiu novamente a presença dos espíritos. Ele levantou a voz para o céu noturno. “Joaquim, Amélia, a verdade foi revelada. Estevão não poderá mais causar sofrimento. Vocês podem descansar em paz.”

Um vento suave soprou pela clareira, e Lucas viu, pela última vez, as figuras etéreas de Joaquim e Amélia. Desta vez, seus rostos não mostravam tristeza ou raiva, mas paz. Eles se abraçaram uma última vez antes de desaparecerem na noite, deixando para trás um sentimento de conclusão e serenidade.

A história de Amélia e Joaquim agora era completa, um testemunho do poder da verdade e do amor eterno. Vila Nova, com seu passado finalmente esclarecido, podia seguir em frente, sempre lembrando que mesmo nas histórias mais trágicas, a redenção e a justiça são possíveis.

Lucas, por sua vez, deixou Vila Nova com um coração leve, sabendo que havia ajudado a trazer paz não só para os espíritos, mas também para os moradores. Ele continuaria sua vida, sempre carregando consigo as lições aprendidas naquela pequena cidade, onde o amor e a verdade triunfaram sobre a escuridão e a injustiça.

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Comments

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Muito bom

2024-08-04

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