Durante os quatro meses que estão na Mansão das Esquecidas, Jingfei e Ehuang mantiveram a esperança na volta do imperador e do marechal para buscá-las, mas depois desse tempo todo, as duas começam a acreditar que foram realmente esquecidas.
Talvez algo tenha acontecido com a comitiva. - comenta Ehuang sentada na pedra que fica ao lado do elevador. - Informaram que as chuvas são muito violentas naquele reino, talvez ainda estejam presos.
Jingfei não responde, mantém seu olhar fixo no horizonte. Seu coração se recusa a acreditar que seu amado esposo a abandonou naquele lugar. Não Zhang Huizong que lhe fez inúmeras juras de amor. Não aquele homem apaixonado, que fazia as noites serem uma delicia. Por três anos, os dois viviam uma eterna lua de mel, onde não havia lugar proibido para os beijos ou as carícias, onde a todo tempo era lugar e hora para declarar amor um ao outro. Não, nunca Jingfei vai acreditar que foi abandonada.
No horizonte, uma formação de soldados se aproxima, as duas sabem que é a troca da guarda, mas desta vez algo está diferente, uma carruagem preta está junto.
O que será aquilo? - pergunta Ehuang.
De novo Jingfei não responde e apenas observa a aproximação do grupo.
Quando o grupo de soldados chega ao sopé da montanha, as duas não têm mais visão do que está acontecendo e sem dar maior importância ao assunto, se retiram para preparar a comida.
Uma hora depois, o elevador se movimenta e as duas saem correndo da mansão para saber o que está acontecendo. O elevador para e quatro soldados mal-encarados saem, ao lado deles um capitão, que Jingfei já viu no quartel-general do marido.
Vieram nos levar para casa? - pergunta Jingfei esperançosa.
Cale-se, mulher! - grita o capitão. - Leve-as para baixo e vocês dois revistem o local!
As espadas e o arco surgem ao lado da mansão e Jingfei faz sinal para que fiquem calmos.
As duas devem juntar suas coisas e nos acompanhar! - o capitão só sabe gritar.
Na mansão, Jingfei sussurra para as armas.
Diminuam de tamanho e fiquem entre as coisas na trouxa. Só saiam quando nós mandarmos, entenderam?
E assim é feito. As três armas, em tamanho menor, se acomodam entre as peças de roupa, enquanto isso, as duas são praticamente arrastadas para fora da mansão.
O que significa isso? Por que tal atitude? - pergunta Jingfei confusa.
Vocês estão indo para a capital. O imperador quer a presença de vocês. - fala o capitão, que esqueceu de gritar.
O imperador voltou? - pergunta Ehuang feliz.
Para azar de vocês, sim, ele voltou.
Para nosso azar? Por quê? - Jingfei está desconfiando que aquela situação não é nada boa. - O que está acontecendo?
Diga-nos vocês! - o capitão volta a gritar. - Diga onde estão as pessoas que as visitaram, aqui na mansão!
Ninguém veio nos visitar. - explica Ehuang, com sua voz chorosa.
Expliquem ao imperador, não a mim.
Por que perguntou?
Você sempre foi atrevida, mulher! Agora quero ver esse atrevimento quando estiver nas masmorras!
Masmorras? - falam as duas.
Mantenha sua arrogância, mulher! Isso não vai durar muito!
Apesar de todas as explicações de que estava acontecendo um engano, que na verdade tudo era um plano para prejudicá-las, os soldados as arrastaram até o elevador e descem até o sopé da montanha, onde correntes são amarradas em suas mãos e pés.
Lutando muito contra essa atitude, as duas são acorrentadas e jogadas dentro da carruagem preta, que agora elas reconhecem, é a carruagem de presos.
Os soldados montam em seus cavalos e partem em direção a estrada e de lá para a Estrada dos Comuns, em direção a capital.
O governador Gao não foi avisado de tal ato, mas seus guardas avisam. Na sala com ele estão o irmão e seu vice-governador Gao Liao, olhando para a janela, ele suspira e volta a olhar para a mesa, então abre uma gaveta onde estão um livro e um documento muito bem guardados.
__ Parece que o jogo começou e estamos preparados. Não vou permitir que prejudiquem ao povo ou a minha família. - decreta o governador Gao.
Se as estradas estão boas, o tempo até a capital é relativamente curto, cerca de vinte dias, como Jingfei bem sabe, pois esteve nessa estrada a algum tempo, mas agora não é essa a situação. As chuvas da primavera deixaram o solo lamacento e a velocidade da carruagem e dos cavalos é lenta, com isso a chegada a capital poderá ser em trinta dias, talvez menos.
As duas são tratadas como criminosas o tempo todo. Comiam as sobras dos soldados, em muitas vezes não comiam nada, tampouco bebiam água com frequência. Elas se preocupam com seus bebês, que precisam se alimentar bem.
Durante as primeiras semanas de viajem, Ehuang chorou muito, desmaiou algumas vezes de fome.
Você precisa parar de chorar, isso faz mal ao bebê. Tenha calma, quando falarmos com o imperador tudo isso será explicado. Lembra que as armas estão conosco? Então, só a visão delas explicará essa confusão toda, sem contar que quando mostrarmos os dragões, eles vão se espantar de verdade, não é mesmo? - Jingfei faz o possível para alegrar Ehuang.
Por sorte, com os dias passando e Jingfei acalmando a amiga, as lágrimas pararam. Diferente das humilhações que passaram na estrada, até mesmo para suas necessidades físicas.
Eu vou me lembrar dessa situação toda, vou mesmo, assim como vou lembrar de tio Yan.
Não seja vingativa, Jingfei, isso não leva a nada.
Diga isso aquele homem que destruiu minha família.
__ Aposto que ele não tem mais nada a fazer na vida agora, pois tudo que tinha era a vingança. Ela foi executada e o que sobrou? Nada. Fique calma, como diz você, tudo isso vai se arrumar e voltaremos a nossa vida, só que agora será melhor ainda. - encerra Ehuang acariciando seu ventre, que ainda não é grande.
No vigésimo sétimo dia dessa viagem, a carruagem de presos atravessa os portões da capital e se dirigi as masmorras, que fica no lado sul da cidade, construída junto a muralha e com pouca distância do portão sul.
O lugar é feio e úmido. Tem um formato de um quadrado e no meio fica o pátio, onde os presos podem ficar para um banho de sol, quer dizer, aqueles que têm essa permissão. Nesse lugar estão Xiuying, Xiuying-in e o soldado Meng Yuan, que agora é um ex soldado, pois o marechal o expulsou sob a acusação de colaborar e arquitetar a fuga de duas suspeitas de espionagem. O pai do soldado Meng Yuan o expulsou da família, retirando seu nome do livro da família e quando foi visitá-lo, cuspiu em seu rosto e disse que nunca teve outro filho senão o capitão Meng, que é o mesmo que escoltou Jingfei e Ehuang de volta a capital.
Chamar aquele lugar de masmorra é muito estranho, já que ela não fica no subsolo do palácio e sim na superfície e deveria ser chamada de prisão, mas alguém determinou que assim que aquela construção deveria ser chamada e assim foi.
Suas paredes são grossas, duas camadas de tijolos grandes, as janelas são pequenas, portanto a visão se restringe somente ao céu. Grades de ferro fundido nas celas e o piso do mesmo material que existe nas paredes. O lugar é frio e escuro.
Xiuying e sua irmã gêmea, foram torturadas para dizerem quem as enviou para espionar o império, mas elas nada disseram. Suportar a dor é um dos treinamentos de uma Guardiã e assim, elas nada disseram e nenhum gemido foi ouvido saindo delas.
O ex soldado Meng Yuan foi espancado com vara até desmaiar, tudo suportou, até mesmo o desprezo do pai. Se morrer ali, não sentirá remorso de nada, afinal, fez sempre o queria e que o fazia feliz. Só sente não poder ter ajudado a senhora Zhang.
As celas nessa masmorra são exatamente iguais e como são duzentas celas, isto significa que elas são pequenas, medem exatamente dois metros por dois metros. Não existe espaço a mais, o preso fica em pé, agachado ou deitado, não existe outra posição. A palha que forra o chão, pode ser usada como cama e as necessidades é por conta da imaginação de cada preso. Os guardas não limpam as celas e servem comida quando estão dispostos a isso.
Jingfei e Ehuang estão em celas separadas, mas uma ao lado da outra. Quando chegam nas masmorras, uma mulher vestida de preto, coberta da cabeça aos pés e que só os olhos podiam ser vistos, arranca a roupa das duas e enfia uma roupa de homem, bem larga, suja e fedendo a carne podre. A mulher não diz uma palavra, só faz seu serviço e vai embora. Descalças e sem seus enfeites de cabelos ou as joias, as duas são jogadas nas celas e logo em seguida dois soldados aparecem e jogam um balde de água fria nas duas.
É para vocês ficarem limpas da sujeira, mas talvez não ajude, afinal, quem nasceu suja não tem água que limpe. - os soldados saem rindo.
O lugar é frio e escuro, não é uma coisa boa ficar molhada em um lugar como esse.
Irmã Ehuang? Estica a mão do lado da cela, vou aquecê-la. - Jingfei se concentra, assim como ensinou o dragão Yan e seu corpo aumenta a temperatura e seca sua roupa, esticando a mão, ela alcança a mão de Ehuang e passa esse calor para a amiga, que fica com a roupa seca também.
Vamos fazer o possível para sobreviver, irmã Ehuang. Eles não vencerão.
Não guarde rancor, irmã Jingfei. Eles foram muito bem enganados.
O coração de Jingfei ainda tem uma esperança, a de que quando o marechal a visitar, ela possa dizer realmente o que aconteceu e quem eram as pessoas na mansão.
Irmã Ehuang, no final somos acusadas de colaborar com a espionagem das Xiuying e agora de sermos adulteras, é isso?
Parece. Quando aquele capitão perguntou sobre as pessoas que deveriam estar ali, significa que alguém nos viu e também as armas na forma humana, chegando a conclusão que eram nossos amantes.
Idiotas! Todos eles são uns idiotas! Quando a verdade aparecer, vou acabar com todos eles!
Irmã Jingfei, não diga isso! Será assassinato por vingança …
Quem se importa? Eu não! Olhe pelo que estamos passando! A pessoa ou pessoas que organizaram tudo isso, devem estar rindo de felicidade, mas elas não perdem por esperar. Vou matar todos eles!
Irmã Jingfei, prometa a mim, que não vai fazer nada disso! Você não é assim! A vida tem valor para você!
E nossas vidas? Têm valor para quem?
Irmã Jingfei, você disse o tempo todo da viagem, para que eu tivesse calma e esperança, para agora estar furiosa assim?
Você tem razão. - desaba no chão Jingfei, depois de pensar um pouco. - Confesso que estou furiosa, mas temos que esperar os capítulos seguintes dessa loucura toda.
Onde estão as armas? - lembra-se Ehuang.
Venham aqui. - chama Jingfei e as armas surgem. - Escutem, continuem entre os panos e não se envolvam, tudo bem? Quando o imperador e o marechal vierem, nós mostraremos vocês a eles e tudo ficará bem. Não se envolvam, entenderam?
Sim, mestra. - respondem os três.
__ E você também, Ying e Yan. - completa Ehuang.
Ainda resta uma esperança.
Sete dias após a prisão de Jingfei e Ehuang, o imperador e o marechal não apareceram. Sete dias e a esperança começa a ser minada pelo encarceramento injusto e pelo tratamento dos soldados.
Todos os dias é uma humilhação nova, um deboche como resposta as perguntas das duas. Todos os dias é uma sensação de desamparo que cresce, assim como Isa e Ângela já sentiram antes.
A comida servida é uma lavagem, que provavelmente tiram dos porcos para oferecer aos presos ou somente a elas. Em uma das vezes que a comida é levada até elas, que deveriam agradecer, pois a dois dias estão sem comida e sem água, Ehuang aos prantos implora para os soldados que levem até o imperador a súplica dela em querer vê-lo. Ehuang está desmoronando, ela e Ângela conhecem bem o abandono, mesmo que a pessoa esteja presente e isso dói mais ainda.
Cale-se, mulher infeliz! Você, sua mundana, não tem direito a exigir nada! - grita o capitão que nesse dia está presente para uma informação às duas mulheres. - Apenas ouça o que eu tenho a dizer e fique calada, para o seu próprio bem. - o capitão olha com desprezo para as duas, pega o documento nas mãos e começa a leitura. -” No dia de hoje, é marcado o julgamento das cúmplices no ato de espionagem e de adultério. Faça com que todo o império saiba disso.” - o capitão encerra a leitura com um sorriso nos lábios. - Agora vocês vão pagar por seus crimes e por ter iludido aquele tolo do meu irmão e enlameado o nome de minha família. Agora a justiça será feita! - termina em seu grito habitual.
Somos inocentes! Tudo isso é uma armação! - grita Jingfei segurando as grades de ferro. - Somos inocentes!
Armação? O que é isso? - pergunta ao capitão um dos soldados.
Provavelmente, uma palavra estrangeira que aprendeu com aqueles que enviaram aquelas servas nos espionar. - explica o capitão orgulhoso de si, por ter pensando nessa explicação que parece ser a mais lógica.
Não é nada disso, capitão! Por favor, eu imploro que chame o imperador! Por favor, capitão!
Ehuang está pálida e muito magra, em uma situação que deveria comer por dois, mal se alimenta, mas ainda tem forças nos pulmões para pedir, implorar por justiça. Ela está encostada entre a grade e a parede, seu braço repousa entre o vão da grade e em um instante de desespero, querendo a atenção do capitão, ela estica e toca de leve no uniforme do capitão, que está próximo, parado entre as duas celas, para ser ouvido pelas duas mulheres. O capitão sente o toque e sua fúria vem à tona, quando se lembra que aquelas duas mulheres foram as causadoras do constrangimento que o pai sentiu diante do marechal e da mancha que ficará em sua carreira, que pode prejudicar sua saída do comando da prisão, algo em que esteve trabalhando a muito tempo.
Como ousa me tocar, sua mulher imunda? Tragam a vara! - grita o possesso capitão Weng.
Não toquem na irmã Ehuang!
Irmã? Já que são irmãs, levem o castigo juntas, por esse ato inapropriado! - grita o capitão.
A vara nada mais é do que um galho verde de alguma árvore. Ele é extremamente fino e a ponta é curvada, isso ajuda a ferir mais ainda.
A primeira a ser punida é Ehuang. Os soldados entram na cela e a seguram de costas, colocam seu rosto no piso de pedra, ferindo sua testa e o sangue escorre. No primeiro golpe, Ehuang gritou muito, os outros dez golpes já não gritava mais, só chorava de dor. Quando tentou desabar no chão, pela exaustão, os soldados a mantiveram de joelhos e empurravam seu rosto no piso de novo. Suas costas, braços, pernas e cabeça foram duramente atingidos várias vezes, o capitão perdeu a conta de quantos golpes desferiu na mulher, mas depois de alguns minutos estava satisfeito, agora o que restava de sua fúria despejaria em Jingfei.
Jingfei grita o tempo todo para não fazerem aquilo, mas ninguém se incomodou com seu desespero. Quando o capitão se aproximou de sua cela, ela pensa em ativar seus poderes e queimar todos eles ali mesmo, mas no momento seguinte pensou que isso seria inútil, que só pioraria a situação, que deveria agir com mais inteligência, algo que não fez em sua vida anterior.
Os soldados entram na cela e Jingfei luta para não ser segura e o capitão não se preocupa em esperar para que ela fique em uma posição adequada para a punição e começa a golpear qualquer lugar, mesmo estando ela em pé. Jingfei teve suas pernas atingidas várias vezes e caiu ao solo, nesse momento o capitão aproveitou para atingir seu rosto e um corte no lábio é feito. Jingfei vira o corpo, protegendo seu ventre e novamente o capitão aproveita para golpear com mais vigor as costas da mulher, as pernas e a cabeça. Quando ele acha que é suficiente, o capitão segura os cabelos de Jingfei e a esbofeteia várias vezes, assim como fez com Ehuang. As marcas da mão do capitão ficam na pele delicada e muito branca de Jingfei, seu lábio já ferido, fica mais ainda, mas ela tem dentro dela uma alma desaforada, a alma de Isa.
__ Vou fazer você pagar caro por isso. Só espere.
O capitão fez menção de esmurrar o rosto daquela mulher atrevida, mas ela desmaia e ele apenas a joga contra a parede. As duas estão cobertas de sangue, consequência das feridas que se espalham pelo corpo todo.
Jingfei desmaiou, antes disso, sente uma mão tocar sua testa, imagina ser seu dragão guardião, para que ela não lutasse mais, para assim preservar sua vida e a do bebê. Jingfei em seu devaneio entre um sono estranho e ainda acordada, sorri. Um dragão parece ter mais bom senso do que ela. Por fim, ela desmaia de novo.
Ehuang também está desacordada e envolve o ventre com os braços, aquele bebê merece viver e ela vai protegê-lo.
Na madrugada daquele dia, um soldado com um balde de salmoura, abre a cela e joga sobre os corpos das duas mulheres, que não se mexem.
Melhor avisar o capitão. - diz um dos soldados.
Deixa estar. Se elas morrerem será melhor para todos. - encerra o assunto o outro soldado.
Quando o dia amanhece, os mesmos soldados levam pão velho e água para as duas mulheres. Eles esperam encontrar dois cadáveres, mas para a infelicidade deles e para quem os dois levam informações todos os dias de como Jingfei e Ehuang estão, as duas estão sentadas olhando para a parede.
O pão é jogado no piso sujo e cheio de sangue e a água, em uma tigela, é colocada por uma abertura na grade, no mesmo piso sujo, mas um dos soldados acha que aquelas duas beberem água é luxo demais, então, chuta a tigela que derruba toda a água e os dois saem rindo.
Jingfei se arrasta até a parede a sua frente, seus ferimentos estão somente doloridos, durante a madrugada, ela chamou suas chamas que cauterizou todas as feridas, mas a dor da humilhação e a raiva, essas queimam forte em seu coração.
Irmã Ehuang, você está bem? Ehuang!
Estou bem, não grite, eles podem voltar.
Usou a água para se curar? Sobrou alguma na tigela?
A umidade das paredes foram o suficiente. Eu estou bem, um pouco dolorida, mas bem.
Que bom. Eu estou furiosa e minhas chamas querem destruir alguma coisa.
Mestra Liang, não permita que as Chamas a dominem. Sabe bem que elas perdem o controle e faz com que a senhora também o perca. - o dragão Yan lembra Jingfei.
Sim, eu me lembro. - suspira Jingfei decepcionada. - Ehuang, o que faremos agora? Tem alguma idéia?
Irmã Jingfei, nas memórias de Ehuang não tem nenhuma informação sobre como é um julgamento imperial. Vocês sabe de alguma coisa?
Não é em nada parecido com o sabemos em nosso mundo, para começar. Esqueça tudo que sabe sobre os julgamentos da Terra. Aqui, os acusados não comparecem no julgamento …
Nós não estaremos lá? Como vamos nos defender?
Alguém tem que se oferecer para nos defender e pelo que sei, aqui uma adultera não recebe apoio de ninguém, logo é pouco provável que alguém se apresente para nos defender.
O que acontece depois?
Irmã Ehuang, esse plano de nos arruinar foi muito bem planejado. Nós não temos defesa, não podemos apresentar provas de nossa inocência e não seremos ouvidas, logo, seremos condenadas. Basta agora saber do que seremos mortas, na forca ou decapitação.
Está calma assim?
Não, não estou. É só que …
Aconteceu algo?
Tenho um plano e espero que você concorde comigo.
Você não vai machucar ninguém, vai?
Não, não vou.
Promete?
Isso é coisa de criança!
Jingfei, ouça, se matarmos todos ao nosso redor, no quê seremos diferentes das pessoas que nos prejudicou? Nós fomos prejudicadas e abandonadas em nossa outra vida, lembra? Se pudéssemos voltar no passado, você faria a mesma coisa ou tentaria mudar as coisas?
Eu tentaria muito, mudar tudo.
Então porque fazer o errado agora, se sabemos que agir sem pensar, sem notar que nossos atos vão nos levar a alguma situação que na verdade não queríamos? O seu plano envolve matar pessoas?
Não, sua boba, ninguém vai morrer. Só se já é possível morrer de vergonha. - comenta Jingfei sorrindo.
Que plano é esse?
Você que fala melhor do que eu, será a peça fundamental …
Eu?
Ouça e depois você faz as perguntas que quiser. - Jingfei respira fundo, passou boa parte da madrugada pensando em sair daquela situação de uma maneira tranquila, afinal, no fundo do coração, não quer fazer mal a ninguém, apesar de tudo. - É algo simples …
Mestra! - interrompe Jiang.
Onde vocês estavam?
Mestra Liang, suas roupas e as da mestra Lin foram queimadas e foi difícil sair do meio dos panos sem sermos vistos. - explica Wen.
Tudo bem, fiquem aqui e se escondam no feno. No momento certo vamos apresentar vocês.
Quando faremos isso, se não podemos nos defender no julgamento?
Irmã Ehuang, existe um momento em que seremos ouvidas e será na leitura do verdito.
E se formos condenadas à morte? Isso é algo que sinto que será.
Um decreto não pode ser anulado, ele deve ser cumprido de qualquer maneira, mas existe uma exceção que é quando o acusado mostra provas certas e concretas de sua inocência. Algo que temos, que são nossas armas na forma humana. Isso é certo, não é?
Sim, irmã Jingfei, mas e a acusação de espionagem? Não temos provas contra isso.
Temos sim. Eu pensei muito a noite toda e cheguei a conclusão que Jia ao colaborar com tia Meirong, pegou uma das listas de compra que Xiuying fazia para o mordomo Yun e outra pessoa imitou a letra dela, mas o que as pessoas não sabem e Xiuying só contou para mim, é que ela nunca assina de maneira igual as listas, ela sempre muda sua assinatura, acrescentado algum detalhe, e se Jia pegou uma lista com uma determinada assinatura, podemos pedir para comparar com as outras listas e eles verão que tem uma leve diferença entre uma e outra. A pessoa que fez a cópia não deve ter percebido e assinou normalmente e aí está nossa prova. - Jingfei faz uma pausa. - Quando nos for dado o direito a falar de nosso crime, espero que você fale, usando sua sabedoria com as palavras e mostre a todos eles que é possível morrer de vergonha e peça um novo julgamento, agora com nossas novas provas. O que acha? É um bom plano pacífico?
Quer que eu fale por nós? Confia em mim?
Claro que sim, irmã Ehuang. Já disse porque passei a chamá-la de irmã, não disse? Por que confio em você como uma irmã e para mim isso basta.
Se não estivéssemos separadas por uma parede, eu abraçaria você, sua boba.
__ Eu me considero abraçada, sua boba.
Ainda resta uma esperança, mas o futuro ainda está incerto.
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Atualizado até capítulo 24
Comments
Mamy Tchamy
Estou amando a história, não vejo a hora ver os próximos capítulos 🥰
2024-07-19
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