A Acusação

O imperador Guang GangGuang está irritado agora, mas há quarenta e cinco dias atrás, ele estava furioso com seus conselheiros. O primeiro a receber sua fúria foi o conselheiro Yang que sabia da época das monções e não fez nenhuma referência a isso.

Vossa majestade, não fui eu que confirmou as datas das reuniões. Quem nos convidou sabia das monções, mas eles, assim como eu, não podíamos prever que nesse ano as cheias dos rios seriam violentas a ponto de derrubar pontes e destruir estradas. - Conselheiro Yang é dono de uma argumentação incrível, é lógico que ele detém o conhecimento para expor a verdade e discutir ou questionar qualquer assunto.

Foi a vez do conselheiro Yan justificar a sua postura em aceitar as datas das reuniões e não consultar a mais ninguém.

Vossa majestade, foi um convite e para um assunto importante, na opinião do rei de Ametista, portanto, seria muito indelicado argumentar uma nova data e depois, conforme o conselheiro Yang tão bem argumentou, quem poderia imaginar que as monções deste ano seriam tão violentas. Vossa majestade conversou com o jovem rei de Jade, que estava bem assustado com os dez dias de chuvas seguidos. - conselheiro Yan também domina a arte da argumentação e sabe induzir qualquer um em uma conversa, mesmo que seja o imperador. - Vossa majestade concorda, que não podemos prever o que acontecerá com o tempo.

A capital do Reino de Jade é uma ilha de tamanho considerável, no meio de um rio de um tamanho mais considerável do que a ilha e uma longa ponte une a capital a margem do rio e é a única maneira de entrar e sair daquela cidade. Com o início das chuvas o rio subiu, suas águas tocavam a ponte, mas para o povo daquela cidade, é algo normal, mas depois de cinco dias de chuvas fortes e insistentes, as pessoas começaram a se preocupar. As mensagens de cheias e destruição, chegavam ao rei a todo o momento, mas ele próprio não podia fazer nada, já que no quinto dia de chuva, a ponte foi levada pelas águas e as ruas da cidade começaram a ficar alagadas.

Enquanto podia, o conselheiro Yang enviava mensagens ao império, informando sobre a situação, mas depois de um mês percebeu que alguns pássaros não voltavam e temendo perder todos, parou de enviar mensagens, esperando que a corte não entendesse que isso significaria a morte de todos. O conselheiro Yang estava preocupado com aqueles que estão sob sua proteção, assim como pai de seu auxiliar, o mercador Meng Jiang, que pode sofrer alguma represália de outros mercadores, com a benção da imperatriz. A imperatriz é outra preocupação. O conselheiro Yang acredita que a súbita doença da imperatriz-mãe tem uma ligação muito forte com a imperatriz Guang Li Hua, mas as provas estão desaparecendo do corpo da velha senhora.

Em sua preocupação, o conselheiro imagina que a imperatriz tente desfazer tudo que fez para proteger pessoas que, por algum motivo tolo, a imperatriz tentou punir e logo veio a mente do velho conselheiro a imagem da concubina Jin Ehuang, que não tem amigos na corte e praticamente está sozinha na presença das feras.

O conselheiro Yang é uma boa pessoa, não era assim antes, suas únicas preocupações eram seus estudos, pesquisas e o desenvolvimento de sua magia e cultivo, mas depois das injustiças sofridas por sua irmã mais nova, resolveu lutar e tentar proteger todo aquele que sofria alguma injustiça, algo que demorou a fazer por sua irmã.

As chuvas castigaram alguns reinos ao redor, as várias notícias de tragédias chegavam todos os dias e ao conselheiro Yang, o que restava fazer era ajudar com a reconstrução da ponte, ao menos projetar uma nova ponte, mais resistente do que a primeira e conversar com seu auxiliar como está fazendo. O auxiliar, Meng Yao, gostaria de fazer mais perguntas ao velho sábio, mas não teve coragem quando percebeu o olhar triste do homem quando falou da irmã. Ele tinha ouvido alguma coisa sobre esse assunto, mas eram apenas especulações ou fofocas dos mercadores amigos do pai. Soube que a irmã do conselheiro sofreu um ataque de outros conselheiros por desobedecer às leis e atentar contra as normas do império e foi exilada. É só o que as pessoas disseram, mas pela voz embargada do conselheiro, o jovem auxiliar percebeu que foi muito mais do que isso.

No sétimo dia, a chuva começou a diminuir e depois de três dias, se transformou em uma leve garoa até findar definitivamente e o sol tornar a brilhar majestoso no céu. Três dias depois, começaram a reconstrução da ponte. A capital estava começando a ficar incontrolável, a comida se tornando escassa, as águas tomaram muitas casas ribeirinhas e a população está assustada. Não tinham meios para trazer bons materiais para reconstruir a ponte, entretanto o conselheiro Yang tinha muitas sugestões para reutilizar o que ainda estava intacto. Uma das providencias do rei, depois que as águas do rio ficaram mais tranquilas, foi enviar barcos para a margem para compra de suprimentos o suficiente para distribuir aos que foram desalojados de suas casas e obter mais notícias do reino. Quando rio ficou novamente calmo e navegável com segurança, os materiais para a reconstrução da ponte chegaram.

O imperador já tinha oferecido ajuda, pois estava consumindo bens do reino, que poderia ser utilizado para outros fins.

Por três longos meses o imperador Guang esteve longe de seu palácio. Um mês esteve em Ametista, para uma reunião que não foi uma inutilidade total, por que soube sobre os piratas e alguma movimentação obscura no norte do continente, algo que a nova rede de informações vai poder investigar e depois, ficou dois meses, praticamente, preso no Reino de Jade, por causa das chuvas.

O imperador Guang está com saudades de sua concubina favorita, sentiu falto de ouvir sua voz, de ouvir seu riso leve e de seu olhar apaixonado. O imperador Guang se perdeu nos braços de sua concubina, agora, depois dessa separação forçada, sabe que não quer mais ficar longe dela, que vai achar algum meio de transformá-la em sua imperatriz. O imperador ama de forma profunda sua concubina.

Não diferente de seu irmão, o marechal Zhang Huizong, que se comporta de maneira polida, distante e fria, como se nada o abalasse, mesmo quando correu um grande perigo ao salvar duas crianças do afogamento, quando as águas do rio invadiram a cidade, ou da outra vez que perseguiu ladrões que aproveitavam o desespero das pessoas para saquear casas e lojas. Nada disso o abalou, mas quando a noite chega e ele se vê sozinho em seu quarto, segurando na mão o lenço branco com as iniciais de seu nome, que sua esposa bordou, seu coração estremece de saudade. Ver seu sorriso iluminado, ouvir sua voz calorosa e aquele olhar apaixonado que é dirigido a ele, não o conforta mais, ao contrário, o enche de mais saudades. Nesses momentos, o frio marechal sente uma dor no coração e vontade de chorar de saudade, assim como um adolescente apaixonado. O marechal Zhang Huizong ama de forma profunda sua esposa.

As lembranças de três meses atrás, é passado, agora todos os membros da comitiva do imperador e ele próprio, esticam os pescoços para poder ver melhor a estátua da Fênix no alto do palácio imperial, todos sentem o alívio, todos comemoram. Eles voltaram para casa.

Nunca antes o retorno do imperador foi tão festejado, parece até que a população da cidade estava muito ansiosa por seu imperador.

Que bela festa, vossa majestade. - comenta o conselheiro Yan.

Com tudo isso, até parece que estivemos anos fora do império. - também comenta o conselheiro Yang.

Essa é a demonstração do amor do povo por seu imperador, só isso. - alfineta o conselheiro Yan.

Ou talvez a administração da regente tenha deixado o povo com saudades do imperador. Será que foi isso? - devolve a alfinetada o conselheiro Yang.

__ Tenho certeza, vossa majestade, que a imperatriz agiu de acordo com as leis e pelo bem do império. - o conselheiro Yan procura acalmar o imperador, já que o olhar dele demonstra que acreditou nas palavras do conselheiro Yang. - Minha filha e imperatriz é uma pessoa bem sensata.

Desta vez o conselheiro Yang prefere não fazer comentários, prefere olhar para o rosto do imperador que observa a paisagem, mas quando as últimas palavras do conselheiro Yan foi pronunciada, uma de suas sobrancelhas se arqueou, indicando que não acredita muito no que ouviu.

Os portões do palácio são abertos, na escadaria que leva a porta principal do palácio, está a imperatriz Guang Li Hua em seu vestido dourado, aguardando a chegado do marido.

Saudações, vossa majestade. - cumprimenta ela.

Onde estão as concubinas?

Vossa majestade, por que não se refresca primeiro e aprecia uma boa refeição?

Esposa, tem alguma coisa acontecendo? Por isso toda a sua atenção?

Vossa majestade me ofende assim. Eu sempre o esperei com atenção e zelo.

O imperador caminha rápido pelos corredores, respondendo as saudações dos servos e conselheiros e demais membros da corte pelo caminho. Sua vontade é correr até o pavilhão de Jin Ehuang e tomá-la em seu braços e dormir neles, mas ainda tem que seguir o protocolo e dispensar a comitiva e seus comandantes.

Sentado em seu trono, o imperador agradece ao marechal Zhang e seus subordinados pelo trabalho duro e a boa vontade diante dos infortúnios encontrados naquela viagem e os dispensa.

Vossa majestade, desculpe interromper, mas acho que o marechal deveria ficar para ouvir algo que tem relação com a senhora Zhang e a concubina imperial Jin Ehuang. - fala tranquilo o conselheiro Li You Xin.

Não deveria deixar o imperador descansar de tão longa viagem? Não o ouviu falar dos contratempos que todos atravessaram? Esses fatos podem esperar. - retruca o conselheiro Feng Shun.

O que é tão importante que esse imperador tem que saber agora?

O estrago já foi feito, a curiosidade do imperador já foi desperta.

O marechal Zhang se aproxima, mencionar sua esposa fez com que um calafrio percorresse seu corpo.

A informação ou o que seja, é muito importante? - também pergunta o marechal, com receio da resposta.

Vossa majestade, acho que é importante, já que essa situação espera por sua atenção há quatro meses. - a imperatriz Li Hua inicia o jogo, colocando a primeira peça no tabuleiro. - Infelizmente poucas semanas depois de sua partida um fato lamentável foi descoberto pelo general Chen Shoi Ming …

__ Espere! Existe um conselheiro para informar o caso e os fatos, não existe? Conselheiro Li You Xin essa fala é sua, então fale! - o imperador está inquieto, outra vez, a mesma inquietação que sentiu antes dessa viagem.

Não tiveram tempo para um banho refrescante. Não tiveram tempo para uma refeição decente. Não tiveram tempo para apreciar o sorriso encantador ou o olhar de amor, que ansiaram nesses últimos quatro meses. A única coisa que sentem é um mal-estar, uma dor no estômago e a garganta seca.

O conselheiro Li You Xin começa a falar, desde o início. Todas as suspeitas sobre as servas da senhora Zhang e da concubina imperial. A prisão das servas e o afastamento, para a segurança da investigação, da senhora Zhang e da concubina imperial, para a Mansão das Esquecidas. Finalmente a informação mais cruel, que na mansão nas colinas, as duas praticam o adultério, não com um homem, mas com três. A testemunha do fato, novamente repetiu a história, nada mudou nas suas palavras. O soldado, que agora ostenta seu novo uniforme de tenente, He Yue Jin, não vacilou em sua narrativa, está firme, demonstrando a veracidade do caso.

O retorno do imperador, depois de muito tempo, merece uma recepção calorosa e para receber o sobrinho, tia Meirong está entre os presentes e se aproxima do amado sobrinho e segura suas mãos, como que dizendo a ele que é solidária na dor que ele sente.

Vossa majestade, imploro seu perdão por trazer tal pessoa para a corte e imploro o perdão do marechal Zhang, por não acompanhar o falecido imperador quando procurava uma esposa para o senhor. É minha culpa que este horror esteja acontecendo. Perdoem-me. - implora o conselheiro Yan de joelhos e com o rosto mais triste que alguém poderia demonstrar.

Um silêncio desagradável reina na sala do trono. O imperador olha fixo para o tenente, assim como o marechal.

Fale de novo para esse imperador, essa história. - ordena o imperador.

O tenente He Yue Jin relata novamente o que viu, responde as perguntas do imperador e do marechal sem titubear, não erra em nenhum detalhe e de novo o som de sua voz é firme, e dá a impressão de autenticidade, é a palavra de um homem de honra.

O rosto do imperador demonstra toda a sua dor. Um rosto desfigurado pela raiva. O marechal Zhang olha para o chão, como que esperando que uma outra versão daquela história apareça e inocente sua amada esposa.

Vossa majestade, sinto muito, sei que sentia um carinho sincero por aquela concubina, mas como pode ver, ela não merece seu carinho. - fala carinhosamente a imperatriz Li Hua.

Saiam! Saiam todos! - ordena o imperador aos berros.

Tia Meirong quer levar o sobrinho consigo, para juntos voltarem para a mansão, mas o marechal não se move e finalmente depois de duas tentativas, tia Meirong sai sozinha da sala do trono.

Os dois homens estão envoltos em uma bruma escura. A mágoa, a raiva e a decepção estão distorcendo o cultivo puro em seus corações. Este é um momento delicado, os dois podem chegar a matar a pessoa que os fez sentir isso.

Irmão Huizong, o quê faremos? O tenente não parece mentir, existem muitos detalhes para que seja uma mentira.

O general Chen Shoi Ming não mentiria em um caso assim. É a segurança do império.

A bruma voltou a sua cor branca original e se desfez. Aparentemente os dois parecem calmos, mas os corações estão fervendo.

Com a permissão de vossa majestade, vou chamar o general Chen Shoi Ming, para que conte novamente a história da espionagem, sinto que tem algo estranho …

Sente algo estranho nessa história? - grita o imperador. - E o caso do adultério, não tem dúvidas?

Irmão, estou tentando pensar com clareza, mas não consigo! Sempre pensei que Jingfei jamais faria algo assim, mas..

O oficial detalhou demais o caso, na verdade, ele é uma testemunha disso tudo.

Ele agiu de acordo com a lei e é um homem a fazer a denúncia. Tudo está correto.

É só nisso que está pensando? No correto da lei?

Irmão Guang, se o oficial se enganasse em algum detalhe, poderíamos desmenti-lo, mas não é o caso, não é verdade? Ele está sendo honesto, agindo como um homem honrado, como um soldado deve agir diante de uma ofensa! - o marechal desaba nos degraus que levam ao trono, seu interior parece cansado e desanimado. - Na verdade, nós dois sabemos que não existe nada que devemos fazer para salvá-las e tudo mostra que nos enganaram. Jingfei sempre odiou a atitude do pai em entregar sua única filha em um casamento arranjado, mas ela disse que me amar a salvou de odiar o pai por isso e que estava grata no final das contas, porque me encontrou. - o marechal Zhang cobre o rosto com as mãos, um ato de desespero ou de vergonha. - Eu fui um tolo, um homem idiota que nunca foi amado e quando palavras e atos, demonstravam que eu tinha importância para alguém, fui envolvido. Eu acreditei!

Você não está sozinho, eu também queria alguém que me visse do jeito que eu sou, sem que precisasse explicar. Sempre quis conversar com alguém que me ouvisse e que soubesse falar comigo, não como o imperador, mas sim como uma pessoa. Meu casamento foi um acordo politico, minhas concubinas não me atraiam, mas quando Ehuang chegou, foi como uma luz entrando em uma caverna, a caverna que é meu coração e minha vida. Eu abri meu coração para ela e ela tomou posse dele. Eu também acreditei.

Nós não temos nenhuma outra opção. A verdade está diante de nossos olhos, não existe defesa. Irmão Guang, temos que aceitar que fomos enganados e que a lei seja cumprida.

Marechal Zhang, convoque os conselheiros somente e o general Chen Shoi Ming. Este imperador já decidiu o que fazer e o farei em seu nome também. Aceita isso?

Sim, vossa majestade.

Os conselheiros retornam e o general os acompanha. Os demais estão do lado de fora, esperando o resultado. Duas pessoas estão confiantes que o planejado vai acontecer e a cabeça de duas adulteras estará pendurada nos portões da cidade em breve.

Este imperador, em conversa com o marechal Zhang, decide que as duas mulheres sejam trazidas a capital e colocadas nas masmorras e tratadas como adulteras. O julgamento será dentro de quinze dias, a contar de amanhã.

Vossa majestade, desculpe interromper, mas demora quase um mês para que elas estejam na capital. - lembra o conselheiro Yan.

Este imperador vai mudar a data do julgamento, para quinze dias depois que elas retornarem. - o imperador está abatido e cansado. - Conselheiro Yan, reúna as provas e testemunhas.

Vossa majestade, quero ser o defensor, se o senhor me der essa honra. - se oferece o conselheiro Yang.

Honra, diz você? Como tal serviço pode ser honroso? Uma mulher que derrama vergonha sobre o imperador de maneira vil. Não existe honra nisso. - replica o conselheiro Yan.

Acredito, vossa majestade, que todos merecem uma defesa. Senão o império será visto como um governo que com trezentas leis, não concede o beneficio da defesa a ninguém.

Um breve silêncio para que o imperador pondere essas palavras.

Este imperador está de acordo.

O imperador Guang se retira para seus aposentos e deu ordens para que não o incomodem. O marechal vai para a sua mansão, na companhia de tia Meirong, que por mais incrível que pareça, está em silêncio.

O imperador age como um automato. Os servos tiram suas vestes e ele entra na banheira e fica ali sentado olhando para as árvores do lado de fora. Sua mente voa longe, até aquele dia que encontrou Ehuang pela primeira vez e se encantou com a timidez e a doçura da bela concubina. A mente voou mais um pouco para o dia que encontrou a jovem no jardim e conversaram até o anoitecer e de como ele ficou encantado por ela ser simples, inteligente e doce. A mente voou até o dia do primeiro beijo e mais adiante, quando a tinha suspirando em seus braços.

Em um acesso de fúria, ele soca a água e a esparrama para todos os lados, como se os socos pudessem alcançar aquela pessoa. Seu coração está ferido, sangra e dói muito. Se alguém visse a figura digna de pena do grandioso imperador, sentiria a vontade de também matar aquela concubina que o está fazendo sofrer.

O jantar foi mandado de volta, a única coisa que quer é o silêncio e quem sabe dormir e acordar no dia seguinte e ver que tudo foi um pesadelo, que ainda está na estrada, voltando para casa e sua concubina estará na escadaria do palácio, sorrindo e esperando por ele.

Um império que foi sendo construído a cinco mil anos atrás, quando um marechal Guang se tornou rei, está vendo agora o então poderoso imperador se encolher entre as cobertas e chorar como uma criança.

Muitos se esquecem, até mesmo os servos em seu quarto, que o imperador Guang GangGuang é antes de tudo um ser humano, um homem com sentimentos e que agora não consegue controlar a dor em seu coração.

Ao entrar em sua mansão, o marechal Zhang sentiu a diferença no ar, ele sentiu o cheiro de mofo. No mesmo instante pensou que Jingfei não gostará disso e no instante seguinte se lembra o quê sua amada fez.

Sobrinho, agora você entende porque eu perseguia aquela mulher? Eu tinha a intuição que ela não era uma boa pessoa e estava certa! Minha intuição não falhou!

O marechal não responde, está no meio da sala e observa que os móveis que foram colocados ao gosto de Jingfei, voltaram para os lugares que tia Meirong gosta. O marechal Zhang respira fundo para se impedir de suspirar, ele não é um jovem apaixonado, ele é um marechal, o marechal de todo o exército. Ele é o mais temido guerreiro no continente e o mais conhecido também.

O que importa se a mansão cheira mofo? O que importa se tudo naquela mansão vai fazer com que se lembre daquela mulher? O que importa se entregou seu coração a uma mulher que o traiu na primeira oportunidade? O que importa, o que importa qualquer coisa?

Tia Meirong continua a falar, mas ele não ouve, sua mente está um turbilhão e o que quer agora é fechar os olhos e não pensar em mais nada.

Tia, amanhã peça ao jardineiro para arrancar todas as flores do jardim. Não quero ver uma única planta naquele lugar.

O marechal Zhang sai da sala com passos firme e um rosto que não demonstra nenhum sentimento. Os servos olham para ele e se entristecem.

O banho é rápido e o quarto está do mesmo jeito, afinal seu quarto nos últimos anos é aquele do fundo do corredor, o quarto de Jingfei.

O sono demora para chegar e quando finalmente ele adormece, os pesadelos infestam sua mente a noite toda. Cada vez que acorda assustado com um pesadelo e volta a dormir, tem outro pior ainda, mas não consegue lembrar o que vê nesses pesadelos, entretanto um não é um pesadelo, é um sonho. Um belo sonho, com um campo florido com jasmim espalhado, flores amarelas e brancas, as mesmas que Jungfei gosta e lá embaixo tem uma cabana e do lado de fora duas mulheres acenam para ele, as duas sorriem. Uma ele sabe que é Jingfei e a outra lembra muito a mulher da gravura que está na sala.

Ele se aproxima das duas e abraça a mãe e Jingfei abraça os dois.

Meu tolo filho, você não terá mais chances em sua vida.

Zhang Huizong quer falar, mas nenhum som sai de sua boca.

Meu esposo, você perdeu tudo e o futuro será solitário.

Novamente ele quer falar, mas não consegue. O marechal quer perguntar sobre tudo o que aconteceu, mas as duas mulheres se desvencilham dele e se afastam. Ele quer ir atrás, mas duas mãos saem do solo e seguram seus tornozelos. Ele quer gritar, mas não tem voz. Finalmente acorda. O dia amanhece, os pássaros zangados, gritam por não terem mais as flores no jardim. Zhang Huizong se enrola na coberta e chora. O Primeiro Marechal de Guerra do Império Jinhai, está aos prantos e é um choro doído, os gritos são abafados pelas almofadas e a cama é socada com violência.

__ Por que você fez isso comigo? Por quê?

As paredes do quarto não têm respostas. As flores que estão sendo mortas no jardim, também não têm respostas. Os pássaros, se soubessem, não diriam, pois estão zangados com a destruição de seus lares. O sol que começa a aquecer o quarto sabe de tudo, mas não pode falar, assim com a lua. O marechal Zhang Huizong terá de descobrir a resposta sozinho.

A casa principal da propriedade dos Zhang, está em silêncio. Não é possível ouvir mais aquela risada contagiante, depois de ouvir alguns relatos engraçados. Agora, se chegar perto das portas dos fundos do pavilhão de tia Meirong, com certeza ouvirá os risos abafados dela e da concubina Li Liling. Os risos são alimentados pelo vinho doce e saboroso. A única a não sorrir em demasia, mas que gosta do vinho, é Ji Huang, ela continua pensando em como pode ajudar, em se redimir, enquanto está viva, de suas atitudes covardes e ao olhar pela janela, vê o rosto triste de Jia, talvez ali esteja alguém que pode ajudar.

__ Quem sabe, ela deseja o mesmo que eu? - pensa a concubina.

A imperatriz Guang Li Hua oferece um jantar ao pai, já que o esposo está indisposto. Ela está falante, conta ao pai todo o plano e se sente orgulhosa pelos resultados.

Sua tola, você deixou rastros! O governador Gao pode falar alguma coisa!

Meu pai, fique calmo, eu resolvi isso também. Enviei uma mensagem muito agradável a ele e garanto que ele não dirá nada, afinal, perder seu cargo o deixará na miséria.

Está contando comigo para intimidá-lo?

Veja bem, pai, quem mais pode fazer isso? Depois, tudo que disser nesse momento, o imperador vai aceitar e o senhor ainda pode colocar no lugar do governador, alguém de sua confiança. Aquela província não é a mais lucrativa? O governador Gao, está em nossas mãos. Se ele falar, perde seu cargo, pois será acusado de ser cúmplice e se não falar, podemos pedir parte dos lucros da província, assim como o senhor faz com algumas outras.

Cale-se! As paredes são finas e os ouvidos dos servos recolhem tudo.

Não se preocupe, pai, ao meu lado estão os mais leais. - encerra o assunto a imperatriz com o sorriso dos vitoriosos no rosto.

O governador Gao recebe duas mensagens. Uma da imperatriz e outra do imperador. As duas são mensagens que podem fazer com que ele não durma bem a noite.

Na mensagem da imperatriz vem com uma chantagem, que estremece o velho governador e na outra o imperador ordena que uma escolta seja formada para conduzir até a capital as mulheres da Mansão das Esquecidas. Na sua sala particular, o governador está na companhia de seu vice-governador.

O que fará, primo? Essa mulher é ardilosa e segue os ensinamentos do pai, ela é mais perigosa ainda, é o que dizem. - fala o vice-governador.

Há muito tempo que o conselheiro Yan tenta achar algum erro em nossa administração. - o governador Gao está preocupado, seu semblante está fechado e as rugas da idade são mais visíveis do que o normal. - Muitos governadores se queixam do comportamento do conselheiro, mas nada podem fazer, estão em situações iguais a minha, ou seja, não podem denunciar e assim perdem seu cargo e se denunciam, perdem o cargo.

Temos que ser mais espertos do que eles, isso é certo!

Como?

Pense com calma, primo. Nós temos provas contra eles e o que eles têm contra nós? O testemunho de quem? Eles não têm nada!

Podemos nos assegurar nisso?

Primo e senhor governador, isso é a nossa garantia de liberdade e vai manter os abutres da família Yan longe de nós. - o médico Gao Liao pensa mais um pouco. - Talvez se reunirmos alguns desses governadores, possamos achar mais coisas que comprometam a posição do conselheiro Yan, o que acha?

Será seguro?

__ Primo, garanto que os outros governadores não querem viver sob essa ameaça para sempre. Minha resposta a sua pergunta é que o mais seguro é atacar antes. Vamos apenas esperar um momento adequado e vamos, todos nós, derrubar o conselheiro Yan e seu grupo de corruptos.

O governador olha para o céu, através da janela e vê um meteoro cruzar o céu escuro. Para ele é um bom sinal do Grande Céu. Vai esperar o momento oportuno, não vai abandonar seu povo como fez o antigo rei, isso é certo.

Os servos se retiraram cedo, o marechal está indisposto e tia Meirong tem sua reunião com as concubinas e não precisa deles.

O mordomo Yun conversa com um servo e uma outra serva. Os dois contam a ele sobre as novidades da mansão quando ele estava ausente e neste momento, Jia chega próxima a porta da cozinha, onde os três conversam.

O olhar de espanto que o mordomo Yun faz, esfria um pouco o ânimo alegre de Jia ao vê-lo novamente.

Os servos se afastam e o mordomo caminha na direção oposta à de Jia.

Talvez ela esteja enganada, mas sentiu um olhar de desprezo de seu amado. Não, ela acredita que está enganada, o mordomo Yun a ama e ela o ama. Não existe desprezo nessa relação.

Pobre Jia que não sabe que um relacionamento amoroso só é duradouro quando tem em sua base, a confiança, lealdade, atitudes dignas de ambos e o compromisso com essa base.

Querendo ir atrás do amado, Jia faz questão de dar um passo a frente, mas um servo se aproxima dizendo que tia Meirong quer mais vinho e Jia sabe que obedecer é seu trabalho, vai deixar para depois a conversa com o mordomo Yun.

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