A liteira simples da família Zhang atravessa a pradaria verde da Província Jade Negro, em mais algumas horas chegará ao porto Jade Negro, que também é a cidade e a capital da província. Zhang Meirong se casou por procuração e agora está a caminho de sua nova família e casa, agora seu nome é Lee Meirong. Nenhuma vez ela disse algo para o pai, contra ou favor daquela união, tão pouco retribuiu o abraço carinhoso da irmã chorona na despedida, tudo que tinha no coração era raiva, muita raiva por tudo e por todos. Raiva do capitão Ji Liao que sabia de seus sentimentos e além de rejeitá-los, a empurrou no chão como se fosse uma coisa nojenta. Raiva por seu pai a ter esbofeteado em público. Raiva por sua irmã ser a concubina do príncipe herdeiro. Raiva por que a irmã sempre teve o melhor, todos gostam dela. Lee Meirong apostava que se fosse sua irmã a se declarar ao capitão, ele a teria aceito na hora, mas como foi ela, a filha sem beleza e sem graça, foi tratada como uma doença a ser afastada. As servas fizeram questão de contar a ela sobre o casamento do capitão e isso foi mais uma facada em seu coração que já estava aos pedaços. Lee Meirong não sente raiva, ela sabe disso, ela odeia todo mundo.
A casa do mercador Lee é uma bela casa, mas não chega ao pés da casa da fazenda Zhang. Lee Meirong achava que teria uma vida razoável naquele lugar distante, mas se enganou, a recepção à sua chegada foi isolada, não tinha ninguém para recebê-la. Os empregados do senhor Lee eram frios com ela, a tratavam mal, essa é a verdade. Na primeira conversa com o marido, Lee Meirong ficou sabendo o motivo de tamanha frieza.
Você está aqui por que o imperador me chantageou. Por muitos anos tenho lutado para chegar a posição de Mercador de Elite, mas por ser estrangeiro, isso fica muito difícil, mas o imperador me fez uma proposta e eu não tive como recusar e aí está você em minha casa e eu sou o mais novo membro da associação Mercador de Elite do império. - o homem sentado a frente de Meirong é um belo homem, mas já tem no rosto as marcas da idade, seu cabelo está grisalho nas têmporas, seu bigode também está grisalho, seus olhos negros são brilhantes e astutos, observam sem parar cada movimento que a esposa faz. - Esta casa tinha uma dona e não era você, mas tive que afastá-la para ter um reconhecimento que mereço, mas tudo nesta vida é uma troca e eu troquei meu amor verdadeiro, por uma posição social melhor. Valeu a pena? Claro que não, mas isso trará frutos e meu amor será minha concubina e os filhos dela, que eu reconhecerei como legítimos. - o homem aproxima o rosto de Meirong. - Nunca, enquanto eu viver, vou tocar um dedo em você. Você é impura e desavergonhada, não digna de minha família, mas pelo valor pago, membro de minha família você é de agora em diante.
Está foi uma das poucas vezes que o marido falou com ela, foi também uma das poucas vezes que o viu. Uma parte da casa foi dada a ela, mas a ordem era que não precisava fazer nada, a dona da casa era a concubina Lin Chen.
Por seis anos, as únicas tarefas de Lee Meirong era bordar, costurar as roupas para os filhos do marido, que nasciam todo ano e ser uma sombra naquela casa. Durante seis anos, ela nunca foi apresentada a família do marido ou comparecia as festas da família Lee, que gostava de festejar qualquer coisa. Durante seis anos, ela foi somente uma sombra de uma concubina que era considerada a esposa, apresentada aos demais como a esposa. Durante seis anos nenhuma lágrima escorreu por seu rosto, nenhuma palavra de desacordo saiu de seus lábios, mas o ódio por seu pai e irmã aumentava dia após dia. Eles eram os culpados por sua vida infeliz.
No oitavo ano de casamento, o mercador Lee morreu em seu navio, um ataque pirata saqueou o navio e matou todos a bordo. O navio esteve a deriva por mais de dois meses e quando foi encontrado, o levaram para Jade Negro, onde os corpos apodrecidos foram reconhecidos.
O mercador Lee antes de se casar com Lee Meirong, era viúvo e tinha um filho mais velho e seguindo a vontade do pai, deu a casa a concubina e os filhos e se mudou para outra casa, mas manteria a família do pai financeiramente até que os irmãos estivessem com idade suficiente para trabalhar com ele nos negócios de mercador. A conversa do filho mais velho com Lee Meirong foi rápida.
Meu pai a muito tempo colocou em um documento, seus desejos, se por acaso algo acontecesse e nesse documento ele diz que eu sou agora o responsável pela família que ele formou. No que diz respeito a senhora, ele escreveu que devo mandá-la de volta a sua família, que não devo gastar uma moeda sequer para mantê-la aqui, mas deixou vinte moedas de ouro para a senhora, para que tenha algo com que se manter quando chegar na casa de sua família. Bem, com isso eu me despeço. Adeus senhora Lee Meirong.
Tratada como uma empregada, isso sim. Dispensada por seus serviços não serem mais úteis. Desta vez Lee Meirong chorou, por toda a viagem de volta a fazenda Zhang, ela chorou. Chorou de raiva, de ódio puro por todos eles.
O pai estava mais velho, seus cabelos estavam completamente brancos. O vigor de um soldado forte, aos poucos o está deixando, dando lugar a um velho cansado, mas não fez nenhum comentário quando a filha mais velha voltou para casa.
Lee Meirong soube que a irmã se tornou a concubina preferida do imperador. Sim, o príncipe herdeiro agora é o imperador e nesses oito anos, Zhang Annchi não deu ao imperador nenhum filho, mas isto não foi motivo para afastá-la, ao contrário, o imperador ama sua concubina.
A imperatriz é uma boa mulher, conhecedora das artes marciais e detentora de grande poder no cultivo, ajuda o imperador nas batalhas e ainda deu a ele um filho, o príncipe herdeiro Guang GangGuang. O império está em paz a muito tempo, outros reinos se renderam ao império por meio de acordos, sem a necessidade de usar as armas e isso agradou ao novo imperador.
Lee Meirong não sabia de nada disso, lá onde estava era como uma prisão sem grades e nenhuma informação chegava até ela.
No primeiro encontro com sua irmã mais nova, Lee Meirong engoliu a saliva que desceu queimando sua garganta. Sua irmã está mais bela do que nunca e aquele sorriso de felicidade, aquela luz ao seu redor, diz que Zhang Annchi está apaixonada e feliz.
Mais um ano se passou e Lee Meirong desistiu de seu nome de casada, pediu que todos a chamassem de tia Meirong, já que tinha a idade de uma tia e se sentia como uma. Ninguém se importou. Todos ainda se lembravam que quando o escândalo que ela provocou, quase levou a fazenda de cavalos a ruína e que a ajuda do falecido imperador chegou a tempo, quando ele comprou todos os cavalos e os deu para sua cavalaria e ainda assinou um acordo de fornecimento vitalício de cavalos ao império, mas todos sabem que isso só aconteceu porque o príncipe herdeiro aconselhou o pai a fazê-lo.
Todas essas informações incomodavam tia Meirong, sua irmã tinha tudo o que ela sempre quis. Amor e felicidade, era o que sempre quis.
Depois de dez anos como concubina, Zhang Annchi anunciou ao imperador que estava grávida e uma festa foi feita para comemorar. O povo da cidade recebeu garrafas de vinho e bolos como parte dos festejos, fogos explodiram nos céus no momento da festa. O imperador estava muito feliz, seu filho com sua amada concubina estava para vir ao mundo.
Tia Meirong foi a essa festa, ela acontece no mesmo pátio do Chá da Imperatriz-mãe acontece e tia Meirong se lembra daquele dia fatídico, que mudou sua vida para sempre. O capitão Ji Liao foi visto, mas tia Meirong sentiu apenas nojo ao olhar para ele. O amor morreu a muito tempo, naquele dia infeliz. O capitão por sua vez, fingiu não lembrar de nada e a cumprimentou normalmente.
Cães hipócritas! Vocês todos vão pagar! - pensa tia Meirong enquanto olha para a irmã sentada em uma cadeira especial, recebendo presentes e congratulações pela gravidez.
Tia Meirong não sabia como, mas a única coisa que sabia, era que queria apagar aquele sorriso do rosto da irmã, e para isso, apenas tinha que esperar a oportunidade surgir.
Oportunidade surge para quem tem um olhar atento a tudo e a todos. Tia Meirong, depois de oito anos nas sombras, aprendeu a observar as pessoas e suas posturas, reações faciais, enfim, aprendeu a ler uma pessoa muito bem. Nessa observação, ela percebeu que um dos servos da fazenda, um jovem da idade da irmã e que cresceu junto a elas, fazia muita questão de levar todo mês, as frutas de época, colhidas na fazenda. O general Zhang não se importava, muito pelo contrário, algumas vezes ele acompanhava o servo e assim podia visitar a filha. Tia Meirong viu ali a oportunidade de algo, mas não tinha como ligar essas visitas mensais a alguma coisa.
Zhang Annchi estava em seu quarto mês de gravidez, quando tia Meirong resolveu acompanhar o pai e o servo, para uma visita a irmã. Odiou cada minuto daquela visão de extrema felicidade, aqueles sorrisos bobos da futura mãe e do imperador. Aquela felicidade deveria ser dela, tudo aquilo deveria ser dela.
Em certo momento, ela viu o rosto do servo e seu olhar de admiração para com Zhang Annchi, muito mais do que isso, era um olhar de amor. Eis aí a oportunidade que queria e a ligação perfeita.
Tia Meirong sabe o quanto de maldade têm os corações das pessoas da corte, basta uma palavra mal colocada e uma vida é destruída, assim como foi a sua.
Um grupo de servas está rindo e observando o servo da fazenda, que é um belo rapaz, ele é o objeto de desejo daquelas servas. Tia Meirong se aproxima do grupo e com total inocência na voz e no rosto, faz a observação venenosa.
Meninas, esqueçam ele, os olhos deste servo é só para minha irmã. - tia Meirong sorri. - Não pensem nada de errado sobre minha irmã, ela ama o imperador. - uma pausa para olhar as servas, que observam a idolatria do olhar do servo para com a concubina favorita do imperador. - Estranho que a gravidez veio somente depois que o servo teve permissão para conversar com a concubina favorita, não é mesmo? Talvez ele a tenha deixado mais feliz com suas visitas.
Pronto, isso basta. Essa é a afirmação que tia Meirong faz para si mesma, agora é só esperar as conversas se espalharem pelo palácio.
Não foi preciso que tia Meirong esperasse muito, no quinto mês de gravidez, Zhang Annchi foi acusada de adultério, a legitimidade do bebê foi questionada e ela foi julgada e condenada por adultério, foi exilada por vinte anos na Mansão das Esquecidas, na Província dos Cinco Lagos.
Uma tragédia sempre vem atrelada a outra tragédia, é o que dizem. O general Zhang se revoltou contra o imperador e para que não fizesse alguma loucura, apenas se afastou do exército, voltando em definitivo para sua fazenda de cavalos. O servo foi decapitado por traição à confiança do imperador e seus familiares o acompanharam na morte. O imperador aceitou bem, o afastamento de seu mais fiel general, mas retirou todos os benefícios que tinha concedido ao bom e leal general Zhang.
Para tia Meirong, tudo estava bom demais, tudo conforme queria, mas o escândalo ao contrário do que esperava, só fez deixar a irmã em mais evidência, quando alguns dos conselheiros do imperador, insistiam em provar a inocência da concubina e depois de noventa dias, um novo julgamento foi marcado e o conselheiro Yang e seus colegas, provaram ao imperador que ele foi enganado por fofocas, mas já era tarde demais, um decreto não pode ser alterado, conforme diz a lei e assim, Zhang Annchi ficou na Mansão das Esquecidas, inocente, mas se tornou prisioneira, em consequência da inveja e ciúme de sua irmã.
As Trezentas Leis são rigorosas, logo, uma das leis diz que uma adultera não deve ter mais contato com familiares ou esses serão punidos rigorosamente, mas o conselheiro Yang convenceu o imperador a confirmar se o bebê é ou não de sangue real e para isso basta verificar se o sinal de nascença, comum a todos os membros da família imperial, está na criança. O imperador concordou e mandou o próprio conselheiro Yang, com o velho general Zhang, fazer essa confirmação.
A visão da mansão é horripilante. O cheiro de carne podre no ar é horrível. Muitos corvos pousados no telhado gritam, não se sabe de alegria ou de pesar. Ao fundo um choro fraco de criança. Doze meses se passaram desde o exílio de Zhang Annchi e é obvio, aos presentes, que o bebê já tinha nascido.
As portas duplas estão semicerradas e o cheiro está quase insuportável. E logo os presentes descobrem de onde vem o cheiro. Ali, sentada no chão com o bebê nos braços, está a mais bela das mulheres da capital do império, Zhang Annchi, que agora é apenas um corpo em decomposição. O bebê nos braços quase não tem forças para chorar, ele está faminto, com sede e sujo.
Tia Meirong acompanhou o pai e ver que a beleza da irmã se desfez com a morte, a deixou em um estado de euforia que nunca tinha sentido antes.
General Zhang, vamos verificar a criança. - diz o conselheiro Yang.
Ao retirar o bebê dos braços da falecida, o corpo tomba para o lado, como que descansando, por finalmente alguém salvar seu filho.
O bebê é um menino, que está magro, mas nas costas dele está o sinal da família imperial, provando assim que ele realmente é o filho do imperador.
Isso é mais uma pedra na coroa de culpa, que o imperador vai carregar pelo resto da vida. - comenta o conselheiro Yang.
O general Zhang segura o neto nos braços e o abraça forte. Aquele pequeno ser é um guerreiro forte e determinado, não se deixou abalar e não morreu. Naquele momento o general jurou fazer de seu neto o soldado mais valente, forte e incomparável que já existiu e o conselheiro Yang se juntou a esse juramento, pois fará tudo que puder para que o imperador reconheça o filho, algo que pode demorar vinte anos, que é o tempo do exílio da mãe.Uma tragédia sempre vem atrelada a outra tragédia, é o que dizem. O imperador também é um ser humano e tragédias acontecem com todos. A imperatriz ficou grávida, aos quarenta e dois anos. Uma mulher forte no espírito e no físico, mas quando tem que acontecer, acontece. Depois de dar a luz a um belo menino, a Imperatriz Guerreira, morreu quando seu coração adoeceu. Em seu luto e pela segunda vez, o imperador descobriu que seu coração também está doente e que deve ser cuidadoso, para que assim possa ver seus filhos adultos.
Para tia Meirong, tudo isso não tinha importância, agora ela estava no centro das atenções, pois cuidava do filho do imperador, era sua parente e um parente da família imperial tem prestígio. O imperador presenteou o pai com uma mansão na capital, para tia Meirong não importava se era uma compensação pela estupidez do imperador, mas sim que agora poderia sair daquele fim de mundo e brilhar na corte. Levou meses para convencer o pai que mudar para a capital era o melhor, principalmente para o filho do imperador, mas no final, tudo deu certo, agora tia Meirong administra uma das mais belas mansões da capital do império e é tia do segundo príncipe do império. Isso estava de bom tamanho para ela.
Tia Meirong nunca pensou, que o mal sempre retorna para quem o liberta.
As memórias de tia Meirong estão vívidas ainda, ela se lembra de cada detalhe de sua vitória contra aqueles que a abandonaram ao seu próprio destino, daqueles que nunca a ajudaram a ser feliz, principalmente seu pai, que defendeu a irmã com todas as suas forças, mas a ela a ajuda nunca veio e amargou oito anos em um quarto triste, feio e solitário. Tia Meirong se orgulha de sua astúcia e inteligência, sempre será a vencedora e agora contra essa mulher estúpida, a vitória será fácil.
A oportunidade sempre vem para quem está atento a tudo e a todos. Tia Meirong não quer deixar escapar nada e para isso avisou suas servas mais leais a contar tudo que acharem interessante ela saber.
O primeiro mês, da viagem de dois meses do imperador, já acabou, as coisas ainda estão paradas, nada acontece e Zhang Jingfei ainda reina absoluta na mansão dos Zhang. Tia Meirong está impaciente, precisa de algo e rápido.
Uma tarde fresca, com uma leve brisa, tia Meirong aprecia um chá de morango com as duas concubinas do sobrinho. As conversas são estúpidas, como ela sempre pensa, mas ajuda a passar o tempo. Uma serva se aproxima rápido da varanda, onde as três estão.
Senhora, tenho algumas novidades!
Fale logo, mulher!
Ouvi uma conversa da senhora Zhang, que pretende falar com o senhor marechal, quando ele voltar, para que autorize a união de Jia com o mordomo Yun.
O que? - fala Li Liling. - Aquela serva estúpida?
Ela falava com quem, sobre isso?
Senhora Zhang conversava com a serva Xiuying.
O que interessa isso? - pergunta Li Liling
A você nada, mas para mim, muito. - responde tia Meirong. - Desde quando existe esse relacionamento entre Yun e Jia?
Parece que a muito tempo. A algum tempo vi os dois conversando na Sala da Contemplação, mas não pensei em nada, mas a concubina Ji Huang deve ter visto mais, já que estava lá também. - comenta inocentemente a serva.
Você viu algo e não me falou?
Tia Meirong, o que havia de interessante um mordomo beijar uma escrava?
Beijando? Você é outra estúpida? - repreende Li Liling.
Sua estúpida! - e outra vez o leque de tia Meirong acerta o rosto de Ji Huang. - Quantas vezes disse para prestar atenção ao que acontece na mansão e me contar depois? - e tia Meirong acerta de novo o rosto já marcado de Ji Huang. - Sua estúpida!
Tia Meirong, o que quer fazer? - pergunta assustada Li Liling, esperando que a fúria da mulher fique longe de seu rosto.
__ Serva, mande Jia até aqui. Diga que preciso que compre algo no mercado para mim. Diga também que o que quero, só ela consegue achar onde vendem. - ordena tia Meirong já mais tranquila, pois o plano perfeito já está completo em sua mente.
Jia caminha devagar pelo caminho de pedras até o pavilhão de tia Meirong. Nos últimos dias, na verdade, desde a partida do mordomo Yun, Jia tem estado muito triste, sem muita esperança na sua união com seu amado. Na verdade, acha que nada vai acontecer, afinal, é preciso convencer tia Meirong também, já que as regras da mansão foram escritas por ela e aceitas pelo marechal Zhang e Jia acredita que aquela mulher, que não gosta de ninguém, jamais vai ajudar.
Jia, estamos aqui!
Tia Meirong quer que eu vá comprar algo no mercado? - pergunta Jia entrando na varanda.
Sim, quero, mas antes quero conversar com você sobre algo muito importante.
Dependendo do quê a senhora queira, talvez não seja muito difícil comprar.
Jia, não é sobre isso, aliás na verdade não quero comprar nada, quero conversar com você sobre sua relação com o mordomo Yun.
Tia Meirong, por favor, não faça nada com o mordomo Yun! Tudo é culpa minha! É culpa minha!- diz Jia prostrada e com o rosto no assoalho de madeira. - Não faça nada com ele, por favor!
Jia, minha querida, levante-se. Não é nada disso. Quem disse que quero fazer algum mal a vocês dois? Hum?
Jia olha para tia Meirong assustada. Aquela mulher usando um termo carinhoso para com uma serva? Tem algo de estranho nisso.
Jia, alguns servos da mansão me contaram que você e o mordomo Yun querem se casar, é verdade?
Sim, é verdade, tia Meirong. - Jia está na defensiva, algo de ruim está por vir, ela sabe disso.
Então está bem, eu concordo com essa união e como prêmio a sua lealdade a família Zhang, não quero o pagamento pela sua liberdade. O que você acha?
Eu não sei o que dizer. - Jia está ciente agora que alguma coisa está errada. Essa mulher não sabe o que é generosidade, ela sempre foi indiferente aos sentimentos de qualquer um, sempre foi cruel com os servos. Definitivamente, algo está muito estranho.
Diga apenas que aceita, sua tola. - incentiva Li Liling.
Isso mesmo, diga apenas que aceita e quando o mordomo Yun voltar, começaremos os preparativos do casamento de um homem livre com uma mulher livre. Não é o que mais quer?
Sim, mas …
Nada de “mas”, minha querida. - tia Meirong sorri. O sorriso de um animal feroz que conseguiu encurralar sua presa. - peço apenas um favor de sua parte, pode ser?
Aí está, pensa Jia, tinha algo.
O que a senhora deseja?
Algo muito simples. Quero que traga uma lista de compras que Xiuying tenha escrito e depois coloque de volta nas coisas dela, só isso.
Quer ler o que a senhora Zhang compra?
É isso mesmo. - responde tia Meirong que já está ficando impaciente.
Se eu fizer isso, poderei casar com o mordomo Yun? Só fazendo isso?
Claro que sim.
Tia Meirong, posso ousar perguntar para que quer isso?
Não é da sua conta, garota tola!
Li Ling, calma. É natural uma pergunta dessas. - tia Meirong ainda tem no rosto o sorriso simpático. - Vou apenas verificar algo que está faltando e depois você devolve ao lugar certo. É só isso.
Está certo. Vou pedir a ela …
Não, não faça isso! Não quero criar algum tipo de desavença com a sobrinha Jingfei. Apenas procure e quando achar, traga para mim. Certo?
Tudo bem, eu farei isso.
Lembre-se que isso tudo está sendo feito, para que você consiga se casar com o mordomo Yun.
__ Muito obrigada, tia Meirong, muito obrigada.
Jia volta pelo caminho de pedras até a entrada dos fundos da mansão. Seu coração está leve e feliz, seu sonho vai se realizar finalmente. Um sorriso surge em seus lábios. A felicidade que está sentindo parece que vai explodir seu coração.
Enquanto o sorriso de Jia surge, o de tia Meirong desaparece.
Garota tola. Caiu como uma corsa na armadilha. - comenta Li Liling.
Fique atenta para que ela não fale com ninguém sobre isso, entendeu? - ordena tia Meirong a serva da mansão.
As três estão a sós agora, a conversa pode ser mais franca.
A senhora acha que isso vai dar certo?
Li Liling, se vocês ajudarem, tudo vai dar certo.
O que podemos fazer?
Seduza aquele soldado da guarda de Jingfei e o convença a nos ajudar. Diga a ele que quando tudo estiver resolvido, eu vou indicar o nome dele para um lugar que ele escolher.
Tia Meirong, a senhora pode fazer tudo isso?
Li Liling, eu posso fazer o que eu quiser! Eu sou a tia do segundo príncipe!
Dois depois, Jia entrega a lista de compras para tia Meirong.
Foi difícil de achar?
Não, Xiuying entregou para mim hoje. A senhora Zhang quer algumas coisas para um jantar para as esposas dos generais e capitães.
Ora, vejam só. Ela está agradando as esposas dos subordinados do marido.
É apenas para fortalecer os laços de amizade e lealdade.
É claro, Jia, é claro. Pois bem, quando vai fazer essas compras?
No dia depois de amanhã, sem falta.
__ Está tudo bem, entregarei a você amanhã a tarde.
Jia está muito feliz, em sua cabeça a única coisa que tem é a imagem de alegria de seu amado, quando contar a ele a novidade. Na cabeça de tia Meirong está apenas que terá que forçar Ji Huang a copiar a letra de Xiuying em um novo bilhete e isso em pouco tempo.
Por três horas, Ji Huang lutou para copiar, de maneira o mais natural possível, a letra de Xiuying, mas o tempo gasto e as repreensões de tia Meirong valeram a pena. O bilhete novo está perfeito. Agora só resta colocar em algum lugar fácil de ser encontrado.
O jantar de Jingfei é para Ji Jing, a esposa do general Ji Liao, que está muito triste e sozinha. A filha do casal perdeu o bebê e Ji Jing ficou abalada com isso e sente a falta do marido. Jingfei que gosta muito dela, assim como gosta de Chen Mei, a esposa do general Chen Shoi Ming.
É uma bela noite de outono, as folhas voam pelo ar, o vento está forte, indicando que uma chuva está por vir, mas o jantar vai acontecer mesmo assim.
Todos chegaram e para surpresa de Jingfei, os maridos também vieram. Não foi algo ruim, mas as conversas femininas não vão acontecer.
Tudo está indo bem no jantar. O riso é fácil, o sentimento de tranquilidade está no ar, mesmo tia Meirong estando com um rosto sério e não participando da conversa, o ambiente está agradável.
Quando todos estão saboreando um licor de maçã e falando sobre o que lembram dos reinos que o imperador está visitando, o soldado He Yue Jin entra na sala trazendo na mão um pedaço de papel.
Com licença general Chen Shoi Ming, tenho algo que encontrei que não pode deixar de ser de seu conhecimento.
O que é soldado. - responde o general com desânimo.
General, encontrei esse bilhete estranho no bolso do avental de Xiuying e é muito estranho.
Revira os bolsos das servas agora, soldado. - diz sorrindo o general Quon Changlian.
Isto é sério, senhor general. No bilhete Xiuying avisa que o imperador está em viagem e que vai passar em um determinado local e esse local é propício para uma emboscada.
Quando o soldado He Yue Jin termina de falar, todos os oficiais presentes saltam de suas cadeiras para ler com os próprios olhos o tal bilhete.
Isso não é possível, Xiuying é de confiança! Jamais faria tal coisa! - explica Jingfei.
Senhora Zhang, pode confirmar se essa é a letra de sua serva? - pergunta o general Chen Shoi Ming.
No começo, Jingfei pensou que não é a letra de Xiuying, mas não tem como não ser, ela mesma tem ensinado Xiuying a escrever, não reconhecer a letra de sua aluna, seria impossível, mas, por outro lado, Jingfei pensa que a missão de Xiuying não é essa e que talvez alguém tenha planejado tudo para incriminar a serva. Um rápido olhar para o lado, Jingfei vê tia Meirong séria, bebericando o licor e já imaginou quem fez tal coisa.
Parece muito, mas não tenho certeza. - por fim responde Jingfei.
Isso é muito conveniente de se dizer, sobrinha Jingfei, já que você ensina sua serva a ler e escrever. É certo que conhece bem a escrita dela.
Senhora Zhang, se a senhora ensina a serva é claro que conhece a letra dela. Tenha cuidado com suas afirmações nesse momento.
Como posso ter certeza, general Chen Shoi Ming, se todas as escritas se parecem um pouco, por causa dos caracteres. Isso é um pouco complicado de se afirmar.
Senhora pense bem e eu vou repetir. Essa é a escrita de sua serva Xiuying?
E eu vou repetir minha resposta, que é que não tenho certeza.
General, eu não gostaria de me envolver nesse assunto, mas diz respeito a minha família, pois o nome do segundo príncipe está em jogo aqui, mas tem alguém que pode confirmar essa escrita.
Quem? - pergunta o general Chen Shoi Ming.
Jia, a que está sempre junto dela.
Jingfei não pode deixar de olhar com espanto para tia Meirong.
O que está acontecendo aqui! - pensa Jingfei. - Por que Xiuying?
Jia entra e atrás dela está Xiuying com um semblante assustado.
Jia, diga de quem é esta escrita?
General Chen Shoi Ming, esta escrita é de Xiuying. - responde Jia de cabeça baixa.
Jia! - grita Jingfei.
Parece que um complô contra a vida do imperador está sendo descoberto nesse momento. - comenta o general Gang Chao Ju.
A mensagem é dirigida a irmã gêmea de Xiuying, que é a serva da concubina Lin Ehuang. - confirma o general Chen Shoi Ming.
Será que todas estão juntas nesse complô? - pergunta maldosamente Gang Jia Sui.
Um silêncio desconfortável e ninguém olha para Jingfei.
Estão achando que eu estou envolvida nisso? Se é que isso tudo é verdadeiro! - explode Jingfei.
Senhora Zhang, não vamos nos precipitar. Vou iniciar uma investigação e informar a regente o que está acontecendo. Se não for real, tudo será esquecido.
E se não for? - pergunta Jingfei nervosa e surpresa.
Por enquanto as duas irmãs estão sob custódia no quartel-general. Vou falar com a regente primeiro, mas a princípio, por causa de sua recusa em reconhecer a escrita da serva, vou solicitar prisão domiciliar.
O que? Isso é loucura, não fizemos nada!
Calma, senhora Zhang, tenho certeza que o general será totalmente imparcial nessa investigação e se não encontrar nada, todas estarão livres. - fala Ji Jing com calma.
Isso é um absurdo! - reclama Jingfei que se volta para olhar para tia Meirong, mas a velha e astuta tia Meirong não está mais na sala.
Para que ninguém desconfie que criou tudo isso. Muito esperta, muito esperta mesmo. - pensa Jingfei.
O olhar de Jingfei recai sobre Jia, que continua de cabeça baixa.
Jia, por quê? - tenta falar Jingfei.
__ Senhora Zhang, vou pedir que não se aproxime ou fale com a testemunha. De hoje em diante, ela vai ficar no pavilhão da tia Meirong e a senhora está proibida de falar com ela. Isso é uma investigação oficial.
Jingfei tem agora a surpresa e a decepção no coração, podia ser qualquer pessoa, menos Jia, essa é a pessoa em quem ela mais confia.
Isa sabe que o excesso de confiança é a causa de muitas das maiores decepções na vida, não seria diferente em qualquer outro lugar.
Xiuying olha para trás, a surpresa está em seu rosto, não entende o que está acontecendo, mas o mais importante, a missão pode sofrer uma reviravolta, se algo acontecer a ela.
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Atualizado até capítulo 24
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