A Mansão das Esquecidas

As galinhas ainda dormiam, quando uma pequena guarnição parou nos portões da mansão Zhang. Um constrangido general Chen Shoi Ming, caminha até a porta principal, bate e espera ser atendido.

Um sonolento servo, que faz o trabalho noturno, se surpreende quando vê o general, mas obedece quando ele ordena que acorde a senhora da mansão.

General Chen Shoi Ming, aconteceu alguma coisa com o marechal Zhang? - para Jingfei, a preocupação maior é com seu amado marido.

Não, senhora Zhang, eles ainda estão ilhados.

Então o que o traz a essa hora na mansão?

Senhora tenha calma, tenho certeza que tudo se resolverá quando o imperador e o marechal Zhang retornarem, mas por hora, devo obedecer às ordens da imperatriz e levá-la para a Mansão das Esquecidas.

O que! Mansão das Esquecidas? Eu não cometi nenhum crime!

Senhora Zhang, é apenas para sua segurança …

Qual segurança? Que eu vá fugir? Porque faria tal coisa, se sou inocente!

Senhora, apenas seja paciente, tudo vai se resolver.

Jingfei para de reclamar, sabe que não adianta. O melhor a fazer é realmente ficar calma e esperar o marido voltar. Jingfei confia que o marido vai resolver tudo em instantes.

Foi liberado para ela, levar apenas coisas para a higiene pessoal e uma muda de roupa. Embrulhando tudo em um saco para viagem, Jingfei olha para os poucos servos que estão na porta, sorri, tentando parecer tranquila e acena.

__ Cuidem da casa, eu volto logo.

Os servos sabiam que tudo que está acontecendo é mais uma armadilha de tia Meirong, mas eles como servos não têm direito de questionar uma nobre, mas eles vão fazer alguma coisa para aliviar a frustração de estarem perdendo uma boa pessoa, que sempre os defendeu.

A liteira vai rápido pelas ruas da cidade, até os fundos do palácio e lá a concubina Lin Ehuang embarca também ao mesmo destino. As duas não trocam nenhuma palavra, sabem bem quem está por trás disso.

Através das ruas escuras, a liteira e uma guarnição de vinte soldados, sob o comando do capitão Xu Yao, subcomandante do general Chen Shoi Ming, finalmente atravessam os portões da cidade. Para Jingfei e Lin Ehuang, um aperto no coração, uma apreensão que não conseguem explicar, é uma sensação de que nunca mais vão voltar aquela cidade. Um pensamento em comum entre as duas e sem perceberem, as duas seguram as mãos uma da outra, para sentir um apoio que elas não sentem, mas que acham que a outra sente.

Por vinte e oito dias elas viajaram dentro daquela liteira, não tinham ordens para saírem, somente nas paradas obrigatórias para as necessidades físicas e mesmo assim a vigilância é cerrada. Ao chegarem na Província dos Cinco Lagos, o dever é informar ao governador o que está acontecendo. Jingfei se lembra que não muito tempo atrás, visitou a mansão do governador e foi recebida com toda pompa que uma esposa de um príncipe merece, mas nesse momento a recepção não existe, não pode ver a cidade, está trancada em uma liteira sem janelas e que fica com a porta trancada o dia inteiro.

O governador se espantou com a história, ele também não acredita que aquela mulher corajosa tenha pensado em fazer alguma coisa ruim ao imperador, mas sua função não é questionar as ordens da imperatriz. Alguns membros da sua guarda pessoal, seguiram junto com a guarnição até as montanhas onde a mansão está, a noite está chegando e a cor avermelhada do céu, com as montanhas ao fundo, lembra um sinal de agouro, lembra mais uma cena de terror para Jingfei.

A plataforma de subir é velha, não sei se é segura, no entanto é o único jeito de subir. - informa o jovem comandante da guarda do governador.

Se não existe outro meio, senhoras, o jeito é subir por aqui mesmo. - completa o capitão Xu Yao.

Claro, porque não, não é mesmo? Quem sabe tia Meirong tem a grande sorte da plataforma cair e assim a vitória será dela. - responde Jingfei com sua comum ironia.

Não sei nada sobre isso, senhora Zhang, apenas cumpro ordens.

Claro que sim. Perdoe-me capitão, mas esse não é um dos meus melhores dias.

Tudo dará certo no final, senhora Zhang e concubina Lin Ehuang.

As duas não respondem, apenas olham para cima e sentem um calafrio percorrer o corpo delas, como em um ato pensado, as duas se abraçam, tentando consolar uma a outra.

A plataforma geme por conta das roldanas enferrujadas, mas com todo o balanço e suspense, ela chega ao platô onde fica a mansão e depois que as duas descem, a plataforma volta rápido para o chão. Não houve despedidas ou palavras de consolo, apenas a voz firme do capitão Xu Yao dizendo o que fazer e as duas não olharam para baixo, tinham o olhar fixo nas alturas, nas rochas escuras da montanha.

No platô ainda é possível ver o pôr do sol e sua luz ilumina a mansão. Chamar aquilo de mansão é ser generoso demais, um nome para enganar as condenadas a ficarem ali. A suntuosidade da casa fica só nas grandes colunas que sustentam o telhado, na porta dupla que em algum dia foi pintada de vermelho, nas janelas faltando partes, o piso que circunda o lado de fora, está, em grandes partes, corroído pelos cupins e o telhado está com falhas, ou seja, faltam telhas. Os arredores parecem combinar com a mansão velha e acabada. Não tem uma folhagem ao redor, como um círculo de vinte metros de diâmetro ao redor da mansão. Não existe folhagens, flores ou árvores nesse círculo, mas além dele, pode-se ver uma floresta e entre as árvores, o brilho do sol na superfície de um lago.

De sede não vamos morrer. - comenta Ehuang para alegrar um pouco.

Dentro da mansão é um pouco pior. O assoalho está apodrecido e Jingfei quase se machuca quando pisa em uma madeira e ela se desfaz em vários pedaços. O cheiro do ambiente é de mofo. O teto está cheio de teias de aranha, não existem móveis, só um fogão de pedra e algumas vasilhas espalhadas pelo chão. Isso tudo em um único cômodo. Chamar aquilo de mansão, é um pouco demais.

Onde vamos dormir, Jingfei?

Vamos achar algum canto, que não quebre. - ela respira fundo. - Amanhã nós podemos ajeitar as coisas um pouco. Trouxe alguma coisa escondido?

Quando disseram que viríamos para cá, lembrei que ninguém pode nos dar nada, então trouxe o máximo de velas que pude encontrar. As outras concubinas me deram alguns panos, duas adagas e alguns pães. E você o que trouxe?

Pães, facas, velas, carne curtida e duas cobertas. Achei que era o suficiente. As servas me deram algumas frutas, ameixas secas, tâmaras e um pote de chá.

O capitão não questionou, não é estranho?

O que ele poderia fazer? Nos impedir de trazer?

Mas, essa são as normas da mansão, ninguém deve ajudar ou serão punidos.

Eu não vou falar e você?

Claro que não.

As duas conversam animadas, como se a situação fosse a mais simples possível, mas não querem entrar em pânico, todo mundo sabe que as mulheres, antigamente, se suicidavam quando permitiam que o desespero tomasse conta e as duas estão fazendo o possível para ficarem tranquilas, hoje vão dormir e amanhã será outro dia.

Nada como um dia após o outro, é o que dizem, mas no caso das duas mulheres, o dia não parecia ser muito melhor do que o dia anterior. Com a luz do dia, podia-se ver que os estragos são maiores do que as duas imaginavam. O telhado tem um buraco, que a noite parecia ser bem menor, mas não é. As janelas estão quebradas e as venezianas não foram encontradas pelas duas. O piso está comido pelos cupins, uma verdadeira armadilha e impossível de arrumar. O fogão é a única coisa em bom estado, mas precisa de uma boa limpeza se quiserem fazer alguma coisa para comer. Na verdade a mansão é um cômodo só, com uma porta dupla e duas janelas. Naquele cômodo, as mulheres, que são condenadas a passar anos ou a vida toda, devem dormir e cozinhar ali.

Jingfei e Ehuang, não se deixam abater pela visão mais realista que a luz do dia proporciona e começam a limpeza, afinal, elas têm mais ou menos uns vinte dias para viverem ali e o menos que podem conseguir, é arrumar o lugar para dormir e comer com o mínimo de dignidade.

Jingfei está usando seu conhecimento e algumas coisas que improvisou quando morava no pavilhão da mansão Zhang, enquanto isso, Ehuang limpa o interior da mansão e o fogão.

Foi complicado, não existem ferramentas no lugar, nada para ajudar a pregar a porta ou as venezianas das janelas, Jingfei está usando a imaginação, amarrando com cipós as janelas que jamais estarão abertas e no telhado, conseguiu folhas gigantes de uma árvore que ela não conhece, mas que serviram bem tampando o buraco.

Ehuang por sua vez, foi até as árvores que ficam além do círculo estéril da mansão e trouxe várias folhagens secas, amarrou-as a um pedaço de madeira longo e faz uma vassoura, mas quando Jingfei, depois que terminou sua parte, entra na mansão, vê Ehuang parada olhando para o teto.

O que foi?

São aranhas.

E daí?

Eu e Ehuang, detestamos aranhas.

Um bom motivo para se livrar delas, não acha?

Detestamos e temos receio delas.

Medo, você quer dizer.

Medo, não, receio.

Certo, certo. Eu tiro as aranhas e você termina o assoalho, tudo bem assim?

As aranhas foram convidadas a se retirarem da mansão sob a força de uma vassoura e com elas, suas teias também se foram. O fogão está limpo e Ehuang descobriu uma parte do assoalho que é firme o suficiente para elas dormirem e comerem sentadas. Um tronco é improvisado como mesa e quando o estomago faz seu alerta de que precisa se alimentar, os pães são aquecido no fogão, que está aceso, depois que Ehuang trouxe a lenha. Depois de tudo, parece que o cômodo chamado de mansão, ficou um pouco mais habitável, até a varanda está pronta e as duas se sentam nos degraus e apreciam o pôr do sol.

Jingfei, essa situação em que estamos, você acha que é obra da tia Meirong?

Eu não tenho dúvidas, aquela mulher está tentando me expulsar da família desde o dia que coloquei os pés na mansão.

Então por que Xiuying?

Uma maneira de nos atingir de tabela. A acusação veio para elas, mas de alguma forma veem que as estamos protegendo.

Isso é um absurdo!

Foi o que eu disse, mas parece que a prova maior é aquele bilhete enviado a Xiuying-in, com a letra da irmã.

Isso tudo é uma grande mentira! - Ehuang está mais do que irritada com a situação. - O propósito de Xiuying aqui é outro!

Sim, nós sabemos, mas os outros não sabem.

E Jia, Jingfei, por que faria tal coisa?

Isso é um pouco minha culpa.

O que você tem a ver com isso?

Eu estava muito ocupada tentando me acertar com o marechal e não prestei a devida atenção com o que acontecia a minha volta. É certo que percebi um pouco da tristeza de Jia. Até perguntei a Xiuying o que acontecia com ela e foi aí que soube que Jia ama o mordomo Yun e ele a ela, mas por causa das normas rígidas da mansão Zhang, não existe muita esperança dos dois ficarem juntos.

Normas?

Parece que, para manter as servas longe de relacionamentos, tia Meirong acrescentou as normas, que se uma serva quisesse casar com outro servo ou com algum homem livre, deve pagar uma quantia enorme para ser livre. - Jingfei suspira alto. - Essa situação deve ter deixado Jia muito inquieta e nessa hora, tia Meirong deve ter se aproximado com alguma sugestão maravilhosa, que pode resolver a situação de Jia e esta aceitou fazer o que fez, provavelmente uma forma de pagamento pela generosidade de tia Meirong.

Por que você se sente culpada? Não deveria, afinal, Jia deveria ter confiado em você e pedido sua ajuda.

Talvez ela não confie tanto em mim como eu penso. Talvez por ver como eu estou bem ao lado do marechal, ela tenha pensado que qualquer outra coisa, não tinha muita importância para mim. - Jingfei suspira de novo. - Eu deveria ter me aproximado dela e contado que estava esperando o retorno do marechal, para fazer algumas mudanças nas normas da mansão, mas tia Meirong chegou primeiro.

Ainda acho que você não deve se sentir culpada.

E você? A imperatriz odeia você a esse ponto?

No dia que levaram Xiuying, eu fui até ela, implorar por Xiuying-in, explicar que tudo não passava de um engano, mas aquela mulher só olhou para mim com desprezo e virou as costas. O general Chen Shoi Ming me disse que eu ficaria em prisão domiciliar até que as investigações terminassem. Ninguém jamais me perguntou nada sobre o assunto e mesmo assim, Xiuying-in foi julgada e condenada.

E parece que nós estamos juntas nisso, apenas por que alegam que nós as estamos protegendo.

Para nossa sorte, Jingfei, as mulheres do Império Jinhai não têm poder de decisão, senão, estaríamos agora sem cabeça.

Quando o imperador e o marechal retornarem, os dois vão descobrir essa farsa e nós estaremos livres.

Espero que isso não demore. - Ehuang olha para Jingfei que tem no rosto o ar de alguém que desconhece o assunto. - Eu explico. Acontece que o conselheiro Yang mandou notícias através de uma ave mensageira, avisando a imperatriz que por causa das fortes chuvas, toda a comitiva está presa na capital do Reino de Jade e em outra mensagem avisa que a ponte que liga o palácio real ao resto da cidade desmoronou e que não tem como saber quanto tempo vai levar para o conserto da ponte.

Essa última parte, eu não sabia. Sem previsão do conserto, isso é ruim para nós.

Também acho. - Ehuang olha para o céu tingido de laranja pelo por do sol. - Na noite anterior, antes do capitão nos levar, a imperatriz deu um jantar para as amigas mais intimas, uma comemoração, eu acho. Eu aposto que ela acredita que a demora do retorno do imperador, será o suficiente para um suicídio duplo.

Jingfei também olha para o céu e depois olha para a garota a seu lado. Ela não acredita que Ehuang fará tal coisa, a garota parece ser forte e determinada e ela mesma não quer fazer isso, já tentou uma vez, quando era somente Isa, mas naquela época desistiu e não vai repetir aquela tolice de novo.

Nós vamos nos ajudar, certo? Não vamos dar a vitória aquelas duas de jeito nenhum, entendeu?

Isso não passou por minha mente. Eu não quero desistir de nada.

Bom, muito bom. Agora vamos fazer mais chá e esquentar mais bolinhos. Amanhã vamos até o lago tentar pescar alguns peixes e depois disso, o que temos a fazer é tentar sobreviver e esperar que tudo isso termine.

A esperança é um ato estranho. É lançar uma expectativa em um determinado assunto ou ação, da qual não se tem nenhum controle e o mais estranho, é que as vezes essa esperança se transforma em confiança e torna a realidade que se queria, em verdade.

Um dia, dois dias, quatro dias e finalmente, sete dias. Nenhuma aproximação, mesmo com Jingfei gastando horas observando a encosta da montanha. Nenhuma ave mensageira para informar sobre o retorno do imperador. Nada, apenas a companhia uma da outra.

Jingfei e Ehuang pescam, caçam codornas na floresta, caçam galinhas selvagens e fazem chá. Não passam fome ou sede, mas o isolamento está começando a perturbar, a falta de notícias também.

Jingfei acordou pela manhã e não vê Ehuang em lugar nenhum. Imagina que a amiga tenha saído para pescar ou caçar alguma coisa, então decide ir até o lago, onde viu algumas ervas comestíveis, para fazer uma sopa e mudar um pouco o cardápio.

O lago é bem tranquilo, aquela hora da manhã uma leve neblina flutua por sobre a água cristalina. No fundo da lagoa é possível ver várias formas estranhas, mas não assustadoras. Os peixes nadam um pouco mais abaixo da superfície, a vegetação ao redor está sempre verde, é como se elas não conhecessem as estações do ano ou pararam em uma eterna primavera, pois as flores estão sempre vivas e perfumadas. É um ambiente bonito para um descanso e para meditação. Ao longe Jingfei vê Ehuang, sentada na relva e olhando para algum ponto do vazio.

Veio pescar ou meditar?

Na verdade, vim para pensar.

Ehuang, pensar no quê?

Em tudo, em toda a minha vida.

Pensar nessas coisas, dependendo do que viveu, pode não ser um bom caminho. - avisa Jingfei.

Não sei por que não é bom? É a vida para qual vou voltar depois dessa tal missão.

Nós vamos voltar.

Certo, nós vamos voltar.

Por que pensar nisso agora? Sente falta da família?

Família? - Ehuang sorri triste. - Isso nunca existiu na minha vida.

Ehuang, fale comigo, não guarde essa tristeza. Nós estamos aqui a quase dez dias e isso realmente está começando a mexer com nossos nervos, então fale comigo e eu falo com você.

Você é uma boa pessoa. Estou feliz por estar aqui com você.

Talvez se me conhecesse antes, você não diria isso. - é a vez de Jingfei sorrir com tristeza.

Eu digo isso, porque eu nunca tive amigas, alguém com quem conversar. Saber a opinião de outros ajuda, em algumas vezes, para que não tenhamos arrependimentos depois.

Você se arrepende de algo? Você me parece bem centrada, com opiniões bem formadas.

Ehuang sorri com gosto dessa vez, mas o riso aos poucos vai dando lugar as lágrimas.

Ehuang, o que foi? O que eu disse?

Você está falando como em nosso planeta e absolutamente, eu não sou centrada e muito menos com opiniões formadas.

Para mim parece. Você tem essa aura de tranquilidade. E não me diga que é da verdadeira Ehuang, porque não é. É a sua aura, é você! A Ângela que está aí!

Ehuang olha para o rosto sincero da amiga e sorri.

Assim como você, Isa, é que está aí presente em Jingfei. Lutadora, observadora e amiga.

Não tem graça, mas tenho vontade de rir. Também não sou assim, mas talvez estar aqui nos tenha mudado. Mudado a maneira de pensar, de pesar nossos atos e nossas decisões.

Pode ser. - Ehuang suspira de tristeza. - Hoje acordei e pensei em meus irmãos. Não os irmão de Ehuang, mas nos irmãos de Ângela. Antes de vir para cá, eles foram levados pelo Serviço Social, mas não sei mais deles.

Está com saudades?

Saudades e um sentimento de culpa muito grande, por não ter feito mais por eles.

__ Quer falar a respeito?

Um ombro amigo foi algo que Ângela precisou por toda a sua vida, mas precisou estar em outro planeta e depois de tudo ter desmoronado, que encontrou alguém que queira ouvir.

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