Isabela, a outra garota triste

Uma escola de muito prestígio na zona norte da capital. Uma escola fundada na década de trinta, que sobreviveu com as mudanças politicas e econômicas. Essa escola é o Externato Pedro de Alcântara, que tem como proprietária uma mulher batalhadora, dedicada em prosseguir com o sonho do avô, de oferecer um ensino de qualidade, baseado na metodologia francesa. Essa mulher se chama Maria Antonieta de Alcântara e é a diretora da escola e a mãe do Joaquim.

Maria Antonieta tem uma bela casa a quatro quadras da escola, uma casa grande demais, fruto de tempos em que a escola era frequentada por boa parte dos filhos da nobre sociedade de ricos cafeicultores, mesmo a escola tem ainda a aparência requintada na sua construção. Os tempos mudaram e as finanças estão na zona de perigo e Maria Antonieta pensa em vender a casa e demitir os empregados. Não são tempos de ostentação, como o avô e o pai gostavam de fazer, agora ela colhe os frutos dessa ostentação.

De todos os empregados, Maria Antonieta ficou com Amélia, a mulher que esteve sempre a seu lado nos momentos mais difíceis, seus conselhos e seu carinho foram importantes, para alguém que tinha ficado órfã, assim que terminou seu mestrado e quando o marido se cansou da vida de casado e foi embora.

Amélia não tem marido e nunca fala muito sobre ele, mas tem uma menina linda com olhos cor de mel, que se chama Joana Rodrigues. As duas são negras, mas Joana herdou do pai branco os belos olhos e o sorriso charmoso.

Maria Antonieta sabe das dificuldades da empregada para cuidar da filha de seis anos e os apuros para achar alguém para cuidar da menina, então quando as dificuldades chegam, ela propôs a Amélia que more na casa e traga a menina e como as regras da escola permitem que cada professor e funcionários possam matricular os filhos, deu a Joana um lugar para estudar e ainda fazer companhia para o filho Joaquim. É a proposta perfeita, que Amélia aceita sem que pense duas vezes.

Joana é feliz na escola? Em muitos momentos, afinal, é a década de sessenta, onde o racismo velado está bem forte, não existem leis contra o preconceito, mas Joana tem Joaquim, que se tornou seu protetor e melhor amigo, além dele, ela também ganha outros, tais como a Marisa, filha de um médico de renome em Salvador, que mandou a filha estudar em São Paulo e a hospedou na casa da irmã, Lúcia. Tem ainda o Yan, que Joaquim passa a chamar de Zangadinho e uma outra que veio bem depois, quando os quatro amigos estavam se formando no ginásio, a simpática Amanda, filha de um chinês e uma brasileira. Cinco amigos que se defendiam e ao mesmo tempo riam das qualidades e dos defeitos deles mesmos, na atualidade, se chama bulling.

Rir dos amigos e de suas manias, aparência, ou o que quer que seja, nunca é um bom sinal. A amizade parece não ser forte o suficiente e Joaquim é o campeão de achar coisas nos outros e nos amigos para uma piada perfeita, que faz com que todos ao redor sorriam, menos a vítima dessa graça. O favorito é Yan, que sempre está sério e com as sobrancelhas cerradas, como se estivesse sempre zangado e por isso Joaquim e depois muitos outros, o chamam de Zangadinho. A próxima “vítima” é Amanda, que para a idade, treze anos, está bem acima do peso e por causa disso, Joaquim a chama sempre de Ball.

Joaquim não é o único que faz essas brincadeiras, geralmente Joana o acompanha na difícil tarefa de encontrar elogios para as pessoas, pois é assim que os dois acreditam fazer, elogiar as pessoas.

Nada disso atrapalha os estudos e a formatura do ginásio veio e o presente que Maria Antonieta deu ao filho e a Joana é uma viagem até o litoral, na casa de uma sua tia e é nessa estadia divertida, que Joana decidiu que um dia viajaria pelo mundo para conhecer o máximo de países possíveis, antes de morrer.

A dupla Jô e Jô, têm muitos sonhos em comum e um deles é conhecer o mundo. Os dois são muito próximos, mas o sentimento é o de irmandade, Joaquim vê a amiga como a irmã com quem pode dividir pensamentos e sentimentos e Joana vê o amigo da mesma maneira. Uma amizade para a vida toda.

Os anos passam e depois do colegial, a próxima etapa é a faculdade. Com exceção de Marisa que vai para USP, estudar medicina, os outros passaram no vestibular para a mesma faculdade. Joana vai estudar Engenharia, Joaquim, que vai substituir a mãe na direção da escola, vai estudar Letras, Yan, obedecendo ao pai, que é um abastado comerciante e quer o filho administrando a empresa de exportação, vai estudar Administração de Empresas de manhã e a tarde estudará Economia e Amanda, cujos pais são advogados, insistem que a filha siga o caminho deles, então ela estudará Direito. Todos tem seus futuros traçados pelas famílias, menos Joana que a mãe apenas a orientou em fazer o que gostava e que a deixaria feliz. Um grupo de amigos que ainda permaneciam juntos em uma amizade para a vida toda.

Em mil novecentos e oitenta e três, depois da formatura de Amanda, que namorava Yan, eles acabam se casando, para alegria das famílias de descendência chinesa e a brasileira, acostumados já com os familiares do outro lado do planeta. No casamento, Joaquim proporcionou a maior graça aos noivos e aos presentes. Querendo de qualquer maneira fazer um discurso, o rapaz cita o apelido do casal, fazendo com que os convidados gargalhassem alto. Os noivos se entreolham e apertam as mãos. Amanda e Yan se sentiram humilhados pelos “elogios” do tal amigo, mas guardaram isso para um outro momento, porque aquele é o momento deles e apesar da situação constrangedora, eles estão felizes com a união.

Os caminhos que cada um assumiu depois da formatura na faculdade, era o esperado por seus pais. Cada um fez o que deveria fazer, menos Joana que viajou para os Estado Unidos e através de uma bolsa de estudos, fez sua especialização e quando voltou ao Brasil, tem na bagagem a idéia de ter seu próprio negócio e inaugura uma empreiteira, com a ajuda do irmão da mãe, tio Oscar. Com trabalho e dedicação, Joana transforma a empreiteira em construtora em pouco menos de dez anos e nesse décimo ano, conhece Augusto Paiva, arquiteto medíocre, mas esforçado, que a pediu em casamento e uma Joana com trinta e um anos, aceita esse pedido, para um ano depois, nascer sua primeira e única filha, Isabela.

Como todos os cinco amigos moram em São Paulo, até Marisa que se recusou a obedecer ao pai e voltar para Salvador, se encontram com certa frequência. Todos eles estão casados e com seus filhos.

Joana é a mãe de Isabela, Joaquim é o pai de Vicente e Laura, Marisa é a mãe de Eduardo, Yan e Amanda são os pais de Thomas. Os pais resolvem dar um nome ocidental ao filho e mantém o sobrenome chinês.

São amigos de longa data, que agora têm famílias e nada mais justo do que as crianças crescerem juntas, estudarem na mesma escola que seus pais e terem a mesma amizade sólida.

Quando Thomas completa seis anos de vida, Amanda falece, vítima de um câncer que a consumiu em menos de um ano. Yan fica inconsolável, assim como o filho e por alguns meses, não se encontra com os amigos, mas todos entendem, já que Yan sempre foi apaixonado pela esposa, desde a primeira vez. Nunca, para ele, Amanda tinha algum defeito, os dois se conheciam bem, conviviam em plena harmonia, tinham os mesmos objetivos. Um ano depois da morte da esposa, Yan apresenta aos amigos sua nova esposa, Dora, uma mulher estranha e de poucas palavras, grávida do segundo filho dela e terceiro filho de Yan. Todos ficaram espantados? Sim, mas não tinham o direito de falar nada, apesar de muitas dúvidas.

Os filhos nasceram e estão crescendo juntos, como os pais, são amigos inseparáveis.

Aos oito anos de idade, Isabela tem sua primeira dor. Sua mãe, que ama viajar pelo mundo, morre em um acidente de avião. O avião cai no mar, entre a China e o Japão, durante uma tempestade de neve. Seu corpo nunca foi encontrado e o caixão que é enterrado na presença de amigos e parentes, está vazio.

Isabela jamais viu o rosto da mãe pela última vez, quando se despediram, a menina chorava por não acompanhar a mãe dessa vez, está com notas nada boas na escola e por esse motivo, fica para trás. Na sua dor, a menina culpa o mundo por não ter tido o mesmo destino da mãe, porque agora está sozinha, não tem mais ninguém que vai ouvir seu coração, que vai saber da tristeza e das alegrias, não tem mais a melhor amiga, aquela que mais ama no mundo inteiro.

Um marido desolado e com uma grande responsabilidade nas mãos, não sabe o que fazer. Nunca se apresentou para ser um pai que realmente esteja presente, sempre deixou isso para a esposa, a empresa era uma idéia de Joana, que abraçava tudo, desde os rascunhos de uma idéia, até o dia da inauguração da obra, a ele cabia aplaudir os feitos da esposa. Augusto Paiva está perdido.

Coisas estranhas acontecem ao grupo de amigos. Primeiro a morte prematura de Joana, depois uma acusação de assédio de um professor, de vinte e oito anos, contra Maria Antonieta, diretora da escola e com setenta e dois anos, é certo que ela não aparenta essa idade, Maria Antonieta sempre cuidou da mente e do corpo, mas assediar um jovem professor com cincoenta anos a menos do que ela, é um pouco difícil de acreditar, mas muitos pais acreditam nisso e retiram seus filhos da escola. Joaquim precisa fazer algo e assim, assumir a direção é a melhor opção, parando a onda de boatos e de transferências de alunos.

Marisa é casada com um médico, doutor Olavo Ribeiro, um clínico geral muito respeitado, mas certo dia, uma caixa é entregue a Marisa e quando ela abre, uma dezena de fotos se espalham pelo chão, são fotos do marido e uma suposta amante. São fotos de lugares diferentes, mas os dois estão sempre aos beijos, uma das fotos mostra os dois, sorrindo, saindo de um motel. Marisa confronta o marido, que a princípio nega, mas quando Marisa joga as fotos em seu rosto, não há mais como negar o fato e dois dias depois, ele sai da casa que os dois compraram com muitas dificuldades. A convivência no trabalho também se tornou impossível, já que são sócios em uma clínica que montaram e que é bem-conceituada na área da saúde, recebendo prêmios por trabalhos incríveis, mas tudo isso é jogado fora, o doutor Olavo se demitiu e vendeu sua parte na clínica para a agora ex esposa.

Para todos, são coisas que acontecem, coisas da vida e mesmo que coisas assim aconteçam, a vida continua para todos, mas de uma maneira diferente agora.

Isa se torna uma garota muito introspectiva, mas os adultos ao seu redor têm seus próprios problemas, para prestar atenção nisso. Amélia, que morava com a filha, não consegue mais viver naquela casa onde tudo lembra os momentos vividos pelas duas. Cada viagem que faziam, Joana trazia uma lembrança. Antes de Isa nascer, Amélia era a companheira nas viagens e depois que a menina nasceu, o trio viajava sempre que podiam. Para Amélia, são muitas lembranças e a dor não ameniza, ao contrário, fica ali, machucando todo dia. Para sua paz de espirito, Amélia aceita que o melhor a fazer é voltar para sua cidade no interior de Minas Gerais, vai voltar na companhia do irmão Oscar, que teve um desentendimento muito grande com Augusto. Sente que tudo foi tirado dela e que não há motivos para ficar. Isa ouve essa conversa da avó com o pai e se sente mal. Talvez achando que ela não tem valor para a avó. Se sua tristeza é imensa, ficou gigantesca depois disso.

Oito meses depois, Amélia morre durante o sono, em sua cama e Isa não chorou.

Na escola as coisas continuam as mesmas, as brincadeiras e as ofensas. Isa já tinha se acostumado a elas e apenas as ignorava, mas algo em seu coração mudou, seu comportamento está mudando, se rebelando contra as pessoas que riem de sua cor, da sua aparência triste e da morte de sua mãe.

Isa começa a brigar com qualquer um que faça uma piada sobre ela, não pensa mais, algo que sua mãe sempre disse que deveria fazer.

__ Pessoas que não pensam, tem atitudes de animais. Pense antes de qualquer atitude, para não se arrepender depois.

Isa não pensa mais, mal se lembra dos conselhos da mãe ou da avó, age por impulso e várias são as vezes que visita a diretoria e é sempre premiada com uma suspensão.

Os amigos com vidas tão atrapalhadas quanto a dela, parecem que se aproximam mais. Eduardo é o rebelde, para ele, a mãe é a culpada pelo pai ter saído de casa. Vicente e Laura são gêmeos, então quando um chora o outro tem vontade de chorar e Laura chora o tempo todo depois que a mãe foi embora, para morar com outra pessoa. A mãe se descobriu lésbica e não quer mais enganar a si mesma e ao mundo, arrumou as malas e partiu. Joaquim e os filhos ficaram com as piadas grosseiras e as lágrimas. Vicente se emparelha com Isa e Eduardo, para bater em qualquer um que faça piadas com eles.

Os filhos de Zangadinho são os únicos que não aderiram as brigas, ao contrário, estão apenas estudando, como o pai deseja, para assumirem a empresa. Thomas tem dezessete anos e estuda muito para prestar o vestibular em duas faculdades, assim como o pai, vai estudar Administração de Empresas e Economia, já seus outros três meio-irmãos, não tiveram opção de escolhas, o Rui estudará Administração de Empresas e Engenharia da Produção, o irmão do meio, Jonas, estudará Comércio Exterior e Direito, a filha caçula, Beatriz, estudará Marketing, ela é a única que não fará jornada dupla na faculdade. A família de Yan está perfeitamente organizada e todos sabem o que devem fazer. Thomas é o herdeiro absoluto de tudo, Rui deverá apoiar o irmão, sendo seu braço direito, Jonas também deverá apoiar o irmão mais velho em tudo e a irmã deverá só obedecer às ordens que lhe forem dadas. A família perfeita.

Longe da “perfeição” familiar, estão Isabela, Eduardo e Vicente, que agora são chamados de Isa, Duda e Vini. Os apelidos os ajudam a manter uma fama, a de que eles são perigosos. Da família “perfeita”, somente Beatriz caminha com eles, acompanhada de Laura. Esse é um grupo que não é visto com bons olhos por ninguém.

As drogas chegam através de amigos escolares, aqueles cujos pais nadam em dinheiro e eles não precisam disso, mas julgar é fácil, ninguém sabe como está vida do outro. Os amigos embarcaram nessa sem hesitação, menos Beatriz, que apesar de estar com os amigos sempre, se recusa a usar qualquer droga.

Nesse ano que Isa conhece a maconha, seu pai traz para casa a mulher com quem pretende se casar. A mulher se chama Cecilia e junto dela vem a filha Mariana, um ano mais nova que Isa e que vai estudar na mesma escola. Mariana é o oposto de Isa, não só na cor da pele, mas no comportamento. Enquanto Isa, mal toma banho ou penteia os cabelos, Mari, como a mãe a chama, é a perfeita dondoca. Suas roupas são de marcas famosas, unhas perfeitamente esmaltadas, assim como o cabelo loiro natural está sempre brilhante e sua aparência é sempre como de alguém que acabou de tomar banho, está sempre cheirosa. A mãe, Cecilia, também loira, é professora de matemática e leciona no externato que Isa estuda. A menina somou dois com dois e acusou o pai de trair a memória da mãe, que sabia que as reuniões na escola eram somente uma desculpa para se encontrar com a professora.

No dia do casamento do pai, Isa bebeu uma garrafa de vinho sozinha e fumou até desmaiar, mas no casamento não foi.

Hostilizar mãe e filha, não foi surpresa nenhuma para ninguém, só que Isa as vezes passa dos limites e mais e mais suspensão, a menina acumula.

Quando não tem vontade de hostilizar ninguém, os amigos Isa, Duda, Vini e Laura, menos Beatriz, pulam o muro da escola, se dirigem até um bar encardido e conhecido por vender drogas, para a compra do dia, vão até uma praça próxima e ficam ali “brisando” a tarde toda, até caírem no sono. Por muitas vezes, eles chagam em suas casas as vinte e duas ou vinte e três horas da noite, deixando a família preocupada, mas depois de três anos nessa vida e encobrindo todas as más atitudes deles, tudo se torna normal, algo que foi aceito e que não conseguem mudar.Internações são descartadas, principalmente depois de quatro fugas em grupo. Ameaças só os fazem rir. Surras só os deixam com mais ódio por todos e por tudo. As famílias deixaram de lado.

A droga consumiu os quatro amigos, quase no final da adolescência, eles parecem mortos-vivos. Abandonaram a escola e perambulam pelas ruas atrás de mais drogas. Em algumas vezes voltam para suas casas apenas para furtar algo valioso para vender e assim manterem ainda o vício. Tudo parece perdido.

Certo dia, eles aparecem no portão da escola, o porteiro os reconhece e os deixa entrar. O grupo caminha pelos corredores até chegar na sala de aula onde deveria estar Isa e os demais. Isa dá um soco em Cecilia, que caí batendo a cabeça e uma poça de sangue se forma rapidamente ao redor da cabeça da professora de matemática. Saindo dali, caminham em direção a sala do diretor, que os recebe aos gritos. Vini tira uma garrafa de álcool da mochila e começa a espalhar pela sala. Joaquim tenta impedir, mas é bloqueado por Duda e seu corpo enorme. Vini acende um fósforo e joga no meio da sala e inicia um incêndio, Duda arrasta Joaquim para fora e tranca a porta. O grupo sai dali rindo, como se tudo aquilo fosse uma piada boa.

Pulando o muro, se encaminham ao bar do amigo Zóio, ele vende as drogas e aceita o fiado. O grupo deve muito, mas Zóio, por alguma razão desconhecida, suaviza para o grupo, que quando pode, acerta as contas.

Naquele dia, a rua está cheia de gente, é o horário do almoço e como tem algumas empresas na rua, os funcionários estão conversando na calçada, aproveitando o sol do inverno. Os quatro estão no bar, Isa sai primeiro, está no desespero por um pouco da ilusão de que o mundo é colorido e fica na calçada, cheirando ali mesmo. Os amigos estão dentro do bar, alguma coisa está errada, eles discutem com Zóio sobre os valores devidos, nesse instante um carro para na frente do bar e um homem coloca meio corpo para fora do carro, pela janela e começa a atirar. Os tiros são muitos, assustam as pessoas na rua que gritam e saem correndo para se esconderem em algum lugar. No bar todos que lá estão, são atingidos pelos tiros. Zóio, Duda, Vini, Laura e mais quatro pessoas estão caídas no chão, o sangue vai se misturando, nenhum sobrevive.

Isa perto do ponto do ônibus, não entende o quê está acontecendo, não sabe o quê são aqueles sons ou o motivo das pessoas estarem gritando e correndo. Em um momento de lucidez, Isa vê Duda se arrastar para a entrada do bar e esticar a mão em sua direção, Duda sorriu para ela e depois sua cabeça tombou na calçada suja. Nesse momento Isa entende o que aconteceu e que seus amigos foram mortos. Isa entra no primeiro ônibus que aparece, desce três pontos depois e continua a correr até sua casa, essa noite ela não vai dormir nas ruas, ela precisa de um lugar e então o que sobrou é sua casa. A casa está vazia nesse horário, a empregada já foi embora, os pais voltam só a noite.

O que faz aqui? Sua casa na rua expulsou você? - pergunta Mariana com desprezo.

Vá a merda! - responde Isa com o mesmo desprezo.

A roupa fede, está grudada em algumas partes do corpo. O cabelo preso, está cheio de sujeira grudada. Um banho e ela se sente viva de novo, mas não por muito tempo. Um alvoroço na sala, os gritos do pai e Isa sabe que todos já sabem o que aconteceu.

Uma amizade de anos, foi rompida a bala. Acusações de todos os lados e eles nunca mais se veem.

Isa é internada novamente e desta vez a coisa é séria, pois a garota de vinte anos, conta que vê os amigos sentados a seu lado a acusando por tê-los abandonado. Não consegue dormir, não come e chora o tempo todo. A internação durou três anos e aos vinte e quatro anos, Isa parece ter trinta, sem brilho nos olhos e não sorri mais. O médico disse que está curada, entretanto, ela sabe que nunca vai se curar, apenas se acostumou com os pesadelos, onde sempre vê os amigos ensanguentados. Ela está pronta para a próxima etapa da vida. Isa percebeu, depois de tudo, que não tem a quem culpar, só a ela mesma e sua escolhas. Ela está pronta para viver de novo.

Baixar agora

Gostou dessa história? Baixe o APP para manter seu histórico de leitura
Baixar agora

Benefícios

Novos usuários que baixam o APP podem ler 10 capítulos gratuitamente

Receber
NovelToon
Um passo para um novo mundo!
Para mais, baixe o APP de MangaToon!