Jia e seu fardo

Jia é uma jovem solitária. Nascida serva e de pais servos, nunca soube o que é viver a liberdade. O pai, ela nunca conheceu e a mãe nunca se incomodou de dizer quem era, aceitando ela o fato de que o pai não tinha muita importância na vida da mãe.

Jia tem uma irmã mais nova, são ambas filhas do mesmo pai, segundo a mãe e devem ser mesmo, pois as duas têm uma enorme semelhança. A mãe e a irmã moram na fazenda de cavalos da família Zhang e nunca saíram de lá, só Jia veio para a mansão, quando precisavam de uma arrumadeira e lavadeira.

Existe uma regra informal entre os servos, que é de fazerem o possível para não se relacionar, pois sabem que o futuro dos filhos será o mesmo dos pais, entretanto, casualmente, acontecem alguns casos de amor e a união é somente entre eles, não existe uma cerimônia ou qualquer outra coisa. Este é um dos sonhos de Jia, casar em uma linda cerimônia. Esse sonho surgiu quando viu a cerimônia de casamento da senhora Zhang com o marechal. Os convidados muito bem-vestidos, o lugar enfeitado, as flores, as músicas, as comidas e a felicidade, embora a senhora Zhang não estivesse feliz, mas em seu sonho, Jia se imagina feliz e ao lado de um homem amável e que a ama muito. Foi com esse sonho na mente, que Jia olhou pela primeira vez para o mordomo Yun, com outros olhos. Ela já o conhecia, é claro, afinal está na mansão a dez anos, mas em um determinado dia, quando separavam os alimentos que comprara no mercado, Jia viu o sorriso brilhante do mordomo Yun, algo raro de acontecer, pois o mordomo leva bastante a sério seu trabalho e mantém longe os outros servos, para que não confundam as coisas.

Ela jamais esqueceu aquele sorriso, aqueles olhos que brilharam como duas estrelas solitárias no céu noturno. Foi amor a primeira vista ou segunda vista.

Jia é uma jovem solitária, mas os servos têm algo que aproveitam muito por ser gratuito, que é a amizade. Pode algumas, não serem saudáveis, mas na maioria das vezes são úteis para amenizar a vida dura que os servos têm. Na mansão Zhang, quando tia Meirong administrava, a situação era complicada, mas não difícil. Diferente em tratamentos que os servos ouvem de outros servos, ficar na mansão Zhang era e é muito melhor e quando a senhora Zhang Jingfei chegou, as coisas ficaram melhores ainda. Nessa ocasião, Jia conhece Xiuying, a serva da nova senhora da mansão, e o marechal a designou para ser a serva pessoal da esposa e com isso nasce uma amizade forte entre as duas.

No começo Xiuying não conversava muito, mas com o passar do tempo e atravessando juntas muitas dificuldades, as duas se aproximaram e Jia vê em Xiuying o seu lado cômico, quando sempre fazia alguma observação engraçada diante de determinada situação, mas nunca ela foi desrespeitosa com a senhora da mansão, ela apenas tenta amenizar a coisa em um todo, para que achem a melhor solução. Isso fez com que as duas servas se unissem para ajudar e proteger a senhora Zhang.

Pensar nessas coisas que aconteceram, faz Jia ficar com a garganta seca, um tremor nos lábios e uma dor de arrependimento enorme no coração.

Zhang Jingfei é a senhora de uma mansão que nunca tratou seus servos com violência, brutalidade ou humilhação, mesmo aqueles que a traíram, tentou ser o menos cruel possível, mesmo que as circunstâncias diziam que a senhora Zhang poderia ser a mais cruel pessoa. Por muitas vezes Zhang Jingfei disse as suas duas servas que elas eram as amigas que nunca tivera e fazia questão de demonstrar isso a todo momento. Quando as três moravam no Pavilhão do Sol, a comida que a senhora da mansão comia, era a mesma que suas servas comiam. Quando passaram pela aventura estranha em Jade Azul, Zhang Jingfei não deixava suas servas para trás e sempre as ouvia, quando tinham alguma idéia. Durante o tremor, que foi o momento mais assustador na vida de Jia, Zhang Jingfei esteve presente, estimulando a esperança em todos. Zhang Jingfei é uma mulher a ser admirada e não traída. Jia não sabe quando ficou egoísta a ponto de esquecer da amizade e da lealdade, para trair duas boas pessoas, entretanto, ela sabe sim, foi no momento em que Jingfei não observou que ela tinha problemas, para perguntar o que estava acontecendo, coisa que ela sempre fazia. Talvez a raiva por não ser de tanta importância como Jia achava que era, que resolveu aceitar as palavras de tia Meirong, mesmo sabendo que aquilo tudo era uma mentira, mas agora, Jia quer esquecer tudo isso, afinal o motivo de tudo o que fez está de volta e ela está pronta para uma cerimônia de casamento.

Jia está na Sala da Contemplação esperando pelo mordomo Yun, que foi avisado por um dos servos, que Jia encontrou no caminho, depois de servir tia Meirong com mais vinho.

Os outros servos da mansão não têm tratado Jia muito bem. Várias foram as ocasiões que teve suas roupas molhadas em cima da cama ou sua cama jogada para o lado de fora ou ainda, deixá-la sozinha na cozinha na hora da refeição. Fazer as refeições no refeitório comum, é algo que nunca mais fez e mesmo se quisesse comer lá, com certeza seria deixada sozinha ou a expulsariam.

Assim como na mansão Zhang e em muitos outros lares, existe uma certa hierarquia entre os servos. Aqueles que servem diretamente aos donos da casa, comem comidas melhores e fazem as refeições na cozinha, enquanto os demais comem nos refeitórios comuns. Muitos recebem dinheiro, uma regalia comum, quando os senhores das casas se sentem felizes com o bom desempenho de seus servos. Tia Meirong jamais deu algum dinheiro aos servos, já Zhang Jingfei é de uma generosidade ímpar. Ela não só premiava os servos mais próximos, como também determinou que uma vez a cada mês, todos os servos receberiam quatro moedas de bronze e duas de prata e isso deixou todos muito felizes e mais motivados a trabalhar para a família Zhang e ainda conquistou o coração dos servos, não pelo dinheiro, mas pela atitude e compreensão da situação que cada servo tem. Zhang Jingfei não precisou de discurso para essa conquista, ela apenas disse que todos mereciam aquele dinheiro pelo trabalho duro e bem-feito que faziam.

Zhang Jingfei não é mulher para ser traída. - murmura Jia cansada de esperar por seu amado.

O mordomo Yun se aproxima lentamente, dando a impressão que não quer ter aquele encontro.

Yun! - Jia corre até ele e tenta abraçá-lo. - O que foi? Aconteceu algo?

Jia, quantas vezes disse a você para não ter esse tipo de atitude?

Não tem ninguém por perto, nesse momento. Não há motivo para nos conter. - explica Jia com os braços abertos esperando para envolver seu amado neles.

Jia, temos que conversar. - responde o mordomo Yun se afastando dos braços estendidos de Jia. - Fui atualizado dos acontecimentos da mansão e eu não consigo acreditar que o que eu ouvi seja verdade.

O que ouviu? - pergunta Jia torcendo as mãos uma na outra de apreensão.

Jia, você traiu nossa senhora?

Não é bem assim …

De que maneira pode ser? Como para você não é traição, o fato de fazer parte do plano de tia Meirong em prejudicar a senhora Zhang?

Eu fiz por nós!

Por nós? Explique isso, porque eu não estou entendendo! Qual a relação de nosso relacionamento com a senhora Zhang e Xiuying? Diga! - grita o mordomo que está decepcionado e nervoso.

Nós precisamos de dinheiro para comprar minha liberdade e não temos o suficiente, então tia Meirong me prometeu que esqueceria o dinheiro, se eu a ajudasse nessa questão. - Jia explica tudo tristemente.

Nessa questão, diz você? Tia Meirong jamais cumpriu uma promessa para com um servo ou concubina! Pergunte a elas ou a outros servos. Você foi usada!

Não, não é verdade! Tia Meirong jurou que nos ajudaria!

Está certo, vamos acreditar que tudo que tia Meirong prometeu a você, ela cumpra e depois?

Nós vamos nos casar em uma cerimônia de casamento …

Onde? Aqui na mansão? Eu pergunto Jia, o que vem depois? Como poderemos ser felizes, se nossa união foi baseada na prisão e morte de pessoas inocentes?

Morte?

Sim, Jia, morte! Você não sabe que as irmãs Xiuying foram condenadas a morte?

Xiuying … - murmura Jia ainda mais triste.

O que você tem a ver com a acusação de adultério contra a senhora Zhang e a concubina imperial?

Nada, eu juro!

Pode ser, mas você sabe que é outro plano da tia Meirong, não sabe?

O que vai importar? Sou somente uma serva e minha palavra não tem valor! Mesmo que eu vá até o imperador, ninguém vai ouvir, porque eu sou uma serva! - explode Jia, que também está nervosa e decepcionada.

Jia esperava que seu amado entendesse seus atos, que foram baseados no imenso amor que tem por ele, mas parece que aquele olhar que antes brilhava tanto quando a via, agora só demonstra desprezo.

Talvez a mim, o marechal ouça. - comenta o mordomo Yun.

Pode ser, mas você tem provas? Sabe de todo o plano? Eu só ouvi parte da conversa, não tenho detalhes, como pessoas envolvidas ou outras coisas. Como vai convencer o marechal?

Não posso permitir que inocentes sejam mortos! É preciso fazer alguma coisa!

Yun, podemos ajudar. Talvez, mas também podemos pensar no nosso futuro …

Futuro? Acha mesmo, Jia, que temos futuro? Acha mesmo que posso abraçar você, sem que eu lembre que a única pessoa que deu a essa mansão o nome de lar e que cuidou bem de todos os servos, vai ser executada pela acusação de adultério? Que duas pessoas, que serão executadas só porque são próximas de outras pessoas, que são um incomodo para alguns, são amigas sua e a única preocupação em sua mente é sobre uma cerimônia de casamento? - o mordomo respira profundamente, antes de continuar. - Jia, eu não posso! Apenas não posso estar com você e ter isso tudo que está acontecendo, como base para uma vida futura a dois e ser feliz. Eu não posso!

Eu fiz por nós. - geme Jia.

Você deveria ter esperado a minha volta! Eu falei com o marechal e ele me prometeu avaliar a situação dessas regras da mansão, junto com a senhora Zhang. Você está surpresa? Não fique! O marechal é um homem sensato e confiava na esposa e eu tinha certeza que a senhora Zhang mudaria todas as normas da mansão e só não fez antes por ter acontecido muitas coisas nesses anos todos, mas você resolveu não esperar e resolver da pior maneira possível, se aliando ao inimigo da senhora da mansão. Acha que tia Meirong vai cumprir a promessa? Vá até ela e cobre essa dívida e ouça o que ela vai dizer a você.

O que quer que eu faça? Eu já pensei em várias coisas, mas nenhuma pode ser executada!

Eu também não sei, mas de uma coisa estou certo que pode acontecer, é que tia Meirong vai achar um meio de se livrar de você. - nesse momento Jia arregala os olhos. - Ela não vai deixar testemunhas que possam prejudicá-la, mesmo sendo uma serva.

O que posso fazer? - geme de novo Jia.

Talvez se nos unirmos, possamos achar algo. - fala uma voz por trás deles, é a concubina Ji Huang. - Deveriam ter mais cuidado, aquele novo cavalariço é um espião de tia Meirong e ele está tentando se aproximar para ouvir melhor o que conversam.

O mordomo Yun, disfarçadamente olha ao redor e observa que do outro lado do rio, as folhagens se movem.

Nossa conversa não tem tal importância, senhora.

Talvez sim, talvez não. Quem decide é quem ouve e garanto que o que eu ouvi pode colocar em perigo a vida dos dois. Portanto, Jia, vá buscar um chá e alguns bolos para mim, assim disfarçamos nossa presença aqui.

Jia sai rapidamente e o mordomo olha com desconfiança para a concubina que pouco falava antes.

Está desconfiado? Não fique, apenas dê um jeito no cavalariço e assim poderemos conversar em paz.

O mordomo Yun sai da Sala da Contemplação, contorna alguns arbustos e atravessa a ponte e segue pelo mesmo caminho que o cavalariço.

O que faz aqui?

Senhor mordomo, eu …

Ouvir a conversa de outras pessoas?

Não! Não, senhor, eu apenas perseguia um coelho para o jantar. Só isso.

Conseguiu capturar o coelho?

Não, ele fugiu.

Então volte ao estábulo e espere a refeição noturna.

Sim, mordomo Yun.

O cavalariço se afasta, está frustrado, gostaria de ter ouvido o que aqueles dois conversavam. O jovem cavalariço é ambicioso e quer o lugar do mordomo Yun, assim como prometeu tia Meirong.

De volta a Sala da Contemplação, ele muda sua posição e agora fica de frente para o outro lado do rio e assim pode observar quem chega e logo vê Jia retornando com uma bandeja.

Não seja muito severo com ela, mordomo. Aqui nós ficamos em uma situação muito delicada com tia Meirong, sabe disso.

Senhora …

Não se preocupe, eu sei de tudo, afinal, fui eu que coloquei Jia na direção de tia Meirong, quando vi vocês dois se beijando aqui mesmo, antes de sua partida e com isso, tia Meirong achou um ponto fraco em Jia para que pudesse usar.

Jia se aproxima e coloca a bandeja na mesa, ela ouviu as últimas palavras da concubina Ji Huang.

Ela jamais vai permitir nossa união, não é mesmo?

Lamento Jia, isso nunca vai acontecer, mas você pode perguntar a ela se não acredita em mim.

O que ela vai ganhar com isso?

Alguém que vai obedecer, se não quiser ser envolvida na história também. Resumindo, alguém para chantagear.

Jia apoia as mãos na cadeira, em sua mente está se insultando. Ela sabia, tinha sentido algo estranho, mas com a possibilidade de ter seu sonho realizado, afastou o pensamento desconfiado que teve, quando falava com tia Meirong.

Concubina Ji Ehuang, sabe algo sobre essa história de adultério?

Mordomo Yun, eu estava lá!

O tenente He Yue Jin disse que foi ele que testemunhou o adultério das duas.

Uma conversa conveniente. - a concubina toma o chá, está com dor de cabeça, o vinho não estava muito bom. - Como disse Jia, as palavras de uma mulher e de um servo não têm peso e como eu e Li Liling vimos as cenas na mansão, ninguém acreditaria, mas o tenente He Yue Jin se ofereceu para contar tudo ao conselho, como sendo ele a testemunha.

Podemos contar ao marechal! Ele vai acreditar na senhora!

Mordomo Yun, não pensei que fosse ingênuo. Sabe muito bem que o marechal vai concluir que eu estou tentando chamar atenção e que Jia tenta salvar as amigas. É isso que vai acontecer e o senhor sabe muito bem disso.

A senhora concubina, tem alguma idéia de como ajudar?

__ Pensei Jia, que vocês estivessem falando sobre isso.

Nesse momento, um pequeno alvoroço acontece na porta dos fundos da cozinha e os três vão até lá.

O soldado Meng Yuan é o filho mais novo de uma família de militares. Seu bisavó foi um dos generais mais valorosos do império e seu pai foi o general que esteve ao lado do general Zhang em inúmeras batalhas e reconhecido pelo próprio imperador por seus serviços ao império e para demonstrar isso, o presenteou com uma fazenda de cavalos, assim como fez com o general Zhang.

Para o general Meng, seu filho caçula é um gordo desajeitado e estúpido, que algum dia vai desonrar a família. Talvez o dia seja aquele.

O tenente He Yue Jin, acaba de mandar prender o soldado Meng Yuan por traição, quando o inocente soldado, confiando naquele que chama de amigo, o ouviu dizer que estava de partida para a Província das Cinco Lagos para libertar a senhora Zhang e foi essa a história que o falso amigo conta ao marechal Zhang.

Não foi isso que eu disse, senhor marechal! Ele está mentindo! Eu disse que procuraria provas da inocência da senhora Zhang! Encontrar aquelas pessoas para que confessassem que tudo foi um engano! Foi isso que eu disse! Ele está mentindo!

O tenente He Yue Jin tem agora muito prestígio, sua palavra parece que é aceita como uma verdade absoluta, ninguém discorda e muito menos o marechal, que acha que o jovem soldado faria isso mesmo, sendo que todos sabem de sua lealdade a senhora Zhang e assim o jovem soldado foi levado as masmorras do palácio, por tentar um plano de fuga de duas adulteras confirmadas.

O soldado Meng Yuan chora de desespero. Se antes estava desesperado para encontrar alguma prova que inocentasse sua senhora, agora está mais desesperado por não poder fazer mais nada.

A concubina Ji Huang volta para seu pavilhão, não quer voltar a ficar com aquelas duas bêbadas e suas conversas venenosas, não precisa disso antes de dormir.

Onde estava? Disseram-me que conversava com o mordomo. Sobre o que falavam? O que aconteceu na cozinha?

Tia Meirong, achei que estivesse dormindo. Bem vamos por partes, primeiro estava perguntando ao mordomo sobre a viagem e o que viu, segundo, o soldado Meng Yuan foi preso quando disse que ajudaria a senhora Zhang.

Gordo idiota! - tia Meirong olha com desprezo para a concubina, como sempre faz. - E você, sua idiota! Conversando com empregados sobre viagens? Acha isso adequado? Volte para seu pavilhão e fique lá!

__ Sim, tia Meirong.

Uma a uma, as pessoas do círculo de Jingfei estão sendo afastadas dela, isso deixa tia Meirong mais feliz, o sabor da vitória deveria estar em seus lábios, mas o único gosto que sente é do vinho e como sua cabeça está dolorida, portanto, resolve voltar a seu pavilhão.

Tia Meirong, por favor, espere!

Quem você pensa que é, para falar comigo nesse tom de voz?

Queira me perdoar, tia Meirong. Não quis ofender. Preciso muito falar com a senhora.

Tia Meirong já imaginando sobre o assunto de Jia, entra com ela no pavilhão.

O que quer? Seja rápida, preciso descansar.

A sala de entrada está com cheiro de vinho e a concubina Li Liling dorme no sofá e está roncando, para espanto de Jia que achava que aquela mulher bonita fosse perfeita e não fizesse sons nenhum.

A senhora já falou com o marechal, sobre minha situação com o mordomo?

Como ousa me cobrar?

A senhora prometeu que ajudaria!

Quando disse isso? Eu lembro que falei que pensaria no caso …

A senhora prometeu!

Que ousadia! Pois bem, agora eu digo que não vou falar nada! Imagine uma serva se casar com um homem livre, não na realidade, só em seus sonhos. E não me aborreça mais com esse assunto, se não quiser ser um brinquedo na fazenda de cavalos! - encerra a conversa tia Meirong saindo da sala.

Jia não sabe se é o vinho ou a realidade da sua vida, mas está tonta e enjoada. No caminho de pedras, ao contrário de seguir para a mansão, ela vai para a Sala da Contemplação. Aquele lugar é realmente útil, um lugar para um momento de reflexão e contemplar a loucura que fez em sua vida, esse é o pensamento de Jia. A jovem serva, que costumava não confiar em ninguém, que gostava de ser solitária, agora chora por saber que os amigos que conquistou, ela mesma afastou em nome de uma vida feliz, que achava que merecia. Agora ela não tem mais os amigos e não tem mais seu amor.

Sua dor é observada pelas estrelas e pelas águas do rio silencioso. No piso de madeira, Jia adormece com o coração triste e pede ao Grande Céu que não sonhe nunca mais com uma cerimônia de casamento. Talvez o Grande Céu a ouça, mas, mesmo assim, seu sonho é invadido.

Jia ouve um som baixo e irritante, que vai aumentando e aumentando. O incômodo a faz abrir os olhos e observar ao redor.

Olá, jovem Jia. - cumprimenta uma bela mulher vestida de azul e de longos cabelos pretos, presos com uma tiara de ouro e pedrarias azuis..

Jia se assusta, nunca viu aquela mulher antes.

Quem é? O que faz aqui?

No instante seguinte que termina suas perguntas, surge outra mulher, vestida de vermelho, longos cabelos presos com uma tiara de ouro e pedrarias vermelhas.

Não deixou de ser curiosa. - comenta a mulher de vermelho.

Jovem Jia, estamos aqui para ajudar você a carregar esse fardo. - começa explicando a mulher de azul. - Sabemos que seu coração está triste por tudo o que aconteceu e que procura por uma solução …

Não existe nada que eu possa fazer! - grita Jia.

Acalme-se jovem Jia, existe algo que você pode fazer e para isso, basta que você confie em nós.

Eu confiei e o que restou? Nada!

Criança, não queremos que nos dê nada, vamos apenas dizer a você o que deve fazer para salvar Xiuying e o soldado. Está disposta a ouvir?

Como sabem disso?

Existem algumas coisas que sabemos e outras que não sabemos. - explica a mulher de azul. - Sua missão é ajudar Jingfei e Ehuang, mas para começar, deve ajudar Xiuying e o soldado. Quer tentar?

O que devo fazer?

Primeiro, viva normalmente aqui na mansão e quando chegar o dia da leitura do verdito do julgamento de Jingfei e Ehuang, retire a carroça do estábulo e vá até o portão oeste do palácio e aguarde para entrar. Vai acontecer algo que facilitará a fuga dos três e você deve estar lá para completar a fuga. Dirija-se até a fronteira com Ametista e aguarde lá até a chegada de Jingfei e Ehuang e depois disso será o futuro e é algo que não nos foi permitido ver. - finaliza a mulher de azul.

Vocês são enviadas do Céus?

Quase. - responde a mulher de vermelho rindo.

Por que estão ajudando?

Porque é preciso. - responde novamente a mulher de vermelho, que continua sorrindo.

Não, tudo isso é um sonho. Nada disso é real.

A mulher de vermelho se aproxima e segura o pulso de Jia, que se assusta. Uma dor forte envolve seu pulso e quando a dor parece que vai ficar pior, a mulher de vermelho libera o pulso de Jia, que agora tem uma marca avermelhada.

Sentiu a dor? Quando acordar e olhar a marca, se pergunte se foi um sonho, criança. - comenta a mulher de vermelho.

Não posso fazer tudo isso sozinha, vou precisar de ajuda. - choraminga Jia.

Você terá a ajuda necessária. Não se preocupe com isso. Agora volte a dormir. - fala a mulher de azul com sua voz calma.

Jia dormiu no mesmo instante, não sonhou com alguma cerimônia de casamento, mas sim com um céu azul belíssimo, com nuvens muito brancas, que ela observa deitada na grama verde e cheirosa, ao longe ouve risos e quando volta o olhar para o céu, vê os dragões voando por entre as nuvens, como se estivessem brincando. No sonho Jia sente que está sorrindo e seu coração sente saudades.

Nos três dias seguintes, Jia se comporta normalmente, até tenta evitar se encontrar com o mordomo Yuan e para os outros servos, isso indica que Jia aceitou bem ser descartada pelo mordomo.

No quarto dia, a concubina Ji Huang a chama na Sala da Contemplação, para que sirva um chá, no entanto, o motivo é uma conversa, que Jia já sabe o assunto.

A concubina Ji Huang conta que teve um sonho e Jia diz que teve o mesmo sonho. As duas se assustam, mas não muito, acreditam que o Grande Céu as estão ajudando.

O plano é simples e a concubina vai se encarregar da maior parte.

__ Tudo vai dar certo. Eles não vão morrer. - fala a concubina Ji Huang.

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