Na região montanhosa de Serra Escura, existia um lago tranquilo e profundo conhecido como Lago Ness. Suas águas serenas escondiam um segredo sombrio que os moradores da vila próxima conheciam bem. Desde tempos imemoriais, evitavam o lago, especialmente à noite, pois acreditavam que ele era habitado por uma criatura terrível e ancestral.
As lendas locais falavam de um monstro com escamas negras como carvão, que brilhavam sob a luz da lua, olhos vermelhos que perfuravam a escuridão como brasas vivas, e dentes afiados como facas, prontos para dilacerar suas presas. Diziam que essa entidade surgia das profundezas do lago, movendo-se silenciosamente sob a superfície até que, com um rápido movimento, emergia para caçar qualquer um que se atrevesse a se aproximar de suas águas traiçoeiras. A mera menção ao Lago Nessi era suficiente para fazer os corações dos moradores baterem mais rápido, um lembrete constante do perigo que espreitava nas sombras de suas margens serenas.
Pedro, um jovem e curioso pesquisador de folclore, chegou à vila com um objetivo claro: desmascarar o mito do monstro do Lago Neci. Determinado a descobrir a verdade por trás das lendas, ele ignorou os avisos assustados dos moradores locais e decidiu acampar nas margens do lago, onde acreditava que poderia encontrar evidências concretas da existência da criatura. Armado com uma câmera de alta resolução e um diário para registrar suas observações, Pedro montou sua barraca à beira das águas profundas e aguardou pacientemente a chegada da noite.
À medida que o sol se escondia atrás das montanhas, tingindo o céu com tons de laranja e roxo, uma névoa espessa e misteriosa começou a se formar sobre o lago, envolvendo tudo em um manto fantasmagórico. O silêncio absoluto que se seguiu era perturbador, interrompido apenas pelo ocasional som de algo se movendo na água, como se o próprio lago respirasse. O ar estava carregado de uma tensão palpável, e a escuridão parecia engolir o mundo ao redor de Pedro.
Com a câmera pronta e seus sentidos aguçados, Pedro observava atentamente o lago, cada nervo em seu corpo em alerta máximo. A névoa densa flutuava lentamente sobre a superfície, distorcendo a realidade e criando formas inquietantes nas sombras. Ele sabia que qualquer movimento inesperado poderia ser a chave para desvendar o mistério que há tanto tempo aterrorizava os moradores da vila.
Enquanto as horas passavam, a tensão crescia. Pedro mal se atrevia a piscar, temendo perder qualquer sinal da criatura. A combinação do cenário surreal e o silêncio opressor fazia com que sua mente vagasse entre a excitação da descoberta e o medo do desconhecido. Ele estava determinado a registrar cada detalhe, cada som, na esperança de capturar a verdade por trás das histórias que o haviam atraído àquele lugar amaldiçoado.
De repente, um som estridente e agudo rasgou o silêncio da noite, fazendo o coração de Pedro disparar. Ele instintivamente focou a câmera na direção do ruído, suas mãos tremendo levemente. Através da névoa, ele viu algo se movendo sob a superfície da água. Uma grande sombra escura ondulava lentamente em direção à margem, suas escamas negras refletindo a pouca luz da lua em um brilho ameaçador. Um arrepio percorreu a espinha de Pedro, mas ele manteve a câmera firme, determinado a não perder nenhum detalhe.
A criatura emergiu parcialmente, rompendo a superfície do lago com um movimento lento e calculado. Sua cabeça grotesca surgiu primeiro, coberta de escamas que pareciam carvão molhado. Os olhos vermelhos brilhavam intensamente, como brasas incandescentes, fixando-se em Pedro com uma malevolência palpável. O olhar penetrante parecia perfurar sua alma, revelando todos os seus medos mais profundos.
As mandíbulas da criatura se abriram, revelando fileiras de dentes afiados, cada um reluzindo com um brilho ameaçador. Pedro, tomado pelo terror, sentiu as pernas vacilarem. Ele deu um passo para trás, tropeçando em uma raiz exposta e caindo de costas no chão. A câmera escapou de suas mãos e caiu ao seu lado, ainda gravando.
A criatura soltou um rugido ensurdecedor, um som primal e aterrorizante que reverberou através da névoa e ecoou pelas montanhas. O som encheu os ouvidos de Pedro, paralisando-o por um instante com puro terror. Mas ele sabia, instintivamente, que precisava fugir. A adrenalina tomou conta de seu corpo enquanto se levantava desajeitadamente, o medo guiando seus movimentos.
Sem olhar para trás, Pedro correu pela floresta escura, o som de galhos quebrando e folhas farfalhando sob seus pés ecoando como um sinal de sua desesperada tentativa de escapar. A presença da criatura parecia segui-lo, cada passo seu acompanhado por um pressentimento de que o perigo estava se aproximando cada vez mais.
Correndo desesperadamente pela floresta escura, ele podia ouvir os sons da criatura se aproximando. Ouvia galhos se quebrando e um som horrível, como unhas arranhando uma superfície dura. Finalmente, ele alcançou a vila, ofegante e coberto de suor frio. Os moradores, ao verem seu estado, o acolheram e o esconderam em uma casa segura.
Pedro nunca mais voltou ao Lago Ness. As filmagens que ele conseguiu capturar mostravam apenas sombras distorcidas e ruídos indistintos, mas sua descrição vívida e aterrorizante da criatura foi suficiente para reforçar as lendas entre os moradores. Relatos de escamas negras como carvão, olhos vermelhos brilhantes e dentes afiados como facas ecoaram na vila, reavivando temores antigos e dando nova vida às histórias ancestrais.
O Lago Neci permaneceu um lugar de medo e mistério, suas águas profundas e tranquilas escondendo segredos que poucos ousavam tentar desvendar. A lenda do monstro do lago tornou-se ainda mais forte, um lembrete sombrio de que algumas histórias contêm verdades que estão além da compreensão humana.
A história do encontro de Pedro com o monstro do Lago Neci foi passada de geração em geração, tornando-se uma parte indissociável do folclore local. Pedro, que havia chegado à vila como um cético investigador de lendas, tornou-se ele próprio uma parte da narrativa que ele tanto buscou desmascarar. Seu nome foi lembrado com reverência e temor, como aquele que ousou enfrentar o desconhecido e viveu para contar a história, ainda que fragmentada.
A vila, agora mais do que nunca, respeitava e temia o lago. Ninguém mais se aventurava nas margens ao cair da noite, e até mesmo durante o dia, a presença das águas escuras era um lembrete constante do perigo latente. A linha entre mito e realidade parecia desaparecer nas profundezas insondáveis do Lago Nessi, deixando uma sensação de inquietude que pairava no ar, como uma névoa eterna.
E assim, o Lago Ness continuou a ser um lugar onde o medo e a curiosidade coexistiam, uma parte viva da história da vila, um enigma que talvez nunca fosse completamente resolvido.
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Atualizado até capítulo 23
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