A Noite da Encruzilhada

No cenário desolado de uma encruzilhada, três estradas de terra se entrelaçavam como veias escuras embaixo da luz pálida da lua minguante. Elias deteve seu carro, a quietude envolvendo-o como um manto pesado, enquanto o farfalhar das folhas secas ecoava no vento gélido da noite, como sussurros sombrios de uma presença oculta.

Em meio à solidão dilacerante, ele sussurrou para si mesmo, a frase escapando de seus lábios como um lamento sombrio: "É aqui."

Elias, um músico talentoso mas desconhecido, ansiava pela fama como um naufrago anseia pela costa. Rumores sombrios sobre o Diabo da Encruzilhada, um ser mítico que supostamente concedia habilidades musicais excepcionais em troca de um preço sinistro, ecoavam pelos cantos mais obscuros da sua mente.

Movido pelo desespero e pela ambição ardente, Elias tomou uma decisão fatídica: ele se lançaria ao encontro desse enigmático ser, pronto para barganhar com o desconhecido e arriscar tudo por um vislumbre do estrelato.

Com a guitarra firmemente segura entre os dedos, Elias posicionou-se com determinação no coração sombrio da encruzilhada, onde o pó da estrada misturava-se com a terra ressequida. Com mãos ágeis, traçou um pentagrama sinistro no solo empoeirado, o giz branco cortando a escuridão como uma sentença de destino. Ignorando a inquietação que se apoderava dele, acendeu velas em cada ponto do pentagrama, seus tremeluzentes reflexos criando uma atmosfera sobrenatural ao seu redor.

E então, com uma reverência ao passado e um arroubo de coragem, começou a entoar uma canção ancestral, suas notas reverberando pelo ar noturno como um chamado às forças ocultas. Num momento de tensão palpável, uma rajada de vento gélido varreu a encruzilhada, fazendo as chamas das velas dançarem freneticamente, como se o próprio vento estivesse decidindo o destino de Elias naquela noite fatídica.

Das sombras profundas da noite emergiu uma figura alta e espectral, envolta em um manto de escuridão que parecia absorver a luz ao seu redor. Seus olhos ardiam como brasas incandescentes, lançando um brilho sinistro que perfurava a escuridão com intensidade. Era o Diabo da Encruzilhada, sua presença imponente tingida com um sorriso macabro nos lábios, como se soubesse de antemão o destino do músico diante dele.

Elias, consumido por uma mistura de terror e fascínio, vacilou por um instante diante da magnitude da aparição demoníaca. No entanto, a chama voraz da ambição queimava dentro dele, dominando qualquer resquício de temor. Com um coração pulsando com determinação, ele se ajoelhou perante o demônio, os joelhos afundando na terra áspera da encruzilhada, e com uma voz trêmula e decidida, implorou pelo dom da maestria musical, oferecendo a única moeda de troca que ele tinha: sua alma.

O som estridente e assombroso da risada do Diabo perfurou o ar noturno, reverberando como um eco sinistro através das árvores retorcidas da encruzilhada. Com um gesto casual, ele arrancou a guitarra das mãos trêmulas de Elias, seus dedos habilidosos acariciando as cordas com uma destreza sobrenatural. Uma única nota ressoou, um acorde tão puro e melancólico que cortou através da alma de Elias como uma lâmina afiada, evocando uma torrente de emoções que ele mal podia conter.

Lágrimas involuntárias brotaram de seus olhos, testemunhas silenciosas da intensidade do momento. "Agora, você tem o que deseja," proclamou o Diabo com uma voz que ecoava como um sussurro sombrio, "mas lembre-se, o preço será cobrado." O aviso ecoou na mente de Elias como um presságio sombrio, uma sombra pairando sobre sua tão sonhada conquista.

Elias retornou para casa, a guitarra agora uma extensão de sua própria essência, seus dedos dançando pelas cordas com uma maestria que transcendia qualquer coisa que ele já experimentara antes. O público se aglomerava em torno dele como mariposas atraídas pela chama, hipnotizado pela música que fluía de suas mãos como um rio de emoção.

No entanto, mesmo sob os holofotes brilhantes da fama recém-descoberta, algo sombrio e inquietante pairava no ar, uma sensação de que cada nota tocada era mais do que simples música, carregando consigo uma carga emocional pesada e opressora.

Com o passar dos dias e o crescente clamor da multidão por sua música, a fama de Elias se espalhou como fogo em uma floresta seca. Mas, à medida que os aplausos ecoavam e os elogios choviam sobre ele como uma chuva de confetes, um aperto sutil e constante começou a se formar em seu coração, uma sensação de que algo estava errado, algo sinistro e indescritível que pairava à espreita nas sombras.

Cada melodia que ele tocava era como um eco do próprio desespero, suas notas impregnadas de uma tristeza profunda e avassaladora que se insinuava na alma de quem as ouvia. E enquanto o mundo aplaudia e clamava por mais, Elias sentia sua alma se encher de trevas, uma escuridão que parecia se alimentar das próprias raízes de sua existência. O Diabo da Encruzilhada, sempre presente nos recessos de sua mente, observava silenciosamente, aguardando pacientemente o momento certo para cobrar sua dívida e reclamar a alma que tão astutamente conquistara.

Em uma noite de êxtase e aclamação, Elias tomou o palco diante de uma plateia extasiada, sua guitarra pronta para ecoar as notas que cativariam multidões. Mas, num instante de horror inesperado, as cordas da guitarra cederam com um estalo ensurdecedor, cortando seus dedos já marcados pelo esforço incansável. A dor, aguda e penetrante, rasgava sua carne como facas afiadas, mas o que veio em seguida foi ainda mais terrível.

Um horror indescritível se apossou dele quando percebeu que suas próprias mãos estavam se transformando diante de seus olhos, contorcendo-se e distorcendo-se em formas grotescas e demoníacas, garras afiadas emergindo onde antes havia dedos ágeis. O público, inicialmente cativado por sua música, agora gritava em pânico diante da aberração que se desenrolava diante de seus olhos incrédulos.

Elias, subjugado pela agonia física e pelo terror de sua transformação macabra, desabou no palco como uma marionete despedaçada, sua risada histérica ressoando pelo teatro como um eco do próprio inferno.

O Diabo da Encruzilhada, finalmente, havia cobrado seu preço, e Elias, o músico talentoso que ousara barganhar com as forças do além, agora era apenas uma sombra amaldiçoada, condenada a vagar pelas encruzilhadas da eternidade, assombrando os corajosos o suficiente para buscar a fama a qualquer custo.

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