Nas margens sinuosas do majestoso Rio Amazonas, onde a selva exuberante se encontra com as águas escuras e enigmáticas, uma lenda ancestral ecoa como um sussurro entre as árvores antigas e os pássaros noturnos. É a lenda do boto, uma história que transcende gerações e permeia o imaginário das comunidades ribeirinhas.
Dizem que nas noites de lua cheia, quando a floresta está mergulhada em um manto de sombras e mistério, o boto emerge das profundezas do rio, manifestando-se como um ser sobrenatural de beleza inigualável. Seu corpo humano esculpido com perfeição contrasta com a cabeça de um boto cor-de-rosa, criando uma imagem que é ao mesmo tempo fascinante e aterradora. É nessas noites de lua cheia que o boto, com sua presença enigmática, busca por almas perdidas ao longo das margens do rio, envolvendo a região em um aura de mistério e magia.
Maria, uma jovem corajosa e destemida, sempre ouvira essas histórias com fascínio e medo. Ela morava em uma pequena vila ribeirinha às margens do rio, onde a presença do boto era uma realidade inegável para os moradores locais. Maria, no entanto, era cética quanto às lendas e desafiava seus amigos a provar a existência do boto.
Numa noite de lua cheia, Maria e seus amigos decidiram explorar as margens do rio em busca de aventura. À medida que a lua se erguia no céu, lançando seu brilho prateado sobre as águas escuras, eles se aventuraram rio adentro em uma canoa, remando com determinação.
Enquanto navegavam pelas águas calmas do rio, uma sensação de inquietação começou a se insinuar nos corações dos jovens. O ar estava carregado de eletricidade, e a atmosfera ao redor deles parecia carregar um peso sombrio. Maria, no entanto, permanecia firme em sua convicção de que o boto não passava de uma superstição.
De repente, um som estranho ecoou pela noite, um canto suave e melodioso que parecia vir das profundezas do rio. Maria e seus amigos trocaram olhares nervosos, seus corações batendo em descompasso enquanto tentavam identificar a origem do som. Foi então que viram: emergindo das águas escuras como um fantasma da floresta, estava o boto, sua pele reluzindo à luz da lua e seus olhos brilhando com um brilho sobrenatural.
Um calafrio percorreu a espinha de Maria, arrepiando cada pelo de seu corpo, enquanto ela observava a criatura se aproximar da canoa com movimentos sinuosos e graciosos, como se dançasse ao ritmo das águas. Seus amigos entraram em pânico, suas vozes elevando-se em clamores por segurança, mas Maria permaneceu calma, uma serenidade incomum envolvendo-a enquanto seus olhos permaneciam fixos no boto.
A criatura se aproximou lentamente da canoa, sua figura majestosa parecendo flutuar sobre a superfície do rio. Seus olhos escuros e penetrantes estavam fixos em Maria, emanando uma intensidade hipnótica que a prendia como um feitiço. Era como se o boto estivesse chamando-a para as profundezas escuras e desconhecidas do rio, oferecendo-lhe um convite para desvendar os segredos ocultos das águas.
Maria sentiu-se envolvida pelo poder do boto, sua mente mergulhada em uma névoa de fascínio e medo. Ela sabia que deveria temer a criatura sobrenatural diante dela, mas também sentia uma estranha atração, uma curiosidade irrefreável que a impelia a se entregar ao desconhecido. O perigo pairava no ar, mas Maria estava paralisada pelo encanto misterioso do boto, incapaz de resistir à promessa de aventura e mistério que ele representava.
Mas antes que Maria pudesse reagir, a criatura mergulhou de volta nas águas turbulentas do rio, desaparecendo como um espectro na escuridão. Um instante atrás, o boto estava ali, desafiando as leis da realidade com sua presença sobrenatural, e no próximo, havia retornado ao seu reino aquático, deixando para trás apenas ondulações suaves na superfície do rio.
Maria e seus amigos permaneceram imóveis por um momento, atordoados pela visão que acabaram de testemunhar. A lua cheia lançava sua luz prateada sobre as águas agitadas, mas não havia sinal do boto. Um silêncio pesado envolveu-os, quebrado apenas pelo som das águas correndo rio abaixo.
Relutantemente, eles decidiram voltar para casa, suas mentes assombradas pela visão do boto e pela sensação de que haviam tocado o sobrenatural naquela noite. Enquanto remavam de volta à vila, cada um deles se perguntava sobre os segredos ocultos das lendas antigas e sobre o que mais o rio Amazonas guardava em suas profundezas misteriosas.
Ao chegar em casa, o brilho da lua ainda os acompanhava, mas não era o suficiente para dissipar o medo que havia se instalado em seus corações. Enquanto se deitavam para dormir naquela noite, eles sabiam que as lendas do boto e de outros seres místicos do Amazonas continuariam a assombrar suas mentes, lembrando-os de que há mistérios na floresta que a mente humana nunca poderá compreender totalmente.
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Atualizado até capítulo 23
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