O exossismo II

Em uma cidade pequena e pacata, onde o tempo parecia passar mais devagar e as preocupações do mundo exterior pareciam distantes, uma nuvem escura começou a se formar sobre a tranquilidade aparente. Esse prenúncio sombrio surgiu com o comportamento cada vez mais perturbador de um garoto chamado Daniel, um menino de apenas 10 anos de idade que sempre fora conhecido por sua doçura e inocência.

No entanto, algo mudou em Daniel. Seus sorrisos se tornaram raros, substituídos por olhares vazios e expressões sombrias. Ele começou a exibir comportamentos estranhos e violentos, que perturbaram profundamente seus pais e vizinhos. Atos de agressão física, explosões de raiva inexplicáveis e episódios de comportamento autodestrutivo tornaram-se a norma, transformando o garoto antes alegre em uma sombra de seu eu anterior.

A pacata cidade, onde todos se conheciam pelos nomes e as ruas eram tranquilas à noite, agora estava mergulhada em um clima de apreensão e medo. Rumores começaram a se espalhar rapidamente, alimentando o temor crescente de que algo muito mais sinistro estava por trás da transformação de Daniel. Os moradores começaram a evitar a casa da família, com medo do que poderia estar acontecendo lá dentro.

Enquanto o sol se punha no horizonte e a escuridão da noite se espalhava pela cidade, a sombra sinistra que se abateu sobre Daniel e sua família começou a se manifestar de maneiras cada vez mais perturbadoras, lançando uma nuvem de temor sobre a comunidade inteira.

No começo, quando Daniel começou a exibir comportamentos estranhos e violentos, seus pais atribuíram isso a uma fase difícil da infância. Eles esperavam que fosse apenas uma questão passageira, talvez relacionada a mudanças hormonais ou estresse emocional. No entanto, à medida que os dias se passavam, tornou-se cada vez mais evidente que algo mais sinistro estava acontecendo com seu filho.

Os pesadelos terríveis de Daniel tornaram-se uma ocorrência noturna regular, fazendo-o acordar em prantos e suando frio, incapaz de explicar as imagens horripilantes que assombravam seus sonhos. Além disso, convulsões inexplicáveis começaram a afetá-lo, fazendo seu corpo tremer e contorcer-se de maneira assustadora, sem causa aparente.

Sua personalidade amigável e gentil deu lugar a acessos de raiva e comportamentos agressivos que assustaram seus pais e preocuparam profundamente seus professores e amigos. Daniel parecia estar lutando contra alguma força obscura que o estava consumindo de dentro para fora, deixando todos ao seu redor perplexos e impotentes diante da situação.

Desesperados por respostas e soluções, os pais de Daniel recorreram à ajuda de médicos e psicólogos, na esperança de encontrar uma explicação para o comportamento perturbador de seu filho. No entanto, nenhum tratamento parecia ter efeito sobre o garoto, e sua condição continuava a piorar a cada dia que passava.

Foi então que um padre local, o Padre Miguel, sugeriu que talvez Daniel estivesse sendo possuído por uma entidade maligna. Essa ideia enviou arrepios pela espinha dos pais de Daniel, mas diante da falta de outras explicações plausíveis, eles concordaram em permitir que o padre realizasse um exorcismo no garoto, na esperança desesperada de libertá-lo do mal que o assombrava.

Na noite marcada para o exorcismo, a atmosfera na casa de Daniel era carregada de uma tensão palpável, como se o ar estivesse pesado com a presença do mal que aguardava ser expulso. Os pais, relutantes mas sem opções, permaneciam do lado de fora do quarto do garoto, observando com apreensão enquanto o Padre Miguel e seus assistentes se preparavam para enfrentar a escuridão que havia se apoderado de seu filho.

Quando o exorcismo começou, Daniel começou a contorcer-se em convulsões violentas, seu corpo torcendo-se de maneiras impossíveis enquanto ele lutava contra a influência maligna que o aprisionava. Seus olhos, antes cheios de inocência, agora estavam revirados para trás em suas órbitas, exibindo apenas o branco pálido de seus globos oculares enquanto uma voz gutural e sinistra ecoava de sua boca, pronunciando palavras antigas e blasfêmias que fizeram arrepiar os cabelos na nuca de todos os presentes.

O cheiro pungente de enxofre permeava o quarto, como se o próprio inferno tivesse aberto suas portas para reivindicar a alma do garoto atormentado. Uma sensação de frio intenso se espalhou pelo ambiente, fazendo com que os presentes tremessem e arrepios percorressem suas espinhas, como se estivessem sendo tocados por mãos invisíveis vindas das profundezas da escuridão.

Apesar do horror que testemunhavam, o Padre Miguel e seus assistentes permaneceram firmes em sua missão, recitando orações sagradas e empunhando símbolos de fé em uma tentativa desesperada de banir o mal que havia se apoderado de Daniel. Pois eles sabiam que estavam lutando não apenas pela alma de um garoto, mas também pela alma de toda uma comunidade que estava sendo ameaçada pelo poder das trevas.

Enquanto o Padre Miguel recitava as antigas orações de exorcismo, suas palavras ecoavam pelo quarto em um tom solene e poderoso, carregadas com a autoridade da fé que ele representava. Cada palavra era como um golpe contra as trevas que haviam se apoderado de Daniel, cada sílaba pronunciada com a determinação de expulsar o demônio que o mantinha cativo.

No entanto, à medida que as orações sagradas enchiam o ar, Daniel respondia com gritos angustiantes e contorções violentas. Seu corpo, agora frágil e pálido, tremia sob a influência do mal que o possuía, suas feições contorcidas em uma máscara de dor e agonia. Seus lábios, antes rosados e cheios de vida, agora adquiriam um tom azulado, como se o frio da morte estivesse se infiltrando em sua alma.

Enquanto isso, a voz do demônio ecoava pelas paredes do quarto, distorcida e gutural, prometendo tortura e sofrimento eternos para aqueles que se atrevessem a desafiá-lo. Suas palavras eram como punhais afiados, cortando o ar com sua ameaça implacável e ecoando na mente de todos os presentes com uma intensidade perturbadora.

Apesar da resistência feroz de Daniel e das ameaças do demônio, o Padre Miguel permanecia firme em sua fé, continuando a recitar as orações de exorcismo com determinação inabalável. Pois ele sabia que, com a ajuda de Deus e da comunidade de crentes que o apoiavam, ele poderia triunfar sobre as forças do mal e libertar a alma de Daniel das garras do demônio que a aprisionava.

Após horas de batalha espiritual, o demônio finalmente foi expulso do corpo de Daniel, deixando o garoto fraco e exausto, mas finalmente livre. No entanto, as marcas de seus atos terríveis permaneceriam para sempre, assombrando a cidade e lembrando a todos que o mal pode se esconder até mesmo nos lugares mais inocentes.

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