Ana narrando
Quando Pedro chegou notei que ele estava diferente, estava nervoso, achei que poderia ser ainda por conta da cena que meu pai fez de manhã e aquilo acabou me deixando mal, já não estava mais tão empolgada para o jantar.
-Pedro, você ainda está com raiva pelo que aconteceu de manhã? Se for isso, não me importo de desmarcar o jantar. Podemos ligar e cancelar, remarcar para outro dia. Não quero sair mais, me desculpe.
-Não Ana, não fale besteiras, não tem nada com o seu pai ou algo assim, só que, eu sai daqui de manhã e... Sinto muito Ana, fico mal, mas preciso assumir o que eu fiz.
-Pedro, o que aconteceu?
Ele parou o carro no acostamento, segurou na minha mão e falou de cabeça baixa, eu fantasiei mil coisas horríveis que poderiam ter acontecido.
-Ana, é que... Eu sai da sua casa e fui dirigindo meio sem rumo, precisava pensar, são tantas coisas, segui até a praia, passei a manhã toda por lá, caminhei e sentei na areia, almocei numa barraca nova, preciso te levar lá, você vai gostar do ambiente, mas enfim, eu estava indo para casa e meu pai me ligou, disse que queria conversar comigo e eu deveria ir pra empresa.
-Eram os sócios outra vez? O que aconteceu? Me conte Pedro, não me faça ter uma crise de ansiedade.
-Não, não era com os sócios, até pensei nisso. Um dos clientes solicitou apoio jurídico e meu pai quer que eu assuma o caso, na verdade, querer não é nem a opção, ele determinou que eu assumisse. Eu nunca advoguei Ana, nunca estive responsável por nenhuma causa, e se eu não der conta? e se eu deixar passar algo? prejudicar o cliente ou o escritório? se ele queria que eu atuasse, poderia ter me colocado como assistente de alguém, mas não me jogar como o responsavel. Se era para ser um teste, não podia arriscar tanto assim, não vou conseguir Ana, não vai dar certo. E nessa bagunça toda eu acabei nem ligando para fazer a nossa reserva, me desculpe, nem mesmo para ser um namorado bom eu tenho servido, se preferir eu te deixo em casa.
-Pedro, você me levou de 0 a 100 muito rápido, eu já estava nervosa e sentindo palpitações, achando que o mundo estava se abrindo aos nossos pés, sinceramente, hoje podíamos ir jantar um hamburguer em algum food-trucker pela praça, e sobre o escritório, se Luiz te colocou responsável pela ação, ele sabe que você vai conseguir. Seu pai tem décadas de experiência, ele não iria arriscar qualquer coisa que fosse, se não tivesse certeza de que daria certo. Você é o sucessor dele, você quer isso e a gente sabe que vai ser dessa forma, mas você precisa se ver como o sucessor.
-Queria ter essa confiança que você tem, Ana.
-Precisa dar uma chance para você mesmo, Pedro. Eu acredito que você é capaz, seu pai também acredita, posso garantir, mas preciso que você faça o mesmo que a gente.
-Acha isso mesmo, Ana? De verdade? Não está falando isso somente para tentar me animar?
-Eu não estaria com você até hoje se não acreditasse em você, Pedro, se não te visse como alguém forte e capaz de vencer os desafios.
-Você é boa demais, Ana, esse é o problema, você é tão boa e pura que se torna incapaz de enxergar as diferenças dos outros, não mereço você e o seu amor.
-CHEGA, PEDRO! PARA COM ISSO, AGORA! Estou cansada disso, poxa, sempre essa história "ah Ana eu não presto, ah Ana não te mereço, ah Ana você isso e eu aquilo". Para cara, para com isso, estou cansada de ouvir você repetir e repetir sem nunca me dizer um motivo concreto. Quer terminar? ok, a gente termina o noivado, o namoro, tudo, mas pelo menos me diga um motivo, porque não faço adivinhação e nem leio pensamentos, mas também não aguento mais você ficar sempre se jogando pro fundo do poço na nossa relação.
-Desculpe, Ana, você tem razão. Sinto muito, vou te deixar em casa. Me desculpe.
-Não vou para casa, Pedro. Você vai me levar para jantar, foi o que combinamos, quero um hamburguer bem passado com muito molho, sem alface e sem tomate, bastante cheddar e um guaraná gelado, dê seu jeito e encontre uma hamburgueria que seja boa, não vou voltar para casa com fome, estou com raiva o suficiente para te bater nesse momento.
-hahahahahahhahahahaha o que você fez com minha namorada seu dragãozinho faminto e raivoso?
-Me erra, Pedro, vamos, dirija, seja rápido.
-haahhahahahaha sim senhora.
Depois de rodar por meia hora, paramos em um parque infantil, haviam crianças correndo por todo lado e várias bancas de comida, achamos uma que vendia hamburguer e Pedro foi até lá fazer o pedido, enquanto eu aguardava sentada e olhava para as crianças brincando.
-Vai demorar uns 15 minutos, eles tem alguns pedidos na frente do nosso.
-Certo, acho que posso esperar.
-Está grávida, Ana?
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Atualizado até capítulo 92
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LETICIA DE LIMA GONCALVES
Eu tenho vontade de bater no Pedro. mas também quero bater na Ana. Aí tenho vontade de pegar o Pedro e cuidar dele, mas logo passa.
2024-09-25
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