Memória do Pedro
No aniversário de 25 anos da morte da minha mãe, eu tive uma crise de ansiedade e de pânico, estava sozinho em casa e era uma noite de tempestade. Eu odiava a chuva, odiava tempestade, porque foi em uma noite assim que minha mãe se foi.
Eu tinha recem completado dois anos, minha mãe havia feito uma super festa para mim, chamando todas as crianças do condomínio em que morávamos. Minha família sempre falou que aquele tinha sido uma dia incrível onde o sol brilhou alto e forte no céu, mesmo estando no período onde chovia todos os dias. Parecia que minha mãe havia feito um acordo com Deus e somente no dia da minha festa o sol brilhou e não havia nada de chuva.
Três dias depois da festa, minha mãe estava voltando do trabalho, eu estava em casa com a babá e meu pai estava viajando para outro estado para atender um cliente. Minha mãe tinha acabado de sair do hospital em que era enfermeira e seguia em direção a nossa casa, quando a tempestade começou e fez um morro desmoronar, a terra caiu em cima do carro da minha mãe e ela foi arrastada pela correnteza de lama que seguia pelas ruas.
Uma cena de devastação sobrou na cidade, várias pessoas morreram aquela noite, não somente a minha mãe.
Meu pai voltou para casa no dia seguinte, inconsolável, eu era apenas uma criança e não podia entender o que estava acontecendo. Todas as pessoas da nossa família estavam na minha casa e me abraçavam, todas choravam muito e eu nao conseguia assimilar nada do que estava acontecendo.
Meu pai se trancou em um luto profundo, passou quase um ano sem sair nem mesmo para ir trabalhar.
Eu sentia muita falta da minha mãe e também do meu pai, que estava ali apenas de corpo presente, porque sua alma foi enterrada junto com o corpo da minha mãe.
Na noite em que completou 25 anos de sua partida, meu pai havia saído de casa, foi atender um cliente na cidade vizinha e eu fiquei sozinho. Ana estava doente, e eu não podia me aproximar dela, pois sempre tive muita facilidade para adoecer.
Perto da dez horas da noite, recebi uma mensagem do meu pai falando que não voltaria para casa aquela noite. Pois tinha bebido e não estava em condições de dirigir.
Fiquei possesso de raiva, como ele podia ter me deixado sozinho, sabendo o quanto eu ficava mal nos dias que celebrava a morte de minha mãe. Ele havia me deixado só, como eu estava naquela maldita noite há 25 anos atrás, e ainda por cima estava bebendo, decidiu encher a cara para amenizar a falta que sentia da minha mãe ao invés de estar comigo, me ajudando no dia em que mais precisava de seu carinho como pai.
Tive um ataque de pânico quando os raios começaram a rasgar os céus, minha ansiedade atacou e comecei a sentir dificuldade para respirar. Eu estava atordoado, completamente sozinho e perdido dentro de minha própria casa, não tinha ninguém para quem pudesse ligar e pedir ajuda.
Felizmente consegui acionar o telefone do SAMU e a atendente do outro lado da linha foi extremamente cuidadosa e conseguiu as informações necessárias para chegar até minha casa, com o acesso da portaria eles entraram e me encontraram já desmaiado no chão, ao lado do sofá agarrado a uma foto do casamento dos meus pais.
No outro dia, quando meu pai chegou ao hospital onde eu estava em observação, ele ainda fedia a bebida e sua cara demonstrava que havia chorado e bebido a noite inteira.
Ele veio me abraçar a implorar por perdão, dizendo que não saberia viver se tivesse me perdido. Me prometeu que nunca mais iria acontecer aquilo e que me amava mais do que sua própria vida.
Vi meu pai humilhado e destruído, cheio de remorso e medo, implorando meu perdão, mas mesmo o amando eu não conseguia. Não conseguia aceitar que ele escolheu a bebida do que a mim, preferiu encher a cara do que ficar comigo, e que por pouco eu não acabei morrendo.
Depois daquele dia tudo mudou entre a gente. Eu me afastei e comecei a ignorar tudo o que ele dizia. Deixei a faculdade de lado e só passava nas avaliações porque ele pagava para alterar minhas notas.
Comecei a sair todos os fins de semana, a beber cada vez mais, mudei meu ciclo de amizades, e as coisas entre Ana e eu também começaram a mudar.
Mudei tanto que cheguei na situação em que estava agora.
Namorando uma mulher perfeita e traindo ela com sua irmã. Eu havia me tornado um perfeito idiota e babaca. Me sentia um lixo, como homem, e como ser humano.
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Atualizado até capítulo 92
Comments
Sandra Camilo
idiota e pouco, sem comentários
2024-09-06
2
🌹
Lixo é pouco
2024-08-06
3
Claudinhalobo67
pra vc ver q tudo tem um motivo, mas não acho certo que ele está fazendo com a Ana
2024-08-01
3