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Ana narrando

Já fazia quase uma hora desde que liguei para o meu futuro sogro, buscando notícias de Pedro. Estava me perguntando se seria inconveniente ligar outra vez já que ele havia dito que me daria um retorno.

Pedro sempre foi meio indiferente, não costumava dividir seus sentimentos, nem comigo e nem com os amigos que ele tinha.

Nossa relação começou na época que eu ainda fazia a minha primeira graduação. Ele costumava aparecer pelo campus e era amigo de alguns meninos que estavam na minha sala, entre um projeto e outro acabamos conversando e trocando o número de contato.

Pedro sempre teve um ar de playboy, sempre gostou de sair para baladas, nada parecido com a rotina que eu tinha ou que idealizada para um parceiro, mas a nossa sintonia foi boa, logo de primeira, e depois de algumas conversas, nós fomos tomar um sorvete na pracinha e ele me beijou.

Não foi meu primeiro beijo, mas fez as borboletas se agitarem no meu estômago, alguns dias depois ele levou flores até a minha casa e pediu permissão ao meu pai para que pudéssemos namorar. Achei tudo tão romântico, bem a moda antiga e claro que aceitei.

Nunca exigi que ele parasse de beber ou de sair para baladas, as vezes ainda me esforçava e acompanhava ele nas festas que ele dizia ser importante a minha presença, nunca gostei muito desses lugares agitados e cheio de pessoas, me sentia acuada e excluída, já que não tinha costume de frequentar baladas, after e afins.

Pedro sempre ia para as festas e no início até tinha muito ciúmes e medo de que ele me traisse, mas diferente dos outros caras ele sempre respeitou nossa relação. E nunca ouvi nenhuma conversinha sobre ele ter me traído ou ter dado em cima de outra menina. Ele também nunca me impediu de pegar seu telefone ou ficava nervoso quando ele falava com alguém e eu me aproximava.

Pedro tinha muitos defeitos, na visão das outras pessoas, eu o achava apenas incompreendido. Ele havia sofrido muito desde a morte da sua mãe, e com os anos se afastou muito do seu pai. Percebi o quanto ele havia mudado desde a crise que teve anos atrás e parou no hospital devido ao ataque de pânico.

Aquela madrugada foi horrível para todos nós, me sentia imensamente culpada, por estar doente e não poder estar com ele. Eu sabia o quanto ele sofria nas tempestades. Mas eu estava com virose, e Pedro sempre teve uma saúde frágil, mesmo sendo um rapaz ativo, que praticava diversos esportes, sua facilidade em adoecer fazia com que ele evitasse contato com qualquer pessoa que apresentasse sintomas gripais/virais.

Quando me avisaram que ele estava no hospital devido a crise de ansiedade e pânico, eu queria correr imediatamente para lá, mas não me permitiram sair de casa, já que estava muito mal também. Fiquei me culpando por dias, até me recuperar totalmente e poder ir visitar Pedro, na sua casa.

Achei que ele fosse depositar a raiva em mim, eu estava pronta para aguentar todos os tipos de acusações que ele faria, mas Pedro me surpreendeu aquele dia, dizendo que eu, entre todas as pessoas do mundo, era a única que não carregava nenhuma culpa sobre a sua crise, que ele desejou estar comigo e que me quis ao seu lado, mas sabia que não poderia ir, e que não havia sido escolha minha em lhe deixar sozinho aquela noite.

Mesmo estando sofrendo com tudo o que tinha acontecido, Pedro fez questão de cuidar de mim e me fazer aceitar que eu tinha sido tão vítima quanto ele, das circunstâncias que passamos.

Como eu poderia não amar Pedro, nessa hora? Não éramos o tipo de casal perfeito, em que as pessoas viam o amor de longe, ou que estava predestinado a viver juntos por várias vidas, mas Pedro me oferecia tudo o que eu precisava, e sempre dizia que eu era o que ele queria para a vida. Então, fomos seguindo assim, por vários anos. Até o pedido de noivado.

Pedro estava nervoso, havia algo nele que não encaixava na sua personalidade. Ele estava me pedindo em casamento formalmente, num já far entre as famílias e os sócios das empresas do pai dele e as do meu pai, tudo estava como mandava o "regimento" mas aquele não era o mesmo Pedro, não conseguia entender o que estava errado, não podia ler o segredo que ele escondia, mas eu o conhecia por tempo suficiente para saber que ele não estava bem com aquele momento.

Perguntei se o pai dele tinha obrigado que aquilo acontecesse, eu sabia as regras da empresa para ele assumir, e não queria que nosso noivado fosse forçado dessa forma, mas ele me garantiu que não, que o pai dele havia dito para ele adiantar o pedido pois havia cobrança dos sócios, mas ele fazia aquilo porque queria, porque me queria como esposa, porque já havíamos falado sobre isso antes e faltava apenas formalizar. Ele tentou me convencer.

Tentou muito, mas não foi o suficiente. Mas concordei em manter o programado aara aquela noite, desde que ele me falasse a verdade depois.

Ele nunca mais tocou no assunto, e quando eu questionava, dizia apenas que eu fantasiava demais para uma advogada brilhante.

...

-Oi amor. Desculpe eu ter sumido assim. Estou na casa do Rafa. Precisava desse tempo sozinho aqui. Desculpe. Amanhã volto pra casa e vou te ver antes da aula, ok?

Pedro me mandou uma mensagem de áudio e depois de ouvir tentei ligar para ele, mas só dava caixa postal outra vez.

Meu telefone tocou, era meu futuro sogro.

-Oi Ana, desculpe demorar tanto. Mas só consegui notícias agora.

-Tudo bem, ele acabou de mandar mensagem. Disse que estava na casa do Rafael e voltava amanhã.

-Isso, consegui falar com minha irmã, e ela disse que viu nas câmeras de segurança, ele chegando lá no sábado meio dia e que desde então apenas ele e Rafael estavam em casa. Disse que eles beberam, jogaram sinuca e baralho, fizeram churrasco, mas que ninguém além dos funcionários entraram em casa, fizeram uma farra como faziam na época da adolescência, apenas os dois.

-Estou aliviada. Acho que essa noite consigo dormir melhor. Pensei várias coisas que poderiam ter acontecido e nenhuma me agradaria.

-Desculpe meu filho, Ana. Mesmo com a idade que tem, ainda falta maturidade em Pedro.

-Não diga isso, sogro. O senhor não consegue enxergar Pedro como eu. Precisa abrir um pouco a mente e principalmente o coração, para ver o que filho que tem.

-Não sei, Aninha. Não sei se consigo, na verdade. Perdi minha esposa, minha vida, minha alma, e cheguei a conclusão de que também perdi meu filho, por ter sido um fraco quando precisava ser forte por nós dois. Eu deixei meu menino sozinho uma noite e foi suficiente para que ele não me quisesse mais. Ainda sinto culpa, Ana. Pela noite que minha esposa morreu e eu estava viajando e pela noite em que meu filho quase morreu e eu não estava em casa com ele.

-Não diga isso, por favor. O senhor não teve culpa em nenhuma vez. Não foi assim, sabe disso. Vocês dois precisam se curar dessas mágoas. Precisam buscar ajuda de quem entende sobre isso. Já insisti tanto para Pedro buscar apoio com um psicólogo mas ele é resistente demais.

-Vou pensar com carinho no seu conselho, minha filha, você é tão doce e meiga Ana. Peço a Deus todos os dias para que meu filho saiba cuidar de você.

-Ele já cuida, sogro. Precisa acreditar no seu filho. Precisar deixar que Pedro mostre ao senhor o homem que ele tem se tornado. Eu acredito nele, o senhor deveria fazer o mesmo.

-Vou tentar, Ana. Prometo a você que vou tentar.

-Agradeço. Bom, agora preciso desligar. Já está tarde e amanha tenho aula ainda.

-Tudo bem, minha filha do coração. Durma bem.

-Obrigada, meu sogro.

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Comments

Janete Santos

Janete Santos

Mas o nome da história já é segunda chance.

2024-11-30

2

vanuza dantas

vanuza dantas

Espero q ela descubra logo a traição e não o perdoe, pq ele só não a deixou pq a irmã dela não o quis

2024-11-18

3

Sandra Camilo

Sandra Camilo

não vejo a hora dela descobrir e dar uma regra volta mudando até seu jeito de vestir , arrasar

2024-09-06

2

Ver todos

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