Pedro narrando
Chegamos na casa de Ana, a empregada abriu a porta e disse que os pais delas estavam tomando café, fomos até lá e seu pai, se tivesse poderes, teria me matado apenas com o olhar.
-Mamãe, Papai, bom dia!
-Bom dia, sr Cortez, senhora Tereza.
-Bom dia, meus lindos, sentem, começamos a comer agora.
-Bom dia, minha filha. Não sei se será tão bom para você, Santana Junior, é bom repensar a forma que age com minha filha.
-Papi, pare com isso.
-Marido, por favor, são adultos, Ana está noiva de Pedro, já está formada em duas faculdades, não é mais criança para que você a trate dessa forma.
-Não é criança mas age como tal, quanto lhe custaria uma mensagem de que dormiria com esse irresponsável e não voltaria para casa por todo o fim de semana?
-Papi, chega! Não vou aceitar que trate Pedro dessa forma. Achei que já tinha sido clara com o senhor sobre isso, e realmente não quero brigar. Estou aqui, estou bem, queria apenas um café da manhã tranquilo, com a presença do meu noivo e da minha família, se isso for muito, irei me retirar.
-Não Ana, essa é sua casa, vou embora é melhor.
-Não vai sair, Pedro, vai continuar ai e tomar café conosco, peço desculpas pela forma que meu marido agiu, não irá se repetir, estou certa Cortez?
-Não ponha palavras em minha boca, Tereza.
O clima ficou estranho, mas tomei café, o pai de Ana levantou e saiu de cara fechada, sua mãe se desculpou novamente e foi atrás do marido. Ana me olhava com os olhos cheios de lágrimas, envergonhada pelo que seu pai havia feito.
-Não chore, Ana, eu faria pior se estivesse no lugar dele. Vou embora, e te busco a noite para irmos jantar. Me ligue se precisar de algo. Eu amo você, Ana.
Nos beijamos e ela me acompanhou até a porta, entrei no carro e fiquei encarando a janela de seu quarto por um bom tempo, dei partida e segui pelas ruas, apenas dirigindo seguindo os fluxos da avenida, sem ter um local exato para ir.
Dirigi até a praia, encostei o carro, tirei os sapatos e fui caminhar descalço na areia. Era uma terapia e eu sempre gostei de vir caminhar na praia, não sei porque tinha deixado de vir há muitos anos.
Fiquei mais de uma hora sentado na areia, apenas observando a imensidão, decidi almoçar em uma barraca que tinha mais a frente.
Pedi ao garçom que escolhesse meu prato e ele trouxe um risoto de camarão acompanhado de uma salada com legumes fritos, realmente surpreendeu-me.
Voltei pra casa e no caminho recebi uma ligação, meu pai estava pedindo que eu fosse para o escritório, pois queria falar comigo, perguntei se não podia ser em casa e ele apenas negou, informando que eu deveria chegar lá antes das 16h.
Minha sorte foi que tu estava perto de casa, tomei banho e vesti um terno, não era meu forte, mas eu conhecia meu pai, e se a conversa precisava ser na empresa, certamente era relacionado a minha admissão, e claro, falariam sobre o meu casamento com Ana.
A recepcionista avisou que eu deveria ir direto para a sala de reuniões, que meu pai já estaria por lá. Quando entrei na sala, somente ele estava presente, assinando alguns papéis.
-Sente-se Pedro. Começaremos em alguns minutos. Leia isso.
Ele me empurrou uma pasta, cheio de resumos, listas, declarações.
-Pode me explicar o que são todos esses papéis?
-Quer assumir a empresa? Comece a tomar decisões. Defina sua equipe, esse caso é seu.
-Não estou entendendo. Sabe que nunca assumi nenhuma causa. Não posso assumir isso.
-Nao é algo que esteja disposto a discutir. Você é advogado, será meu sucessor, temos um cliente solicitando apoio jurídico, é isso que fazemos. Escolha sua equipe, em 5 minutos irei apresentar a você as pessoas que estarão disponíveis. Eu quero um resultado positivo. Não aceito menos.
-Você está brincando. Não pode falar sério desse jeito. Está ficando louco? Me recuso.
-Não te dei essa opção, Pedro.
-Que merda!
-Controle a língua e desfaça essa birra.
Os assistentes começaram a entrar e ocupar seus lugares. Meu pai explicou o processo e que eu seria o advogado responsável, mandou que cada um se apresentasse e dissesse os processos similares onde haviam trabalhado antes. Eu estava odiando aquilo, e podia ver no olhar de cada um, que nenhuma das pessoas nessa sala iriam facilitar para mim e me ajudar. Eu estava ferrado.
Já próximo de 18h eu preenchi o relatório definindo quais seriam os assistentes que iriam fazer parte da minha equipe. Eles saíram da sala e fiquei sozinho com meu pai outra vez.
-Um resultado positivo, Pedro. Nada menos. Não esqueça.
Ele levantou e saiu, batendo a porta quando passou.
-Que droga!
Chutei a perna da cadeira, que caiu e fez um estrondo, a secretária entrou na sala assustada, mandei que ela saísse, peguei os papeis e fui segundo até o estacionamento.
Segui até a casa de Ana, só me dei conta que seu pai havia praguejado sobre meu dia, quando percebi que eu não havia feito a reserva do restaurante.
Ana saiu pela porta toda sorridente, usando um conjunto de saia e blusa preta, um salto alto e seus cabelos presos em um coque. Ela conseguia ficar linda sem usar nada requintado, era incrível.
Abri a porta para que ela entrasse, dei a volta e saímos de lá. Teria que pensar em como reverter o meu vacilo por não ter feito a reserva.
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Atualizado até capítulo 92
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LETICIA DE LIMA GONCALVES
da seus pulos meu amigo
2024-09-25
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