No final de semana, Rosana convida Saphira para ir a sua casa, ela fica surpresa ao ver aquela grande mansão e diz:
— Acho que não estou vestida apropriadamente para visitar um lugar assim.
Rosana começa a rir e diz:
— Você é linda até vestindo um saco de estopa, fique tranquila.
Ao entrar Saphira gira lentamente olhando em volta e dá de cara com o peito de alguém, ela se desculpa envergonhada:
— Sinto muito, eu estava distraída.
— Tudo bem, eu que vim muito silenciosamente… acho que conheço você. — diz Draco a encarando.
— Acho que não. — diz Saphira olhando para o chão.
— É a garçonete de Jones, Saphira é uma amiga muito querida. — diz Rosana.
Rosana a leva até uma porta e quando abre, Saphira fica sem reação dizendo:
— E eu que não acreditava em paraíso, você tem um dentro da sua casa.
— Essa é minha biblioteca particular, é aqui que guardo meus livros favoritos. — diz Rosana orgulhosa.
— Será que posso olhar mais de perto? — pergunta Saphira com os olhos brilhando.
Enquanto Saphira anda pela sala, Draco chama a mãe no corredor e diz:
— Estou preocupado com essa sua proximidade com essa moça mãe.
— Com Saphira? Por quê? — pergunta Rosana surpresa.
— Ouço boatos por toda a cidade, dizem que é uma pessoa pobre que vive na parte escura, alguns até acham que ela está tentando se aproveitar de você. — diz Draco.
Saphira se aproxima e diz:
— É melhor eu ir, sinto muito pelo incômodo Rosana, até segunda.
— Não vá, querida, por favor fique. — pede Rosana preocupada com o que ela ouviu.
— Está tudo bem, eu sabia que seria assim, nos vemos segunda. — diz Saphira.
Antes de sair, Saphira se vira novamente e diz:
— Só porque você e seus amigos gostam de rir de mim por não ter família, não significa que eu seja uma aproveitadora, só aceitei vir por que Rosana insistiu muito e ela é a única amiga que tive em toda a minha vida, talvez devesse descer um pouco de seu pedestal senhor Draco e talvez assim, perceba que não são as pessoas, as aproveitadoras e você é que seja arrogante demais para ser tocado por meros mortais.
Saphira sai correndo pela porta enquanto enxuga as lágrimas, Rosana olha para o filho e diz:
— Saphira é uma moça doce e trabalhadora que mesmo não tendo terminado os estudos, se esforça para aprender uma coisa nova todo dia, talvez devesse aprender um pouco com ela. — Rosana para e o olha de cima a baixo — Estou decepcionada, não foi assim que o criei.
Draco sente uma tristeza ao ouvir o que sua mãe diz e a observa se afastando.
Na segunda, Draco vai à lanchonete e Saphira paralisa por um momento ao vê-lo, mas logo se recompõe e com seu melhor sorriso diz:
— Seja muito bem-vindo senhor, me chamo Saphira e hoje irei atendê-lo.
Ela segue na frente para guiá-lo até a mesa e Jones diz baixinho para que só ele ouça:
— Seja gentil com minha garçonete, ela é uma boa moça.
Draco assente com a cabeça e se senta na mesa dizendo:
— Será que posso conversar com você? Preciso esclarecer algo.
— Olha, vamos ser diretos, eu não estou me aproveitando de sua mãe e nem de ninguém, sinceramente eu até me afastei, mas ela é muito insistente e sinceramente? É uma mulher incrível, sinto que se eu tivesse mãe, gostaria que fosse como Rosana… Então não, não irei me afastar dela, mas prometo não ir mais na casa de vocês e nem aceitar as ofertas dela de me ajudar com os estudos. — diz Saphira com lágrimas ameaçando deixar seus olhos.
Draco olha fixamente para aqueles olhos âmbar com tons de verde pela heterocromia e ela diz enxugando o rosto:
— Desculpa, preciso de uma pausa.
Ela sai correndo para os fundos e Jones pergunta:
— O que aconteceu com ela?
— Um mal-entendido, posso falar com ela? — pergunta Draco.
— Claro, ela deve estar lá fora nos fundos. — diz Jones apontando a porta.
Ao sair, Draco vê Saphira encolhida em um canto com os braços cobrindo o rosto, ele se aproxima e com a mão em seu braço diz:
— Me deixe dizer alguma coisa.
Ela se assusta com o toque e Draco repara em seu braço machucado perguntando:
— Onde arrumou isso?
— Não é nada, o que quer me dizer? — pergunta Saphira se levantando rapidamente.
— Eu só queria me desculpar, olha, eu não sou assim, só tenho receio de pessoas se aproximando de minha mãe, ela é fácil de enganar, mesmo sendo forte. — diz Draco.
— Isso não é desculpa para me humilhar. — diz Saphira.
— Eu não pensei que ia ouvir, mas tem razão, isso não é motivo, não quero que se afaste de minha mãe, ela parece gostar muito de você. — diz Draco.
— Rosana é um amor. — diz Saphira sorrindo ao lembrar dela.
— Se é capaz de sorrir assim ao pensar nela, não acho que vá fazer mal. — diz Draco encantado.
— Peço desculpas também pelo que eu disse. — diz Saphira encolhendo os ombros.
— Não, eu mereci, você ser tão sincera me traz alivio. — diz Draco sorrindo.
Saphira observa o rosto dele iluminado pelo sol e diz:
— Para alguém que pode dizer coisas cruéis, tem um sorriso gentil. — diz Saphira.
Ao perceber o que disse, ela arregala os olhos e diz:
— Sinto muito.
Draco ri e diz:
— Acho que isso significa que estamos bem.
— Sim. — diz Saphira apertando a mão dele.
Mesmo tendo resolvido o problema, Saphira e Draco não parecem querer se aproximar.
O natal está chegando e Jones resolve decorar a lanchonete, ele pede que Saphira se vista de mamãe noel para receber as crianças na entrada e entregar presentes, pouco tempo depois Draco chega vestido de papai noel, ele se perde ao vê-la tão arrumada, o vestido de material parecido com látex realça as curvas de seu corpo, o leve decote marcando o contorno de seus seios generosos e equilibrado quando comparado a seu bumbum e quadris. Ela o vê se aproximando e diz:
— Que papai noel é esse que não tem barriga?
— Claro que tenho, olha. — diz ele levantando a parte de cima da fantasia e deixando a mostra um abdome malhado.
Saphira arregala os olhos e se vira dizendo:
— Cobre isso, as crianças não precisam ver.
Draco sorri ao vê-la corada e vai ajudá-la. Algum tempo depois Rosana chega e fica encantada ao vê-los fantasiados, ela pede que se aproximem e tira uma foto dos dois, em alguns momentos ele parecem estar discutindo, o que deixa as fotos engraçadas. Rosana se senta com Saphira para tomar um café depois que terminam de entregar os presentes, ao olhar o ombro dela, Rosana pergunta:
— Isso é maquiagem? Por que está roxo aqui?
— Não é nada, eu me machuquei e passei maquiagem para as crianças não verem, preciso ir me trocar. — diz Saphira se afastando sem nem tocar no café.
Ela acaba esbarrando em Draco quando entra na lanchonete e ele se aproxima da mãe perguntando:
— O que deu nela? Não vai me dizer que está com raiva de mim de novo?
— Draco, eu acho que alguém a machucou, não tenho certeza, mas estou preocupada. — diz Rosana encarando a xícara.
— Ela não parece alguém que apanharia em silêncio. — diz Draco se lembrando das respostas dela.
Ele olha para a porta da lanchonete e seus olhos ficam brilhantes, Rosana ao perceber diz:
— Se controle, não precisamos que os humanos descubram o que somos.
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Atualizado até capítulo 62
Comments
Fátima Ramos
Eles são lobos a viver entre humanos
2025-02-03
1
Mellika Duarte
tô relendo pq não lembrava mais da história
2024-10-21
1
Maria Nice Grudgen
Caramba, aí falou bonito.
2024-09-14
3