Estive andando por aí
Menosprezando tudo que vejo
Você sabe que preciso de alguém, alguém como você
Use Somebody - Kings of Leon
Joseph não estava nada contente com aquela ideia de casamento e na noite daquele mesmo dia em que concordou em se casar, chegou em casa completamente bêbado. Aquela não era a primeira, muito menos a última, principalmente depois que se juntasse perante a lei a uma completa desconhecida em meio a outras circunstâncias que conhecia menos ainda.
Na manhã seguinte, precisou ir ao escritório e não podia esconder sua feição de desgosto, acreditando que aquilo não passava de uma grande perda de tempo. Mas aquilo era preciso para provar ao seu antiquado pai que um casamento não é capaz de adestrá-lo, então seria isso que faria.
Não foi exatamente pontual, mas ainda teve compromisso com o horário sem precisar ter um empregado abrindo as cortinas do seu quarto e se mantendo no cômodo como um abajur quebrado. Mas ainda assim, sua face de descontentamento estava lá, pois era a única expressão possível naquele momento.
Subiu o elevador soltando mais suspiros do que o normal, pois até chegar ao topo parecia uma eternidade e fazer aquele sacrifício para ir ao escritório do seu pai, sempre fazia daquilo uma tarefa ainda pior. Quando as portas se abriram, saiu de imediato, mas logo que seus olhos se encontraram com aqueles não tão longe, pertencentes a uma mulher atravessando o salão, Joseph ficou ereto. Sua postura era outra, seu olhar era de choque, seu sangue havia congelado, seu corpo paralisou. E nada tinha haver com a cor ou formato daqueles olhos, mas sim sobre a profundidade deles. Eram arregalados e quando encontrou com o seu, sentiu como se algo lhe tivesse atravessado de forma instantânea.
Foram segundos de uma tensão estranha que parecia ter feito tudo parar para ele. E quando o tempo retornou da lentidão de forma abrupta, Joseph sentiu a pressão de volta, vendo a mulher deixar de fita-lo enquanto continuava a caminhar ao lado de Eric para dentro da sala de seu pai.
— ... — Joseph se recostou a um móvel próximo e colocou a mão em seu peito, sentindo-se fraco. Uma sensação inédita, mas que parecia ser o tipo de coisa que alguém tendo um ataque cardíaco poderia sentir.
Ele não tinha ideia do que aquilo significava, até porque, havia sido tudo muito rápido, mas ainda assim, intenso. Não sábia o que pensar e enquanto tudo rondava em sua mente, nada parecia ser claro o bastante. Será que estava infartando? Era ataque de pânico? Ansiedade? Pressão alta? Aneurisma? Tumor? Ressaca? Que tipo de ressaca seria tão forte?
Deu mais alguns passos cambaleando e se sentou em uma poltrona, esperando que pudesse tentar se recompor ali.
~
Logo que os olhos daquele rapaz vieram ao seu, Deann não teve dúvidas de que se tratava de seu futuro marido. Mas ainda que à primeira vista tenha sido diferente do que imaginou, - pois acreditava que o rapaz tivesse um aspecto mais esnobe – Morey já havia desenvolvido certa repulsa pelo homem e quando o olhou nos olhos, foi inevitável julgá-lo desde as suas primeiras gerações.
Sempre lhe disseram que tem olhos impactantes, mas sempre os relacionou ao tom e o tamanho, acreditando que pessoas misturavam a sensação de beleza com intensidade. Mas quando fitou Joseph de volta, percebeu que ele havia reagido como se tivesse visto um fantasma. Será que ele sábia quem ela era? Se ela o identificou de cara sem jamais o ter visto, pode ter sido o mesmo para ele.
— Tudo bem? — Eric perguntou quando chegavam próximos a porta.
— ... — Deann lançou seus olhos para Eric após sair do seu devaneio. — Aquele era Joseph Everett?
— Sim. — Respondeu olhando-a com certa curiosidade por conta da expressão dela. — Como eu disse, ele é atraente. — Disse próximos de entrar.
— Atração é algo bem relativo. — Disse. — Se para outras mulheres um homem na casa dos trinta que não se comporta com o mínimo de responsabilidade é atrativo, lamento por elas. Mas para mim, não importa o tamanho de sua beleza externa, pois para mim não passa de um vagabundo!
— ... — Eric não conseguiu segurar a risada enquanto segurava a porta para Deann. — Desculpe, mas não pude deixar de rir de suas falas!
— O que há de cômico no que eu disse?
— Não me entenda mal, Srta. Morey, mas é a sua franqueza — Declarou fechando a porta. — Não tem medo de dizer aquilo que pensa.
— Olá Srta. Morey! — Thomas disse empolgado ao reencontrá-la. — Sente-se por favor! — Indicou uma das cadeiras a frente de sua mesa. — O percurso de sua casa até aqui foi tranquilo?
— ... — Deann ergueu uma de suas sobrancelhas e lançou seus olhos para Eric que foi direto para o sofá de couro. — Sim. — Respondeu retornando seus olhos.
— Vejo que Eric foi uma boa companhia! — Thomas disse com os lábios curvados, mas Deann apenas deu de ombros. — Ele é sempre uma boa companhia, por isso pedi que fosse busca-la junto ao motorista.
— ... — Deann olhou seu relógio no pulso. — Não viemos aqui para falar sobre o Sr. Hunt, não é?
— Claro... Desculpe-me! — Declarou Thomas um tanto sem jeito. — Joseph deve aparecer em instantes!
— Ele já está aqui. — Soltou Eric mantendo-se no sofá com um cruzar de pernas masculino. — Acredito que esteja tomando coragem para entrar.
— Não que eu tenha pressa disso tudo acontecer, mas não lido muito bem com atrasos e muito menos com covardes. — Disse o que fez Eric virar o rosto com sutileza para não evidenciar o sorriso que insistia em sair nos seus lábios.
— Eu espero que você seja capaz de mudar isso e outras coisas em meu filho, Srta. Morey!
— Quando você fala assim, automaticamente me enxergo como uma rígida babá que estará entrando na vida do seu filho para reeduca-lo.
— Bom, não posso negar que é por aí... — Thomas não discordou. — Joseph precisa realmente ser reeducado e você é a minha maior esperança!
— Eu não apostaria todas as suas fichas em mim.
— Pois estou apostando. — Disse encarando-a com seriedade, mas a porta abrindo descontinuou o assunto, pois todos encararam o individuo a entrar na sala. — Finalmente Joseph.
— ... — Joseph ia dizer algo, mas seus olhos foram diretos para os de Deann, sentindo-se ainda estranho diante daquilo que sentiu quando a viu.
— Joseph — Thomas colocou-se de pé. — Esta é Sarah Deann Morey. — Disse apresentando-a enquanto eles se encaravam como os estranhos mais temíveis da vida um do outro. — Srta. Morey, este é Joseph Evertt, meu filho!
Deann olhava-o fixamente assim como ele fazia. Não sábia que tipo de coisa se passava pela cabeça daquele rapaz, mas algo lhe dizia que ele não era normalmente tão calado.
— Podemos começar logo com isso? — Perguntou Deann dirigindo-se para Thomas, sem cumprimentar o futuro marido.
— ... — Joseph desviou-se do transe que se encontrava e tentou se recompor para se colocar dentro da personalidade de sempre. — Se eu fosse você não teria tanta pressa. — Soltou enquanto se sentava.
— ... — Deann franziu o cenho e olhou de soslaio para o homem ao seu lado. — Só para saber, minha pressa não é para me enfiar em um matrimônio com você.
— Claro que não... — Debochou. — Já está até me dando satisfação como uma esposa! — Recostou-se as costas da cadeira.
— Satisfação não! — Soltou já irritada. — Deixando claro que eu estar aqui não tem relação ou interesse algum em quem ou o quê você é!
— Afiada essa menina hein!? — Joseph debochava, mas nunca a encarando nos olhos. — De que orfanato você a tirou? Porque com toda certeza ela é não é da alta sociedade.
— Realmente, Sr. Everett! — Deann cruzou os braços recostando-se nas costas da cadeira. — Não aposte suas fichas em mim, pois estou começando a acreditar que no fim dos seis meses o senhor não terá um herdeiro vivo!
— Com certeza não a achou na alta sociedade! — Ele ria sarcasticamente.
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Atualizado até capítulo 201
Comments
Rose Maia
/Facepalm//Facepalm//Facepalm/
2024-09-25
1
ana
🤭🤭🤭😱
2024-07-28
1
ana
🙌🙌🤭🤭ficou
2024-07-28
0