Dois meses depois daquela fatídica noite se passaram. Fátima havia conseguido convencer Lucas a noivar com Sheila, como estava desconfiado sobre as intenções da sua futura noiva, aceitou o noivado para ganhar tempo, enquanto buscava uma forma de conseguir a empresa sem precisar se casar, mas para isso, ele teria que seguir o jogo da sua mãe, que incluía uma enorme festa de noivado para os amigos e jornalistas.
Do outro lado da cidade, enquanto isso, Joana havia desistido de apresentar qualquer pretendente a sua filha depois daquela noite, tinha medo que algo como antes se repetisse. O que deixou Liana bastante aliviada por um lado, por outro, ela tinha um enorme problema.
— Você deveria fazer o teste. A sua menstruação não costuma atrasar. Ela é muito mais regulada que a minha, talvez não seja nada do que estamos pensando, você anda muito estressada com a nossa mãe no seu pé depois daquela noite. Pode ser isso. — Dalila aconselhou a irmã. — Não é melhor acabar logo com essa dúvida?
— Certo. Maravilhoso, mas como vou fazer isso? A nossa mãe está no meu pé. Não tenho como ir ao posto ou pronto-socorro, isso iria levar muito tempo. E eu não tenho dinheiro para comprar o teste. Estou desempregada e desagradei a nossa mãe. Não tenho um real no bolso. — Liana explicou para a irmã mais nova.
— Não acha estranho pedir conselho e dinheiro para sua irmã mais nova que ainda está no ensino médio? — Dalila brincou — Acredito que o problema não é o dinheiro, mas o bairro. Assim que você comprar um teste de gravidez aqui, todos vão ficar sabendo. O que mais tem aqui é velha fofoqueira na calçada. Vigiam mais do que a polícia.
— Você está certa. Não posso deixar que vejam os nossos rostos, se essa conversa chegar em nossa mãe, eu terei problemas sérios. — Liana pensou. Mesmo que fosse uma adulta, ainda estava morando sob o teto de sua mãe e vivendo com o dinheiro dela. Era uma situação problemática, ainda mais quando a sua mãe é tão religiosa e rígida.
— E como pretende fazer isso? No bairro só tem duas farmácias. Nas duas trabalham pessoas da igreja da mamãe. Se você for lá, antes de você chegar em casa, a nossa mãe já vai ter colocado as suas malas para fora de casa. Você precisa de um bom plano. — Dalila sabia que qualquer fofoca naquele bairro corria com uma velocidade descomunal, ela já havia sido alvo de várias.
— Isso é fácil. Só não posso deixar que vejam meu rosto. Irei com casaco com capuz, colocarei um boné e uma máscara. Ah! E um óculos escuro. Espera. Vou colocar para você ver. — Liana correu dentro do carro, colocou as roupas como havia dito. — O que acha? Não devo ser reconhecida por ninguém assim.
— Definitivamente, não. Você vai acabar presa desse jeito. Vai chamar mais atenção. É melhor pedir por aplicativo, eles vem deixar, não é ninguém do bairro e não terei que terminar o meu dia na delegacia tentando explicar que você não é uma louca perigosa, apenas uma louca desempregada. Como você conseguiu terminar a faculdade com essa cabeça? — Dalila sugeriu enquanto lixava as suas unhas.
— Você é um gênio. Vamos fazer isso. — Liana gritou animada. Elas não tinham muito tempo, a sua mãe chegaria em casa em uma hora. Tinham que fazer tudo antes.
Juntas, fizeram o pedido do teste. Estavam inquietas esperando a entrega, andando de um lado a outro sem saber o que fazer. Liana só pensava no que iria fazer se realmente estivesse grávida. Nem sequer havia se despedido de Lucas antes de sair naquele dia, pensou que jamais iria reencontrar, a ideia de uma gravidez era absurda. Para surpresa das duas, a porta se abriu, sua mãe entrou pela porta, cheia de sacolas.
— O que estão fazendo me olhando? Me ajudem com essas coisas. Está faltando algumas coisas na lanchonete, comprei para organizar aqui e levar amanhã. Temos que fazer bolos e aquele sanduíche que Dalila inventou. — Joana colocou os pacotes no chão. As suas filhas correram na sua direção para ajudar. As duas estavam preocupadas, o que fariam quando o exame chegasse?
Mesmo assim, ajudaram a mãe levanto tudo para cozinha. Joana vestiu logo um avental, queria adiantar os produtos da lanchonete para conseguir fazer cedo o jantar. Estava cansada. Havia passado o dia inteiro andando de um lado a outro. Quando estava batendo o bolo, alguém tocou a companhia.
— Eu abro! — Liana gritou indo em direção da porta.
— Que pressa. O que será que ela está aprontando agora? — Joana continuou do lado de fora.
Liana pegou o pedido e o escondeu entre as flores no jardim. Não podia arriscar ser pega por sua mãe ao entrar. Ela com toda certeza iria querer saber o que carregava.
— Quem era, Liana? — Joana já estava na sala terminando de bater o bolo.
— Não foi nada. Erram o endereço. Foi o vizinho que pediu algo na farmácia. — Liana evitou olhar para mãe. Ela sempre descobria as mentiras da filha.
— Então venha, faça o receio e a cobertura do bolo de cenoura. A sua é a mais gostosa. Já estou colocando o bolo no forno e precisa esfriar antes de rechear. Quanto estiver pronto, faça aquela cobertura linda que você sempre faz. Todos elogiam. Enquanto você faz isso, eu vou adiantar o jantar. — Joana orientou a filha, que tinha um belo dom na confeitaria.
Liana decidiu fazer o que a sua mãe pediu, quando ela fosse dormir, iria pegar o exame e fazer. Enquanto mexia o doce de chocolate que preparava, conversava com a sua mãe e irmã, mas inesperadamente, quando já estava perto tirar o doce do fogo, sentiu seu corpo ficando fraco, a sua visão escurecendo. Sequer conseguiu gritar por ajuda antes de cair no chão desacordada.
— Liana — Joana gritou desesperada ao ver a sua filha caída ao chão. Ao ver que havia brigadeiro derramado em sua perna, correu na geladeira, jogou a água gelada com cuidado em cima do local, limpando aos poucos o doce que queimava sua filha.
— Lili! Aí Meu Deus! Vou ligar para emergência. — Dalila pegou seu celular na mesa, ligou na mesma hora para emergência. Não fazia a mínima ideia do que deveria fazer naquela situação.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 119
Comments
Elisangela Oliveira França de Souza
Ai autora, sua estória é maravilhosa, estou amando e me divertindo muito 😂😂😂
2023-11-20
110
Maya
Os fofoqueiros reconhecem-te até no bréu, quem dirá disfarçada com capuz e boné
2024-11-06
0
Erlete Rodrigues
meu Deus a Dalila adolescente que tem que cuidar da irmã mais velha
2024-09-21
0