— Cantar? Sério? Eu não sei onde podemos ir. É algo como um karaokê? Acredito que já vi em filmes, mas não conheço nenhum aqui na cidade. — Lucas respondeu encantado com o sorriso de Liana.
— É? Eu conheço um lugar. Vem comigo. Não vai ser chique como esse restaurante granfino, porque viemos aqui mesmo? — Liana olhou para a mesa ao seu lado e se aproximou do ouvido de Lucas — Olha o tamanho dessa porção, isso lá alimenta alguém? Se eu comer isso, quando chegar em casa terei que fazer um cuscuz com ovos para complementar. Nunca vou entender os ricos... Espera... O que a gente estava falando mesmo?
— Você estava dizendo que conhecia um lugar para cantar. — Lucas tentava conter o riso. Nunca havia visto uma mulher falando daquela forma.
— Ah! Então, vamos! — Liana levantou se desequilibrando um pouco, Lucas se levantou rapidamente segurando ela.
Lucas acenou para o barman, como conhecia os funcionários do lugar, pediu para que mandassem o valor por mensagem, ele pagaria por pix, não seria a primeira vez. Saíram do bar, Liana caminhava em direção do bar, mas Lucas segurou a sua mão com cuidado, levando ela em direção ao estacionamento, tomando cuidado para ela não cair.
— Chama a Nasa! Tem uma nave espacial! Será que vieram levar a minha irmã? Ela é um espécime que merecia ser estudado. Podem levar ela, senhor et, mas não pode devolver depois — Liana disse ao ver um elegante carro preto abrindo as portas com um clique do controle que estava em suas mãos.
Lucas não segurou a gargalhada, pensando que tipo de pessoa poderia ser irmã dessa figura. Ambos entraram no carro. Liana deu o endereço para Lucas colocar no GPS e olhou atentamente para o teto do carro que era solar. Ela nunca havia andando em um desses, mas a falta de música chamou sua atenção.
— Precisamos de música! Você está mais desanimado que eu vendo a conta do cartão. — Liana disse procurando a música no rádio. Quando a música começou a tocar, Liana começou a dançar loucamente no banco.
Lucas teve que dividir sua atenção enquanto dirigia, não conseguia tirar os olhos de Liana, mesmo dançando em um banco de carro, o sorriso que estampava em seu rosto parecia hipnotizar ele.
— O teto solar do carro que a minha mãe tinha era no chão. Tipo o carro dos Flintstones?! Exatamente! Era um Fusca, podíamos ver a estrada passando nos nossos pés. Eu era bem pequena, mas era tão divertido. Ele abre ou apenas fica assim? Estou com tanto calor. — Liana perguntou apontando para o teto solar.
Lucas apenas sorriu e abriu o teto. Liana olhou por um tempo para o teto solar, por onde estava entrando uma boa ventilação, mas ela queria era dançar e teve a belíssima ideia de ficar em pé dentro do carro com a cabeça para fora do teto solar.
— Wooooowwww! Que sensação de liberdade — Liana gritou abrindo os braços e aproveitando o vento que balançava os seus cabelos. Eles estavam passando pela orla.
— Cuidado. Muito cuidado. Você pode se machucar. Venha, desça daí. Vou aumentar o ar. — Lucas segurava nas pernas de Liana desesperado.
— Não haverá sensação de liberdade presa em uma caixa com ar. A sensação de vento batendo nos meus olhos, balançando meu cabelo e de ver esse bando de gente feia, não tem igual. — Liana gritou a última parte enquanto passava por uma roda de homens que olhavam para ela. — Dentro do carro só tem pessoas bonitas e pessoas bonitas, definitivamente são bem perigosas, o coração costuma errar a batida nessas situações, sabia?
— Quer dizer que você é bonita ou eu sou? — Lucas questinou rindo. Não sabia lidar com Liana. Ele que sempre foi recatado e polido, nunca havia lidado ou até conhecido alguém tão aberto. Se perguntava se era o álcool tomando conta dela ou ela mesmo.
— Os dois. Você é um tremendo gato, mas com esse vestido e essa maquiagem, eu também não estou de se jogar fora. — Liana se sentia linda e livre, fazia muito tempo que não se sentia daquela forma.
— Tenho que concordar, você realmente está deslumbrante. — Lucas sussurrou. Tinha vergonha de dizer algo daquela forma. — Chegamos no seu bar.
Era um bar pequeno, com luzes que deixavam o lugar ainda mais questionável. Liana pulou do carro animada, já estava com os saltos na mão. Correu para entrada do bar.
— Vem! A noite vai começar agora! — Liana gritou segurando a porta, estava esperando por Lucas que descia do carro olhando o redor. Não conseguia entender como Liana conhecia aquele lugar, não era apenas afastado da zona nobre da cidade, mas definitivamente não era o tipo que mulheres como ela costumavam frequentar. Quando Lucas passou pela porta, ela gritou. — Garçom! Vamos alugar uma sala.
O garçom entregou uma chave para eles, os acompanhou até uma pequena sala, com alguns sofás desgastados, um globo no teto e uma péssima decoração.
— Boa noite. Vão querer alguma coisa? — O garçom perguntou
— Desce duas caipirinhas, que quero cantar todas as músicas de Marília Mendonça hoje, senhor. — Liana disse olhando para o controle que selecionava a música. — O que você quer cantar?
— Acredito que eu não conheço nenhuma música. — Lucas respondeu sentando no sofá sem jeito, se sentia completamente deslocado.
— Claro que tem. Aqui tem Evidências. Todo mundo sabe essa música. Já sei. Vamos cantar juntos. Levanta. Você está muito desanimado. — Liana puxou ele, levantando do sofá e passando o microfone
— Aqui está o pedido. Se precisarem de mim, toque o botão. Licença. — O garçom chegou colocando os drinks na mesa.
— Toma! Você parece com mais calor do que eu. Tenho certeza que vai te refrescar — Liana entregou a caipirinha para Lucas.
— Não posso beber. Estou dirigindo. Pedirei um suco apenas. — Lucas não gostava de misturar bebida com direção.
— Deixa de besteira. Só bebe logo. Qualquer coisa chamamos um Uber e a bebida aqui é fraquinha. Beba, você não vai se arrepender. Só essa pelo menos. — Liana entregou o copo na mão de Lucas. — Não aceitarei um não. Você parece tão tenso, doutor. Tenho certeza que precisa disso aqui para relaxar.
— Doutor? — Lucas questinou.
— Vamos! Beba! Vira! Vira! A música vai começar. — Liana disse ajudando a virar o copo que Lucas bebia. Para sua surpresa, conseguiu tomar sem dificuldade todo o copo.
— Você estava certa. É bem fraco, refrescante e doce. Nem senti o álcool. Vou pedir mais uma rodada. Beba o seu. — Lucas se sentia mais animado. Mal sabia ele que tomar aquele drink mudaria o rumo daquela noite completamente.
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Atualizado até capítulo 119
Comments
Elisangela Oliveira França de Souza
Morri de rir com esse capítulo 😂
2023-11-20
129
Erlete Rodrigues
ele não conhece música imagina ele não deve cantar nunca coitadinho
2024-09-20
0
Jaqueline Marques
ele é tímido
2024-08-02
1