Ana
Acordo com o som de uma batida na porta, digo que pode entrar, Amélia entra com uma bandeja e a coloca sobre a cama, já está a sair quando eu chamo.
-- Tudo bem com a senhora?
-- Sim, posso lhe ajudar em mais alguma coisa?
-- Na verdade pode!
-- O que a senhora deseja?
-- Porque você não gosta de mim?
-- Não tenho motivos para não gostar de você.
— Então, porque não fala comigo?
— Desculpa se lhe causei essa impressão, sei que não justifica as minhas atitudes com a senhora, mas é que estou a passar por um momento muito difícil.
— Aconteceu algo?
— Eu perdi o meu filho a três mês, e não tou conseguindo-lhe dar muito bem com isso.
— Eu sinto muito, eu pensei que a minha presença aqui fosse o motivo.
— Não senhora, não tenho nada contra a senhora, eu peço desculpas se fui inconveniente, é porque a dor da perda de um filho é muito grande.
— O que aconteceu com o seu filho?
— Ele morreu em serviço, Amélia diz com lágrimas nós olhos.
— O chefe dele foi beneficente com a senhora?
— Sim, o Joseph beneficiou todos os gastos que tive com o velório, ele deu-me uma casa, já que eu e o meu filho morávamos de aluguel, ele disse-me que eu podia-me afastar do serviço pelo tempo que eu quisesse, que nenhum centavo seria descontado do meu salário, e ele também me deu trezentos mil do seguro de vida do Charles.
-- Seu filho trabalhava para o Joseph?
— Sim.
— Como o seu filho morreu?
— Ele era segurança do Joseph, ele foi baleado protegendo o Joseph, ele deve ter-te contado sobre o atentado.
— Não, eu não sabia.
— Ele também foi baleado, mas por sorte sobreviveu, agora eu preciso ir, se a senhora precisar de algo, é só me chamar.
-- Não precisa me chamar de senhora, chama-me apenas de Ana.
— Como desejar.
Amélia sai e eu fico sozinha novamente, sei que o Joseph é um mafioso, e pelo que aconteceu comigo, ele tem inimigos, será que o que aconteceu comigo ontem pode acontecer de novo, antes eu corria o risco de ser #¿$?%!¡, agora corro risco de vida, só pode ser brincadeira, coitada da Amélia, ela passando por um luto, e eu pensando que ela estava com semblante triste por causa de mim, isso é muito feio Ana, isso não pode se repetir, eu me levanto e vou até ao banheiro, pulo igual a um saci, faço minhas higiene, penso que deveria trocar de roupa, mas vou ficar o dia todo no quarto mesmo, não vale o esforço, volto para a cama e só aí começo a minha refeição, sirvo um café e fumo um cigarro, ouço a porta se abrindo, e quando olho, vejo Joseph entrando no quarto com um par de muletas.
— Bom dia!
-- Bom dia! Trouxe um presente para mim?
-- Sim, eu não quero perder o sono de novo.
-- A culpa é sua, quem é que deixa sapato no meio do quarto?
— E quem é que não acende a luz para ir ao banheiro?
-- Sabia que você é um grande babaca?
-- Posso até ser um babaca, mas você não é muito diferente de mim, só que além de ser babaca, é louca e desequilibrada.
Quando ouço essas palavras é como se fosse um gatilho, trazendo a tona a mesma sensação de dez de junho, eu lembro de tudo daquele dia como se tivesse acabado de acontecer, eu tento de toda forma-me mostrar forte, como alguém que não pudesse ser quebrada ou magoada, quero ser mais forte que o mundo, isso é impossível, o mundo sempre vence, querendo ou não, sinto lágrimas escorrendo pelo meu rosto, eu limpo-as, Joseph está na minha frente com as muletas na mão, ele não diz nada, como se tivesse perdido todas as palavras, eu me levanto, pego as muletas da sua mão e saio, ele fica lá parado, sem reação, sem saber o que aconteceu comigo, eu desço as escadas e encontro Amélia na sala.
-- A senhora quer algo? Amélia me pergunta.
-- Não
-- A senhora está bem mesmo?
— Estou sim Amélia.
-- Não me leve a mal, mas a senhora ainda está de camisola!
-- Nossa, eu tinha-me esquecido.
— Quer que eu pegue uma roupa para a senhora?
— Não precisa, só tenho que tomar um ar, digo saindo da casa e andando em direção a floresta, eu ando pela trilha, continuo andando em direção a casinha na árvore, mas assim que me aproximo avisto vários homens a reformando, não levei a sério que o Joseph fosse reforma-la, não posso ir lá, não vestida assim, eu saio da trilha, ando com dificuldade já que estou apenas com um pé no chão, a muleta acaba engarranchando nas raízes, eu tento puxa-la, mas quando ela se solta, eu perco e equilíbrio e caio, que merda, eu encosto em uma árvore e choro, quando me acalmo, pego o cigarro que está no bolso do meu robe e o acendo. Eu penso em várias coisas, penso no meu pai sozinho naquela clínica, penso na minha mãe, meus pensamentos se torna um flashback, lembro dos carros que roubei, dos acidentes, das vezes que fui presa, do bullying que sofria na escola, do dia em que decidi abandonar meus estudos, e do pior dia da minha vida, dez de junho, como eu queria poder apagar essa data, não se essa, como muitas outras, mas esse dia, foi o pior dia que vivi em toda a minha existência, eu faria qualquer coisa para não poder me lembrar mais desse dia.
— Então é aqui que você está se escondendo? Joseph pergunta sentado ao meu lado.
— Sai daqui!
— O que aconteceu?
— Não te interessa.
— Eu já te disse uma vez, mas eu vou repetir, tudo em relação a você me interessa.
— Me deixa em paz.
— Por que você saiu chorando do quarto, você não é do tipo que chora por qualquer coisa, pelo menos não na frente das pessoas, então me diz, o que aconteceu?
— Não aconteceu nada, só tive vontade de chorar, ou nem isso eu posso mais?
— Se fosse só isso, você não sairia de camisola andando por aí, num lugar que há homens por todos os lados.
— Não pensei direito, eu estava com raiva.
— Sabe Ana, todos esses homens que trabalham para mim, eu não os conheço, eu sei seus nomes, endereços, e famílias, mas não sei o tipo de pessoas que são, então te aconselho a não andar por aí mostrando as pernas desse jeito.
— Acredita que algum deles me machucaria?
— Como te disse Ana, eu não os conheço, mas acredite, se isso acontecesse, ele não viveria para contar história.
— Quantas pessoas você já matou?
— Nuitas, você sempre foge do assunto, sempre que te pergunto algo, você me enche de perguntas, sempre tentando me distrair, mas eu nunca esqueço dos meus objetivos, então me diz Ana, o que fez você sair chorando do quarto, foi porque eu te chamei de louca?
— - você viu o meu registro médico, sabe que eu fiquei internada no manicómio.
— Você não é louca Ana, e sabe disso, mas não é isso que te incomoda, aquilo foi um gatilho, o que você está me escondendo.
-- nada.
-- Tudo bem, como quiser, eu vou sair a negócios, vou ficar por duas semanas fora, não faça nenhuma gracinha, o médico do seu pai me informou que a cirurgia do seu pai foi marcada para daqui a duas semanas, se comportar, caso contrário seu pai não será operado, ele diz se levantando e indo em direção a trilha.
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Atualizado até capítulo 88
Comments
Mag
eu acho que pessoas que fumam pode ser qualquer coisa está simplesmente se matando aos poucos pode não chegar a ver ,pegar ou sentir seus netos e bisnetos no colo
2025-02-14
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Doraci Bahr
que nojo fumar no quarto....sou fumante mas é fora de casa
2024-10-01
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Mara Melo
Poxa , eu fico imaginando o fedor de cigarro que tem esse casal e o quarto que eles dormem , as roupas que usam , que nojo , é a primeira história que eu leio que não tem como citar o homem com o perfume amadeirado ou a mulher com perfume florar , esses dois só fedem cigarro .Eca !!!!
2024-08-02
3