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Luciana Mendez
O jantar foi silencioso. Silencioso da nossa parte, não trocamos uma palavra sequer.
O único barulho era dos talheres no prato.
Preferi que fosse assim, pois sinceramente não estava com disposição para brigar.
A fome não me deixaria. Assim que o jantar acabou, me deliciei com dois pedaços de cheesecake de frutas vermelhas.
O homem de olhos claros olhava-me com muita curiosidade.
Ele nunca viu uma torta antes? Nunca comeu?
OK! SEI QUE FOI UM PENSAMENTO MUITO BOSTA!
ERA MAIS QUE ÓBVIO QUE O BONITO ESTAVA ME ANALISANDO!
Me avaliando. Estava bem pensativo. Na verdade inexpressivo.
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De volta ao quarto, abri a primeira gaveta da cômoda e supreendi-me com uma muda de roupa e roupas debaixo.
Ele de fato estava falando sério sobre a questão da obediência.
Que louco! De qualquer forma a roupa com certeza era bem mais confortável e mais decente.
O homem olhava para mim com malícia!
Ele pelo visto gosta de jogar. Na verdade desde que nossos caminhos se cruzaram.
NO CASO DESDE O MOMENTO EM QUE ELE ME SEQUESTROU.
— Perdeu alguma coisa?
De repente o homem loiro perguntou enquanto sentava na cama.
— Como é?
O olhei confusa. Até um pouco irritada. Para alguém que estava sendo tão cortês, me dar uma patada dessa é de matar.
Logo quando eu pensei que ele estava caindo no meu papo.
Levo um balde de água fria. Filho da pu*a!
— A que se refere, senhor?
— Me refiro ao fato de estar olhando pra mim!
Simples e objetivo. Sabia bem que ele queria na verdade era me irritar.
Provocar e me ver perdendo a razão. Para o azar dele não farei isso.
— Queria apenas agradecer pelas roupas. O senhor disse que se o obedecesse teria mais opções de roupa para vestir e vejo que cumpri o que me foi imposto, ou entendi errado!
A cara daquele babaca foi impagável. Ele deu um sorriso amarelo.
— Sim.
O brilho dele sumiu. Ponto para mim. Sei jogar melhor do que ele pensa!
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Depois da "calorosa" conversa que tivemos fomos ao banheiro para escovar os dentes.
Esse homem é todo metódico. Molha a escova antes colocar o creme dental.
E tem algum fascínio em observar alguém escovando os dentes.
Acho que tudo isso é para que eu exploda!
Para que eu grite. Berre. Reclame. Sorrio enquanto lavo a escova.
— Por que está sorrindo?
Em outras circunstâncias esse tipo de pergunta seria considerada normal.
ISSO CLARO SE ELE FOSSE UM AMIGO OU UM PARENTE PRÓXIMO.
COISA QUE ELE NÃO É E NUNCA VAI SER!
— Estou feliz porquê vou dormir numa cama.
Disse antes de sair do banheiro. O homem riu.
— E quem disse que irá dormir na cama?
Mantive uma expressão neutra. Por dentro eu estava surtando.
Tive uma ideia que com certeza irá acabar com a graça dele.
— Oh, é verdade! Acho que acostumei-me a dormir no chão e... Ai, ai, ai! Me ajuda, por favor! A minha cabeça, me ajuda!
Tive de forçar tanto para chorar que acabei sentindo um pouco de falta de ar.
De uma brincadeira comecei a me sentir mal de verdade.
E como eu já esperava o homem ficou preocupado comigo e me ajudou a sentar na cama.
— Acalme-se, Luciana! Você tem algum problema respiratório?
O homem exclamou enquanto retirava as sandálias de salto alto dos meus pés.
— As..ma.
Tive de fingir que estava tendo uma crise. De fato eu tenho esse problema, só não tive uma crise verdadeira.
O homem começou a abrir gaveta por gaveta da cômoda, parecia desesperado.
Será que fui longe demais? Por alguns segundos cheguei a ficar com pena dele.
Até eu me lembrar do motivo de estar aqui.
QUE ELE SOFRA! FILHO DA PU*A!
O homem segurou o que parecia uma caixa de primeiros socorros e trouxe para cama.
Dentro tinha umas quatro caixinhas da medicação para asma.
O que me fez pensar na coincidência.
— O seu pai. Comentou sobre a asma na última vez que o vi!
O homem me deu o remédio. E tive de usá-lo.
Mesmo estando bem para que ele não suspeitasse.
Esse idiota tinha de falar do meu pai? A cada minuto que se passa tenho a infeliz convicção que o meu pai me vendeu.
É muita coincidência o homem de olhos claros ter quatro caixas da medicação para a asma.
Poderia ser um detalhe genérico e até desapercebido, se não fosse por uma questão que difere: é a exata medicação que foi prescrita pelo meu médico a poucos meses.
A dosagem, o laboratório, a embalagem, o remédio em si.
-Agora descanse! Amanhã seu pai vem visitá-la!
Foi a última coisa que o homem disse antes de sair do quarto.
Ouvi o barulho da chave trancando a porta.
Sorri. Filho da pu*a! Ele blefou! Blefou esse tempo todo sobre o fato de termos de dividir o quarto.
Que po**a! Como pude ser tão boba e não ter desconfiado?
Puxei as cobertas e afofei os travesseiros.
E como são confortáveis e macios. Sempre quis ter muitos travesseiros.
Um mar de travesseiros na verdade. Minha felicidade durou pouco ao lembrar-me do que o homem disse.
O meu pai virá amanhã para visitar-me. De alguma forma sinto que essa visita não terá um final feliz.
Calma Luciana! Coloque sua cabeça no lugar!
Apesar de tudo com o aparecimento do meu pai talvez eu entenda essa me*da toda!
Será que de fato ele tem algum argumento, alguma justificativa?
Ou simplesmente me vendeu? Será que ele foi forçado a fazer isso?
Quem está mentindo? Quem está falando a verdade?
Já não sei de mais nada. Minha cabeça está confusa.
Preciso mesmo de uma boa noite de sono!
Foi tanta coisa que aconteceu no dia de hoje que por um breve momento juro que pensei estar numa novela ou numa daquelas histórias que já li online.
NÃO! AGORA EU SURTEI MESMO! ATÉ PARECE QUE É ALGUÉM QUE ESCREVE SOBRE MIM!
PRECISO MESMO DESCANSAR! ESTOU DELIRANDO!
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Atualizado até capítulo 73
Comments
Silvana Schuwanz bernardo
eu aqui rindo feito boba desses dois kkkkkkkkk
altora estou amando esse joguinho dos dois ❤️😃🤭
2023-09-20
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