Cap. 16

Julian

Acordei de madrugada deitado no sofá sentindo todo o meu corpo doer… não me lembro o que aconteceu depois cheguei no apartamento, mas lembro bem do que aconteceu na instituição. Escuto o barulho forte chuva caindo folá fora… Abri os olhos com dificuldade sentindo eles arderem… e logo vejo a Helena dormindo encolhida na poltrona ao lado do sofá. Fecho os olhos lembrando vagamente da Helena cuidado de mim. Lenvantei sem fazer barulho percebendo que a madrugada estava gelada. Pego o edredom no sofá e cubro a Helena, ela deve estar com frio por minha causa.  Paro em frente a ela observando o seu rosto angelical… ela é uma anjo e eu um demônio... O melhor é me afastar.

Como alguém pode machucá-la? Nada explica ou justifica esse tipo de violência contra a mulher. Meu pai matou a minha mãe e quase matou com a Marie... e infelizmente eu tenho o sangue ruim dele correndo nas minhas veias.

Paro de observar a Helena, preciso de um banho por isso vou direto para o banheiro. Tento relaxar um pouco sob a água quente do chuveiro o que não aconteceu. Passei o restante da madrugada sentado na cama processando todas aquelas memórias horríveis que voltaram à minha mente. Devo ter assustado a todos com a minha crise, foi horrível descobrir que eu vi tudo, e que vive toda a minha vida enganado pelo meu pai.

O dia começou a clarear e eu pensei em preparar algo para a Helena comer quando ela acordar. Quero agradecê-la pelo que fez por mim ontem, sei que ficou a meu lado quando estava mal.

Tento não fazer muito barulho na cozinha, pois não quero acordá-la antes da hora, mas logo deixei uma vasilha cair no chão espalhando os ingredientes que havia colocado dentro. Helena acordou assustada indo correndo para a cozinha.

_ Desculpa, eu não queria te acordar. Falo pegando a vassoura para limpar a bagunça que eu fiz.

_ Você está bem? Perguntou se aproximando de mim, tocando a minha testa com as costas da sua mão sem ver que o chão estava sujo.. Olhei para os seus pés descalços naquela manhã, e  não pensei duas vezes em pegá-la no colo para evitar que ela sujasse os pés ou até caísse se escorregasse no chão molhado.

_ Julian… Helena ficou surpresa com a minha atitude envolvendo seus braços no meu pescoço.

_O chão está sujo, não quero que se suje ou que se machuque. A levei para sala sentindo o seu cheiro de perto. _ Você se machucou. Perguntei colocando ela no sofá.

_ Não eu estou bem, apenas acordei assustada com o barulho.

_Eu sou um pouco desastrado na cozinha, queria prepara algo para agradecer você, deve estar com fome.

_Um pouco… eu te ajudo. Disse ficando de pé e prendendo o cabelo em um coque. _ Só preciso ir ao banheiro e já volto. Disse indo em direcao ao banheiro. Enquanto aguardava a volta da Helena, limpei a bagunça que tinha feito na cozinha e agora ela não correrá nenhum risco na cozinha. Helena voltou do banheiro esfregando os braços, realmente estava frio.

_ Vou pegar um agasalho para você. Digo saindo da cozinha sem dar tempo para ela dizer não. Escolhi um moletom, vai ficar enorme para ela mas o importante é deixá-la aquecida.

_ Obrigada… agradeceu vestindo o agasalho. Helena achou graça e sorriu para mim… como eu posso ignorar  o sorriso lindo que ela tem? _ Vou fazer algo rápido para o café, tenho que ir para casa. Falou ficando séria e começando a trabalhar na cozinha. _ Como você gosta do café?

_ Gosto de café forte.

_ Eu também… Revelou me olhando.

Em questão de minutos, Helena fez o café, ovos mexidos com queijo e presunto e na despensa ela encontrou itens que eu não sabia que tinha, como biscoitos e torradas colocando na mesa para nós comermos.

_ Obrigado. Agradeço sentindo o cheiro do café que ela me serviu. Comemos em silêncio, e depois do café, não deixei que a Helena retirasse a mesa, ela  já estava fazendo mais do que devia para mim.

_ Você bem mesmo? Perguntou me olhando.

_ Estou… devo ter assustado todo mundo fa instituição.

_ Um pouco… quer conversar? Conversar faz bem... Disse me olhando. Sai da cozinha me sentando na sala tentando entender como a Helena depois de tanto sofrimento ainda conseguia se manter boa _ O que foi? Perguntou quando eu abaixei o olhar sentando-se ao meu lado.

_ Não é nada… a vida é cruel, injusta… e eu sou um covarde…

_ Não diga isso. Senti as mãos de Helena tocar o meu rosto me fazendo olhar para ela. _ As pessoas erram, mas podem mudar, rever o comportamento… Você passou por uma situação traumática quando era apenas uma criança, e isso deixou em você marcas mesmo tendo esquecido por anos o que aconteceu… sei que deve doer muito, mas pode superar o que aconteceu… As mãos delicadas dela no meu rosto me deixavam calmo. Coloquei uma mão sobre a dela e a outra na sua nuca colando nossos rostos. Eu sentia a respiração dela tocar a minha pele… eu queria beijá-la, mas não posso fazer isso… eu não sou o homem para ela. Penso deixando de tocá-la e me afastando.

_ Olha...Parou de chover, vou te levar para casa sei que está cansada... E dormir nessa poltrona provavelmente não foi nada confortável. Vejo o olhar confuso dela me olhando.

_ Você tem razão, é hora de ir para casa. Disse Helena pegando as suas coisas no sofá.

Deixei Helena na portaria do edifício onde ela mora, e só fui embora depois ela passou pela portaria. Será que ela percebeu que queria beijá-la? Não sei... mas tenho que tirar essa vontade da minha cabeça. Quando voltei para o meu apartamento, encontrei com a Marie me esperando na portaria.

_ Você está bem? Perguntou me abraçando fo.

_ Estou... Desculpe por ontem, eu não imaginei que aquilo fosse acontecer.

_ O importante é que você está bem. E a Helena? Perguntou.

_ Acabei de deixa-la em casa.

_ Bom... vamos subir. Chamou Marie segurando meu braço. _ Vou preparar o seu almoço.

_ Não precisa...

_ Sei que você não sabe cozinhar, por isso vai me ajudar na cozinha enquanto conversamos.

_Quem sabe sabe eu aprenda alguma coisa com você. Marie sorriu para mim entrando no elevador..

Na cozinha começamos a conversar, e confirmei para a Marie que tudo que disse no dia anterior era verdade. Marie ficou horrorizada e me abraçou mais uma vez.

_ Você vai ficar bem, não vai?

_ Vou ... digo sem saber se essa afirmação é verdadeira. _ Marie... A Helena..., ela também foi vítima de violência domestica... escutei a converar que vocês no carro e depois na instituição ela ... eu não consegui repetir o que tinha escutado.

_ Sim, Helena foi vítima de violência doméstica... confira me deixando chateado. _ Nós nos conhecemos na instituição e na epoca ela havia acabado de sair do hospital. Helena estava mal, ferida, traumatizada, depressiva, magra, muito magra e só pensava em morrer... Marie me contou a história da Helena. Ela foi maltratada, agredida quando estava grávida o que fez com que ela perdesse o filho, e quando finalmente ela decidiu se livrar de todo o sofrimento, o seu ex tentou matá-la... _ E por causa dessa facada a Helena não pode ter mais filhos. Concluiu Marie me deixando revoltado.

_ E onde está esse cara? A Helena não pode ficar a mercê dele, e se ele fizer qualquer coisa contra ela eu sou capaz de matá-lo. Falo revoltado.

_ Acalme-se Julian. Helena não corre perigo. O maldito que fez isso com ela está morto, ele tinha o envolvimento com o tráfico de drogas e morreu em um tiroteio com a polícia. Fiquei aliviado com essa informação. _ Você fala como se quisesse protegê-la, como se gostasse dela. Marie me encarou esperando uma resposta, e eu não disse nada tentando mudando de assunto.

_ O que você vai me ensinar a cozinhar? Perguntou sem olhar para ela. Marie fez um carinho no meu braço e pegou uma panela no armário.

_ Vou te ensinar o básico, vamos começar com macarrão, sei que você gosta. Disse Marie que me conhece melhor do que eu pensava.

Assim que adiantamos o almoço Marie foi embora, precisava buscar o marido em casa, pois estavam indo almoçar na casa do Heitor e da Sofia. Marie até me convidou para almocar com eles, mas como ainda não pedi desculpas a Sofia achei melhor não ir a.sua casa .

Terminei o almoço conforme ensinou Marie e o cheiro estava ótimo. Servi uma porção de macarrão e me sentei a mesa, lembrando dela, da Helena.

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Comments

Rejane Oliveira

Rejane Oliveira

Autora gosto muito das suas histórias. Já li quase todas. Gostaria de sugerir que colocasse numeros nas histórias, assim entenderia-mos melhor as sequencias. Li esta e depois a do Heito. Agora lendo esta de novo, foi muito melhor pra entender. Bjs.

2024-12-28

1

Celia Chagas

Celia Chagas

Essa história nos mostra muito da realidade que acontece com muitas mulheres e agora o feminicidio está em alta isso é muito triste e horrível 😭😭

2024-09-28

4

Solange Araujo

Solange Araujo

Cada pessoa tem seus traumas.... triste 😔😔 mas real....

2024-09-14

2

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