Julian
Heitor começou a falar sobre a Helena, mas nao respondeu a minha pergunta, e ate agora não entendo o que ele quis dizer com aceitá-la como ela é... Eu não consigo parar de pensar nas suas palavras, eu não consigo parar de pensar na Helena...
Voltei para minha sala após da reunião e repassei algumas informações com a Helena. Fiquei surpreso ao perceber como ela é inteligente, escreve bem e suas anotações da reunião foram certeiras. Observo como ela fala com desenvoltura, como se trabalhasse a anos nessa função. Aliás Helena está mais para uma assistente do que para secretária. Vai ser bom ter ela por perto.
Olho para sua face, a sua pele aveludada, os labios rosados e bonitos... Tento parar de observar a sua beleza, pois não sei que sinto. Heitor tem razão, eu não entendo os meus próprios sentimentos ... eu não sei se tenho sentimentos.
Durante o restante da semana tentei manter apenas uma relação profissional com a Helena que depois do dia da reunião começou a se vestir de forma diferente, com roupas mais adequadas a ela. O seu cabelo não esta mais preso em um coque, e eu não posso negar, ela é linda e atraente, e com certeza chama atenção por onde passa, incluise a minha, mas eu não sou um homem disponível para amor, eu nao sei amar.
Na sexta pela manhã Marie apareceu na minha sala sorridente como semprr..
_Bom dia, como você está? Já se adaptou ao trabalho? Perguntou beijando a minha face puxando uma cadeira e sentando perto de mim.
_ Estou bem, ainda me adaptando ao trabalho, mas bem. Obrigado pela oportunidade prometo não te decepcionar.
_ Eu sei... mas não estou aqui para falar de trabalho, vim te lembrar que hoje vamos a instituição que cuida de mulheres vitimas de violência domestica, a instituição que eu gosto de ajudar, lembra?
_ Eu lembro... sei que é importante para você, preciso apenas saber o horario que vamos sair da empresa.
_ Depois do almoço, por volta das duas horas da tarde. Podemos ir no seu carro, no final da tarde o Rodrigo vai me pegar na instituição, então você dá carona a Helena até a casa dela.
_ Combinado, as duas horas estarei pronto. Garanti a Marie e sei que ela está satisfeita comigo por eu não me recusar a acompanhá-la a instituição.
As horas passaram voando naquela manhã, e no horário marcado estávamos saindo da empresa em direção a Instituição. Helena foi no banco de trás e estava no campo de visão do meu retrovisor.
_ Está tudo bem com você Helena? Perguntou Marie olhando para ela.
_ Sim, ir a aquela instituição é importante para mim, pois por causa dela eu que conheci você e estou aqui hoje.
Escutei o que disse a Helena... E logo pensei nas palavras ditas pelo Heitor naquele dia... Será que o Heitor quis dizer que a Helena já foi vítima de violência doméstica como a Marie e a minha mãe? Não, não é possível... Me recusei a acreditar nessa hipótese.
_ Hoje faremos um dia de beleza para as mulheres que estão abrigadas na instituição, você pode participar se tiver vontade, mesmo sendo linda pode fazer alguma coisa.
_ Estou pensando em mudar o cortar do meu cabelo. Falou Helena. _ Durante o período que eu morei na instituição, um dia como esse era especial, é bom receber carinho e cuidados quando estamos fragilizados.
Senti um nó se formar na garganta ao confirmar que sim, Helena havia sido vítima de violência doméstica. Me distrair por um instante prestando atenção a conversa das duas, e quando vi o sinal de trânsito estava laranja me fazendo frear abruptamente assustando a Marie e a Helena.
_ Desculpe... pedi quase sem voz ainda surpreso com o que descobri.
Ao chegarmos na instituição, as duas foram recebidas com muito carinho. Marie foi ao palco improvisado na varanda e começou a falar com as mulheres que ali estavam.
Marie falar bem em público, e dirigia palavras de apoio e incentivo a aquelas mulheres, todas vítimas de violência doméstica incentivando elas a seguir em frente, a denunciar os seu agressores.
Comecei a me sentir mal, não sei o motivo, por isso resolvi caminhar um pouco pela instituição. Parei em frente a um mural onde havia alguns recortes de reportagem sobre feminicidio. Uma frase me chamou a atenção ao ressaltar que mais 50% das mulheres vítimas de feminicidio foram mortas por faca ou armas brancas. Como aquele homem fez com a minha mãe... ele a matou a facadas. Vi a Helena passar de braços dados com uma jovem senhora que estava com o braço enfaixado, provavelmente ela foi atacada com algum tipo arma branca.
_ Não se preocupe, aqui que eles vão cuidar bem da senhora, e sei que logo se sentira bem e forte, e tenho certeza não aceitará mais ser vítima de violência, que o seu ex pague na justiça por tudo que ele fez. Falou Helena.
_ Obrigda pelas palavras, foi horrível tudo que aconteceu, a forma que ele me atacou...
_ Eu entendo o que a senhora esta sentindo, pois assim como a senhora eu também foi vítima de um homem cruel, que me batia, que fez com que eu perdesse o meu filho... que tentou me matar com uma faca... ele furou bem aqui... Disse Helena colocando a mão sobre o ventre indicando o local onde ela havia sido ferida. Ela estava com o semblante triste como se ainda sentisse dor.
Naquele instante, o meu mal estar piorou... senti meu coração disparar, e ao fechar os olhos eu vi a minha mãe acariciando o meu rosto. Um barulho nos assustou e começamos a correr pela casa... estávamos na casa em que eu nasci e cresci até os meus cinco anos de idade.
Vejo a minha mãe olhar para mim e pedir para que eu me escondesse no quarto, que logo ela me colocaria para dormir.
_ Julia... escuto a voz do meu pai gritar por ela, e minha mãe fez com que eu entrasse em baixo da cama. Abri os olhos assustado, não era a lembrança de um sonho que eu estava tendi, era uma lembrança real...
Escorei na parede me sentindo tonto, e ao fechar os olhos novamente começo a escutar a discussão que eles tiveram naquele dia... E naquele dia quando eu escutei um grito de dor da minha mãe eu saí da sala debaixo da cama indo em direção a sala e vi o meu pai atingi-la com uma faca...
_ Mãe... Gritei fazendo ela olhar para mim e balancar a sua cabeça negativamente, e com a mão mandou eu voltasse para o quarto novamente. Assustado foi o que eu fiz, me escondendo novamente embaixo da cama. Isso não é uma ilusão, aconteceu de verdade... eu vi quando ele matou a minha mãe. Sinto que estou sem forcas nas pernas e de repente eu já estou caído no chão. Como eu esqueci o que ele fez? Como ele pode matá-la na minha frente? Sinto que perdi totalmente o controle sobre o meu corpo. Estou cercado por várias pessoas, mas eu não consigo reconhecer nenhuma delas
_Eu não consigo respirar... Digo me sentido sufocado.
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Atualizado até capítulo 46
Comments
Solaní Rosa
que triste senti a dor do Julian e da Helena
2025-01-18
2
Celia Chagas
Isso infelizmente ainda acontece na vida real 😔😔
2024-09-28
2
Maria Do Socorro Bezerra
Julian sabe amar, o que ele não sabe é administrar esse sentimento.
2024-09-26
1