Cap. 15

Helena

O restante da semana passou rapidamente, e já era sexta feira, dia de ir com a Marie e o Julian a instituição. E por falar no Julian, não consigo dizer o que se passa com ele. As vezes ele me olha de uma forma intensa como se tentasse descobrir algo sobre me mim, e o seu olhar me deixa tímida, faz meu coração disparar, e eu não vou mentir, de certa forma ele mexe comigo... E eu não queria que isso acontecesse.

Fomos para a instituição no carro do Julian e durante o trajeto percebi que ele me olhava através do retrovisor prestando atenção na conversa que eu estava tendo com a Marie. Agora ele sabe que eu já morei na instituição e que fui vitima de violência domestica.

Durante a nossa visita a instituição, observei que Julian não parecia confortável. Enquanto eu estava conversando com uma senhora recém chegada a instituição, percebi que ele estava por perto, como se estivesse interessado na conversa que eu estava tendo com ela. De repente, o Julian caiu desacordado no no chão chamando a atenção das pessoas. Marie ao ver o Julian caído saiu do palco e foi até ele preocupada. Eu também me aproximei tentando entender o que estava acontecendo com ele.

_Julian... acorda,  Julian... Chamou Marie sem sucesso. Alguns segundos se passaram e o Julian acordou assustado como se estivesse sem ar.

_ Julian, você está bem? Perguntou Marie ajudando ele a se sentar.

_ Marie... eu vi tudo... eu estava lá quando aquele homem matou a minha mãe. Revelou me deixando surpresa, pois eu não sei exatamente do que ele está falando.

_ Do  que você está falando? Marie parecia confusa com o que ele estava dizendo.

_ Agora eu me lembro... Eu vi todas as vezes que meu pai  bateu na minha mãe, e ela me disse, garantiu que nós íamos embora aquele dia... mas ele chegou em casa irritado... a minha me levou para quarto e pediu  que eu me escondesse embaixo da cama... Eles discutiam na sala, mas quando escutei a minha mãe gritando eu fui a sala ver o que estava acontecendo... e eu vi... vi quando ele enfiou a faca nela... Falou tremulo começando a chorar.

_ Julian, você tem certeza do que esta dizendo? Questionou Marie.

_ Sim, eu vi tudo... ela olhou para mim ....e pediu para que eu voltasse para o quarto, e eu voltei para baixo da cama... e tudo ficou escuro por muito tempo. Depois disso, eu lembro que o meu pai me tirou a força debaixo da cama e eu estava como medo. Quando perguntei pela minha mãe e disse que eu tinha visto ele machucar ela com a faca... ele negou dizendo que eu tive apenas um sonho ... que ela havia ido embora, que ela não me amava ... que minha mãe havia me deixado com ele e nunca mais voltaria. Eu questionei por vários dias onde ela estava, e ele sempre contava essa história... e eu realmente acreditei que ela me abandonou ... Como ele conseguiu me convencer, como eu pude acreditar nessa mentira? Eu não consigo entender... e eu não consegui defendê-la dele... eu não consegui salvar a minha mãe. Falou desesperado cobrindo o rosto com as mãos.

_   Julian... Julian... Olha para mim... Você tinha apenas cinco anos quando tudo aconteceu. Você não poderia fazer nada filho. Marie tentava consolar Julian que chorava copiosamente, a sua dor era real o que me fez sentir pena dele. Pelo visto estar na instituição fez com que ele recuperasse memorias antes esquecidas  e isso disparou um gatilho forte ... pensar que essa historia é real, que uma criança de 5 anos viu o pai assassinar a mãe é muito cruel e traumático.

Rapidamente trouxeram água para Julian e aos poucos ele foi se acalmando, o seus olhos estavam vermelhos mas ele não chorava mais.

_  Eu tenho que ir embora, não posso mais ficar aqui. Disse se levantando apressado.

_ Eu vou com você. Disse Marie segurando no seu braço.

_ Não precisa, eu sei que você tem seu compromisso com a Instituição, eu posso ir embora sozinho. Disse Julian.

_ Não, você não está bem, dirigir no seu estado  é perigoso.

_ Marie...

_ Eu vou com o Julian... Disse sem pensar. _ Posso acompanha-lo, não vou deixar que nada acontecer com ele.  Falei tentando acalmar a Marie, e o Julian se opôs ao que eu disse.

_ Está bem, obrigada Helena... quando chegarem ao apartamento do Julian me avise. Fiz que sim com a cabeça acompanhando o Julian.

Julian dirigiu em silencio, como se estivesse anestesiado. Quando chegamos ao edifício onde ele mora, decidi acompanha-lo até o seu apartamento para ter certeza que ele estava bem.  Assim que entramos, escutei o barulho forte de um trovão anunciando que choveria no final daquela tarde. Julian se aproximou do sofá desabando sobre ele. Corri para ajudá-lo e assim que eu o toquei senti como o seu corpo estava quente. Toquei a sua testa percebendo que ele estava ardendo em febre.

_ Você está com febre...

_ Helena, não se preocupe, pode ir... eu ficarei bem. Disse de olhos fechados deitando no sofá.

Eu realmente pensei em ir embora, mas sei que  ele não está bem e jamais deixaria alguém nesse estado sozinha. Fui a cozinha procurar alguma caixa com remédios, mas nada encontrei. Tentei perguntar ao Julian onde poderia encontrar alguma remédio,  mas ele não me respondeu. Julian continuava com os olhos fechados, e o seu corpo estava trêmulo.

Na tentativa de baixar a sua febre, foi ao lavabo e peguei uma toalha limpa na gaveta  e um bowl com água fria na cozinha começando a fazer compressas frias nele na expectativa que sua febre diminuísse.  De tempo em tempo,  Julian falava algo sem sentido e  chamava pela mãe.

Foi difícil fazer a febre do Julian baixar, pois se trata de uma febre emocional causada pelas lembranças repentinas que ele teve do passado. Quando finalmente consegui controlar a sua temperatura, do lado de fora a chuva começou a cair  forte, e  não tinha como eu ir embora naquele momento. Os raios caiam sem parar e o vento chegava a me assustar.  A temperatura caiu rapidamente e eu comecei a sentir frio. Olhei para o Julian dormindo encolhido no sofá, e ele também parecia sentir frio. Fui ao quarto que parece ser dele e trouxe um edredom para cobri-lo. Agora será melhor para ele continuar dormindo. Pelo menos o seu rosto parecia mais sereno depois do que aconteceu... deixei minha mão correr por sua face, mas logo me afastei, nunca daria certo um relacionamento entre nós.

  Olhei para a varanda observando como a chuva continuava forte impedindo que eu fosse embora. Sentei na poltrona ao lado do sofá que Julian estava deitado, usando a manta que estava sobre ela  para tentar  me aquecer.

_ A Marie... Somente agora lembrei que tinha que ligar para ela e foi o que eu fiz. _ Alô Marie...

_ Helena, como o Julian está? Você ainda está com ele?

_Sim, eu Estou no apartamento do Julian, ele agora está dormindo.

_ Mas ele está bem, está mais calmo?

_ Quando chegamos, ele estava com febre, mas agora está melhor, e por causa da chuva eu ainda não consegui ir embora.

_  Filha, está caindo uma tempestade na cidade. O Rodrigo veio me buscar, mas até agora não conseguimos sair da instituição, por favor se arrisque é perigoso sair nesse tipo de chuva.

_ Eu sei, não se preocupe, eu não vou me arriscar.

_Quando Julian acordar  peça a ele para te levar em casa.

_ Assim que a chuva parar eu vou para casa, não quero incomodá-lo, ele passou por um estresse muito grande hoje.

_ Está bem, mas me prometa que não vai sair nessa chuva.

_ Eu prometo. Com a minha promessa Marie ficou mais calma. Encerrei a ligação tentando encontrar um posição confortável na poltrona esperando que a chuva passasse logo. E eu fiquei olhando para ele...

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Comments

rosangela aparecida

rosangela aparecida

Tadinho do Julian 😞

2025-04-04

0

Vane Brito

Vane Brito

É muito forte o que Julian passou

2024-11-30

2

Celia Chagas

Celia Chagas

O pai dele era um monstro infeliz do inferno 😡😡

2024-09-28

1

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