Julian
Pensei que voltar a trabalhar seria fácil, mas não. Já li e reli varias vezes alguns documentos tentando sintetizar o que tem feito na área de marketing na empresa. Sei que quem esteve a frente do meu cargo durante o tempo que estive preso foi o Heitor, e mesmo ele sendo formado em outra área não dizer se faria ou farei um trabalho melhor do que ele. Tenho consciência que eu nunca fiz o meu trabalho direito, que delegava a minha função para outra pessoa porque me sentia superior por ser filho do suposto dono,
Sou idiota... como vou ser útil se não me sinto capacitado para trabalhar nessa função? Digo com raiva analisando os documentos do setor. Passei a manhã inteira fazendo isso, tentando aprender tudo que preciso para não precisar pedir ajuda ao Heitor. Ainda sou muito orgulhoso para admitir que preciso ajuda em um assunto que eu deveria dominar. Que saco! Falo mais alto do que devia dando um soco na mesa. Preciso me acalmar, afinal estava a mais de um ano preso e antes não fiz questão de trabalhar, não sou burro posso aprender a minha função, só preciso relembrar o que eu aprendi na faculdade e ficar calmo...
Olho para a hora e vejo que já passou de meio dia, resolvi ir almoçar, sair dessa sala pode ser o que eu preciso agora. Quando abri a porta da minha sala, dei de cara com a Helena parada em frente a porta e de repente ela me deu um soco no olho.
_ O meu olho… Grito me afastando dela sentindo muita dor. Coloco a mão no olho que começou a lacrimejar depois da pancada que ela deu.
_Desculpa... Eu te machuquei? Está doendo muito? Diz Helena se aproximando de mim. No meio do caminho, Helena tropeçou caindo sobre mim, e nós dois fomos parar no chão. Que dia... não consegui trabalhar, e agora o meu olho e as minhas costas estão doendo por causa da secretária. Sinto o cabelo da Helena cair sobre o meu o meu rosto… e o cheiro que ele tem é tão gostoso...
_ Desculpa... desculpa…Pede Helena se mexendo sobre mim quase acertando o joelho no meio das minha pernas, só faltava isso para completar o estrago que ela causou.
_ Por favor, pare de se mexer! Peço segurando os seus braços. Helena ficou assustada imediatamente, e o seu corpo começa a tremer. Não consigo entender o que está acontecendo com ela pois eu não fiz nada com ela, sequer gritei.
Não faça nada comigo… Pede Helena como se eu fosse fazer algo contra ela. Por favor, não faça nada. Soltei os braços dela que saiu de cima de mim e sentou encostada na parede chorando copiosamente abraçada às pernas escondendo o rosto. .
Helena… chamei os eu nome, mas ela não respondeu. Só faltava isso. Fechei a porta da minha antes que alguém a visse nesse estado. Pela forma como agia no passado, sei que se alguém ver a Helena desse jeito na minha sala, vai imaginar que eu fiz algo contra ela e esse assunto vai se espalhar rapidamente pela empresa, e eu quero evitar qualquer que isso aconteça, não quero arrumar confusão na minha volta ao trabalho.
Busquei um copo de água para a Helena e me sentei ao seu lado tentando de alguma forma acalmá-la.
Helena eu trouxe água. Falo mas ela continua na mesma posição. Não sei o que fazer nesse tipo de situação, primeiro, porque não sei o que está acontecendo com ela, segundo, nunca tive empatia com o sofrimento do outro. O que eu devo fazer? Passou-se meia hora e a Helena aparentemente parou de chorar. Resolvo tentar conversar com ela novamente. Helena olha para mim… Peço vendo ela levantar o rosto um pouco mais calma, e o seu semblante tenso começa a relaxar. Agua… Falo estendendo o copo com água para ela que aceita o meu gesto. Olho para as mãos dela ainda estão continuam trêmulas, e por esse motivo seguro a sua mão ajudando ela a beber um pouco de água. Você está melhor? Ela responde com a cabeça positivamente. _ Eu te machuquei? Perguntou pois ela ficou desse jeito depois que segurei seus braços.
Não… Falou sussurrando. Eu não queria te dar um soco no olho, eu queria bater na porta... Falou olhando para o meu olho machucado
Eu sei… Digo tentando acalmá-la olhando para o seu rosto que ficou ainda mais bonito emoldurado pelo seu cabelo que agora estavam solto. Me pergunto mentalmente porque ele prende o cabelo, pois o cabelo dela é lindo. Não se preocupe, foi apenas uma pancada que provavelmente não deixará marca. Digo olhando para frente passando a mão no rosto abaixo do olho sentindo um leve formigamento. Parece que Helena não acreditou no que eu disse e tocou com a ponta dos dedos o meu rosto… sua mão é pequena, delicada e macia. Quando percebi estava olhando para o seu rosto… e ela parece tão frágil enquanto eu não passou de uma pessoa bruta que nunca soube amar uma mulher.
_ Vamos nos levantar… Digo tentando fazê-la sai do chão, mas ela parece relutante.
Me deixe aqui só mais um pouquinho, daqui a pouco me levantarei. Disse esticando as penas. Não precisa ficar comigo, pode ir almoçar se quiser.
_ Eu ficarei com você… Digo encostando a cabeça na parede e fechando os olhos. Depois de passar a manhã inteira com raiva, estranhamente agora me sentindo mais calmo...
Abro os meus olhos… estou com bastante sono isso é indicio que eu cochilei por alguns minutos. Olho ao meu lado e a Helena já não está mais aqui. Na tela do celular vejo que já passou das duas e meia da tarde, constatando que não foi apenas um cochilo, eu dormi sentado no chão e encostado na parede.
_ Que belo exemplo eu estou dando. Digo me levantando. Penso em voltar a trabalhar, mas o meu estomago não deixa avisando que eu ainda não almocei. Como perdi tempo dormindo, decido fazer apenas um lanche, vou à lanchonete que fica ao lado da empresa assim não gastarei muito tempo. Ao sair da minha sala, vejo Helena sentada no seu posto. O cabelo está peso novamente e ela parece centrada no que esta fazendo. Passou direto sem perguntar como ela está, afinal mal nos conhecemos e foi ela quem me atacou naquela hora. Quando voltei da lanchonete Helena continuava na mesma posição.
No final da tarde suspirei cansado por não ter conseguido fazer praticamente nada, passei até do meu horário finalizando a leitura de um dos documentos que estavam sobre a minha mesa. Admito que preciso pedir a ajuda do Heitor, mas vou fazer isso somente amanhã. Agora é hora de ir para casa.
Sai da empresa e logo tive que parar o carro ao me deparar com um aglomerado de pessoas impedindo a minha passagem. Desci do carro para ver o que estava acontecendo quando vi a Helena caída no chão.
_ O que aconteceu? Perguntei um pouco assustado.
_ A moça estava caminhando normalmente e desmaiou de repente, eu vi do ponto de ônibus. Falou uma senhora que esta no meio das pessoas
_ Helena… Helena… Chamei me abaixando perto dela constatando que ela estava respirando.
_ Você a conhece? Perguntou a senhora que havia me dito que ela desmaiou.
_ Sim, trabalhamos juntos. Respondo pegando Helena no colo e levando para o meu carro, ao que parece ela precisa de atendimento médico com urgência.
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Atualizado até capítulo 46
Comments
joana Almeida lima
Que loucura, quem é que bate à porta socando?
2025-03-26
0
Edvania Montenegro
Um vai ser a cura do outro.
2025-02-10
1
Hanah Oliveira
Misericórdia!
Dois complicados!
2025-01-28
1