Julian
Helena parece assustada segurando com as duas mãos o cinto de segurança. E isso é estranho... será que está com medo de mim? Não sei dizer... Resolvi levá-la para jantar depois de descobrir no hospital que ela passou o dia inteiro sem comer, o que também é estranho. Pelo que eu pude perceber nesta manhã, Marie tem um carinho especial pela Helena, vi como ela a abraçou com carinho como se ela não fosse apenas uma empregada. Sei que se a Marie descobrir que não fiz nada para ajudar a Helena provavelmente pode ficar chateada comigo, e isso eu não quero.
_ Você está bem? Pergunto tentando quebrar o silêncio que impera no carro.
_ Sim… Respondeu Helena que fala pouco, inclusive no hospital ela ficou o tempo todo em silêncio. Resolvi não insistir, afinal mal nos conhecemos.
Chegamos ao restaurante, escolhi um local que já frequentei algumas vezes com alguns conhecidos, e a especialidade desse restaurante são as massas. Espero que a Helena goste desse tipo de comida porque eu estou com vontade de comer uma boa massa.
No hospital tentei acessar uma conta antiga pelo aplicativo do banco, mas não tive sucesso. Lembro que nessa conta havia pouco dinheiro espero que seja o suficiente para pagar a conta do restaurante, claro se o cartão não estiver bloqueado, pois na carteira eu sei que nao tem dinheiro suficiente para pagar a conta do restaurante, agora seja o que Deus quiser... E pensar que no meu passado recente, eu estava acostumado a frequentar restaurante de chefes renomeados cujo menu degustação custava por volta de quinhentos reais por pessoa.
O garçon nos levou a uma mesa e fui cavalheiro puxando a cadeira para Helena se sentar. Ela me olhou da mesma forma assustada de sempre, e dessa vez percebi que os seus olhos são castanhos cor de mel. Sentei em frente a ela e peguei o cardápio. Quando olhei novamente para a Helena, ela que continuava retraída.
_ Não vai escolher? Perguntou afastando o cardápio para olhá-la.
_ Eu? É que eu não sei se tenho dinheiro para pagar a conta em um restaurante como esse. Disse sem jeito de uma forma tímida quase me fazendo rir, estamos os dois sem dinheiro e isso é ruim, não é que eu deixaria ela pagar a conta, mas em uma eventual emergência seria bom ela ter dinheiro.
_ Helena, eu te trouxe para jantar, não se preocupe com a conta. Falo empurrando o cardápio sobre a mesa para ela. Helena enfim pegou o cardápio e eu continue a observá-la que parecia em dúvida sobre o que escolher.
_ Você já comeu aqui vezes, não é? Perguntou olhando na minha direção quase descobrindo que eu estava observando ela.
_ Sim. Respondo meio engasgado pelo susto de ser pego em flagrante olhando para ela.
_ Humm... pode me dizer qual desses pratos é o mais gostoso? Falou virando o cardapio para mim apontando para as suas escolhas.
_ O filé mignon à milanesa com o nhoque é muito bom.
_ Humm, então será esse.
_ E de entrada?
_ Pode ser uma salada. Chamei o garçom que se aproximou para anotar o nosso pedido.
_ Boa noite.
_ Bom noite, por gentileza um carpaccio temperado com salada e bruschettas de tomates, uma massa ao pesto, e para você Helena...
_ Um filé mignon à milanesa com o nhoque.
_ Alguma bebida?
_ Helena...
_ Não, obrigada. Nego com a cabeça.
_ Vão pedir as sobremesas agora? Perguntou o garçon.
_ Pediremos Depois.
_ Está bem, com licença.
_ Realmente vamos pedir sobremesa? Perguntou Helena com o semblante diferente, e eu fiquei com a impressão que ela gosta de doces.
_ Claro. Respondo vendo os olhos dela correrem pelo menu, me fazendo ter certeza que sim, ela gosta de doces. _ Já sabe o que vai pedir? Pergunto sentindo certa curiosidade.
_Estou em dúvida entre a banana flambada com sorvete e o ‘tiramisu’. Respondeu mordendo o lábio e em seguida ela quase sorriu evidenciando que ela tinha uma covinha na bochecha do lado direito, e o seu sorriso parece ser bonito… o que eu estou pensando? Ajeito a minha postura tentando pensar em outros assuntos.
Enquanto aguardava a chegada do nosso pedido, pude ver alguns amigos de outrora que assim que me reconheciam, desviavam o caminho ou fingiam não me conhecer. Dizem que é nos maus momentos que descobrimos quem são os nossos verdadeiros amigos... E pelo visto eu não tenho nenhum... E isso chega deixar um leve gosto amargo na minha boca.
Dividimos as entradas e quando os pratos que escolhemos foram servidos, Helena pareceu gostar bastante da comida.
_ Nossa, esse filé está maravilhoso. Elogiou saboreando a comida e eu fiquei paralisado para alguns segundos observando ela.
Na hora da sobremesa ela optou pelo ‘tiramisu’ e eu pedi a banana flambada. Quando foram servidas as sobremesas Helena provou a dela fechando os olhos com se quisesse eternizar o sabor na memória.
_ Está bom? Perguntei.
_ Sim, eu amo doces, sou suspeita para falar.
_ E essa como esta? Pergunto colocando a outra sobremesa a sua frente.
_ Você não vai comer?
_ Não, eu não gosto muito de doces, eu pedi para você.
_ Obrigada… Agradeceu sem cerimônias provando a segunda sobremesa. _ Deliciosa. Disse Helena sorrindo e foi a primeira que sorriu de verdade e eu pude comprovar que sorriso dela é lindo.
Quando o garçon trouxe a conta, finalmente eu saberia se o meu cartão estava funcionando e se tinha saldo suficiente para cobrir o que consumimos.
Digitei a senha e quando eu vi na tela a palavra aprovada, fiquei aliviado, não passaria vergonha na frente dela.
Depois do jantar, deixei a Helena em frete ao edifício onde ela mora e segui para o meu. Apesar de ter sido um dia ruim, perceber que não tenho amigos, me sinto leve, vou tranquilo para casa.
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Atualizado até capítulo 46
Comments
Solaní Rosa
nas horas do aperto é que descobrimos os verdadeiros amigos
2025-01-18
2
Edileuza França
eu sei que ele errou mas todo mundo merece uma segunda chance
2024-12-30
3
Taty
🤣🤣🤣🤣🤣 coitado
2024-12-19
1