Maurício: Dou uma olhada no Eros, ele está debilitado, mas o Darcio disse que ele vai ficar bem. Pego um dos cavalos e vou dar uma volta para espairecer.
(Kathleen Vitorino, 32 anos)
Kathleen: Maurício?
Maurício: Estou distraído, quando alguém se aproxima com uma voz familiar.
Kathleen, é você?
Kathleen: Eu mesma, quando tempo. Posso te acompanhar?
Maurício: Melhor não Kathleen, não deveria estar aqui.
Kathleen: Essa rivalidade não é nossa, nunca foi. Costumamos nos encontrar escondido quando crianças para brincar, agora não precisamos nos esconder mais.
Maurício: Logo entenderá que as coisas vão se complicar ainda mais. Tenho que ir, foi bom te ver bem, mas não cruze mais os limites dessa propriedade.
Kathleen: Se casou?
Maurício: Ainda não, mas já encontrei a mulher da minha vida Kathleen.
Kathleen me olha triste. Posso ver ela segurar as lágrimas.
Kathleen: Pensei que ficaríamos juntos, foi o meu primeiro e único amor Maurício.
Maurício: Sinto muito Kathleen, éramos crianças e se quer fizemos qualquer promessa.
Kathleen: Tenho que voltar ao meu inferno particular, logo sentirão a minha falta. Foi bom te ver.
Maurício: Kathleen sai chorando e ainda que nunca tenhamos tido nada, mesmo que se quer fizemos qualquer promessa, me sinto mal por vê-la tão triste. Volto ao celeiro e deixo o cavalo, de longe observo o meu pai com a Bruna nos braços e fico feliz por ela finalmente confiar nele.
Posso saber aonde vão tão animados?
Bruna: Conhecer o chocolate.
(Chocolate)
Maurício: O meu pai vai contando histórias do chocolate no caminho para a Bruna e fico vendo como ela fica maravilhada com ele. Sigo até o quarto da Melissa sem saber como contar que a fazenda dos pais delas foi destruída.
No quarto da Melissa...
Maurício: Posso entrar?
Melissa: Pode.
Maurício: Preciso conversar com você sobre algo delicado, está bem para isso agora?
Melissa: Sou mais forte do que aparento.
Maurício: Não tenho dúvidas disso Melissa. O meu pai deu entrada nos papéis do divórcio...
Melissa: Ele fugiu não foi?
Maurício: Fugiu, mas não é só isso. Ele colocou fogo na fazenda antes, sinto muito por isso Melissa.
Melissa: Respiro fundo tentando conter as lágrimas.
O meu pai construiu aquela casa... ele construiu vários móveis de lá e as únicas fotos que tinha da minha estava lá.
Maurício: Sinto muito de verdade.
Melissa: Talvez seja melhor assim, por mais doloso que seja perder tudo assim, não sei se um dia conseguiria esquecer tudo que passei lá. Antes mesmo de colocar fogo na fazenda, o Edgar já tinha destruído ela. Demitiu todos os funcionários, vendeu os animais e não me permitiu cuidar do que sobrou. Tudo foi morrendo lentamente e agora não sobrou nada.
Maurício: As terras são suas. Pode reconstruir tudo.
Melissa: Eu sei, vou pensar a respeito com calma. Muitos fazendeiros cobiçam a anos aquelas terras, talvez seja hora de vendê-las e recomeçar em outro lugar, dar um lar de verdade para Bruna.
Maurício: Podem ficar aqui o tempo que quiserem mesmo depois que o Edgar tiver preso as portas dessa casa estão sempre abertas para vocês.
Melissa: Encaro o Maurício.
Pensei que nos colocariam para fora quando estivesse melhor.
Maurício: Nunca faríamos isso! Vamos protegê-las até tudo isso acabar e depois poderão escolher... As duas tem um lugar aqui, se optarem por ficar!
Melissa: Porque está sendo tão gentil?
Maurício: Poderia dizer que sou assim, mas a verdade é que conheceu os meus pais, crescemos num lar calmo, com amor transbordando. Não saberia ser diferente, além disso, sou médico e cuidar é algo natural para mim.
Melissa: A minha mãe falava tantos sobre as pessoas boas, que nunca pensei que os maus existiam. Ela dizia que se tudo ficasse difícil era só orar, que Deus me atenderei porque era uma boa pessoa. Nunca deixei de acreditar que Deus estava comigo e a Bruna é a prova do milagre. Fui espancada e levei vários chutes na barriga assim que o Edgar desconfiou da gravidez, cheguei a cuspir sangue... depois disso, até a barriga começar a crescer, fui espancada e violentada várias vezes brutalmente e ainda sim, a Bruna nasceu, forte e saudável me enchendo de esperança outra vez. Difícil não acreditar que Deus esteve ali... Quando fugi, implorei que ele não me deixasse desmaiar com ela nos braços, numa estrada sozinha e aí você apareceu, nos ajudou sem nem ao menos saber a minha história. Depois, souberam de toda a história e tudo que me deram foi compreensão e cuidado. Hoje pude ver a minha filha feliz como nunca vi antes e isso graças a vocês. O que eu posso dizer, é que existem pessoas boas e a minha mãe estava certa! Obrigada, muito obrigada de verdade.
Maurício: Escuto atentamente a Melissa que fala me olhando nos olhos pela primeira vez, ela não chora, apenas se emociona com um pequeno sorriso no rosto repleto de gratidão. Esperança, é isso que sinto agora, tenho esperança que ela vai ficar bem. Dou um sorriso de volta para ela e somos avisados que a oftalmologista chegou.
Melissa: A Oftalmologista me examina e diz que preciso fazer exames para confimar, se posso fazer uma cirurgia para recuperar cem por cento da visão, terei que usar óculos para leitura, mas não é nada demais. Ela sai e Maurício pega a receita para mandar fazer os óculos. Assim, nessa mesma rotina de passam quinze dias. Estou recuperada e sai da cama hospitalar. Hoje o Bruce me deu alta, conversam comigo e fiquei feliz por poder ficar aqui. Insisti para ficar no andar de baixo com os empregados, mas não deixaram. A Bruna dorme comigo, ela é felizes como nunca foi e aqui todos amam ela. Vi isso com o cuidado e carinho que tem com ela. Faço terapia três vezes na semana com uma psicóloga e uma vez na semana com a Daiane. Comecei a me aproximar do Maurício e da família dele, ainda tenho um pé atrás e me sinto mal por isso, mas é inevitável. A Daiane tem me ajudado a respeitar o meu próprio processo. Já consigo dormir sem remédio a dois dias, nem sabia mais como era dormir sem medo e aqui tenho me sentido segura. Ainda não sai de dentro da casa e hoje farei isso com o Maurício, ele tem um presente para a Bruna e para mim. Me visto e fico me olhando no espelho buscando coragem para sair, fugi na adrenalina, com medo e pavor. Sair assim de casa, sentir o sol sem ser através de uma janela, parece algo tão bom que não sei porque me assusta tanto.
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Atualizado até capítulo 84
Comments
Cibele Wan Der Maas Moreira
sem conhecer nada do mundo fica difícil se defender
2025-01-13
0
IG @izza_nascimento24
mesmo que ela não saiba
2025-01-10
0
IG @izza_nascimento24
essa vai dar problema 🙄🙄
2025-01-10
0