Maurício: Entro no quarto com a sopa da Melissa, ela se assusta.
Melissa, ainda está debilitada, vou te dar a comida na boca. Não precisa ter vergonha, só quero te ajudar.
Melissa: Posso tentar comer?
Maurício: Ainda está fraca Melissa, as suas mãos ainda tremem. E só uma gentileza, aceita.
Melissa apenas concorda com a cabeça. Esfriou colher por colher e vou levando sem pressa a boca dela. Ela come envergonhada, me olhando de um jeito tão doce que é impossível não reparar a beleza dela. Termino de dar a sopa a ela e limpo o canto dos lábios dela, ela abaixa o olhar e agradece.
Melissa: Obrigada, não só por isso, mas por tudo.
Maurício: Faria tudo de novo, não me agradeça mais Melissa, fiz com o coração.
Melissa: Tem um bom coração.
Encaro o Maurício e ele em dá um pequeno sorriso.
Marlene: Oi... licença. Tudo bem Melissa? Me chamo Marlene e sou a mãe do Maurício. Vim te ajudar com o banho minha querida.
Melissa: Fico constrangida e o Maurício sai com a louça do almoço. A Marlene me dá banho, me ajuda com a minha higiene e também a vestir outra camisola. Fico com tanta vergonha, que acabo chorando.
Marlene: Minha linda não chora, está tudo bem.
Melissa: Marlene passa as mãos pelo meu rosto e beija a minha testa, choro ainda mais, era assim que a minha mãe fazia quando chorava. Sinto tanta falta dela.
Marlene: Está com dor?
Pergunto preocupada.
Melissa: É saudade da minha mãe, ela era amorosa, assim como você.
Marlene: A sua mãe faleceu?
Melissa apenas afirma com a cabeça.
A minha também, sinto muita falta dela. Posso te dar uma abraço?
Melissa: Marlene me abraça, me sinto amada e protegida nos braços dela, uma sensação boa que não sentia a muitos anos. Ela me pergunta se estou bem para conversar sobre o que aconteceu e digo que sim, depois de tudo que essa família está fazendo por mim, nada mais justo do que ser honesta com eles e contar sobre o perigo que estão correndo me protegendo. Ela me avisa que a filha vai vir falar comigo e fico preocupada que eles não queiram mais me ajudar depois de saberem de tudo.
Daiane: Oi... o meu nome é Daiane. Sou irmã do Maurício.
Melissa: Oi...
Daiane: Sei que deve se difícil confiar em alguém, mas sou psiquiatra e queria conhecer a sua história para saber como vamos poder ajudar você e a Bruna.
Melissa: Sem entender o porquê confio na Daiane, ela é calma, amorosa e me passa segurança. Conto para ela como conheci o Edgar, faço várias pausas relatando o meu primeiro abuso. Daiane se emociona comigo. Ela me explica que está fazendo um relatório médico e que isso servirá para que o Edgar nunca mais chegue perto de mim e da Bruna. Continuo contando como foi quando ele desconfiou que estava grávida, e sobre todo o abuso físico, psicológico e sexual que sofri ao longo dos anos. Nem vejo a hora passar e terminamos de madrugada, cheguei a passar mal algumas vezes lembrando dos detalhes. Ela me avisa que o pai dela vai em examinar e durante o exame, ele nota que a minha visão periférica não é muito boa. Enxergava bem, mas talvez depois de tantos murros de punho fechados que levei do Edgar, que chegavam a me deixar dias sem abrir o olho, tenha prejudicado a minha vista. Ainda sim, pelo menos consigo enxergar bem. Ele termina o exame e acabo dormindo sem perceber, estava exausta.
Daiane: Nos reunimos na sala. Envio o relatório que fiz no nosso grupo do WhatsApp, soluçando nos braços do meu pai.
Ele é um mostro pai! Estuprou ela na lua de mel, e depois repetiu os abusos por anos. Como a Melissa está viva?
Marlene: Mães sobrevivem por seus filhos minha menina. Ela sobreviveu pelo anjo que dorme na sua cama nesse momento.
Bruce: Já li tantas notícias assim, mas ver um caso é diferente, operei uma mulher que foi brutalmente espancada pelo marido porque a filha estava com medo dele. Ela apanhou por medo do que ele faria a uma criança de quatro anos!
Maurício: Não consigo terminar de ler, isso embrulha o estômago. Esse desgraçado merece a morte, de forma lenta e dolorosa.
Marlene: Nunca vi nada assim, mas precisamos pensar. Temos aqui duas vítimas de algo inimaginável, e querer matar o agressor não é a solução.
Maurício: Ele tem que pagar mãe. Isso não é só cruel, é desumano. Se aproveitou da morte da mãe da Melissa para se aproximar dela, depois agrediu, estuprou e acorrentou ela por cinco anos! Como um merda desses usa uma farda?
Bruce: Estou com tanta raiva quanto você filho, mas não dá para agir na emoção. Ela deixou o Edgar sangrando e preso na fazenda. A essa altura ele pode estar morto e se não estiver morto, sabemos que ele é um psicopata e vira atrás dela. Com os recursos que tem, não duvido que já saiba que ela está aqui.
Maurício: Vamos denunciá-lo! Ele vai perder o distintivo, a liberdade e na cadeia vai pagar.
Marlene: Amanhã quando a Melissa acordar, vou falar com ela e faremos a denúncia.
Maurício: Mãe convence ela a denúnciar, esse homem precisa perder tudo, a profissão, a credibilidade e a liberdade!
Bruce: Filha, não fale para o Milton sobre a Melissa e a Bruna. Não quero que isso saia daqui até esse homem estar preso. Vou cancelar a agenda dos dois, ninguém sai fora dos limites dessa propriedade!
Daiane: Só concordo com a cabeça enquanto o meu pai faz carinho nos meus cabelos. Mal respiro de tão sufocada que me sinto com a história da Melissa. Mesmo na minha profissão nunca vi um relato assim tão pesado. O meu pai me acompanha até o meu quarto, deito e ele me cobre igual como quando era criança. Sempre fui à princesa da casa, protegida e amada, mas também ensinada sobre os perigos. Penso na Melissa que só tinha a mãe e após perdê-la conheceu um psicopata que a destruiu.
Bruce: Você minha princesa vai ajudar aquela mulher a se reerguer. Eu sei que as vezes nos deparamos com casos que nos afetam diretamente, mas precisamos ser firmes porque em casos assim podemos fazer a diferença.
Daiane apenas concorda com a cabeça, e abraça a Bruna. Saio do quarto dela e respiro fundo, fui o mais forte que consegui pela minha filha, mas é impossível não sentir raiva e revolta em um caso desses. As palavras do Maurício ficam na minha cabeça "poderia ser a Daiane".
Marlene: Encontro o Bruce no corredor pensativo e abraço ele. Choro abraçada a ele e ele aprece entender que preciso colocar para fora. Seguimos para um banho juntos e deitamos em silêncio. A angústia que sentimos e quase palpável.
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Atualizado até capítulo 84
Comments
Aline Priscila 🎀
ah Marlene! você com sua sensibilidade viu o quanto nossa Mel precisava deste abraço! Nossa menina tá totalmente quebrada, arredia, sem esperança... mas vocês mostraram a ela que a vida lhe sorriu e ela poderá com a ajuda de vocês, recomeçar 🥰
2023-05-03
244
Maria Aparecida Barbosa da Silva
Aí Escritora eu sei que é uma história mais quantas mulheres e crianças não passam por estas tortura ai meu Deus estou até angustiada
2025-02-23
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Tânia Principe Dos Santos
está linda família sei que ajudarão Melissa e Bruna. espero que consigam ajuda lãs e principalmente fazer Edgar pagar por tudo que fez
2024-12-09
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