Fiquei mais tranquila ao saber que meu bebê está bem. Foi tão emocionante para mim ver aquele feijãozinho na tela. Mas o que achei fofo foi ver o Robert do meu lado, admirando o meu bebê. Pude até visualizar ele emocionado.
Pelo menos agora eu sei que meu bebê está com saúde e que logo poderei sentir mexendo em meu ventre. Eu queria que o Caio tivesse assumido essa criança e ficado conosco, mesmo ele sendo essa pessoa arrogante, pois eu sei como é difícil uma mãe passar por tudo sozinha.
Quando eu estava na adolescência, eu via as mulheres passarem por uma gestação sozinha, sem o apoio de seus companheiros e acompanhava de longe o sofrimento delas, mas todas conseguiram alcançar seus objetivos e darem o melhor para seus filhos e é disso que eu preciso- ser uma ótima mãe para meu bebê e não deixar lhe faltar nada. Amor e carinho ele terá muito e mesmo que talvez meus pais nos rejeite por não estar com o pai do bebê, eu serei uma pessoa ótima para essa criança.
Robert parece ser uma boa pessoa, disposto a me ajudar no que precisar, mas não sei se consigo confiar em outra pessoa. Eu confiei no Caio e ele me magoou e apesar de ainda amá-lo bem lá no fundo do meu coração e uma parte de mim ainda querer que ele mude de ideia e voltemos a ser um casal, a parte racional diz que isso não vai acontecer e para eu seguir minha vida em frente e aproveitar esse momento que estou tendo e, talvez, dar uma nova chance ao amor.
Hoje teremos que ensaiar as crianças para a festa da Páscoa. Eles farão uma apresentação cantando a música do coelhinho da Páscoa e quem ficou responsável por ensaiá-los: eu.
Também teremos que fazer lembrancinhas para as crianças e sugeri fazermos um coelhinho usando garrafa pet. Eu vi essa ideia na internet e achei interessante reproduzi-la.
Estamos em sala de aula e, conversando com os alunos, disse para cada um trazer uma garrafa de plástico vazia, daquelas que eles costumam beber refrigerante e mostrei a foto de como é para eles não se confundirem e avisarem aos seus respectivos responsáveis.
Quando sai do trabalho naquela tarde, não imaginava que fosse dar de frente com a pessoa que me magoou, muito menos vê-lo com outra mulher, de mãos dadas.
Meu coração acelerou, mas também senti que algo dentro de mim havia se partido, me dando a confirmação que precisava para seguir em frente. Robert havia ido embora mais cedo porquê teve um compromisso de última hora, mas falou que me contaria no dia seguinte do que se tratava.
Em casa, tentei não pensar no fato de ter revisto o Caio e me concentrar em minha nova realidade: ser uma mãe solo. Consegui com um certo custo criar coragem e mandar uma mensagem para minha mãe.
"Cristina: oi mãe, boa noite. Saudades. Gostaria de conversar algo com a senhora e o papai. Quando puder, me retorne por favor- 19h02."
Logo recebo uma mensagem dela:
"mãe: oi filha, tudo bem. Também sentimos sua falta. Podemos passar aí amanhã. Estamos na cidade, mas não demoraremos- 19h03."
"Cristina: tá bem mãe. Te aguardo pela manhã porquê de tarde estarei no serviço- 19h04."
"mãe: me passa o endereço da loja de tatuagens que iremos encontrar contigo. Assim, podemos rever o seu namorado Caio- 19h04."
Eu não havia contado sobre o término e queria fazer aquilo pessoalmente, mas, eu não poderia encontrar com ele naquele local e ter a possibilidade de vê-lo outra vez.
Então, tive que contar uma parte da história:
"Cristina: eu não trabalho mais naquele lugar. Agora sou professora em uma escola particular no período da tarde- 19h05."
"Mãe: finalmente um emprego que seja melhor para você, Cristina. Mas o seu namorado não ficou chateado de perder a funcionária dele?- 19h06."
"Cristina: Amanhã conversamos mãe, boa noite- 19h06."
"Mãe: vai dizer que ele terminou com você? Sinto muito por isso filha, mas ele não parecia ser uma boa pessoa para você. Ele é muito mulherengo. Não iria te falar nada, mas eu vi ele dando mole para uma garota no seu aniversário do ano passado. Pelo menos vocês não tiveram um filho juntos porque quem poderia sofrer seria a criança- 19h07."
É meio tarde para eu receber esse conselho da minha mãe e não me surpreenderia se tivesse sido traída por ele durante nosso relacionamento.
Respiro fundo e envio outra mensagem para ela:
"mãe: tenho que fazer comida, mãe. Amanhã conversamos- 19h08."
Saio do celular e preparo minha janta, enquanto coloco uma música calma no meu celular para tocar.
...ΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩ...
Acordo às 8hs da manhã e faço algumas tarefas domésticas. Marquei com minha mãe para encontrar com eles às 9hs na praça principal de Guarulhos. Confesso que estou um pouco nervosa porque não sei como eles reagirão ao saber da minha gravidez. Pelo menos eles já estão cientes que não namoro mais o Caio, porém, não sei se essa notícia ajudará a amenizar as coisas.
Minha mãe sempre foi do jeito durona e meu pai, bem protetor. Quando eles me deram essa casa e ficaram menos "bravos" por eu querer morar aqui em SP, me alertaram para tomar cuidado com minhas decisões futuras e o que eu fiz: fui me envolver com alguém cuja mentalidade parece que jogou no lixo.
Saio de casa apenas com uma bolsa pequena contendo água, meu celular e um cartão de débito dentro de uma carteira de cor rosê. Em meu celular, havia o vídeo da ultrassom, do qual quero mostrar a eles, anunciando a gravidez e o que espero deles, é o apoio emocional, mas não sei se eles serão capazes disso.
Ao longe, vejo minha mãe. Uma mulher bem forte, alta e pele escura e do lado dela, meu pai. Um homem magro, de pele clara. Aceno para eles de longe e logo os dois estão do meu lado para conversarmos.
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Atualizado até capítulo 68
Comments
Joselia Morais
Achei que os pais separados
2023-07-24
8