Quando nos casamos com uma pessoa, pensamos que será para sempre- ou até quando a morte nos separa- mas eu devia ter percebido que ela não prestava.
Em nosso casamento, ela já fazia algumas piadas sem graça e queria abraçar todos os meus amigos, porém eu pensava que isso fosse apenas uma forma de carinho e não que isso já mostrasse o caráter dela.
Clarice era o nome da minha esposa- não, ela não morreu- pelo o contrário, está bem viva, tendo um caso com o meu melhor amigo.
Descobri por acaso ao chegar mais cedo em casa e encontrar os dois transando em nossa cama box.
Eu sempre chegava em casa às 22hs porque trabalhava como professor em duas escolas distantes e ainda dava aulas particulares para os adultos em um centro comunitário.
Sempre a ajudei com tudo o que ela precisasse- fosse dinheiro para ir ao salão de beleza até ir buscá-la em algum bar porque estava bêbada demais para dirigir.
Nos finais de semana, era sempre em nós irmos em algum lugar chique ou em alguma casa de praia.
— Como você pôde fazer isso comigo?- eu dizia a ela, depois dos dois colocarem os seus trajes- estamos casados há dez anos e você me faz algo assim e justo com ele.
— Ah, você nem pode reclamar, Robert. Você trabalhava direto, só chegava tarde em casa. Vai saber se você não tinha alguma mulher na rua.
— Eu fui fiel a você, nunca nem ousei olhar para outra mulher.
— Bom, isso é problema seu, não meu. Eu quero ficar com ele. Se você aceitar isso, podemos revezar os dias entre um e outro.
— Você está de sacanagem comigo? Eu me casei com você faz dez anos e você me vem com essa de querer ficar com nós dois?- pergunto sentindo uma raiva indescritível - pode ficar com a casa porque não quero brigar na justiça por esse lixo. Apenas me mande os documentos do divórcio que eu assino.
Pego todas as minhas roupas, colocando em duas malas grandes de rodinhas e saio da casa que um dia eu a chamei de lar, indo buscar um novo rumo em minha vida.
Compro uma passagem apenas de ida para São Paulo pela a internet e saio de ônibus até a Rodoviária Novo Rio. Eu morava em Guarulhos antes de conhecer a minha ex esposa, mas então eu havia me mudado para o Rio de Janeiro por causa de sua família - ela não queria ficar longe deles- e eu como um bom marido, concedi o seu desejo.
Conheci o amante dela- o meu ex amigo- quando a levei em uma partida de futebol no Maracanã. Ele estava sentado na cadeira ao nosso lado. Compartilhávamos do mesmo time e logo ali, se formou uma amizade.
Eu como vascaíno doente, o chamava para ir em todos os jogos e minha esposa nem sempre nos acompanhava, mas ele sempre perguntava por ela. No começo, eu pensava que fosse apenas por educação, mas hoje eu entendi tudo- eles estavam tendo um caso pelas as minhas costas e isso me magoa demais.
Vou dar um bom tempo sem ficar com uma mulher. Eu sei que nem todas são assim, mas já tive dor de cabeça o suficiente por um ano inteiro e não quero me meter em mais problemas.
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Atualizado até capítulo 68
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Raimunda Neves
Dez anos levando chifre, ninguém merece
2024-10-01
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