O que Ane contou as crianças sobre Vicentina era verdade, seus pais não deixavam nenhuma das filhas namorarem e se casarem, Vicentina conheceu Bento em uma vez que foi a casa de uma tia a visitar, ele estava trabalhando para seu tio de empreitada, se apaixonaram, ela uma moça bonita, branca de cabelos e olhos negros expressivos, foi amor a primeira vista, ele um jovem forte, alto e sorridente. Veio de outras terras a procura de trabalho, a conheceu, queria se casar com ela e como os pais não deixaram a convenceu a fugiu com ele, seus pais a renegaram e ela só voltou a ver suas irmãs depois que os pais morreram.
Durante alguns anos ela foi feliz, passaram muita dificuldade, mais tinham um ao outro. Teve três filhos, Sebastian, Cláudio e Clarence.
Vicentina não sabe o que houve, mais Clarence ainda era um bebê quando Bento foi assassinado.
Ela não gosta nem de lembrar o horror que passou quando vieram lhe contar que o amor de sua vida foi morto.
Na época, não lhe explicaram o que houve, e ela ficou tão desnorteada que não sabia o que fazer, viúva com três filhos pequenos, os pais não a aceitariam de volta, Bento não tinha família por perto. Tinham um pequeno pedaço de terra que conseguiu comprar e construir uma pequena casa pra eles, nada mais. Foi obrigada a trabalhar na roça, ensinar seus filhos a plantar, criar alguns animais para consumo e para vender. Tinham patos, galinhas e marrecos, vendiam ovos e animais, plantavam feijão, milho e outros alimentos para consumo e venda, tudo era muito difícil, moravam a quilômetros da cidade mais próxima e não tinham nem um meio de transporte. Sem luz elétrica, o vizinho mais perto morava a quase uma hora de caminhada.
A polícia nunca descobriu o motivo ou quem o matou, na verdade nem Vicentina sabia como era a vida de Bento antes de se casarem, ele não falava de seu passado, dizia que a encontrar foi a melhor coisa que aconteceu em sua vida e que passado é passado.
Vicentina nunca mais quis saber de homem, numa época em que o homem é o provedor, o esteio da família, uma mulher jovem, viúva e com três filhos pra criar ela foi guerreira, corajosa e a frente de seu tempo.
Sebastian e Cláudio já entendiam um pouco a dificuldade que sua mãe passava e a ajudavam em tudo, mais Clarence ainda muito novo, não entendia queria brincar e correr livre pelos campos e Pauline era a companhia perfeita, mesmo sendo menina não tinha medo de sapo, grilos ou aranhas como as outras meninas que conhecia, eles pegavam girinos no riacho, caçavam pequenos insetos e depois os soltavam...
Mais sua mãe visitava as tias uma vez ao ano apenas, pois levavam quase meio-dia andando para chegarem e mais meio para voltarem. E era a primeira vez que vinham as visitar depois do incêndio.
Uns seis meses depois da visita a sua tia Luize ficou doente e veio a óbito em alguns dias, sem assistência médica nem souberam a causa da morte. Ficando agora Ane e Maria, duas guerreiras, para Clarense foi uma oportunidade de rever sua amiga e companheira de aventuras.
Os dois não entendiam a morte e para eles não havia motivo para tristeza, estavam felizes por rever um ao outro.
Pauline : - Clarense, descobri onde Faísca está. Vou buscar ele de volta.
Clarense: - Seu pai não vai deixar. Você tem dinheiro para comprar ele de volta?
Pauline: - Guardei umas moedas que ganhei....
Para Pauline os poucos centavos que tinha daria para trazer Faísca de volta, mais infelizmente ele já havia sido vendido para outro e já não sabiam mais seu destino.
Vicentina voltou para sua casa com os filhos, mais a morte da irmã a abalou profundamente, que vida as irmãs levavam, que vida ela leva, porque tantas dificuldades, porque tanta tristeza, seus filhos mais velhos na adolescência tendo de trabalhar feito adultos, perderam a infância, não frequentaram a escola, Clarense iria, daria um jeito de mandar ele estudar nem que fosse a força.
Vicentina não quis mais ir visitar as irmãs, disse que estava com dificuldade em andar tanto, tinha muita dores nas pernas.
Ane e Maria então resolveram elas irem a visitar e pediram aos pais de Pauline para a levar, Sr Benedito não queria deixar, mais a menina andava muito triste por causa do cavalo, não conversava mais com ele, até o evitava, então deixou.
Pauline ficou muito contente em conhecer o que tinha do outro lado da montanha, durante as primeiras horas de caminhada subindo não reclamou do cansaço nem da distância, pararam para descansar embaixo de uma árvore e lanchar, Maria tinha feito um bolo e levado café em uma garrafinha.
Pauline ficou encantada com a vista, dava pra ver o mundo. Um veadinho selvagem passou na frente delas e Pauline ficou admirada com a beleza do animalzinho. Colheram amoras e goiabas para levar, havia flores, árvores, borboletas que Pauline nunca tinha visto.
'' Realmente é muito longe'' pensou ela, quase um dia andando e não chegavam. Até que Ane apontou ao longe, uma casinha simples, havia fumaça saindo da chaminé.
Ane : - Estamos chegando Pauline!.Veja é aquela casa lá embaixo.
Pauline esqueceu o cansaço e ficou toda eufórica, colheu flores para levar a Vicentina.
Chegando na casa, Ane bate na porta e engrossa a voz fingindo ser um homem, Pauline ria da brincadeira de Ane e a ajudava. Maria que não gostava de brincadeira ficava brava com Ane.
Pauline e Ane : - Tem alguém em casa ? Aqui é o homem do saco. Quer comprar o que?
Vicentina abre a porta e sorri, não esperava a visita das irmãs, como estava sozinha deixava tudo trancado, os filhos estavam trabalhando na lavoura.
Ane e Pauline foram correr atrás de um pato para Vicentina fazer para elas jantarem, as duas riam tentando cercar o pato que lhes dava olé passando por baixo de suas saias. Pauline amou o lugar, um pequeno córrego passando em frente a casa onde patos e marrecos de todos os tamanhos e cores nadavam e brincavam na água, flores em volta da casa, um pequeno paiol, porquinhos no chiqueiro, a casa bem pequena, mais acolhedora.
Estavam rindo de um tombo que Ane levou correndo atrás do pato quando Clarense chega e na maior facilidade pega o animal. Os dois não queriam ver o bicho ser sacrificado então Ane e Vicentina os mandaram ir a uma vizinha levar bananas maduras.
Clarense e Pauline foram brincando, era longe e Clarense a deixou para trás em um momento, ela se assustou pois não conhecia nada ali.
Pauline: - Clarense ?? Onde está?? Não sei o caminho ?
Clarense apareceu entre as bananeiras, pegou a mão dela a acalmando.
Clarense: - Eu esqueci que não mora aqui, não vou te deixar sozinha, vem.
Dona Antônia, a vizinha, não tão vizinha assim, ficou encantada com Pauline, não havia meninas por perto, mostrou toda casa a ela, uma casa alta, com um alpendre e escada na sala, Dona Antônia criava galinhas em um dos quartos, a casa muito velha mas bem grande. Dona Antônia, uma senhorinha de idade avançada, morava sozinha e disse que quase não tinha visitas, pediu a Clarense para convidar sua mãe e tias para almoçar com ela no dia seguinte. Já era tarde, voltaram para casa, o jantar já estava pronto, com um delicioso pato.
Dormiram todas na mesma cama, Vicentina, Maria, Ane e Pauline, com Ane contando causos de fantasmas, imitando vozes de monstros, Pauline não tinha medo, dormiu feliz, estava amando o passeio. Acordou cedo e foi ajudar Vicentina a ascender o fogo, pegou um carvão e começou a desenhar, escreveu seu nome e Vicentina perguntou o que era, não sabia ler, mais queria que Clarense aprendesse, pediu a ela para escrever o nome dele nas tábuas do Paiol que ela o faria copiar até aprender. Clarense até gostou da idéia e copiou seu nome uma dezena de vezes junto ao de Pauline.
Almoçaram com Dona Antônia, que fez um doce especialmente para Pauline, de cidra, delicioso. Clarense e Pauline lavaram a louça, era costume lavar em uma bica de água fora de casa, eles brincaram mais que limparam.
Iriam voltar no dia seguinte para casa, mais um temporal as prendeu por mais tempo que queriam, Pauline não se importou por ela não voltaria mais pra casa.
Só que seu pai não gostou nada nada.....
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Atualizado até capítulo 51
Comments
Mara Campos
pelo visto o pai dela è muito antigo.
2024-07-25
2
Fatima Vieira
Pauline vai sofrer com esse pai
2024-07-16
1
Luisa Nascimento
Coitada da Pauline ela gostava tanto do cavalo. o pai dela nao devia tê-lo vendido.💔
Amando a história! ❤❤
2024-04-19
2