Chego em casa, limpando o meu rosto. Não Camilla, não deixe que o seu passado te assombre outra vez! Não vale a pena ficar assim por causa das palavras daquela mulher. Vai ficar tudo bem.. E nada melhor que buscar consolo no melhor consolador que é Deus.
E eu tomo um banho e me permito desabafar com Deus, dizendo que como doeu em meu coração tudo o que aquela mulher me falou, mas eu não quero.. não quero alimentar nenhuma mágoa ou ódio.
— Acalma o meu coração meu Deus.
Falo saindo do banho, já me sentindo melhor.
Coloco uma roupa confortável e eu deixo o meu cabelo secar naturalmente.
Faço um almoço leve, mas nem fome eu sinto direito, porém eu tento comer.
Acabo passando a tarde estudando matérias acumuladas da faculdade a fim de me distrair.. E na verdade isso me dá mais força de eu realmente concluir logo essa faculdade, para finalmente poder ingressar para o curso que eu tanto quero, assistente social! Falta só um pouquinho Camilla. Eu não posso quebrar essa promessa.. de ser a diferença nesse mundo.. de poder ajudar essas crianças que não tem pai e nem mãe.
Quando começa a anoitecer eu me arrumo para ir pra faculdade.. mesmo sem vontade de ir.
Mas aí eu abro a galeria do meu celular e vejo o Juca, a Paulina e o Michael e eu sorrio.
— É tudo por vocês.
Dessa vez presto atenção não só na aula como também anoto tudo que o professor fala. E a aula foi normal, tirando algumas piadas da Adeline.
E eu fico bastante focada, pois pela primeira vez consigo entender um pouco sobre as leis judiciais, e eu estou fazendo um esforço mais que necessário também.
Após finalizar a aula, o professor nos recomenda um livro e um documentário para assistir.
Volto para a casa e fico brincando um pouco com o meu smurf. Enquanto eu esquento a minha janta. Eu estou com muitas saudades das crianças, irei fazer um bolo e alguns doces para levar para eles amanhã e também para ajudar a Paulina a vender.
Deixo a comida esfriando e a campainha começa a tocar e só pode ser a maary! Com certeza ele não acreditou nas minhas mensagens que "eu estou bem"
— Já vai Marry!
Falo caminhando até a porta e quando abro, tomo um susto em ver o Fernando.
— Fernando?
— Camilla.. eu já sei de tudo! Principalmente do que aquela megera fez com você. Mas ela já teve o que merece! Isso nunca mais irá se repetir. Ela não pode tratar você dessa forma, e nem ninguém também!
Ele fala todo nervoso e me olha com pena.
— Fernando.. entra!
Falo cansada e abro espaço para ele entrar.
— Como você ficou sabendo disso?
— Assim que eu cheguei na empresa, estranhei por não ver você na sua mesa! Fui lá embaixo e perguntei na recepção e sua amiga me disse que você não estava se sentindo bem e por isso foi embora. Mas subindo para a minha sala, encontro a faxineira e ela me parou e disse tudo o que aconteceu. Na mesma hora fui até a casa do meu pai.. E coloquei essa mulher em seu devido lugar. Agora vocês percebem, que não é birra quando eu digo que nem ela e nem o filho presta!
— Não precisava Fazer isso Fernando! Ela simplesmente não gostou de mim, porque eu á impedi de entrar na sua sala, foi só isso.
— Não Camilla! Ela te humilhou e disse coisas que não deveria.
— Ela só falou a verdade! Que eu não tive nenhuma mãe para me ensinar a vestir ou a me portar.. mas isso não vem ao caso agora Fernando.. eu não quero causar confusão nem com você e nem com o seu pai.
— Meu pai também está arrasado com ela Camilla, não se preucupa! Eu só quero que você saiba, que eu posso ser tudo o que não presta! Mas jamais humilharia alguém dessa forma. Ao contrário sou o primeiro abominar essa atitude tão desprezível.
Ele fala segurando as minhas mãos e me olhando de forma diferente.
— Sei que você é órfã! E você não tem que se sentir mal ou inferior por causa disso. E nem deixe que as pessoas te menosprezam por isso! Pai e mãe não são apenas sangue.. pois até um pernilongo tem o nosso. É muito mais do que isso. E você deve se lembrar de alguém especial que soube ser como mãe ou irmã para você.
Eu quase não reconheço o Fernando gentil como esse agora. Mais as suas palavras faz borboletas voarem na minha barriga.
E ele acaricia minha face, e os nossos rostos e corpos se aproxima e eu não consigo me mexer, na verdade me pareço totalmente fraca e entregue á ele.
Fecho meus olhos, como se pudesse sentir o seus lábios nos meus novamente e quando nossa boca parecia se encontrar a campanhia toca, me salvando desse beijo que mais uma vez acabaria comigo.
E eu acordo dessa loucura que eu iria fazer e eu atendo a porta imediatamente.
E tomo um outro susto quando vejo o Michael.
— Michael, o que aconteceu?
— Milla.. É o Juca, ele está passando muito mal! A Paulina está lá com ele, já demos remédio.. mas nada melhora.. ele está até delirando. Por favor, nos ajuda! Só temos você.
Ele fala desesperado e meu peito se aperta.
— O que está acontecendo Camilla?
Fernando me olha.
— Depois eu te explico Fernando.. eu preciso ir.. preciso ver ele.
— Ele quem? Deixa que eu levo vocês dois, eu estou de carro!
— Não.. não precisa.
— Se ele está delirando, quanto mais rápido vocês chegarem, será melhor! Anda, eu levo.
— Ele tem razão Milla! Por favor.. vamos logo.
Michael fala segurando as minhas mãos.
E eu pego a minha bolsa e saio de casa com eles dois.
E o Fernando abre o seu carro para nós dois entrar.
E eu explico para ele onde é o lugar e menos de cinco minutos já chegamos.
E eu saio do carro com o Michael e eu entro na casa abandonada.
— Camilla!!
Paulina se levanta da cama velha assim que me vê.
E eu vou até o Juca e me parte o coração em ver ele gemendo de dor.
— Paulina.. o que ele tem?
Falo colocando as mãos na testa dele.
— Eu não sei Milla.. derrepente ele acordou assim todo mal.. E só piorou.. dei remédio, mas nada.
— Ele está pelando de febre.
— Milla..
Ele abre os olhos e segura as minhas mãos delirando.
— Eu estou aqui meu amor.. vai passar.
— Camilla.. acho melhor levarmos ele ao hospital.
Nem percebi que o Fernando estava aqui e ele parece um pouco incomodado ao olhar para o ambiente.
— Tem razão.. Paulina, eu irei levar ele para o hospital, ele precisa ser examinado e medicado.
— Milla.. mas você sabe..
Ela fala me olhando com medo e e eu entendo o que ela quer dizer.
— Não vai acontecer nada Paulina! Eu prometo.
— Eu posso ir com vocês?
— Eu também quero ir.
— Não.. me esperem vocês dois aqui! E orem pelo irmãzinho de vocês. Não se preucupem! Vamos voltar logo.
Falo pegando o Juca no colo e saindo com ele da casa.
O Fernando vai á minha frente.
— Deixa que eu te ajudo!
Ele tira o Juca do meus braços e segura ele no colo, enquanto eu entro no carro e depois ele coloca novamente o Juca sobre mim.
E ele entra do outro lado.
— Por favor Milla, não deixem fazerem nada com ele.
Paulina fala por fora do carro, tadinha ela está desperada e com muito medo, assim como o irmão, porém eu reconforto ele, dizendo que dou a minha palavra que ele vai voltar bem.
(...)
Assim que chego no hospital com o Fernando, vou direto para a recepcionista para pedir um médico com urgência.
— Por favor.. eu preciso de um médico! Ele está passando muito mal.
Mas a mulher olha para o menino em meu colo com muita indiferença.
— Desculpa, mas estamos com muita gente também doente! E não sei se você viu, aqui nesse hospital é para pessoas que podem pagar.
— O que? Por acaso o dinheiro é mais importante que a vida? Como é possível ter sangue frio á esse ponto?
Falo incorformada com a falta de amor ao próximo.
— Camilla, se acalma! Eu irei pagar, não se preucupe.
Fernando fala atrás de mim.
— Eu quero o melhor atendimento para o menino e de preferência para agora.
— Claro senhor, é para já.
Ela fala, tirando o telefone do gancho e chamando o médico e eu á olho incrédula. Como eu queria arranhar o rosto dessa mulher, mais eu me controlo pelo Juca.
E não demora muito para ele ser atendido pelos médicos e eles deixam eu ficar na sala de atendimento com ele, enquanto o Fernando está lá fora.
— O que ele tem doutor?
— Bom.. ao que tudo indica, ele pegou um resfriado muito forte. Provalvemente ou por causa da friagem ou porque pegou uma chuva forte. E como a imunidade dele está baixíssima, veio com tudo. Se ele não se alimentar bem e ficar de repouso, pode desencadear uma penomonia.
E ele me desespera falando isso.
— Mas calma.. nada que um suco de laranja, limão, sopas e verduras não faça ele melhorar! Vamos dar esse xarope aqui, vai amenizar a dor dele. Peço que você só me ajude a levantar a cabecinha dele.
E eu vou até a cama e coloco ele no meu colo e eu falo para ele abrir a boca para tomar o remédio.
E ele faz uma careta.
— Milla..
— Xiu.. daqui á pouco você já vai melhorar!
Falo mexendo no seu cabelinho.
— Agora descansa um pouquinho.
— Ele precisa comer alguma coisa! Vou na cantina e pedirem para que pelo menos tragam uma canja de galinha com um suco de laranja e você pode dar á ele. Ele não pode dormi sem comer nada.. E amanhã mesmo ele acordará um pouco melhor. E fazendo o uso do xarope e se alimentando bem, em uma semana ou menos já melhora.
— Muito obrigada doutor, de verdade.
E ele sorri sem mostrar o dente e sai da sala.
— Está vendo? Você vai ficar bem melhor! Eu irei cuidar de você.
Falo acariciando ele.
E quando a enfermeira aparece com a bandeja de sopa e o suco e eu ajudo o Juca a comer bem devagarinho.
E ele come e eu admiro o esforço desse pequeno, mesmo todo doente.
— Tá vendo? Como você é um menino incrível! Amanhã mesmo estará bom em folha.
— Eu te amo tia Milla.
Ele fala fraco, e eu sorrio me emocionando com as suas palavras.
— Eu também te amo meu amor.. agora descansa um pouquinho.
Falo fazendo cafúne nele e colocando as mãos na sua testa e vejo que a febre dele já abaixou muito.
E sinto alguém bater na porta aberta e eu olho para o Fernando.
— Atrapalho?
Ele fala baixo e eu balanço a cabeça.
E ele entra e olha para o Juca.
— Eu acho que esse menino não me é estranho.
— Fernando.. eu..
— Não precisa me dar explicações Camilla.. E não se preucupe eu já acertei tudo no hospital e eles não irão pedir o nome dele e nem nenhuma informação.
E eu fico mais uma vez impressionada com essa atitude dele.
— Com licença.
O mesmo doutor que nos atendeu, aparece na sala.
— Bom, aqui está a receita médica! E também uma lista de alimentos que vão ajudar ele á melhora.
O doutor fala simpático e o Fernando pega a receita.
— Obrigada doutor. Já podemos ir?
— Sim!
E eu me levanto da cama para pegar o Juca sem acordar ele.
— Deixa que eu pego ele Camilla..
Fernando fala caminhando até a cama e ele pega o Juca com cuidado para ele não acordar.
E nós três saímos do hospital e o Fernando para na farmácia e ele mesmo se propôs á comprar o xarope, mesmo eu dizendo que eu poderia comprar. Mas ele insiste e eu prefiro não discutir.
E logo em seguida voltamos para a casa onde os irmãos dele estão esperando e eles ficaram todos felizes ao verem ele melhor. E agradeceram não somente a mim com um abraço, como o próprio Fernando que foi pego de surpresa. Mas ele respondeu o abraço deles, mesmo de um jeito seco.
E após me certificar que o Juca está bem, eu vou embora. Mas prometo voltar bem cedinho amanhã!
E o Fergando me leva de volta até a casa e eu fico em silêncio assim como ele.. E quando ele estaciona na minha porta, ele desliga o carro.
— Entregue Camilla.
— Fernando.. eu nem sei como agradecer o que você fez pelo Juca hoje! Eles são crianças de ruas e abandonadas e morrem de medo de se separarem.. E eu tento ajudar eles como eu posso.. por favor, só não conta para ninguém. E nem me denúncia.
— Muito lindo essa sua atitude Camilla! Mas você precisa tomar cuidado.. pois se alguém descobrir isso, irá chamar algum assistente social e ainda irá falar que você estava escondendo eles. Infelizmente eles precisam de um lar! E aquilo não é um lugar para eles morarem.
— É só até a Paulina virar maior de idade, aí ela irá responder pelos dois irmãos mais novos Fernando.
— Mesmo assim, até lá muita coisa pode acontecer.
— Tem razão, mas por favor não conta nada para ninguém e mais uma vez eu gostaria de pagar as despesas que você teve no hospital e na farmácia! Você pode descontar do meu salário.
— Não Camilla, não precisa me pagar com dinheiro, paga aceitando me acampanhar á um jantar de negócios no qual eu fui convidado.
— Jantar de negócios? Eu nunca fui a esses tipos de evento Fernando.. e eu nem sei como me comportar bem, não quero lhe causar nenhuma vergonha. Você conhece tantas mulheres, porque está me chamando?
— Não se preucupa com roupa e nem com nada! E nenhuma mulher nesse momento é mais interessante do que você está sendo para mim Camilla!
Ele fala com a voz rouca e eu me remexo.
— Fernando.. para de ficar brincando comigo.
— Brincando? E quem disse que eu estou brincando?
Ele fala se aproximando de mim.
— Sabia que eu não consigo de jeito nenhum tirar aquele nosso beijo da cabeça? Nunca nenhum beijo me importou tanto Camilla..
Ele fala me puxando de forma selvagem e seus lábios toca no meu e eu tento não corresponder, mais tarde demais.. sua língua invade a minha por completo e meu coração pula fora do peito e eu fico bastante sensível.
Ele me puxa para mais perto dele, enquanto afunda ainda mais o beijo.
E eu paro o beijo com as lágrimas descendo pelo meu rosto.
— Camilla, porque você está chorando?
— Porque você está debochando da minha cara Fernando! Você está brincando com os meus sentimentos e daqui á pouco tornarei mais uma que você deixou de coração partido. Mas não me confunda com essas mulheres, porque eu não sou elas e muito menos me identifico.
Falo saindo do seu carro e entro na minha casa ainda com o coração batendo forte.
Porque ele está fazendo isso comigo?
Eu estou torcendo muito para esse casal minhas lindas! ❤🥰
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 65
Comments
Fatima Gonçalves
eu também quero autora
2024-04-16
0
Dú Andrade
Eu tb tô torcendo muuuuuito! Deixa ele ficar com os 4 pneus arriado por ela autora.
2024-04-14
0
Ezanira Rodrigues
Que eles se casem e que consigam adotar as crianças...
2023-08-18
1