Capítulo 13

Chego em casa, limpando o meu rosto. Não Camilla, não deixe que o seu passado te assombre outra vez! Não vale a pena ficar assim por causa das palavras daquela mulher. Vai ficar tudo bem.. E nada melhor que buscar consolo no melhor consolador que é Deus.

E eu tomo um banho e me permito desabafar com Deus, dizendo que como doeu em meu coração tudo o que aquela mulher me falou, mas eu não quero.. não quero alimentar nenhuma mágoa ou ódio.

— Acalma o meu coração meu Deus.

Falo saindo do banho, já me sentindo melhor.

Coloco uma roupa confortável e eu deixo o meu cabelo secar naturalmente.

Faço um almoço leve, mas nem fome eu sinto direito, porém eu tento comer.

Acabo passando a tarde estudando matérias acumuladas da faculdade a fim de me distrair.. E na verdade isso me dá mais força de eu realmente concluir logo essa faculdade, para finalmente poder ingressar para o curso que eu tanto quero, assistente social! Falta só um pouquinho Camilla. Eu não posso quebrar essa promessa.. de ser a diferença nesse mundo.. de poder ajudar essas crianças que não tem pai e nem mãe.

Quando começa a anoitecer eu me arrumo para ir pra faculdade.. mesmo sem vontade de ir.

Mas aí eu abro a galeria do meu celular e vejo o Juca, a Paulina e o Michael e eu sorrio.

— É tudo por vocês.

Dessa vez presto atenção não só na aula como também anoto tudo que o professor fala. E a aula foi normal, tirando algumas piadas da Adeline.

E eu fico bastante focada, pois pela primeira vez consigo entender um pouco sobre as leis judiciais, e eu estou fazendo um esforço mais que necessário também.

Após finalizar a aula, o professor nos recomenda um livro e um documentário para assistir.

Volto para a casa e fico brincando um pouco com o meu smurf. Enquanto eu esquento a minha janta. Eu estou com muitas saudades das crianças, irei fazer um bolo e alguns doces para levar para eles amanhã e também para ajudar a Paulina a vender.

Deixo a comida esfriando e a campainha começa a tocar e só pode ser a maary! Com certeza ele não acreditou nas minhas mensagens que "eu estou bem"

— Já vai Marry!

Falo caminhando até a porta e quando abro, tomo um susto em ver o Fernando.

— Fernando?

— Camilla.. eu já sei de tudo! Principalmente do que aquela megera fez com você. Mas ela já teve o que merece! Isso nunca mais irá se repetir. Ela não pode tratar você dessa forma, e nem ninguém também!

Ele fala todo nervoso e me olha com pena.

— Fernando.. entra!

Falo cansada e abro espaço para ele entrar.

— Como você ficou sabendo disso?

— Assim que eu cheguei na empresa, estranhei por não ver você na sua mesa! Fui lá embaixo e perguntei na recepção e sua amiga me disse que você não estava se sentindo bem e por isso foi embora. Mas subindo para a minha sala, encontro a faxineira e ela me parou e disse tudo o que aconteceu. Na mesma hora fui até a casa do meu pai.. E coloquei essa mulher em seu devido lugar. Agora vocês percebem, que não é birra quando eu digo que nem ela e nem o filho presta!

— Não precisava Fazer isso Fernando! Ela simplesmente não gostou de mim, porque eu á impedi de entrar na sua sala, foi só isso.

— Não Camilla! Ela te humilhou e disse coisas que não deveria.

— Ela só falou a verdade! Que eu não tive nenhuma mãe para me ensinar a vestir ou a me portar.. mas isso não vem ao caso agora Fernando.. eu não quero causar confusão nem com você e nem com o seu pai.

— Meu pai também está arrasado com ela Camilla, não se preucupa! Eu só quero que você saiba, que eu posso ser tudo o que não presta! Mas jamais humilharia alguém dessa forma. Ao contrário sou o primeiro abominar essa atitude tão desprezível.

Ele fala segurando as minhas mãos e me olhando de forma diferente.

— Sei que você é órfã! E você não tem que se sentir mal ou inferior por causa disso. E nem deixe que as pessoas te menosprezam por isso! Pai e mãe não são apenas sangue.. pois até um pernilongo tem o nosso. É muito mais do que isso. E você deve se lembrar de alguém especial que soube ser como mãe ou irmã para você.

Eu quase não reconheço o Fernando gentil como esse agora. Mais as suas palavras faz borboletas voarem na minha barriga.

E ele acaricia minha face, e os nossos rostos e corpos se aproxima e eu não consigo me mexer, na verdade me pareço totalmente fraca e entregue á ele.

Fecho meus olhos, como se pudesse sentir o seus lábios nos meus novamente e quando nossa boca parecia se encontrar a campanhia toca, me salvando desse beijo que mais uma vez acabaria comigo.

E eu acordo dessa loucura que eu iria fazer e eu atendo a porta imediatamente.

E tomo um outro susto quando vejo o Michael.

— Michael, o que aconteceu?

— Milla.. É o Juca, ele está passando muito mal! A Paulina está lá com ele, já demos remédio.. mas nada melhora.. ele está até delirando. Por favor, nos ajuda! Só temos você.

Ele fala desesperado e meu peito se aperta.

— O que está acontecendo Camilla?

Fernando me olha.

— Depois eu te explico Fernando.. eu preciso ir.. preciso ver ele.

— Ele quem? Deixa que eu levo vocês dois, eu estou de carro!

— Não.. não precisa.

— Se ele está delirando, quanto mais rápido vocês chegarem, será melhor! Anda, eu levo.

— Ele tem razão Milla! Por favor.. vamos logo.

Michael fala segurando as minhas mãos.

E eu pego a minha bolsa e saio de casa com eles dois.

E o Fernando abre o seu carro para nós dois entrar.

E eu explico para ele onde é o lugar e menos de cinco minutos já chegamos.

E eu saio do carro com o Michael e eu entro na casa abandonada.

— Camilla!!

Paulina se levanta da cama velha assim que me vê.

E eu vou até o Juca e me parte o coração em ver ele gemendo de dor.

— Paulina.. o que ele tem?

Falo colocando as mãos na testa dele.

— Eu não sei Milla.. derrepente ele acordou assim todo mal.. E só piorou.. dei remédio, mas nada.

— Ele está pelando de febre.

— Milla..

Ele abre os olhos e segura as minhas mãos delirando.

— Eu estou aqui meu amor.. vai passar.

— Camilla.. acho melhor levarmos ele ao hospital.

Nem percebi que o Fernando estava aqui e ele parece um pouco incomodado ao olhar para o ambiente.

— Tem razão.. Paulina, eu irei levar ele para o hospital, ele precisa ser examinado e medicado.

— Milla.. mas você sabe..

Ela fala me olhando com medo e e eu entendo o que ela quer dizer.

— Não vai acontecer nada Paulina! Eu prometo.

— Eu posso ir com vocês?

— Eu também quero ir.

— Não.. me esperem vocês dois aqui! E orem pelo irmãzinho de vocês. Não se preucupem! Vamos voltar logo.

Falo pegando o Juca no colo e saindo com ele da casa.

O Fernando vai á minha frente.

— Deixa que eu te ajudo!

Ele tira o Juca do meus braços e segura ele no colo, enquanto eu entro no carro e depois ele coloca novamente o Juca sobre mim.

E ele entra do outro lado.

— Por favor Milla, não deixem fazerem nada com ele.

Paulina fala por fora do carro, tadinha ela está desperada e com muito medo, assim como o irmão, porém eu reconforto ele, dizendo que dou a minha palavra que ele vai voltar bem.

(...)

Assim que chego no hospital com o Fernando, vou direto para a recepcionista para pedir um médico com urgência.

— Por favor.. eu preciso de um médico! Ele está passando muito mal.

Mas a mulher olha para o menino em meu colo com muita indiferença.

— Desculpa, mas estamos com muita gente também doente! E não sei se você viu, aqui nesse hospital é para pessoas que podem pagar.

— O que? Por acaso o dinheiro é mais importante que a vida? Como é possível ter sangue frio á esse ponto?

Falo incorformada com a falta de amor ao próximo.

— Camilla, se acalma! Eu irei pagar, não se preucupe.

Fernando fala atrás de mim.

— Eu quero o melhor atendimento para o menino e de preferência para agora.

— Claro senhor, é para já.

Ela fala, tirando o telefone do gancho e chamando o médico e eu á olho incrédula. Como eu queria arranhar o rosto dessa mulher, mais eu me controlo pelo Juca.

E não demora muito para ele ser atendido pelos médicos e eles deixam eu ficar na sala de atendimento com ele, enquanto o Fernando está lá fora.

— O que ele tem doutor?

— Bom.. ao que tudo indica, ele pegou um resfriado muito forte. Provalvemente ou por causa da friagem ou porque pegou uma chuva forte. E como a imunidade dele está baixíssima, veio com tudo. Se ele não se alimentar bem e ficar de repouso, pode desencadear uma penomonia.

E ele me desespera falando isso.

— Mas calma.. nada que um suco de laranja, limão, sopas e verduras não faça ele melhorar! Vamos dar esse xarope aqui, vai amenizar a dor dele. Peço que você só me ajude a levantar a cabecinha dele.

E eu vou até a cama e coloco ele no meu colo e eu falo para ele abrir a boca para tomar o remédio.

E ele faz uma careta.

— Milla..

— Xiu.. daqui á pouco você já vai melhorar!

Falo mexendo no seu cabelinho.

— Agora descansa um pouquinho.

— Ele precisa comer alguma coisa! Vou na cantina e pedirem para que pelo menos tragam uma canja de galinha com um suco de laranja e você pode dar á ele. Ele não pode dormi sem comer nada.. E amanhã mesmo ele acordará um pouco melhor. E fazendo o uso do xarope e se alimentando bem, em uma semana ou menos já melhora.

— Muito obrigada doutor, de verdade.

E ele sorri sem mostrar o dente e sai da sala.

— Está vendo? Você vai ficar bem melhor! Eu irei cuidar de você.

Falo acariciando ele.

E quando a enfermeira aparece com a bandeja de sopa e o suco e eu ajudo o Juca a comer bem devagarinho.

E ele come e eu admiro o esforço desse pequeno, mesmo todo doente.

— Tá vendo? Como você é um menino incrível! Amanhã mesmo estará bom em folha.

— Eu te amo tia Milla.

Ele fala fraco, e eu sorrio me emocionando com as suas palavras.

— Eu também te amo meu amor.. agora descansa um pouquinho.

Falo fazendo cafúne nele e colocando as mãos na sua testa e vejo que a febre dele já abaixou muito.

E sinto alguém bater na porta aberta e eu olho para o Fernando.

— Atrapalho?

Ele fala baixo e eu balanço a cabeça.

E ele entra e olha para o Juca.

— Eu acho que esse menino não me é estranho.

— Fernando.. eu..

— Não precisa me dar explicações Camilla.. E não se preucupe eu já acertei tudo no hospital e eles não irão pedir o nome dele e nem nenhuma informação.

E eu fico mais uma vez impressionada com essa atitude dele.

— Com licença.

O mesmo doutor que nos atendeu, aparece na sala.

— Bom, aqui está a receita médica! E também uma lista de alimentos que vão ajudar ele á melhora.

O doutor fala simpático e o Fernando pega a receita.

— Obrigada doutor. Já podemos ir?

— Sim!

E eu me levanto da cama para pegar o Juca sem acordar ele.

— Deixa que eu pego ele Camilla..

Fernando fala caminhando até a cama e ele pega o Juca com cuidado para ele não acordar.

E nós três saímos do hospital e o Fernando para na farmácia e ele mesmo se propôs á comprar o xarope, mesmo eu dizendo que eu poderia comprar. Mas ele insiste e eu prefiro não discutir.

E logo em seguida voltamos para a casa onde os irmãos dele estão esperando e eles ficaram todos felizes ao verem ele melhor. E agradeceram não somente a mim com um abraço, como o próprio Fernando que foi pego de surpresa. Mas ele respondeu o abraço deles, mesmo de um jeito seco.

E após me certificar que o Juca está bem, eu vou embora. Mas prometo voltar bem cedinho amanhã!

E o Fergando me leva de volta até a casa e eu fico em silêncio assim como ele.. E quando ele estaciona na minha porta, ele desliga o carro.

— Entregue Camilla.

— Fernando.. eu nem sei como agradecer o que você fez pelo Juca hoje! Eles são crianças de ruas e abandonadas e morrem de medo de se separarem.. E eu tento ajudar eles como eu posso.. por favor, só não conta para ninguém. E nem me denúncia.

— Muito lindo essa sua atitude Camilla! Mas você precisa tomar cuidado.. pois se alguém descobrir isso, irá chamar algum assistente social e ainda irá falar que você estava escondendo eles. Infelizmente eles precisam de um lar! E aquilo não é um lugar para eles morarem.

— É só até a Paulina virar maior de idade, aí ela irá responder pelos dois irmãos mais novos Fernando.

— Mesmo assim, até lá muita coisa pode acontecer.

— Tem razão, mas por favor não conta nada para ninguém e mais uma vez eu gostaria de pagar as despesas que você teve no hospital e na farmácia! Você pode descontar do meu salário.

— Não Camilla, não precisa me pagar com dinheiro, paga aceitando me acampanhar á um jantar de negócios no qual eu fui convidado.

— Jantar de negócios? Eu nunca fui a esses tipos de evento Fernando.. e eu nem sei como me comportar bem, não quero lhe causar nenhuma vergonha. Você conhece tantas mulheres, porque está me chamando?

— Não se preucupa com roupa e nem com nada! E nenhuma mulher nesse momento é mais interessante do que você está sendo para mim Camilla!

Ele fala com a voz rouca e eu me remexo.

— Fernando.. para de ficar brincando comigo.

— Brincando? E quem disse que eu estou brincando?

Ele fala se aproximando de mim.

— Sabia que eu não consigo de jeito nenhum tirar aquele nosso beijo da cabeça? Nunca nenhum beijo me importou tanto Camilla..

Ele fala me puxando de forma selvagem e seus lábios toca no meu e eu tento não corresponder, mais tarde demais.. sua língua invade a minha por completo e meu coração pula fora do peito e eu fico bastante sensível.

Ele me puxa para mais perto dele, enquanto afunda ainda mais o beijo.

E eu paro o beijo com as lágrimas descendo pelo meu rosto.

— Camilla, porque você está chorando?

— Porque você está debochando da minha cara Fernando! Você está brincando com os meus sentimentos e daqui á pouco tornarei mais uma que você deixou de coração partido. Mas não me confunda com essas mulheres, porque eu não sou elas e muito menos me identifico.

Falo saindo do seu carro e entro na minha casa ainda com o coração batendo forte.

Porque ele está fazendo isso comigo?

Eu estou torcendo muito para esse casal minhas lindas! ❤🥰

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Comments

Fatima Gonçalves

Fatima Gonçalves

eu também quero autora

2024-04-16

0

Dú Andrade

Dú Andrade

Eu tb tô torcendo muuuuuito! Deixa ele ficar com os 4 pneus arriado por ela autora.

2024-04-14

0

Ezanira Rodrigues

Ezanira Rodrigues

Que eles se casem e que consigam adotar as crianças...

2023-08-18

1

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