Capítulo 5

Camilla~

Essa noite foi horrível para eu dormi, justamente porque um certo homem não saia dos meus pensamentos. Droga, porque ele foi me notar só agora? E o pior.. É ver meu coração querer se iludir com ele e principalmente por ter me salvado ontem nas mãos daquele franguinha do David. Sendo que qualquer mulher que ele visse nessa situação ele salvaria sem pensar duas vezes. Acho que eu que estou com outras intenções, intenções que bem lá no fundo de mim, eu queria que ele tivesse. E eu me condeno amargamente. Porque, enquanto eu passava á madrugada pensando nele, ele estava pensando nas outras mulheres que ele sai. Chega á soar patético, mais é verdade. E bom, espero não ver ele tão cedo. Porque ele sempre mexe comigo, e sei que isso não é normal! Até demorar para raciocinar eu demoro.

Brinco um pouco com o Smurf.

— Na próxima vez que você ver ele meu amorzinho, eu vou deixar você morder os sapatos dele, ou de preferência arrancar aquele negócio dele, por baixo das calças. Assim quem sabe ele para de ser esse mulherengo?

E ele começa a latir todo empolgado e eu gargalho alto.

— Á mamãe promete que hoje á noite irei levar você para passear! Depois que eu voltar da faculdade, é claro.. ainda tem isso. E pelo visto, o professor irá mais uma vez me bairrerar por eu ter faltado.. mais talvez se eu contasse o que aconteceu comigo ontem, quem sabe ele não deixa passar?

E eu sorrio com a minha própria ingenuidade. Acabei me esquecendo, que nós dias atuais, o seres humanos estão cada vez mais individualista, pensando apenas em sí mesmo e não consegue ter mais empatia pelo seu próximo e principalmente pela dor do outro. Mais eu não consigo ser assim! E acho que essa é uma das maiores qualidades em mim, mesmo que a Mary fala que essa é a pior! Pois assim todos me fazem de boba e otária. Mais eu não ligo, pois sei que sempre terá o famoso joio no meio do trigo. Só não posso deixar de ser quem eu sou pelas maldades dos outros! E principalmente pelo o que os meus pais fizeram comigo. Só eu sei o quanto foi difícil eu ter perdoado eles aqui dentro de mim. E estou lutando.. lutando contra essa tristeza que de vez em quando sempre vem a tona, para me destabilizar.

Mais é incrível que á cada dia de nossas vidas, temos um leão para vencer.

Esse leão sempre é nós mesmo! Nossos desejos, sentimentos e principalmente vontades.

Tomo o meu banho e tento pensar na faxina que eu tenho que dá nessa casa! Sim.. isso mesmo Camila.. faxina! E não em um homem que não tem nada haver com você.

Coloco uma roupa bem social e prendo o meu cabelo em um rabo de cavalo. Coloco dois brincos de bolinhas e um salto pequeno.

Preparo um café para mim toda destraida e tomo um susto quando vejo alguém bater na minha porta com muita intensidade.

— Calma.. já estou indo.

E quando eu abro a porta, vejo a Paulinha nervosa.

— Paulina, o que aconteceu?

— É o Juca Camilla, ele acordou muito mal.. está toda hora se remexendo na cama e gemendo de dor. Eu não sei mais o que fazer.. estou muito desesperada e com medo.

Ela fala tropeçando as palavras.

— Calma Paulina! Eu vou agora mesmo lá ver o seu irmão.

Falo pegando as minhas coisas e saio com muita pressa de casa.

— Paulina, como isso aconteceu?

— Eu não sei Camilla.. eu acho que deve foi á comida estragada que comemos ontem.

— Estragada?

E eu fico triste, ao ponto disso me abalar.

E eu entro na casa abandonada onde eles moram, até chegar no porão.

E a cena do seu irmão pequenino, é de me dá pena.

E eu caminho até ele, me abaixando, pois o lugar é bem pequeno e apertado.

E ele está com os olhos fechados e com as mãos na barriga, se contornando de dor.

— Meu amor.. eu cheguei.

Falo colocando as mãozinhas nele.

— Milla..

Ele abre os olhos e fala o meu nome nem fraquinho.

— O que você está sentindo?

— Eu não sei.. eu estou com muita dor de barriga.

E ele geme de dor.

— Paulina, você tem manteiga aí?

— Sim Milla, mais bem pouquinho.

— Me dá ela aí! E cade o Michael?

— Ah, ele foi tentar pedir alguém algum remédio para o Juca.

E ela me dá a manteiga e eu passo na barriguinha do paco, massageando ele.

E fico nervosa com cada gritinho de dor.

— Camilla.. estou ficando com medo.

— Calma Paulina.. já já vai passar. A manteiga irá amenizar á dor dele.

Falo massageando ele mais ainda.

Até que o Michael chega todo eufórico.

— Paulina! Consegui.. consegui o remédio para o Juca e ainda consegui comprar comida.

— Comida?

Paulinha responde ele e eu olho para o Michael que está com sacolas de mercado.

— Quem de te deu dinheiro Michael?

Sua irmã pergunta.

— Eu pedi para um homem de moto que eu vi na esquina, ali perto da sua casa Milla. E ele me deu uma nota inteira de 20 dólares.

E meus olhos se arregalam.

— 20 dólares? E quem é ele?

— Não sei Milla, mais ele era muito diferente. Era um homem tatuado e com roupas de marcas e toda de couro. Ele parecia que não era daqui, nunca tinha visto um homem desse por esse bairro, ainda mais todo generoso.

E eu derrubo o pote de manteiga no chão, acho que eu tô Rouxa. E eu balanço a minha cabeça.

Não, não pode ser ele! O que o Fernando faria aqui uma hora dessa da manhã? E ele não tem cara de ser um homem caridoso. Ao contrário, é bem farrista e á essa hora deve está voltando da farra todo bêbado. Mais as características que o Michael deu, tudo leva ele.

Tatuado, motoqueiro e ainda por cima com roupas elegantes? Só conheço ele, que possui essas características. Mais não faz sentindo.. ele dá 20 dólares para uma pessoa que mal conhece! E vinte dólares é nada menos e nada mais que 100 reais! Não, não é ele Camilla. Não se iluda, pode apenas ser um homem gentil e bondoso, que ficou com pena do Michael.

— Camilla, você está bem?

Paulina me olha preucupada.

E eu me levanto.

— Sim.. estou! Michael, tem certeza que esse homem não quis nada em troca? Ele te deu mesmo esse valor alto de dinheiro?

— Sim Milla! Olha só a notinha do mercado e ainda sobrou alguns trocados. Não precisamos nos preocupar com comida por um bom tempo.

Ele fala todo alegre, mais ainda fico desconfiada. Mais ah.. pode ser coisa da minha cabeça. Vai ver que o homem realmente gosta de ajudar as pessoas e que possa existir mais humanos como ele. Até porque não é todo dia que vemos alguém receber 20 dólares dr um estranho.

E eu dou um remédio para o Juca e fico cuidando um pouquinho dele.

— Meu amor, se você sentir vontade de vomitar, vomita! Que assim será melhor. Depois Paulina, dá água com açúcar para o seu irmão. Não deixa ele sozinho! Fica aqui cuidando dele.

Falo passando as mãos pelo o seu cabelinho no meu colo.

— Tia Milla, não vai trabalhar hoje.. fica aqui cuidado de mim.

Ele fala se apegando ainda mais sobre mim. E eu fico com o coração todo mole, querendo ficar aqui para cuidar dele. Mal irei conseguir me concentrar no trabalho, sabendo que ele está aqui todo dodói e ainda por cima eu não posso faltar á faculdade hoje.

— Como eu queria meu amor.. mais eu estou muito atrasada para o serviço, nem sei com que cara vou chegar para o meu chefe. Mais assim que eu chegar da faculdade, a primeira coisa que eu irei fazer é vim aqui, ver como você está! E espero que fique bem logo mocinho e isso é para você nunca mais comer nenhuma comida estragada, me ouviu bem?

Falo fazendo cócegas nele e ouvindo sua risada gostosa.

— Paulina, você consegue fazer uma sopa para ele?

— Consigo Camilla, eu posso tentar fazer na pensão da dona Su aqui perto e em troca eu lavo os pratos dos clientes dela.

— Não.. você não pode deixar o Juca sozinho.

— Eu posso cuidar dele, enquanto ela faz a sopa Camilla.

Michael me olha.

— Hm, sendo assim ok! Mais é importante que vocês cuidam do irmão de vocês. E se ele não melhorar, por favor, me liga na mesma hora para o meu telefone! Vocês guardaram o meu número né?

— Sim Milla, mais por favor.. não precisa ficar preucupada. Você precisa ir trabalhar, se perder o emprego por causa da gente, eu nunca vou me perdoar.

E eu me despeço deles com o coração nas mãos. E eu mofo no ponto esperando o ônibus e não me resta mais nada em pagar um Uber que irá sair muito caro na minha fatura do cartão. Mais é isso, ou o meu emprego. Mais eu fico um pouco mais relaxada, porque eu sei que o senhor Alberto sempre foi muito passifico comigo e também ele tem muita empatia.. mais isso não quer dizer que eu deva abusar disso.

E eu pego o Uber e chego na empresa super atrasada e fico vermelha de vergonha em ver todos os funcionários me olhando sem nenhum pudor e cochichando sobre a "falta de profissionalismo" da assistente do Dono dessa empresa.

E sei que muitas querem o meu lugar, e mesmo eu chegando atrasada por um bom motivo e de extrema necessidade, isso não importa quando o assunto é conseguir me tirar de um cargo privilegiado segundo os demais.

Mais eu não me importo.. muitos devem achar que eu sou louca ou muito boba em arriscar perder o meu emprego por causa daquelas crianças abandonadas. E talvez eu sou, mais será que a vida humana não deve ser mais importante do que qualquer outra coisa? Se trata de alma! Se soubéssemos como qualquer alma é importante para Deus, nunca desprezariamos e humilhariamos ninguém.

Pego o elevador e assim que eu chego na minha mesa, coloco a minha bolsa.

Passo as mãos pela minha roupa amassada e bato na porta do seu Alberto. Sim, irei falar com ele o motivo do meu atraso.

— Entra!

Essa voz me arrepia.. E não, não é do seu Alberto. Pois essa voz não me parece dele! Que é toda fina e calma.

E quando eu giro a maçaneta, perco as forças das minhas pernas e congelo quando vejo que é o Fernando.

Hã? Como assim? O que ele está fazendo sentado na mesa do seu Alberto e ainda por cima ele está de terno e gravata? Á algo de errado aí.

E eu pisco os meus olhos igual uma maluca, pois tenho certeza que eu devo está delirando.

— Dá para fazer a decência de fechar a droga da porta! Ao invés de ficar igual uma barata tonta e assustada olhando para mim.

E eu engulo as suas palavras nada gentil á força do ódio. Mais eu me controlo e fecho a porta, que acaba fazendo um barulho forte.

— Fique sabendo que se essa porta quebrar, também irei descontar do seu salário.. já que o seu atraso estará lá no final do mês.

Ele fala, sem olhar para mim, enquanto escreve algo no computador.

E eu o olho incrédula.

— Pode me dizer o que está acontecendo aqui? Cadê o seu Alberto, ou melhor dizendo o meu chefe?

E ele agora me olha por alguns segundos e isso me deixa ainda mais nervosa.

— Você está olhando para o seu mais novo chefe Camila! Se tivesse chegado mais cedo, saberia. Mais como eu estou de de humor hoje, irei te deixar ciente. Meu querido papai, foi viajar e claro.. ele me deixou por período de teste assumir á sua presidência.. até eu.. até ele voltar!

Vejo ele mudar a sua fala e isso me deixa desconfiada.. algo não está batendo aí.

— Não..  o seu Alberto teria falado comigo antes, se fosse o La..

— Laworan?

Ele fala com raiva.

— Não.. É que ele era o que sempre ficava no lugar do seu Alberto quando ele viajava.

— Falou bem! Ficava! Mais agora em diante eu que irei ficar, como o futuro dono dessa empresa!

Ele fala todo arrogante como sempre.

— Agora, me traga um café sem açúcar e escreve uma redação para as consequências de chegar tarde no trabalho. Se ela for boa, colocarei como cartaz de aviso no Hall da empresa para todos os funcionários ver e não fazer como você.

E eu fico chocada.

— O senhor está brincando né?

— Eu tenho cara que estou brincando Camilla?

Ele pronúncia o meu nome de forma tão firme e sexy.. que eu sinto pontadas em meu coração.

E eu balanço a cabeça e fico sem graça, sempre fiquei ao seus olhares.

E ele rir de canto, debochando de mim.

— Pode se retirar, se eu precisar de você, eu te chamo.

Ele fala grosso e eu saio da sua sala com a cabeça toda esquentada.

— Não.. se recomponhe Camila, ter a sua paixonite platônica como o seu chefe provisório, não precisa ser a pior coisa do mundo.

Falo, respirando fundo.

E eu vou até á cafeteria e passo o  café do jeitinho que ele pediu e sem açúcar.

E eu abro a porta, e vejo ele todo concentrado trabalhando e isso me estranha ainda mais. Esse não é o Fernando farrista que todos conhecem.

— Com licença senhor Fernando, eu trouxe o seu café.

E depois de quase um minuto, que ele olha para a minha cara.

— Café?

E eu engulo seca.

— Sim, o senhor pediu para eu lhe trazer um café.

Falo já nervosa.

— Você demorou tanto que eu perdi a vontade.

E ele volta a se concentrar novamente no computador.

— O quê??

Acabo me exaltando, ele por acaso me fez de idiota?

— Você é surda? Acho que não preciso falar outra vez.

— Mais o senhor me pediu para lhe trazer isso.

— Para de ser repetitiva Camila! Eu já disse que perdi a vontade, calma.. que ainda terei muito tempo para experimentar do seu delicioso café.

Acabo me estressado pelas suas palavras provocativas e principalmente pelas suas insinuações.

Affs, que babaca! Se ele pensa que eu vou cair nas suas labias, ele está muito enganado.

E quando eu estou prestes a sair, ouço sua voz.

— E ah! Não se esqueça da redação!

E eu nem viro o meu rosto, pois eu juro que se eu virasse, iria mandar ele para o quinto dos infernos com essa redação patética que ele pediu para eu fazer.

E eu volto para a minha mesa e acabo bebendo o café dele, mais logo cuspo tudo para fora, pois eu esqueci completamente que estava sem café.

Affs, hoje parece que colocaram um saco de azar no meu caminho.

E eu começo a escrever essa bendita redação, e sim.. eu me acho uma patética escrevendo ela.

O que ele quer que eu escrevo? Á não serem uma menina má que nem eu, e para deixar ainda ainda divertido coloco no final: não faltem, mesmo que estejam morrendo, mas não faltem! Pois o seu trabalho tem que vir acima de tudo, principalmente da sua querida saúde.

E é totalmente egocêntrico da parte dele, não querer nem ouvir a minha justificativa e logo descarto todas as hipóteses de ter sido ele que deu aquela nota de 20 dólares para o Michael.. isso nunca seria real.

Estou distraída, escrevendo a minha redação, quando sinto um cheiro de perfume feminino e todo estranho.

E quando eu olho, vejo uma mulher bem esbelta, toda alta e ruiva.

E quando ela está pretes a entrar na sala do seu Alberto.. que agora está sendo ocupado pelo seu lindo filho, eu logo me levanto da cadeira, impedindo ela.

— Com licença senhora.. você tem hora marcada?

E ela me olha como se eu fosse uma aberração e depois rir, desdenhando de mim.

— Oras, quem é você garota?

— Eu sou assistente do senhor Alberto.

— Era! Pois agora mesmo eu irei falar para o filho dele te demitir, por tentar me impedir de entrar.

Ela fala passando por mim, mais eu á impeço novamente.

— Sinto muito, mais a senhora só pode entrar com horário marcado. Se me falar o seu nome eu posso ver aqui na minha mesa.

— Você por acaso sabe com quem está falando?

E eu reviro os meus olhos, aí.. sinceramente.. como eu odeio lidar com pessoas egocêntricas demais!

— Nunca nem se quer ouvi falar.

E vejo que ela fica com mais raiva ainda pela minha resposta sincera.

— Eu simplesmente serei a futura dona dessa empresa minha querida! E com certeza quando esse dia chegar, você será uma mulher morta e sem emprego. Agora saia da minha frente! Não quero me estressar com gente da sua laia.

— Até esse dia chegar, eu sinto muito pela senhora, mais continuarei fazendo o meu trabalho da melhor forma possível! E enquanto a senhora não me falar o seu nome, não á deixarei entrar.

Falo calma e passifica, mais dentro de mim.. minhas mãos coçam para pegar essa cobra e tacar ela pela janela.

— Escuta aqui sua gor..

E á porta é aberta, com o Fernando chingando e gritando alto.

— Mais o que está acontecendo aqui merda?

— Fernando.. É essa mulherzinha aqui que não queria deixar eu entrar!

E ela vai logo para cima dele, porém o mesmo se afasta dela.

— Bruna, o que você está fazendo aqui?

— Ué.. eu vim te visitar e claro..  tirar você desse tédio do jeito que você gosta.

E eu fico com muito nojo.. eu não acredito que ele irá fazer isso daqui de cabaré. Ah, seu Alberto.. por favor, volta logo.

— Estou no meu horário de trabalho!

— Trabalho? Ah Fernando.. você até está parecendo o seu pai assim. Mais eu vim aqui, para te libertar dessa prisão. Mais essa mulher mal educada aqui, não queria liberar a minha entrada. Olha, Fefe, você bem que podia mandar ela ir embora e contratar uma melhor e á sua altura.

Fefe? Affs! Quanta melosidade.

— Não me chama assim Bruna! A Camilla só estava fazendo o trabalho dela. E eu não sou louco de perder o meu cargo por causa de você! Já falei que não temos mais nada. Nunca te prometi nenhum compromisso! Foi só uma noite e já passou. Segue a sua vida, que eu já estou seguindo a minha. Agora, desapareça da minha vida, ou eu juro que eu irei tomar medidas severas.

E ele simplesmente entra na sua sala e bate a porta no seu rosto, e como eu fico com pena dela.. Deus me livre.. que homem é esse? Que usa as mulheres como um objeto? Mais também porque essas mulheres não se dão o devido valor? Eu posso está apaixonada por um homem, mais jamais me humilharia dessa forma. Eu sempre entendi que; o que um não faz por você, outro irá fazer! E sim, o Fernando sempre foi a minha paixão platônica, mais eu nunca fiz questão de me aparecer para ele ou chamar a sua atenção, até porque mesmo nem fazendo isso, eu não conseguia fazer ele nem olhar para á minha existência.

Ele era como aquele pequeno refrão da música do Lulu Santos..

" Eu te amo calado.. como quem ouve uma sinfonia, de silêncios e de luz." 

Era assim que eu me sentia, toda vez que eu o olhava.. toda vez que eu via fotos suas com várias mulheres á cada semana e o meu coração só se despedaçava ainda mais.

Nós somos medos e desejos, somos feito de silêncio e sons.. tem certas coisas que eu não sei dizer.. não sabia dizer o porquê eu sofria por quem nem sabia da minha existência.

E logo vem a hora do almoço, e eu desço para me encontrar com a Mary e acabo contando para ela tudo o que aconteceu.

— Mary! Por favor.. fala alguma coisa! Ao invés de só ficar me olhando com esses olhos arregalados.

— Meu Deus Camilla! Que ranço eu tô daquele cretino do David! Ah, se eu ver ele.. eu juro que corto aquele pinto dele para fora. Porque nossa, qual é desses caras que não sabem respeitar um "Não" de nós mulheres? E eu estou me sentindo culpada.. culpada por ter forçado você á sair com ele e ainda ter mandando aquela mensagem escondida do seu celular. Mais eu não pensei.. não pensei que ele não passava de um psicopata! E ainda é advogado. Ain, esse mundo está cada vez mais difícil para se viver.

— Calma Mary.. não contei isso para fazer você se sentir culpada. E isso poderia acontecer com qualquer uma mulher. Pois se ele fez isso comigo, quem dirá com outras mulheres. E se tem algo de bom que eu aprendi pelo menos nesse curso de Direito que eu estou fazendo, é que estupadror e principalmente assediador, não tem cara! Pode ser o amiguinho legal da faculdade, o titio bondoso, padrasto caridoso, enfim! Temos que tomar muito cuidado.

— Você tem razão Camilla! Olha, dá próxima vez compra um spray de pimenta para tacar nos olhos desses homens safados e ridículos.

— Se não fosse o Fernando ter aparecido naquela hora.. eu nem sei o que faria.

— Até que fim ele fez algo que presta! Salvou uma mulher mulher apuros.. ah, me esqueci! Isso deve ser jogo de sedução dele para conquistar as mulheres..  quantas eles não já conquistou assim, bancando um de "Herói." E eu espero Camilla.. que você não caia nos papinhos dele! Eu conheço cheiro de cafajeste de longe. Bem que você poderia.. trocar de cargo enquanto o seu Alberto não chega de viagem.

— Não Mary.. não precisa exagerar! Eu não sou tão ingênua ao ponto de achar que um homem como se apaixonaria logo por mim ou melhor.. me olharia como mulher, depois de tantos anos, negando a minha existência.

— Porque ele não se apaixonaria? Na verdade, qualquer homem poderia se apaixonar por uma mulher linda, cativante, batalhadora e de alma pura que nem a sua! É ele que não te merece.

— Maary..

— Para Camilla! Eu sei que você sempre sofreu por esse mulherengo de esquina.

E ela fala tão alto e para piorar, coloco as mãos na boca dela, quando vejo o Fernando passando por nós duas.

Ah não..  será que ele ouviu?

E quando eu vejo ele pegar o elevador, eu tiro as mãos da Marry.

— Você ficou maluca? E se ele nos ouviu? Eu tô frita.

— Affs Camila.. você se importa muito. Se ele ouviu, e daí? É só depois você negar tudo e ainda para compensar.. É só falar que ele estava bêbado, o que não deixa de ser verdade. Isso é o bom, dele ser alcoolatra.

— Mary.. jamais faria isso! Deve ser muito difícil se encontrar nessas situações.

— Difícil? Difícil é viver essa vida de vagabundagem. E eu espero que ele não fali essa empresa até o seu papai voltar! E quem será hein? Quem será a mulher azarada que vai aceitar se casar com ele?

E meu coração se incomoda quando ela fala isso.. e eu não sei porque, mais é claro que eu disfarço e eu logo mudo de assunto.

— Eu queria sair mais cedo.. mais duvido que o Fernando vai deixar, principalmente porque ele armou um escândalo só porque eu cheguei tarde.. mais se ele ouvisse a minha justificativa.. não me pediria para escrever aquela redação cafona e de período juvenil.

— Redação? Fala sério Camilla.. tinha que ser coisa de jornalista!

— Jornalista?

— Ah.. não acredito que logo você que sabe tudo sobre a vida dele, não sabe que ele é formado em jornalismo? Chega até ser bizarro, mais ele é formado!

— Eu não sabia..

Falo realmente chocada.. pois na minha cabeça estudos era o de menos para ele.. já que ele sempre preferiu essa vida louca.

E assim que eu chego na minha mesa, a primeira coisa que eu digito na Internet é sobre a sua formação e eu fico surpresa quando eu vejo o seu nome em primeiro lugar de formados na melhor faculdade dos EUAS.

É, nunca julgue ninguém pela capa.

E como o meu querido chefinho não pediu para eu fazer mais nada, eu termino alguns trabalhos pendentes da minha faculdade.

E quando eu sinto o telefone tocar, eu me assusto.

E quando eu atendo, sua voz grossa ecoa pelo meu ouvido.

— Na minha sala agora!

E eu torço o nariz quando ele desliga na minha cara, todo autoritário.

E eu me levanto e caminho até a sua sala.

— Pois não senhor.

— Eu quero um café agora!

— Um café?

— Sim!

E eu penso.. se ele novamente falar que perdeu a vontade, eu juro que taco essa xícara na cabeça dele.

E eu faço um café para ele e volto a sua sala.

— Aqui está o seu café senhor.

E ele simplesmente não dá nem um "Obrigado"

E como ele não fala nada, eu caminho direto para a porta.

— Quem disse que eu te mandei sair?

— Mais eu pensei..

— Pensou errado Camilla! Me traz a sua redação que eu pedi enquanto eu saboreio o seu delicioso café.

Fico vermelha quando eu vejo ele bebericar o café de forma tão sensual e charmoso e eu logo saio, dizendo que vou trazer ela.

— Calma Camilla.. não caia nos encantos dele.

Roou uma das minhas unhas, para me acalmar. Quando eu chegar em casa prefiro tomar um banho bem gelado.

E eu volto com a minha redação em mãos e imprimida.

E eu coloco sobre a sua mesa.

— Aqui está senhor Fernando? Agora eu posso me retirar?

— Não! Eu irei ler ela e ver se está boa.

Affs, para um homem desgregado e eloquente, ele está bem chato hoje!

E ele começa a ler a minha escrita e eu fico vermelha de vergonha.. pois na minha cabeça eu pensava que ele não iria ler, apenas era para implicar comigo.

E nossa, como a sua oratória é perfeita.

E vejo ele passar várias canetas pela minha escrita e eu não entendo.

— Muita repetições de palavras, vírgulas fora de lugar e não vim nenhum embasamento fundamentado, transformando em uma opinião vazia a vaga. Uma redação, também precisa ter coesão e coerência! Aqui não tem. E para piorar, falta muitos conectivos. Depois eu que sou um bêbado louco e alcoolatra!

E eu fico sem saber o que falar diante dele.

Não, não esperava esse olhar biótico dele.

— Como você quer trabalhar para uma das melhores empresas de toda á Monhattan, se nem ao menos sabe como fazer uma redação? E ah, o certo aqui seria Outrossim! Com dois "SS," não apenas com um S. E Mim não conjuga nenhum verbo! a palavra correta seria EU! E pelo amor de Cristo garota, não se escreve Tive em uma redação, escreve Estive! E não existe a palavra cidadoões e sim cidadãos!

E eu fico chocada com a forma que ele me corrige de um jeito tão certo e com muito domínio. Parecendo até mesmo um professor!

— Bom, na minha ficha de emprego senhor, não estava incluindo eu fazer redações.

E ele me olha com a sobrancelha arquiada com a minha resposta ousada.

— Mais a parti de hoje ela estará incluída! E quer saber mais? Refaça outra redação e sem erros outorgráficos!

E eu o olho incrédula e com muita raiva.

— Alguma coisa á mais Camilla?

— Não senhor! Com licença.

Falo com raiva e saio catandando os pneus.

Porque ele foi notar a minha existência? Estava muito melhor quando ele nem se quer olhava para mim.

E eu passo a parte toda da tarde, fazendo essa redação. Sempre tive muita dificuldade com a escrita. Não que eu não sei escrever direito, mais é que no orfanato quase não tínhamos professoras de língua-Portuguesa, tudo que eu sei aprendi lendo livros. Mais quer saber? Eu tô na faculdade, sei que também preciso me esforçar na escrita.

E eu demoro a me concentrar, pois eu me preocupo com o Juca. Será que ele está bem?

E depois de horas, finalmente eu termino de fazer essa redação. Revisei mais de três vezes, até pesquisei pelo celular o dicionário. Eu espero que ele não coloque nenhum defeito.. pois minhas costas já estão doendo.

E eu bato na sua porta, e ele fala para eu entrar.

E nossa, que cheiro horrível de tabaco.. aé, me esqueci que ele fuma também.

Mais porque eu estou achando tão sexy ele de charuto?

— Vim deixar a minha folha de redação.

E ele nada fala, mais continua me olhar novamente.. E eu não entendo o que tanto ele olha para mim? E ele apaga o seu charuto e se levanta todo imponente.

E afrouxa a sua gravata, enquanto caminha até a mim e eu fico em pânico e vou caminhando para trás, me sentindo tensa.

— Está com medo de mim Camilla?

— Porquee eu estaria?

Falo tropeçando as palavras.

E ele sorri de canto, seu hálito quente e com cheiro de tabaco, percorre por toda a minha narina.

Ele estica seus braços forte até a parede onde eu estou e se inclina para mais perto de mim, e eu consigo sentir o meu coração saindo pela boca.

Não Camilla.. ele só está tentando te seduzir.

— Sabe, as vezes eu fico pensando.. como seria sair com a assistente do meu pai? Ou melhor com uma mulher toda intocável, integra e reta? Será que eu teria meu corpo transformado?

E sua voz grossa e rouca, se aproxima lentamente dos meus ouvidos.

Ele está jogando comigo..

Meus pelos estão todo arrepiado.

— Eu te deixo arrepiada Camilla?

Sua barba começa a penetrar o meu pescoço, me causando um calor terrível.

— Não.. eu não irei cair nesse seu jogo de sedução! E fique sabendo, que você não faz o meu tipo de homem! E quer saber mais? Se quer um corpo transformado, vire um padre!

Não sei da onde eu tirei coragem de falar assim com ele.

E ele começa a rir descontrolado.

— Você tem uma lingua bem afiada sabia? Gosto muito de mulheres marretas, especialmente debaixo dos meus lençóis..

E eu me sinto desconfortável.

— Senhor Fernando, me deixe ir embora.

— Sabe, agora eu fiquei curioso.. que tipo de homem é o seu ideal? Um homem certinho, puritano e todo fiel?

— Não! Um homem que de preferência não seja igual o senhor. Um homem que sabe tratar as mulheres como pessoas e não como um objeto de uso e descarte. Passar bem e tenha uma ótima noite senhor Fernando.

Falo saindo do seus domínios e caminhando até a porta me fazendo de plena, porém com o coração acelerado.

O que foi isso que acabou de acontecer? E o pior.. foi ter visto ele querendo brincar comigo! Mais ele está muito enganado se acha que eu vou cair nesse papinho de Don Juan que ele tem.

Minhas lindas, espero que tenham gostado do capítulo e dêem forças a Camilla para ela resistir ao charme do Fernando! Hahahaa.🤭😂😍🔥

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Comments

Fatima Gonçalves

Fatima Gonçalves

foi ousada e está certa

2024-04-16

0

Prestes 😴

Prestes 😴

amando a ousadia dela /Joyful//Facepalm/

2023-10-25

1

mar

mar

kkkkkkkkkkkkkkkkkk boa garota

2023-08-17

0

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