Capítulo 7

Camilla

Chego em casa ainda pensando no beijo que o Fernando me deu.

Porque ele fez isso? E ainda por cima achou que eu fosse aceitar dinheiro pelo beijo. Mais que homem arrogante! Ta Camilla, ele sempre foi.. só que hoje foi demais..

E o pior.. eu sonhei com esse beijo por anos e me sentia uma pervertida.. por ter esses pensamentos. Sempre idealizei que com ele eu perderia finalmente minha boca virgem. Mais como poderei pensar que esse sonho se realizaria? E pior, já me dei um beliscão para ver se eu tô sonhando acordada, porém não! É real.. E eu nem sei com que cara eu irei amanhã trabalhar! Depois da joelhada bem feito, que eu dei nele.. á essa altura ele já deve ter assinado a minha folha de demissão. E se eu o deixei alejado? Corro sérios risco de ser presa. Eu odeio pessoas orgulhosas, mais o que eu fiz, em não aceitar esse dinheiro dele, não foi por orgulho e sim pelo mínimo de decência que eu tive depois daquele beijo. Mesmo que fosse para as crianças que tanta precisam daquele dinheiro. Mais eu darei o meu jeito no final, como sempre dou. Mais eu não posso.. não posso deixar ele fazer o que sempre fez com as mulheres, comigo! Eu não sou igual á elas, na verdade não quero ser igual á ninguém. Luto todos os dias para ser melhor que ontem, luto todos os dias para tentar ser a mudança que eu queria ver nesse mundo.. começar por essas crianças de ruas e abandonadas pelo seus pais. É triste saber, que nem todas as oportunidades são iguais para todos. Se insistirmos sempre que só pessoas mais sucedidas e de classe privilegiada, sempre vão está por cima dos demais, que também são pessoas boas, que estao ali lutando, sacrificando.. o mundo sempre continuará nessa linhagem de desigualdade. E o pior é saber, que o preconceito não nasce com com os indivíduos, eles que se tornam seres assim.. 

(...)

Eu mal consegui pegar no sono essa madrugada e para piorar, não tenho a coragem de ir para empresa só para ser humilhada ao ver a minha carta de demissão. E sem emprego, sem casa, sem faculdade.. sem nada! Estou literalmente na lama.. E agora eu estou aqui, dando uma faxina nessa casa, para ver se eu espanto esses pensamentos intrusos. Mais toda hora eles aparece.. o beijo dele aparece, para me pertubar.

Já perdi as contas de quantas vezes eu troquei a música na rádio. Não tenho nada contra as músicas de Bon Jovi, mais com certeza, dessa vez ele mexeu muito comigo, ao ponto de eu sofrer junto com as letras dele.

Pelo menos, estou tendo o tempo que eu queria para arrumar minha casinha e ah, agora quem sabe? Eu não imagreço de vez? Sem emprego, sem docinhos de padaria que engordam. E sem minha pastilha de chocolate com menta que eu tanto amo.. apesar de ser cara, mais eu não vivo sem.

Calma Camilla.. não pensa muito, se não você terá um ataque.

Apesar de tudo, sou inteligente, linda e batalhadora. Não vou ficar me lamentando por ter pedido apenas a melhor vaga de emprego que com certeza eu já devo ter tido na vida.

Dou banho no meu smurf, e me molho toda, seco ele no secador e ainda penteio seus pelinhos. Pego a gravatinha que eu comprei especialmente para ele.

— Você está muito.. mais muito mais bonito que o Elvis Presley.

Falo fazendo carinho nele e ele se sacode todinho.

E depois eu passo um pouco da tarde assistindo sons of Anarch, mais não.. não pode ser que até o personagem principal me lembra o Fernando todinho! Fumante, alcoolatra e motoqueiro.

Tomo um banho, enquanto eu deixo o bolo que eu fiz para as crianças esfriarem na bancada.

E eu coloco finalmente a minha roupa esportiva de correr.

E eu aperto os meus quadrils me olhando no espelho.

— Porque vocês tinham que ser tão largos?

Fecho o zíper do casaco e saio da frente do espelho.

Pego o bolo com a tampa e coloco alguns talheres e guarnapo em uma sacola plástica.

Caminho em direção a porta e vejo o smurf latir.

— A mamãe já volta.. se comporta direitinho, viu?

Falo dando beijos para ele e eu saio, tranacando a porta.

E claro, vejo a dona Maria, como sempre com os olhos bem atentos em cada passo que eu dou , para não dizer outra coisa.

— Boa tarde para á senhora também dona Marta.

Falo sorrindo e ela arregala os olhos, como se fosse pega no flaga.

E ela aparece da janela com um pano de prato em seu ombro.

— Não era para você está no seu trabalho?

Estava tão bem ela só olhando.

— Trabalho? Realmente fazer esse bolo aqui deu um trabalhão viu? Se sobrar, eu trago um pedaço para a senhora. Até mais dona Marta, fica com Deus.

Falo sorrindo e mudando de assunto, o rosto dela é trágico e Hilário.

O ruim de morar em vila pequena, é que todos pensam que tem o direito de se meter na sua vida pessoal. Cada dia mais longe o sonho que eu carrego em morar em um dúplex bem escondido de todos e de preferência sem vizinhos nenhum. Tá, esse é um dos meus 16 dejesos.

E eu caminho até chegar a casa abandonada onde as crianças ficam e como sempre meu semblante de tristeza vem á tona.. como pode á cada dia, essa casa está mais torta? Parecendo que vai cair?

E eu puxo o sininho e caminho até o porão.

— Tia Milla!! Ué.. não era para você está no trabalho?

Juca abraça as minhas pernas.

— Era sim.. mais hoje digamos que eu não fui.

Falo colocando o bolo na mesa de isopor que eles fizeram. Essas crianças são tão criativas, elas reciclam tudo.

— Milla, é você? Digo, claro que é você, pois é a única que sabe da nossa existência e que nos oferece ajuda.

Paulina fala saindo do banheiro.

— Não fala isso Paulina.. no mundo existe muito mais pessoas igual á mim.

— Não.. igual você não tem Milla! Você é única.

Ela fala me dando um abraço, sorrindo.

— Tem sim.. tem aquele homem lá bondoso que me deu 20 dólares!

— Ah não juca.. ele todos os dias sonha em ver novamente esse homem misterioso Milla.. para ver se consegue mais 20 dólares.

E eu sorrio com a Paulina, achando graça.

— Hey? Até eu estou curiosa para conhecer esse homem mistério e que gosta de dá 20 dólares por aí, pois eu também estou querendo.

Falo gargalhando alto. — Olha, a tia não trouxe um "20 dólares" mais trouxe um bolo de chocolate bem delicioso! Bom, assim eu espero que esteja.

— Boloo de chocolatee! Meu bolo preferido. É por isso que eu te amo tia Milla.

Juca me abraça outra vez com os olhinhos brilhando e não tem como não ficar com o coração mole.

E eu espero o Michael chegar e comemos o bolo e como eu gosto de passar um tempinho com eles. A alegria e a pureza deles me contagiam.

— Agora eu acho que eu terei mais tempo para ficar com vocês!

Falo me despedindo, porque eles não estão deixando eu ir.

— Sério? Você não vai mais trabalhar? Ebaaa.

Juca fala, segurando minhas pernas.

Mais Paulina chama a atenção dele.

— Deixa Paulina.. olha, é claro que eu preciso trabalhar, mais vou tirar um tempinho para ficar mais com vocês.

— Sério? Podemos ir passear.. já sei.. vou te levar em um lugar que eu gosto muito.

— Juca.. calma! A Milla vai ter tempo de sobra. Ela precisa ir para a faculdade dela.

E os olhinhos dele se abaixam.

E eu fico do seu tamanho.

— Calma meu amor, eu prometo que vou voltar aqui amanhã e todos os dias para colocar você no banho, seu sujinho.

Falo fazendo cócegas nele e ele rir.

— Sabe.. se fosse para ter uma mãe, eu gostaria que fosse você.

Ele fala me abraçando forte e eu fico sem reação.. nunca ouvi nada parecido. E isso me comove.

— Juca.. ain.. me perdoa Milla.

Paulina tenta tirar ele dos meus braços.

— Não se preucupe Milla, eu também ia adorar ter um filho igual á ele. Agora eu vou, antes que eu me atrase. E amanhã eu trago os docinhos Paulina, conseguiu vender Hoje?

— Hm.. consegui, mais não muitos Milla. Porém não vou desistir.

— Isso mesmo! Não desanime Milla e eu vou tentar vender os que sobraram na minha faculdade. Tenho certeza que pelo menos lá terá estudantes que não vão resistir aos docinhos mais gostosos do mundo.

E eu me despeço pra valer agora deles e vou caminhando até a minha casa. E já anoiteceu, e como amo olhar o céu e ver as estrelas na escuridão, me faz lembrar que por mais escuro que seja o túnel, sempre terá uma luz no final dela.

Perco a noção da hora e só agora eu vejo que esqueci meu celular em casa, na verdade não peguei ele por um segundo hoje.

Destranco a porta da minha casa e entro, já com o smurf latindo.

— Cheguei meu filho, espero que tenha se comportado bem hein?

Falo acendo as luzes, enquanto ele late e me arranha com as suas patinhas.

— Não.. meu tênis não Smurf.

Falo pegando meu celular na mesa e vejo que vai dar 19:00! Argh.. preciso correr para a faculdade, jsuz amado!

Vou ter que ir com essa roupa mesmo.. vou até o meu quarto e arrumo a minha mochila rápido. Olho para um caixote velho de feira, onde colocos livros, revistas, jornais e vejo que ele está tufo entalhado.. eu sabia que tinha que organizar ele hoje.. agora estou aqui igual uma maluca, caçando meus livros do período da faculdade.

— Affs Camilla.. porque você também foi inventar de tacar tudo nesse caixote velho e de rua?

Falo me dando um sermão e eu continuo caçando, mais não acho. E a campahia toca e eu penso.. quem será uma hora dessa? Não recebo visitas, á não ser da maary.. mais não acho que ela já deve ter saído do trabalho.. só poder ser a dona Maria.. que justo agora escolheu me pertubar.

E eu caminho até a porta e prendo o smurf que não para de latir no meu quarto e fecho a porta.

E o som da campanhia não para de tocar.

— Por Cristo.. já estou indo!

Falo impaciente e quando eu abro a porta, tomo literalmente um susto ao ver o Fernando em carne e osso, com a sua moto em frente a minha porta.

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Comments

Fatima Gonçalves

Fatima Gonçalves

arrasa coração

2024-04-16

0

Prestes 😴

Prestes 😴

mais que pecado e esse minha filhaaaa.....

2023-10-25

1

mar

mar

Bon Jovi 😍♥️

2023-08-17

0

Ver todos

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