Capítulo 1

"Há três coisas na vida que nunca voltam atrás: uma flecha lançada, uma palavra proferida e uma oportunidade perdida.

— Autor Desconhecido.

Camilla Bittencourt~

Acordo com um barulho irritante e chato do despertador, já perdi as contas de quantas vezes eu já taquei ele no chão.

Porém dou um pulo na cama, ao me lembrar que hoje o seu Alberto, vai viajar. Já que o velho está quase prestes a se aposentar, na verdade ele já se aposentou, porém não quer dar a sua empresa nas mãos do seu filho mulherengo, Fernando Guzziman. Nunca vou me esquecer do meu primeiro amor platônico quando eu entrei naquela empresa. Em todos esses anos, ele sempre aparece nos meus sonhos, porém Fernando é tudo que eu não gosto em um homem, mulherengo, fumante e alcolatra. Seu pai está mais que certo em não passar a presidência nas mãos dele, com certeza a empresa iria falir em menos de um mês.

Cheguei naquela empresa quando eu tinha meus 20 anos, hoje faz seis anos que eu estou lá. E muita coisa mudou, pois para uma peregrina de outro país, vi debaixo para recomeçar tudo do 0, não foi fácil. Sou naturalmente Brasileira, porém decidi vim para o polo de NY, justamente porque era a minha única esperança e saída. Não me arrependo de ter deixado tudo para trás, já que eu cresci a vida todo no orfanato. Entao eu nunca tive nada, á não ser os amores das freirinhas. Não sei quem são os meus pais, se pelo menos tivessem me entregado ao orfanato, poderia até puxar pela fixa, mais me jogaram na rua, com apenas 4 anos de idade! É bizarro e triste ao mesmo tempo. Até hoje dói em mim, rasga a minha alma só de pensa sobre isto.

Como um ser humano é capaz de fazer isso com o seu próprio filho? Como é capaz de abandonar? De jogar na rua, como se fosse um nada.

Eu não tenho ódio por eles. Apesar de tudo, as freiras e principalmente a madre superiora me ensinaram a ser forte, me deram princípios que vou levar por resto da vida. Com elas eu aprendi uma sabedoria inigualável! Aprendi a perdoar, para só assim me curar. Mas uma coisa que nunca consegui de fato aprender, é sobre a dor, e o quão cruel ela é! Uma dor que nunca irá passar de saber quem são os que me deram a vida, a dor de saber o porquê fui abandonada por eles.

Mais não tenho tempo de me atormentar com esses pensamentos que sempre me deixam para baixo.

Me levanto da minha cama e vou até o meu guarda-roupa que está uma bagunça. Sim! Infelizmente não sou nem um pouco organizada com as minhas coisas.. não tenho paciência para arrumar as roupas tudo por cores e peças iguais. Ainda mais que eu acordo atrasada e toda acabada.. aquela empresa exige muito de mim.. não só ela, como o seu Alberto também. E para compensar, ontem eu fiquei ate tarde maratonando a minha série preferida e antiga que eu amava ver escondido das freiras no orfanato quando passava na TV, que era Smalville. Sério.. como está nesse país, me lembra essa série..  esse gostinho americano na veia. Ainda bem que desde de cedo eu aprendi inglês lá no orfanato, foi isso que me salvou.

A minha alegria é que hoje é sexta-feira. Mais um fim de semana, me intupindo de pizzas e séries, porque sou totalmente anti-social e nunca gostei de baladas, gente doidas e bêbadas atrás de mim. Se bem que as pessoas também nunca gostaram de andar comigo.. É, a famosa reciprocidade.

Enquanto eu caminho, minhas pernas que são enormes de gordas, e eu não estou exagerando.. roçam uma na outra e isso sempre me deu e dá tanto nervoso. Eu ainda irei pagar uma cirurgia para diminuir elas! Vou ficar iguais as irmãs Kardashian, gostosas e magrinhas! Mais nada com um peito tão enorme e uma bunda tão exagerada como a delas.. pois isso já basta o meu corpo.

E graças a Deus, eu ganho muito bem, mais todo o meu dinheiro vai para comida, meu cachorrinho smuf e para a minha faculdade de direito onde eu estou quase terminando.

Tá, minto.. até hoje só gravei umas cinco leis! E me sinto tão..  mais tão humilhada. A faculdade já me custa caro, e eu ainda não consigo aprender tanta coisa.

Mais o que não me faz desistir dela, é pelo objetivo bem maior que eu eu sempre tive. Me forma como assistente social.. para ajudar criancinhas órfãs, ou com maus tratos e abandonadas pelas ruas. Me parte o coração toda vez que saio para trabalhar e vejo uma turminha de crianças órfãs pelas ruas.. todo dia eu passo na padaria e levo pães e suco para eles. São três irmãos! Juca, Michael e Paulina. Eles não conhecem os pais igual eu! Também foram abandonados.. acho que por isso que eu me compadeço e me identifico tanto com eles. Mais eles fugiram do orfanato e não querem voltar para lá.. E eles só deixam eu me aproximar deles, porque eu prometi não denunciar eles para nenhum orfanato. Mais meu coração dói, dói de pena em ver eles na rua.. só não trago eles para cá, porque a minha casa é muito pequena e a dona, é uma fofoqueira daquelas e está sempre de olho não só na minha vida, mais principalmente na casa. 

E para eu cursar serviço social, primeiramente tenho que cursar direito. E isso é um saco.. pois só aqui nessa cidade tem isso! No Brasil nem é assim. E tenho pavor de advogados.. principalmente porque eu já saí com um, á pedido da minha única colega de trabalho e que ainda por cima é louca. Tá, para ela eu abri um excessão. Mary aquela doida simplesmente pegou o meu celular e respondeu o David, um advogado da empresa que ela cismou que estava interessado em mim, e que sempre quando eu caminhava só faltava eu babar.

Mais acontece que eu peguei um ranço dele! Fui para esse encontro obrigada pela Mary e ele ainda me levou para uma boate, um lugar que eu odeio. E eu fui toda linda e produzida, achando que seria em um restaurante pelo menos chique e casual para um primeiro encontro. Mais não! O idiota me levou para o pior lugar, com aquelas músicas horríveis e estourando os meus ouvidos,  ainda me ofereceu bebida alcoólica, sendo que só o cheiro de álcool em minhas narinas me faz vomitar. E se não podia ficar pior.. ficou! Ele me chamou para ir para casa dele, e claro que não aceitei e dei uma joelhada no amiguinho debaixo dele, porque o mesmo tentou me beijar e agarrar as minhas pernas. Depois disso nunca mais falei com ele! E sempre o ignoro quando ele tenta vim falar comigo, todo arrependido. Mais eu não caio mais no papinho dele!

Pego um vestido longo, sim só tenho vestidos longos, mesmo a Elena dizendo que isso me faz parecer uma velha chata. Mais eu acho que em mim fica super elegante e mais, eu me sinto bem. E é isso que importa.

Tomo o meu banho rápido, pois estou atrasada.. provalvemente nem vai dar para eu tomar um café decente. Mais eu nunca tomo! Já que eu também sou um desastre na cozinha.. queimo todos os bacons e para não bastar, queimo também os ovos. Tadinho é do homem que se apaixonar por mim.. É como diz aquele ditado brega " Quem vê close, não vê corre"

Coloco um vestido, e ele fica super colado no meu corpo, na verdade tudo fica muito colado e marcando essas curvas desnecessária que eu tenho.

Mais há vái esse mesmo! Cato um salto branco e passo um pó no rosto, tudo que eu nunca gostei, maquiagem. Infelizmente no cargo de assistente do Ceo daquela empresa eu tenho que está muito bem vestida e maquiada. A única coisa boa, é que essas bases dá para esconder essa minha cara de cansada e essas olheiras de noites mal dormidas.

Pego a prancha e passo no meu cabelo, para dar um retoque. E agradeço por ele ser liso, porque se fosse cacheado eu não teria tempo e nem paciência para cuidar. Mais de vez em quando, eu coloco uns bobis no meu cabelo para cachear eles nas pontas.

Saio do meu quarto e pego a minha bolsa na sala e o Smurf começa a latir e abanar o rabinho para mim.

— Ah não Smurf... nada de lambida no meu rosto hoje! Estou toda cheirosa e maquiada. Depois a mamãe te enche de beijos e carinho..

E ele late, e depois vira para a minha roupa de caminhada no braço do sofá, me lembrando que faz dias que eu não caminho com ele pelas ruas e praças.

— Assim você me humilha Smurf! Hoje irei tentar caminhar.. mesmo não tendo ido nem um dia da semana e ter comido horrores de besteiras. É.. equilíbrio é uma palavra tão linda, pena que não surge efeito na minha vida.

E eu me abaixo e faço um carinho nele.

Sim, ele se chama smurf, porque ele tem uma mancha azul no seu rostinho, que não sai de jeito nenhum e ele também é branquinho. Eu o encontrei abandonado no latão de lixo perto da minha casa, latindo e todo magrinho. Me deu tanta pena.. que eu o levei para casa comigo, com o objetivo apenas de cuidar dele por uma noite, já que no próximo dia eu iria levar para um abrigo de cachorros abandonados aqui perto. Mais acabou que ele segurou as minhas pernas com as suas patinhas, chorando e latindo para eu não deixar ele na porta do abrigo. E meu coração, que é muito mole e sensível, não se aguentou.. pois me veio uma cena muito forte e que me fez chorar no dia.. dos meus pais me abandonando em uma cestinha de palha na porta de um orfanato.

Então desde daquele dia ele está morando comigo e isso já tem uns nove meses. E eu amo esse cachorrinho ao ponto de eu chamar ele de filho.. A Mary odeia ele e sente um ciúmes danado, principalmente quando eu falo que levarei ele para qualquer lugar que ela me chamar para sair. Sim, não gosto de deixar o Smurf sozinho.. já passo tanto tempo distante dele, porque eu trabalho. E quando eu tenho um tempinho, gosto de aproveitar com ele. Inclusive um dos motivos por eu ter aceitado a sair com o babaca do David, foi a Mary ter ficado aqui na minha casa cuidado dele e ela claro, odiou e até hoje reclama em meus ouvidos.

" Esse cachorro não parou de latir nos meus ouvidos Camilla! E ainda por cima me fez limpar aquele xixi dele."

" Eu sou muito mais Team Gato"

E eu sorrio me lembrando, me despeço do meu smurf e saio de casa com as chaves e tranco a porta, já sentindo o olhar da dona Elena me espiando pela janela dela. Isso que dá morar em bairro pequeno.. todos te conhecem, mesmo você não conhecendo ninguém. Hilário né? Mais o bom daqui que o comércio é tudo perto e principalmente as condições, onde uns cinco minutos e já estou lá.

E depois de caminhar, passo na padaria do seu Anthony.

— Hm.. eu até já sei! Três Pães doces e uma garrafa de suco de morango.

E eu sorrio, porque todos os dias eu venho comprar isso para as crianças.

— É por isso que eu amo o senhor.

Falo sorrindo.

— Eu até já deixei separado, pois sabia que você iria passar aqui.

E ele me dá a sacola com os Pães e suco super carismático.

— Muito obrigado seu Anthony.

Falo tirando o dinheiro da minha carteira e eu pago.

— Não vai querer mais nenhuma coisa senhorita? Aproveita que está tudo em promoção os doces hein.

— Seu Anthony, só de olhar para esses bolos, eu já engordei uns dez quilos.

Falo com água na boca olhando para uma torta de morango.. E fresquinha e deliciosa.. E morango, nossa.. É a minha fruta preferida.

Mais não dá para ficar comendo doce todos os duas, primeiro que eu engordo muito fácil e segundo que eu também não tenho dinheiro para isso.

— Minha filha, com todo respeito, mais você é linda! E olha.. toma.

Ele pega a torta embaixo da vitrine e coloca em um pratinho para mim.

— Não seu Anthony.. É sério, eu não posso.

— Mais é por minha conta! Não precisa pagar nada.. e também é como uma forma de agradecimento por você ajudar aquelas crianças.

E eu arregalo os olhos para ele, ops.. não era para ninguém saber.

— Calma minha filha! Eu já sei á um bom tempo, vi você levando para eles os pães que compra sempre aqui, estava no meu fusca velho esse dia e confesso que me emocionei e fiquei feliz por saber que apesar de tudo, ainda existe pessoas boas nesse mundo. E é por pessoas que nem você que vale a pena continuar vivendo.

— Seu Anthony, eu não faço isso com intenção de querer algo em troca.. Faço pelas pessoas o que eu simplesmente gostaria que elas fizessem comigo.

— Eu sei minha filha, por isso que eu admiro muito a mulher que você é. E olha, toma aqui a sua torta, está do jeito que você gosta e com muito morango.

E eu estava pronto para rejeitar, mais aí ele tocou no meu ponto fraco. Cheio de morango?? Não resisto!

— É que eu estou indo trabalhar e estou atrasada seu Anthony. mais na volta, eu posso passar aqui para pegar.

— Mais na volta, já não vai está tão fresco como está agora. Olha, vou fazer o seguinte, colocar na vasilha de plásticos para você levar, assim você come no seu trabalho.

E ele sai por alguns segundos e logo volta um pedaço da torta de morango no potinho e meu estômago dá vida na hora.

— Já falei que o senhor é tudo?

Falo sorrindo e agradecendo ele.

— Você que é uma joia rara minha filha! Olha, bom trabalho.

Ele aperta as minhas mãos e eu me despeço e saio da sua padaria.

Seu Anthony é muito gente fina e o único que eu gosto de conversar aqui pelo Bairro.

Caminho até uma casa abandonada e que está quase caindo aos pedaços, mais sei que as crianças dormem aqui e ficam por aqui.

E eu bato na porta, mais ninguém me ouve.

Bato mais uma vez e nada.. e quando eu giro a maçaneta a porta se abre e eu tomo um susto quando vejo o Juca com um taco de beisebol nas mãos e todo assustado.

— Juca, quer me matar por acaso com esse taco?

— Tia Milla, eu pensei que era alguma pessoa má. Mais é você! Que a gente gosta muito, pode entrar.

E ele sai do caminho e eu entro e logo depois ele fecha a porta.

— Cadê os seus irmão?

— Ah, eles estão dormindo.. eu só acordei porque ouvi alguém batendo na porta.

— Aposto que vocês foram dormi tarde ontem.. de tanto ficarem na rua. Eu já conversei, é perigoso vocês ficaram até tarde por aí.

— Eu sei, eu sei.. você todo dia fala isso tia. Mais é que, a gente não tem televisão aqui, então ficamos entediados. Vamos fazer o que? Olhar para parede? Já não tem mais o que desenhar nela de tanto que já desenhamos.

E eu solto uma risada e chego ao porão da casa com ele, que é bem escondido.

E eu fico calada.. porque estou para comprar uma Televisão para eles, sera bem simples e também não será daquelas grandonas, porque são muito caras, mais tenho certeza que eles vão amar. A metade do dinheiro eu já tenho guardada comigo.. só falta a outra metade para eu completar e comprar. Porque sim.. eu fico muito preocupada com eles nessa rua de dia, imagina á noite? A gente pensa que não, mais existe muita gente malvada por aí.. E infelizmente pessoas em situação de ruas, são as mais vulneráveis á qualquer tipo de violência.

E eu deixo as sacola com os Pães doces e o suco no caixote grande que eles fizeram de mesa.

E os seus irmãos acorda e logo vem falar comigo, me abraçando.

A Paulina é a mais velha, 0 Michael é o do meio e o Juca é o mais novo e o mais bagunçeiro também.

— Milla, o que seria de nós sem você?

— Para de graça Michael, olha.. agora vocês tratam de tomar café e nada de ficarem indo para longe.

— Mais a gente precisa né Tia ganhar uns trocadinhos para poder comprar comida para gente. Olha, hoje irei me vestir de palhaço.

O Juca fala pegando a tinta branca e vermelha e o seu nariz de tampinha de garrafa de refrigerante.

— E eu vou vender essas flores aqui Milla.

Olho para a Paulina e sorrio.

— São lindas essas flores Paulina! A onde que você conseguiu comprar elas? Parecem que são bem caras e cuidadas.

E vejo o seu rosto se estremesser, e ela tenta mudar de assunto, mais gagueja e eu estranho.

E puxo ela por um canto.

— Paulina.. me diz a verdade.. a onde que você pegou essas flores?

— Ah Milla.. eu juro que não fiz nada de errado.. eu só peguei ela na mansão daquele homem morto..

— Homem morto?

— Sim Milla, todos os chamam assim, porque ele nunca sai de casa e ninguém nunca viram ele. Nem parece que mora alguém lá..

— E Você acha isso certo Paulina? Fica pegando flores que não são sua, sem a permissão do dono? Sabia que ele pode te denunciar por Roubo, e o que será de vocês? Oh minha linda, isso é muito feio. É melhor fazer as coisas de um jeito honesto, do que fazer algo totalmente o oposto disso.

— Eu sei Milla, mais eu sempre vou lá devolver quando eu não consigo vender todas as flores. Eu preciso disso, para conseguir alimentar os meus irmãos. Eu ainda sou irei fazer 18 anos, ano que vem.. eu ainda tenho só 17 anos, o Michael tem 16 e o Juca ainda tem 11 anos. Eu como irmã mais velha, quero dar algum sustento para ele.

— E é muito linda e nobre a sua atitude, mais você não vai conseguir nada Roubando desse jeito. E o dono dessa mansão? Se ele for uma má pessoa? Você nem o conhece. Por favor Paulina, me promete que você não irá fazer mais isso. Tantas coisas que você pode vender por outra forma sem ser essa! Eu já falei, eu posso fazer uns docinhos e te dá para você vender, eu até posso também vender lá no meu trabalho.

— Não Milla, você já nos ajuda muito. Não quero te explorar mais do que já exploramos. E obrigada por tudo e eu prometo que não vou mais roubar as flores daquele homem morto, que quase ninguém vê. Mais não está sendo fácil eu conseguir um emprego.. ninguém me dá! Ao contrário quando eu me aproximo de qualquer loja, eles chamam o segurança achando que eu vou roubar algo. E eu fui até com aquela calça e aquela blusa branca de manga que você me deu, mais não consegui mesmo assim.

— Oh minha princesa.

Falo abraçando ela.

— Você vai conseguir! O importante é não desistir. Olha para mim? Eu também vi para esse lugar sem nada.. só confiando em Deus.. porque eu não tinha ninguém, somente ele do meu lado. E eu consegui um emprego naquela empresa, só porque eu sabia falar Português. Se não, eu estaria morta.. pois não tinha nenhuma formação acadêmica, apenas formação formal.

— Pelo menos isso você tem, e eu? Não tenho! Mal sei escrever as palavras certas Milla, minha caligrafia é muito horrível e eu erro nas pequenas palavras. Mais poxa, eu sei passar, limpar, dar uma bela de uma faxina. Eu só queria uma oportunidade.

E me dá tanta pena em ver ela assim.

— Olha minha linda, eu vou tentar ver se alguém precisa de uma faxineira.. sei lá.. em casa de gente rica sempre precisa. Mais você.. bom, não tem documentos. E se for de carteira assinada, você não irá conseguir.

— Carteira assinada? Como assim?

Ela parece não entender.

— Hm, depois eu te explico.. eu estou muito atrasada para o meu trabalho. Mais eu prometo que vou tentar conseguir alguma coisa para você.

E ela me abraça sorrindo e toda alegre.

— Você é tão boa Milla!

— Vocês que mudam o meu dia para melhor.

E eu me despeço dela e do seus irmãos, mesmo eles me implorando para ficar mais um pouco, porém eu prometi que voltaria amanhã para ficar um pouco com eles.

E eu saio da casa, com o coração tão mole, mais tão cheio de pena também.

Como eu queria abrigar todos eles na minha casa, cuidar ou até mesmo adotar. Mais não posso.. primeiro que eu não sou casada e segundo não tenho tanta estabilidade assim.. E eu como uma futura assistente social, não posso fazer as coisas de maneira ilegal.

Mais eu tento o máximo ajudar eles com o que eu posso.

(...)

Pego um engarrafamento daqueles e chego na empresa super atrasada.

Compro um café correndo e eu corro para pegar o elevador.

— Camilla, cuidado para não cair!

E eu nem ouço a Mônica da recepção.

Entro no elevador e respiro fundo.

Aperto o botão mais de duas vezes.

— Vai! Vai logo.. eu preciso chegar logo na sala do seu Alberto.. antes que ele viaje.

E depois de alguns segundos, eu chego no último andar, que é da presidência.

Vejo uma gritaria vindo da sala do seu Alberto e eu me assusto.

Parece que ele está com alguém, e minha barriga gela em ter que incomodar.

E eu pressiono os meus ouvidos na porta, para ver pelo menos de quem se trata. Pois ninguém marcou horário comigo ontem para ver ele! Ao contrário eu mesmo fechei a sua agenda, já que hoje ele iria viajar.

Mais quando eu ouço o nome " Fernando" meu coração acelera e minha pernas ficam fraca.

Não.. ele está aqui? Como? Se ele nem pelo menos ligou.. como se ele ligasse! Ele nem se quer olha para a minha cara, e sempre sai entrando para a sala do seu pai, acho que para ele eu nunca existi. Sempre fui invisível pelo menos para ele.. E isso, em todos os lugares. Não só aqui na empresa, mais até as vezes na casa do seu Alberto, quando ele me pedia para levar alguns documentos importantes, e eu sempre me esbarrava com o filho dele, no qual meu coração sempre disparava e eu não entendo porque ele ainda dispara toda vez que eu o vejo ou ouço a voz dele.

Ele nem se quer nunca me dirigiu a palavra, e ainda passava reto diante de mim.

Arrogante e ignorante! E ah.. não podemos se esquecer, alcoolatra fumante e mulherengo.

E os dois parecem que estão discutindo feio.

— Não papai! Mais que droga.. eu já falei que eu não me casar com nenhuma mulher. Para de ser um velho birrento, e deixa eu assumir a presidência dessa empresa o que é meu por direito. O senhor não pode viajar e deixar com aquele cretino e bastardo do Laworran! Aquele lá nunca foi flor que se cheira.

— Mais pelo menos ele nunca me deu tanto trabalho com você! E nunca teve toda semana uma foto dele na libertinagem da vida. Você Fernando, acha que alguém vai fechar negócios com a empresa, onde o presidente só tem as piores manchas de reputação? Entenda meu filho.. eu quero que você se case, para não só te ajudar a sair dessa vida desagregada que você leva, mais para fazer você criar uma família, ser feliz..

— Eu já sou feliz papai!

— Não meu filho.. isso que você chama felicidade, é passageira e não é vida para se levar. Quando eu tinha a sua idade, eu já era um homem casado e já tinha você! E ainda era o dono dessa empresa aqui. Tinha um bom nome e uma boa reputação.

— Eu nunca fingir ser outra pessoa papai! Por acaso é um defeito um Homem gostar de mulheres, sexo, bebidas e festejar? Oras, eu não sou um homem de uma mulher só papai e muito menos homem para ser fiel á uma! E essa coisa de casamento nunca será para mim. Eu posso muito bem ser responsável por essa empresa sem me casar. Melhor do que ser casado igual esse mal caráter que você irá colocar como o seu substituto, que trai a mulher toda hora em bordel de esquinas.

— Chega Fernando! Essa acusação que você está levantando é muito sério. Se vocês dois tem problema, resolvam fora daqui. E eu já falei, a empresa será sua na mesma hora, quando você me ligar lá para onde eu vou está, dizendo que irá se casar. E claro, com um boa mulher! Nada dessas desgregadas, que não querem nada da vida igual á você.

— O que o senhor quer papai? Que eu me case com uma puritana? Uma virgem intocável? Ou uma mulher que foi criada em algum orfanato, aprendendo a rezar, cuidar da família e da casa?

— É.. até que seria uma boa ideia.

Seu Alberto fala calmo e passifico, mais eu engulo seco e minha garganta seca, pois o seu filho pareceu me definir quando estava descrevendo a mulher no qual ele teria horror em se casar.

E eu vejo um silêncio perturbador e eu me ajeito.. pois eu acho que eu já ouvi o suficiente, até o que eu não devia e..

A porta é simplesmente aberta e eu caio de busto e tudo no braço do Fernando.

E ele me olha tão firme e com um olhar tão penetrante, como se fosse pela primeira vez que está me vendo e notando a minha existência.

Minhas lindas, esse foi o primeiro capítulo. O que acharam? Me conta aqui nos comentários..😻🥰❤ Espero que tenham gostado, pois esse livro promete.

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Comments

Tatiene Silva

Tatiene Silva

,como si eles estão numa casa abandonada? não tem água e nem eletricidade!

2024-06-24

0

Benedita Barboza

Benedita Barboza

Vai ser amor a primeira vista

2024-04-24

0

Fatima Gonçalves

Fatima Gonçalves

sim tem muita gente assim pior quando jogam em sacos nas lixeiras

2024-04-16

0

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