Capítulo 14

Dylan O'Connell

- "Quem é Henrik?" - Rebekah pergunta me deixando estupefato.

- "Henrik?" - pergunto surpreso.

- "Sim. Tive uma lembrança e uma senhora dizia que se Henrik havia me esperado por cinco meses, ele poderia esperar por mais alguns minutos." - diz me fazendo arregalar os olhos.

Aí não, que ela não esteja se lembrando.

- "O que foi?" - ela perguntou mas eu não sei o que dizer. Estou sentindo o medo começar a me invadir.

- "Você se lembrou de mais alguma coisa?" - pergunto.

Por favor, diga-me que não.

- "Não... apenas isso."

Graças a Deus!

Suspirei aliviado a atraindo para o meu corpo e a abraço fortemente. Queria poder prendê-la em meus braços e não deixá-la sair nunca mais.

- "Estou perdoado pelo jantar de gala da câmara do comércio?" - pergunto tentando distrai-la, porque eu não quero que ela tente se lembrar novamente.

- "Sim." - ela respondeu.

- "Já jantou?"

- "Sim." - ela voltou a responder.

- "Então... o que acha de sexo de reconciliação?" - proponho querendo que ela se esqueça disso.

Rebekah abre um sorriso para mim.

- "Essa é uma ideia maravilhosa."

(...)

Sonho on:

- "Rebekah, onde você está indo?" - pergunto quando vejo ela carregando sua mala e vai de encontro a um homem.

- "Estou indo embora daqui... essa não é a minha casa e você não é nada meu!" - ela responde me olhando com frieza.

- "Isso não é verdade. Eu sou o seu marido!"

- "Não! Você não é! Você mentiu o tempo todo para mim, me enganou!" - seu tom de voz era acusatório.

Olho para ela com os olhos arregalados.

- "Querida... vamos conversar, ok?" - eu suplico. Não quero que ela vá embora.

- "Não temos nada para conversar." - Rebekah olha para o homem ao seu lado. - "Henrik, vamos embora?"

O homem segura a mão da minha Rebekah e os dois começam a caminhar juntos para o elevador.

- "Rebekah, por favor... não me deixe." - volto a implorar mas ela faz caso omisso e apenas olha para o homem sorrindo da mesma forma que ela costumava a sorrir para mim.

- "Agora vamos ser felizes meu amor." - ela diz acariciando a bochecha daquele idiota.

- "Não! Você é minha!" - grito tentando correr até ela mas as minhas pernas não tinham mais forças. - "Rebekah!" - volto a gritar. Estou desesperado, estou perdendo ela. - "Rebekah!" - as portas do elevador se fecham e minhas pernas falham, me fazendo cair de joelhos. - "Rebekah, volte. Não me deixe... por favor."

Sinto que estou me afogando. Não estou conseguindo respirar.

Sonho off:

- "Dylan acorda!" - essa é a voz da minha garota.

Lentamente abro os meus olhos e me deparo com o olhar preocupado da minha Rebekah.

- "Se acalma... eu estou aqui."

Sem dizer nada, eu a puxo para os meus braços e a abraço fortemente. Tento acalmar as batidas aceleradas do meu coração.

Ela está aqui... ela está aqui comigo, ela não me deixou.

- "Você está aqui... você não se foi."

- "Está tudo bem meu amor... foi apenas um sonho. Pode voltar a dormir." - Rebekah disse com um tom de voz doce.

Ela me chamou de meu amor? Oh não... isso não podia está acontecendo.

- "Feche os olhos." - ela murmura acariciando a minha bochecha com suavidade.

Ela não pode me chamar de meu amor. Isso não é certo.

Espero que eu tenha escutado errado.

(...)

Quando abro os meus olhos na manhã seguinte, percebo que minhas pernas estão emaranhadas nas de Rebekah, meu braço está em sua barriga e minha cabeça apoiada em seus seios. Ela dorme em paz, levanto a cabeça e estudo meticulosamente seu lindo rosto. Beijo sua testa e com cuidado para não acordá-la saio da cama.

Entro no banheiro e faço minhas necessidades matinais. Depois entro debaixo do chuveiro e aproveito a água que cai em cima de mim. Por que Rebekah me chamou de amor? Ela não pode me chamar assim, mas talvez eu possa ter imaginado isso por causa do meu pesadelo. Deve ser isso. E se eu perguntar a ela? Não, é melhor não... me aterroriza ouvir a resposta dela.

Depois de uns minutos saio do banho, seco o meu corpo com uma toalha e envolvo outra em minha cintura para voltar para o quarto. Ao entrar no quarto, encontro Rebekah já acordada, se sentando na cama.

- "Você acordou." - Rebekah murmurou me olhando dos pés à cabeça.

- "Acho que sim." - me limito a dizer isso.

Preciso me distanciar dela até que eu consiga manter a minha mente em ordem ou até que eu me atreva a pergunta a ela, porque ela havia me chamado de amor.

- "Você está bem?" - ela perguntou preocupada.

- "Sim." - respondo e entro no meu closet.

Começo a procurar meu terno cinza e uma camisa branca para vestir, tentando ignorar a presença de Rebekah, que havia me seguido até o closet.

- "Tem certeza que você está bem?" - Rebekah volta a perguntar começando a se aproximar de mim.

- "Tenho sim." - respondo sem olhar para ela, porque se eu fizer isso, acabarei caindo nos seus encantos.

- "Você está com raiva de mim? Fiz algo de errado?" - Rebekah perguntou parecendo confusa.

Acho que sim querida, você fez a pior coisa que poderia ter feito, algo que nem sequer me atrevo a imaginar.

- "Não." - digo vistindo a minha cueca.

- "Então porque você está agindo assim comigo?"

- "É imaginação sua, agora saia daqui porque eu quero me vestir."

- "Ok." - ela diz com o tom de voz triste.

O que eu vou fazer se ela... Me nego a pensar sobre isso, ela não pode me amar. O amor não existe.

(...)

Rebekah "O'Connell"

Volto a me deitar na cama, me sintindo confusa e por mais que eu tentasse, não conseguia entender o motivo para Dylan está sendo tão frio comigo. O que foi que eu fiz para ter irritado ele?

Poucos minutos se passaram até que ele volta a entrar no quarto, vestido impecavelmente em seu terno cinca, pronto para sair pro trabalho.

- "Estou indo para a empresa. Chegarei tarde hoje, então não precisa me esperar acordada." - ele diz duramente enquanto termina de abotoar o blazer do seu terno.

- "Por que?"

Ele está me evitando, eu sei disso.

- "Trabalho, não acho que você entenda o que significa isso." - ele diz e sai apressadamente do quarto.

Ele nem ao menos se despediu direito de mim. Por que ele está sendo tão distante comigo? Eu não entendo.

Sinto os meus olhos começarem a arder e sei que as lágrimas estão prestes a cair, mas não vou chorar.

Assim que Dylan saiu, me levantei da cama, tomei um bom banho e coloquei um vestido preto, um pouco justo no meu corpo e batia um pouco acima dos joelhos.

Quando já estava pronta, saio do quarto e caminho apressadamente para o elevador.

- "Vai em algum lugar senhora?" - Lilian pergunta ao me ver.

- "Vou dar uma volta por aí." - eu respondi sem parar de andar.

- "Não acho que seja uma boa ideia, senhora. O senhor O'Connell não vai gostar disso."

- "Estou pouco me importando com o que o senhor O'Connell goste ou não!" - rebati um pouco irritada.

- "Por favor não faça isso... além disso a senhora ainda não tomou seu café da manhã." - Lilian diz tentando me convencer a ficar, mas tudo o que eu preciso nesse momento é de respirar um pouco de ar fresco.

- "Comerei alguma coisa pela rua mesmo." - digo parando na frente do elevador, apertei o botão e rapidamente entro nele.

- "Senhora... não se vá." - Lilian grita mas não dou importância, não posso ficar trancada o dia todo nesse lugar.

As portas do elevador se fecham e eu pressiono o botão para que me leve até a recepção do prédio. Ao chegar passo rapidamente pelo balcão da recepção desejando um bom dia ao porteiro e saio do prédio.

Sinto o ar gelado me atingir, olho para o céu e percebo que há muitas nuvens escuras e está fazendo um pouco de frio hoje. Sorte é a minha que decidi colocar uma jaqueta, porque pelo menos estarei um pouco aquecida.

Para onde eu irei primeiro?

(...)

Dylan O'Connell

Chego na empresa com um humor do cão, embora acho que nesse momento os cachorros estão com o humor melhor do que o meu.

O que devo fazer se Rebekah chegar a confessar que me ama? Deixá-la ir? Não, eu acho que não.

- "Samantha me traga os documentos que preciso assinar hoje e os orçamentos do nosso novo projeto." - ordeno de maneira cortante.

- "Sim senhor O'Connell."

Entro no meu escritório, deixo a minha pasta em cima da mesa e me dirijo até a grande janela, e me dediquei a observar a cidade de Seattle. O céu da cidade está cinza, assim como meu estado de ânimo, acredito que não vai demorar muito para que comece a chover.

Ouço uma leve batida na porta do meu escritório mas não me dei o trabalho de responder, sei que é Samantha e que ela logo entrará, mas ela tem esse costume de bater na porta toda vez antes de entrar.

- "Aqui está o que me pediu senhor." - minha assistente diz.

- "Deixe sobre minha mesa e depois saia."

- "Como quiser senhor." - ouço o barulho de papéis, logo escuto o som dos saltos dos sapatos de Samantha batendo contra o assoalho e logo em seguida um som de abrir e fechar de porta.

Continuo olhando para o céu da cidade enquanto os pensamentos e as lembranças do passado começam a me inundar. O que o amor trouxe para mim?

Há muito tempo atrás, fui um idiota ao acreditar que o amor existia. Fui bobo e me entreguei de cabeça a aquele sentimento que não passava de uma ilusão inútil. Aos 15 anos, me apaixonei por uma garota, por quem eu fui perdidamente apaixonado e terminei tendo o meu coração partido da pior forma.

Conheci Nádia Morgan quando tinha 15 anos, ela era aquela típica garota popular que todos os garotos gostariam de ficar, mas ela havia me escolhido. Namoramos por 2 anos e eu era louco por ela, estava tão cego por esse "maldito amor" que acabei acreditando em todas as mentiras que saia pela boca dela. Mas felizmente aquele véu que cobria os meus olhos e que me impedia de ver o que estava bem diante do meu nariz desapareceu e graças a isso, acabei descobrindo que a desgraçada que dizia que me amava estava me traindo aquele tempo todo com Victor Philips; o filho da puta que eu costumava chamar de meu melhor amigo.

A partir daquele dia, deixei que acreditar no amor e jurei pra mim mesmo que jamais iria voltar a me envolver emocionalmente com mais ninguém, não queria voltar a me sentir tão miserável daquela forma. Então decidi que eu usaria as mulheres da mesma forma que um dia fui usado, nunca mais me deixaria ser usado e enganado por nenhuma delas. E ninguém, nem Vivian ou nenhuma das mulheres que me envolvi durante todos esses anos, não me fizeram sentir nada .

Mas de alguma forma Rebekah me deixa desconcertado, tenho sentimentos conflitantes quando penso nela, fico aterrorizado apenas com o pensamento de perdê-la, mas também me deixa aterrorizado o fato de que ela possa sentir algo como amor por mim.

O som do meu celular tocando acaba me tirando dos meus pensamentos e me trazendo de volta para a realidade. Pelo o aparelho do meu bolso e atendo sem olhar de quem se tratava.

Ligação on:

📱-> Diga! - digo de forma rude ao atender a ligação.

📱-> Senhor O'Connell, sou eu Lilian desculpe-me incomodar.

📱-> O que aconteceu Lilian? - pergunto já ficando preocupado porque não é normal que Lilian ligue diretamente para mim para falar sobre qualquer coisa.

📱-> A senhora Rebekah se foi... eu tentei detê-la mas não consegui. - ela diz. Nesse momento senti como se a minha governanta tivesse puxado o tapete debaixo dos meus pés.

📱-> O que? Como assim ela se foi?

Será que ela se lembrou de tudo?

Não, isso não pode ser.

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Comments

Ela tem celular e dinheiro, surgiram da onde?

2025-01-27

0

Fatima Matos

Fatima Matos

Escondendo as coisas dela assim que memória voltar vai ganhar um pé na bunda porque não conta a verdade e diz que a ama

2024-12-23

1

Roselane Oliveira Sandes

Roselane Oliveira Sandes

Conta ligo a verdade. Ela deixou de viver sua vida pra está ao lado de um falso marido que ainda pensa em dispensá-la.

2024-07-25

1

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