A reunião acontecia em uma sala ampla, paredes envidraçadas revelando a cidade abaixo. O ambiente era frio e calculado, perfeito para negociações sujas que aconteciam sob o pretexto de formalidade. Caesar estava ao lado de Dominic, observando atentamente cada movimento na mesa. Seu trabalho era proteger Dominic de qualquer ameaça externa. Mas ninguém o treinou para se proteger do próprio Dominic.
Dominic estava sentado à cabeceira, vestido impecavelmente, uma presença dominante e impenetrável. Ele parecia calmo, controlado, como sempre. Mas Caesar sabia que era só uma máscara. Depois do que aconteceu no carro, depois de como Dominic o empurrou para os limites, havia algo diferente nele.
A tensão entre eles ainda pulsava no ar. Caesar sentia os olhos de Dominic sobre ele de tempos em tempos, como se estivesse testando sua paciência, esperando para ver se ele cederia de novo. Mas havia algo estranho. Uma inquietação nos gestos de Dominic, um aperto sutil dos dedos na borda do copo de uísque. Algo que ninguém além de Caesar perceberia.
Dominic não estava completamente no controle.
— Isso é inaceitável. — A voz de um dos investidores cortou o ar, ríspida. — Nossos números não refletem os termos acordados.
Dominic inclinou-se para frente, os olhos brilhando com a sombra de um sorriso.
— Se não gostou dos números, posso oferecer algo que goste ainda menos.
O silêncio na mesa foi instantâneo. Dominic nunca precisava levantar a voz para impor respeito. Mas Caesar viu o jeito que ele apertou os dedos contra a mesa. Aquele comentário não foi só provocação, foi um deslize.
E Dominic não cometia deslizes.
Caesar desviou os olhos para a mesa, a mente funcionando rápido. O que estava acontecendo? O que o estava tirando do eixo?
O resto da reunião seguiu sem incidentes aparentes, mas Caesar percebeu cada detalhe. A forma como Dominic passava a língua pelos dentes de maneira quase imperceptível, como se estivesse remoendo algo. O jeito que ele esfregava o polegar contra a palma da mão, um gesto nervoso que ele nunca fazia.
Quando a reunião terminou, Dominic saiu sem dizer uma palavra. Caesar o seguiu, o instinto lhe dizendo que algo estava muito errado.
Assim que entraram no elevador, Dominic se encostou contra a parede, fechando os olhos por um breve momento. Foi o suficiente para Caesar perceber.
— O que está acontecendo com você? — Caesar perguntou, cruzando os braços.
Dominic abriu os olhos, o brilho de sempre mascarando qualquer fraqueza.
— Desde quando você faz perguntas, Caesar?
— Desde que você começou a agir como alguém que perdeu o controle.
O elevador chegou ao térreo, e Dominic saiu sem responder. Caesar seguiu atrás dele, o olhar afiado. Eles atravessaram o lobby em silêncio, até Dominic entrar no carro sem uma palavra. Caesar hesitou por um segundo antes de entrar também.
O motorista acelerou, deixando a cidade para trás. O silêncio entre eles era sufocante.
— Fale. — Caesar quebrou o silêncio.
Dominic soltou uma risada baixa, sem humor.
— Você sempre quer lutar pelo controle, não é?
— Não. Eu só quero saber o que está te incomodando tanto que te fez errar hoje.
Dominic virou o rosto para ele, os olhos escuros fixando-se nos seus. O sorriso havia desaparecido completamente.
— Hm, fala como se você um anjo bonzinho.
— ... Não é isso.
— Você.
Caesar piscou.
— O quê?
— Você, Caesar. — Dominic disse, a voz carregada de algo que Caesar não conseguia identificar. — Você está se tornando um problema.
O coração de Caesar acelerou, mas ele manteve a expressão impassível.
— Não estou entendendo.
Dominic respirou fundo, como se estivesse lutando consigo mesmo. Depois de um longo silêncio, ele falou:
— Você nunca me desafiava antes. Nunca me olhava desse jeito. Sempre aceitava as regras do jogo. Mas agora... agora eu te vejo tentando lutar contra isso. Contra mim.
Caesar sentiu um arrepio subir pela espinha.
— Eu não sou seu fantoche, Dominic.
— Eu sei. — Dominic passou a língua pelos lábios, parecendo frustrado. — Esse é o problema.
O carro parou em frente ao prédio de Dominic, mas nenhum dos dois se moveu. O silêncio se estendeu, carregado de coisas não ditas.
Finalmente, Dominic soltou um suspiro, fechando os olhos por um momento antes de falar, a voz mais baixa:
— Eu não gosto de perder, Caesar.
— E o que exatamente você acha que está perdendo?
Dominic abriu os olhos, e pela primeira vez, Caesar viu algo diferente ali. Não era arrogância. Não era poder. Era algo mais perigoso.
— Você.
Caesar sentiu o ar escapar dos pulmões por um segundo.
Dominic saiu do carro sem esperar resposta. Mas, dessa vez, foi Caesar quem ficou para trás, tentando recuperar o controle que, pela primeira vez, ele sentia que também estava perdendo. "Mas que porra acabou de acontecer?".
Continua…
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Atualizado até capítulo 21
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