Acordo cedo como de costume. No fundo, eu não queria admitir, mas senti-me muito mal por ter expulsado Nicolas do apartamento. Mas antes tê-lo expulsado do que escutar seus insultos por ciúmes. Porque era o que ele demonstrava: ciúmes excessivos sem precisão alguma. Na verdade, eu nem sabia o que eram, de fato. Ele nunca me pediu em namoro, muito menos em casamento. Apenas ficávamos juntos, por esporte, talvez.
Eu vou para o banheiro, tomo um banho rápido, lavo os cabelos e seco com um secador. Escovo os dentes e corro para a cozinha. Depois de me vestir com uma calça jeans, blusa branca e saltos pretos, eu termino minha refeição e saio dali em direção à empresa. Hoje está mais movimentado do que nos outros dias.
Ao passar por Marcela, que me cumprimenta e me dá um recado de Nicolas, eu me alegro ao ouvi-la dizer que tinha um recado dele para mim, mas, acreditem, era profissional. O que eu esperava depois de tê-lo expulsado do apartamento?
— O senhor Navarro disse para você segurar as pontas por aqui hoje. Ele não vai vir porque terá que viajar a questão de negócios.
Eu apenas escuto Marcela com atenção e balanço a cabeça em concordância. O que poderia fazer? Se sou a secretária pessoal dele, terei que agir como tal. Mas eu me pergunto, por que Nicolas não me ligou para falar sobre o assunto? Acho que ele estava aborrecido. Mesmo sabendo da minha responsabilidade, faço questão de perguntar por Bruno, já que ele era o braço direito de Nicolas. Seria viável que Bruno, por ser mão direita dele na empresa, ficasse com a responsabilidade.
— E o segundo não vem? O senhor Bruno!?
Marcela paralisa ao me ver perguntar e fixa seu olhar atrás de mim, comprimindo os lábios.
— Perguntava por mim, senhorita!?
Fico sem graça, mas mesmo assim o olho. Levanto meu rosto para encará-lo, mesmo usando saltos, eu ainda era mais baixa que Bruno. Seu olhar me queima por completo, e eu me pergunto mentalmente, o que os irmãos Navarro têm de tão atraente? Bruno, assim como o irmão, era um deus grego, mas eu não me atreveria a ter nada com ele por dois motivos. O primeiro é que Dora gosta muito dele. E o segundo é que estaria morta se Nicolas soubesse. Então decido guardar essas tolices para mim mesma.
— Ah! Oi Bruno. Estava perguntando, porque eu não sei muito bem conduzir uma empresa sozinha. Somente por isso! Você sabe, né? Como são as coisas.
Bruno me olha como se eu fosse um animal exótico, e eu percebo como ele passa a ponta da língua em seus lábios vermelhos, os molhando.
— Bom, rumo ao trabalho. Se me dão licença, estou indo. Fui...
Saio praticamente correndo dali, nem sequer me dou o trabalho de esperar Bruno responder.
O meu dia é cheio. Trabalho hoje como uma condenada infeliz. Praticamente estou quase dormindo em cima das pilhas de papéis que estão sobre minha mesa, e me assusto quando vejo a figura masculina chamada Bruno, sentada à minha frente.
— Aí que susto você me deu, Bruno.
Fingo estar brava, quando ele praticamente sorri para mim.
— Ainda bem que fui eu que te vi. Se fosse meu irmão! Rum... Nem digo o que ele faria.
Franzo a testa, tentando entender o que ele queria dizer. Mas Bruno rapidamente me lança um convite para almoçar. Já é meio dia mesmo, e olhando para o tamanho daquelas pilhas de documentos que tenho que assinar, só sairia no outro dia seguinte, e olha lá. Mas decido acompanhar Bruno. Fomos a um restaurante perto da empresa.
Bruno e eu, conversamos sobre assuntos aleatórios enquanto comemos. Eu já estava com a barriga doendo de tanto rir das palhaçadas de Bruno. Então decido falar sobre minha amiga Dora, que até então, Bruno fica calado e percebo o quanto confuso ele estava. Praticamente ele não sabia que éramos amigas.
Bruno é sincero comigo sobre o assunto. Mas deixa claro que não sente nada por Dora, apenas teve com ela uma aventura sem compromisso. Ele deixa claro que ela é uma mulher maravilhosa e muito cheia de vida, e com isso, tenho que concordar. Não posso obrigá-lo a amar Dora, se ele deixou claro que não sente nada por ela, mas criei uma esperança no fundo do coração, de que um dia ele pudesse ver Dora com outros olhos, e nesse dia eu serei extremamente feliz por isso.
— Vamos, Bruno, temos que voltar para a empresa, tenho muito trabalho a realizar. Eu não sei o que houve com meu chefe hoje, mas seja o que Deus quiser.
Bruno trava o maxilar quando menciono Nicolas. Assim que me levanto para pagar a conta, Bruno me impede, e se adianta para pagar a mesma.
— Eu a convidei, então eu tenho que pagar.
Ele diz me mostrando um sorriso radiante, ele era diferente do irmão, isso eu teria que admitir. Tudo com Bruno é alegria, felicidade e nada de brigas e discussões. Mas também, eu não posso me enganar que amo tudo em Nicolas, até o seu jeito exagerado de ver as coisas.
— Obrigada, Bruno. Da próxima, convido para que assim seja eu a pagar a conta.
Bruno deixa um sorriso calmo escapar de seus lábios, assim retomamos o caminho até a empresa, enquanto escuto Bruno deixar bem claro o que sente por mim. Até certo ponto, eu sei que ele sente algo por mim, porque vejo em seus olhos e na maneira que ele me trata. Mas eu não escondo o que sinto por ele, que é uma grande amizade. Bruno me para e me faz olhar nos seus olhos, perguntando o que eu sinto por Nicolas.
Eu resolvo falar a verdade a ele. Nunca gostei de enganar ninguém, mas aprendi a ser sincera comigo mesma e com outras pessoas.
— Olha, Bruno, desde pequena aprendi a ser sincera com as pessoas. Minha mãe me ensinou assim. Eu não posso dizer que sinto algo por Nicolas, porque ainda não tenho certeza, mas eu gosto muito dele sim.
Bruno ainda está lá olhando nos meus olhos como se quisesse se certificar da sinceridade. Por fim, ele solta meu braço e me mostra um sorriso ladino.
— Meu irmão te ama muito, Camila. Se não fosse assim, ele não estaria tão louco e não teria uma mente confusa pelo amor. Por isso ele está tão descontrolado, eu mesmo nunca tinha visto ele ficar assim, por nenhuma mulher.
O coração acelera no peito quando escuto Bruno falar, e então tento falar a ele também sobre Dora e deixar claro que minha amiga também o ama muito.
— Já que estamos falando do amor, eu quero te falar que Dora te ama muito, Bruno. Ela é uma mulher incrível e eu não quero vê-la sofrer.
Bruno me escuta com atenção, enquanto um sorriso ladino se forma em seus lábios. Mas não quis discutir sobre o assunto. Então seguimos para a empresa, ele entra em sua sala e eu na minha. Trato rapidamente de assinar os documentos. O relógio já marcando 24:00 da noite e claro, eu apago ali mesmo em cima da minha mesa. Bruno havia passado para irmos para casa mais cedo, mas eu o despachei. Eu achava que iria dar conta de voltar para casa mais cedo, e acabei terminando tarde.
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Atualizado até capítulo 70
Comments
Elizabeth Fernandes
Como assim ela não sabe nem administrar a sua vida vai tomar conta de uma empresa
2025-03-10
1
Elizabeth Fernandes
Ela já t até assinando os projetos da empresa
2025-03-11
0
Maria Das Neves
😍😍😍😍❤️❤️❤️
2025-01-07
1