Eu acordei pela manhã, sentindo uma tremenda dor de cabeça e náuseas. Mesmo assim, levantei-me devagar e fui tomar banho, fazendo minha higiene matinal. Preparei um chá para aliviar um pouco a ressaca ruim e, depois, vesti-me antes de sair para a empresa. Lembro muito pouco do que aconteceu na noite anterior e, mesmo ao tentar me forçar a lembrar, não consigo.
Recordo-me vagamente do homem bonito da noite passada e daquele par de olhos azuis como piscinas. Determinada a deixar tudo no passado, vesti um vestido azul-turquesa. Enquanto me arrumava, o celular tocou em cima da cama. Peguei o aparelho e atendi:
— Bom dia, amiga. Eu preciso muito falar com você sobre o que aconteceu ontem. Quando está disponível? — perguntou Dora ao telefone.
— Bom dia, Dora. Estou de saída. — disse calçando a sandália. — Mas assim que eu chegar da empresa, eu ligo para você. — completei.
Encerrei a ligação, corri até o espelho do banheiro, arrumei os cabelos e, em seguida, peguei minha bolsa e joguei o celular dentro antes de seguir para o ponto de táxi. Assim que consegui um, dei o endereço e o motorista seguiu para lá.
Quando o carro estacionou em frente à empresa, saí e paguei o táxi antes de entrar. Percebi que o lugar estava movimentado como sempre.
— Bom dia, Marcela. — cumprimentei.
— Bom dia, Camila. Veio falar com o senhor Navarro?
— Sim, preciso muito falar com ele. Poderia me indicar o caminho, por favor? — pedi.
— Sinto muito, Camila, mas o senhor Navarro deixou claro que não quer receber visitas hoje, a não ser uma moça que ele está esperando com um cartão de indicação. — explicou Marcela.
— Não pode ser, mas ele não disse o nome? — Senti-me frustrada.
— Não, não me disse o nome, somente que viria com um cartão.
Afastando-me da recepção, estava brava com aquela situação. Decidida a tentar novamente, aproximei-me de Marcela e pedi que ela fizesse uma tentativa.
— Senhor Navarro, uma moça está aqui procurando por você e quer muito falar com o senhor. Não... não, senhor, ela não trouxe nenhum cartão. O nome dela é... oi... oi, senhor Navarro?
Marcela colocou o telefone no lugar e encarou-me com tristeza:
— Me desculpe, Camila, mas ele nem quis ouvir o seu nome.
Engoli o ódio que sentia, estudei bem meus planos e aproveitei o momento de distração de Marcela para passar correndo pelo corredor que levava à sala do chefe. Colocando meu plano em prática, a mulher de estatura pequena procurou os nomes nas portas e, encontrando o nome "Navarro", adentrei o escritório amplo e bonito.
O homem, que estava de frente para a janela de vidro e de costas para a porta, virou-se e me encarou.
— Camila. — o nome saiu automaticamente de seus lábios.
— Perdão, senhor Navarro, eu disse a ela que...
— Tudo bem, Marcela. Ela é a mulher que eu estava esperando, só que ela não trouxe o cartão. Foi um mal entendido, mas está tudo bem. Pode se retirar.
A porta foi fechada, e os olhos de Nicolas pairaram sobre mim.
— Camila, não imaginei que era você. Eu dei a você ontem o cartão com o endereço daqui, e passei a ordem para Marcela de me passar hoje somente a moça com o cartão de indicação. No caso, é você, mas está sem o cartão. Peço perdão pelo transtorno.
— Tudo bem. — Disse, sentando-me. — Você é o dono daqui!? Eu nem sequer me lembro do cartão que você me deu. Passei semanas vindo atrás de você para entregar meu currículo pessoalmente.
— Sim. — Nicolas mostrou um sorriso. — Estou quase sempre viajando, sou um grande empresário, não fico parado em um lugar só. Então, me mostre seu currículo.
Peguei o papel na bolsa e entreguei nas mãos de Nicolas. Ele observou bem tudo o que estava escrito e, depois, seus lábios formaram um belo sorriso.
— Muito bom. Por mim, está contratada, Camila. — disse, olhando para mim. — Sabe, eu estou sorrindo porque lembrei do que me falou ontem.
— Foi? O que eu disse mesmo? — perguntei, corando.
— O chefe que você falou horrores ontem era eu. E ainda bem que disse coisas boas, não me ajudando a falar mal dele. Imagina se eu tivesse ajudado você a falar mal?
— Me perdoe, não foi minha intenção. — Fiquei sem jeito.
— Relaxa, você tem qualidades brilhantes. — Nicolas concluiu. — Parabéns, o cargo de secretária pessoal já é seu. Amanhã mesmo poderá começar. Quando chegar, venha até minha sala primeiro.
Estava tão feliz pelo trabalho que corri até Nicolas, o abracei e o agradeci. O homem, que nunca recebeu carinho na vida, ficou sem ação, mas mesmo assim, repousou suas mãos fortes na minha cintura e sentiu meu perfume suave.
— Você lembra de alguma coisa sobre ontem, Camila? — perguntou Nicolas, mantendo-me no lugar. Ele observou a mulher balançar a cabeça em negativa em resposta à sua pergunta.
— Você estava muito bêbada. Te peguei no colo, coloquei dentro do carro e te levei para o seu apartamento. Enquanto eu estava abaixado tirando suas sandálias, você estava no sofá sentada e de repente me puxou, colando nossos lábios em um beijo gostoso. É uma pena que você seja tão esquecida. Ou foram meus beijos que foram tão bons que te causaram amnésia? — Nicolas provocou.
Certamente, não lembrava, nem sequer do beijo. Realmente estava muito bêbada, e nunca tinha bebido tanto na vida como na noite passada.
— Sou louco por você, Camila. Não te resisto e pelo que vejo, você também não. Já imaginou se você estivesse sóbria? O que teria acontecido no seu apartamento ontem à noite? — Perguntou Nicolas, exalando o cheiro bom dos cabelos recém-lavados dela.
— Não sei. — disse.
— Eu já tenho a resposta. Você quer saber!? — Nicolas beijou cada parte fina do pescoço de Diane, explorando cada parte do seu corpo, por cima da roupa.
— Quero. — Respondi com voz falha.
— Eu teria feito amor com você, com todo o prazer que você merece. Eu teria te proporcionado um prazer intenso e feito você alcançar as nuvens com minha língua. Teria feito você delirar de prazer em meus braços. Você ficaria mais apaixonada com meus beijos, e tenho a absoluta certeza de que não se arrependeria no dia seguinte. Ao contrário, você suplicaria por mais. Sei que você está excitada neste exato momento.
Suas palavras eram como uma música boa que eu amava ouvir. O que aquele homem era, afinal? Cada segundo em seus braços era uma tortura boa de prazer e desejo ainda não realizado para mim.
— Bom dia. — disse Bruno adentrando o escritório.
— Bom dia. — Cumprimentei, me recompondo.
— Parece que o destino nos uniu novamente, estranha. — Os lábios de Bruno se fizeram em um sorriso leve.
— Bruno. — Nicolas ronronou.
— Nicolas. — disse Bruno olhando para o irmão.
— Esta é Camila, ela vai trabalhar conosco a partir de amanhã. — Nicolas comentou.
— Que bom, fico feliz. Desde já, seja bem-vinda, Camila. — disse Bruno.
— Já estou de saída. Amanhã estarei aqui. Bom dia a vocês. — Saí do escritório.
Estava tão apressada para sair da empresa que colidi com uma mulher que vinha apressadamente à minha frente.
— Ei! Por que não olha por onde anda!? — disse a moça irritada.
— Desculpe-me, não estava lhe vendo. — disse, ajudando-a a pegar as pastas que caíram no chão.
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Atualizado até capítulo 70
Comments
Elizabeth Fernandes
Foi procurar trabalho e já fica nos braços do patrão
2025-03-10
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Marcia Cristina
acho que ela não é filha deles por isso o pai maltratava é queria abusar dela
2025-01-15
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Maria Das Neves
ela não tem culpa pelo os erros dos pais
2025-01-05
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