Eu acordei cedinho, caminhei apressadamente até o box, tomei meu banho rápido, e em seguida procurei uma roupa no meio de tantas roupas que levei comigo. Vesti uma saia preta secretária e uma blusa branca de mangas longas. Me movi apressadamente pelo quarto, à procura do meu salto agulha.
Depois, dei a última checada em minha roupa e cabelo, caminhei até o pequeno sofá de canto, peguei minha bolsa e saí trancando meu apartamento. Já do lado de fora, eu esperava um táxi passar. Estava apressada, não queria perder a oportunidade de pegar essa vaga de emprego.
Um táxi parou em minha frente, entrei no carro e segui para a empresa. Alguns segundos haviam passado, e eu estava distraída observando cada coisa ao meu redor, até o carro estacionar à frente de um imenso prédio, cujo nome estava escrito NN império. Era uma empresa bem bonita e bastante chamativa, tive que concordar com meus próprios pensamentos.
Paguei o taxista e caminhei apressadamente para dentro da empresa. Meus olhos observavam todas as pessoas que caminhavam pra lá e pra cá, fazendo seus trabalhos para que a empresa funcione. Avistei a moça da recepção, e caminhei até ela com um sorriso quase visível.
— Bom dia moça. — disse eu.
— Bom dia, em que posso ajudar? — perguntou a moça de estatura pequena e olhos curiosos.
— Eu gostaria de falar com o senhor Navarro Por Favor. — disse com mãos frias e nervosas.
— Como se chama? — perguntou.
— Me chamo Camila Ferras.
— Sinto muito, senhora Ferras, mas o senhor Navarro não está no momento, está em viagem, e só estará aqui a partir de amanhã. — avisou.
— Sabe me dizer se a vaga de secretária ainda está disponível? — informei-me.
— Ainda está sim. — mostrou um sorriso. — Se você tiver interesse, recomendo que entre no site da empresa e coloque seu currículo digital.
— Só aceitam digital?
— Sim.
— Mas porquê? Essa é a única empresa que não aceita currículos impressos.
— Nosso chefe é muito chato, e bem organizado. — avisou ela. — Quando você colocar seu currículo pelo site, leia tudo que ele colocou em observação, e você tirará suas próprias conclusões.
— Tudo bem moça, muito obrigada. — agradeci e saí dali.
Apertei bem os olhos de frustração e soltei a respiração pesada que prendia. Parece que aquele dia não era meu dia de sorte. Por minha vez, peguei novamente um táxi e fui para casa. No meio do caminho, alguém bateu na traseira do táxi em que eu estava, e agora imaginei o prejuízo que o motorista tinha para arcar.
O engarrafamento no trânsito estava grande, deve ser por isso que o carro bateu na traseira do outro, pensei eu. O motorista saiu do carro, e enquanto o sinal abria e os carros passavam, ele estava no meio da estrada discutindo com o motorista que havia batido em seu carro.
Sai do carro, estava impaciente e apressada para chegar em casa.
— Qual é a sua em? Não tá vendo meu carro na sua frente seu estúpido? Você vai pagar o prejuízo, porque esse veículo é minha fonte de trabalho, é meu ganha pão. — falou o taxista.
— Se ficar aí discutindo como um idiota, e não me deixar falar, fica difícil de entrarmos em um acordo. — disse o outro.
Prestei bem atenção no homem bonito tentando negociar, ele ainda não havia dado conta de que eu estava ali observando-os a brigarem.
— Acho que ficar discutindo não vai resolver o problema de ambos. — opinei, atraindo para mim a atenção do homem de mais ou menos 1,80 de altura, cabelos negros, barba por fazer e olhos azuis.
Eu não gostava de ter a atenção de homens para mim, sentia-me tímida, tanto que minhas bochechas ficaram coradas naquele instante.
— Quem é você? — perguntou o moço de feições bonitas.
— Sou apenas uma passageira apressada para chegar em casa, porque pelo que vejo, o céu está fechado e uma boa chuva vai cair, nos molhando.
Os lábios do homem se abriram em um sorriso perfeito, fazendo com que eu ficasse ainda mais tímida do que já estava. Seus olhos azuis me encaravam com cautela, parecia que procurava em mim uma outra pessoa ou achava que eu parecia com alguém. Aquele homem agora estava calmo, com as mãos enfiadas no bolso de sua calça social.
— Você tem sorte por levar uma passageira tão linda em seu carro, e por ela, vou dar a você o dinheiro suficiente para que ajeite o seu carro. — disse ele, pegando o dinheiro na carteira e entregando nas minhas mãos.
— Por que me deu o dinheiro? — fiquei atônita e assustada por pegar em tanto dinheiro.
— Não se assuste. — disse ele. — O taxista vai deixar você em seu destino, e quando ele parar, você vai pagar a ele pela passagem, dando-lhe o dinheiro todo, que é o suficiente para ajeitar o carro dele.
— Não posso fazer isso, não é certo. — expliquei.
— É certo sim. — deu uma piscada de olho para mim, entrou no carro e foi embora.
Entrei no táxi novamente e entreguei o dinheiro ao taxista. Achei errado a maneira com que o homem bonito disse a mim. Se o carro do taxista foi afetado, ele teria que ter me dado o valor nas mãos, e eu não tinha nada a ver com a situação, teria que pagar minha passagem, uma coisa não tinha nada a ver com a outra.
Pedi para o táxi parar em um restaurante, e ele fez. Quando eu ia pagar, ele não aceitou, disse que não precisava que eu pagasse. Agradeci e ele foi embora.
Entrei no restaurante e sentei, olhando o cardápio e o que iria pedir. Um garçom me atendeu.
— Senhora, o que vai pedir?
Olhei para o garçom e, por fim, pedi o que queria comer e, para acompanhar, também pedi uma taça de vinho. Fiquei esperando por alguns minutos meu pedido, até que vi Dora entrar no restaurante. Assim que Dora me viu, caminhou até mim e sentou-se à mesa para fazer-me companhia.
Dora chamou o garçom, fez seu pedido e começou a conversar comigo, enquanto seu pedido estava a caminho.
— Sumida, até que enfim você apareceu. Não é mesmo? Então como devo chamar você? — perguntou Dora toda animada.
— Camila Ferras. — abri um sorriso lânguido.
— Menina, que chique, amei o nome. — Dora disse. — Não sei como consegue beber isso, a última vez que bebi vinho, foi quando saí com um cara, e achei tão ruim, que cuspi todo líquido na cara dele. E mulher, nunca mais ele me chamou pra sair. — Dora começou a rir.
— Tú é louca. — não consegui conter as risadas.
Os sorrisos de ambos ecoaram por todo o restaurante, enquanto ficamos ali por horas conversando e nos conhecendo um pouco mais.
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Atualizado até capítulo 70
Comments
Joselma Trajano
nossa Camila já fez uma amizade , e da bem louca.😆 acho que Dora vai tira o mal humor de Bruno .🤤
2025-03-12
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Maria Das Neves
❤️❤️❤️❤️❤️❤️
2025-01-02
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Maria Sena
Que bom que a Diene encontrou a Dora como amiga, deve ser muito difícil ficar sozinha em uma cidade grande, sem ninguém conhecido.
2024-12-14
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