Eles chegaram ao restaurante e foram muito bem recebidos.
— Sr. Henrique, boa noite! A mesa de sempre? — Perguntou o Hostess.
—Sim, por favor!
— Por aqui, me acompanhem!
Mel estava deslumbrada, o que não passou despercebido aos olhos de Henrique. Ela parecia uma criança numa loja de doces. A mesa escolhida era
reservada e aconchegante. Henrique puxou a cadeira para ela se sentar e sentou-se em frente a ela. Mel estava com os olhos brilhando. Ela pegou o celular e tirou uma selfie e tirou fotos do ambiente para mostrar para Drica.
— Esse restaurante é um sonho! — Admirou ela — Quem é o chef daqui?
— Eu não tenho certeza, mas acho que é o André Mifano.— Respondeu Henrique.
— Não acredito! — Mel caiu o queixo.
— Conhece o Mifano?
— Nossa, não perdia o programa dele na TV! Ele é muito top! Tipo, demais! — Mel percebeu que não estava sendo muito elegante e se corrigiu. Limpou a garganta, encostou os punhos delicadamente à beirada da mesa e continuou: — Quero dizer... Eu admiro muito o trabalho dele e acho que ele atende bem a uma cidade tão cosmopolita como São Paulo com sua culinária diversificada.
Henrique a olhou surpreso.
—Olha só! Alguém fez o dever de casa! — Comentou ele. Ela sorriu — Pois é… Mas ele só assina o Menu. O restaurante é de um amigo meu. Rafael Vilhena.
Nesse momento, o maître chegou com a carta de vinhos e o cardápio oferecendo a eles. Mel olhou para todos aqueles pratos e não sabia o que escolher. Henrique a observava.
— Difícil escolher. Alguma sugestão? — Perguntou ela.
— Você come carne?
— Sim.
— Então vamos pedir o carret de cordeiro que eles fazem aqui. É o terceiro lugar na minha lista de pratos favoritos.
—Carret de cordeiro? Hum, Fiquei curiosa! Mas eu também gostaria de escolher essa entrada aqui: salada caprese. Parece muito boa essa combinação.
— É uma delícia!
— Eu gosto muito de salada caprese, mas essa ainda tem castanhas de caju, que eu amo!
Henrique a olhou com satisfação e fez os pedidos. Eles ficaram ali saboreando o couvert e o vinho de cortesia, conversando. Mel começou a tagarelar sem parar. Isso sempre acontecia quando ela ficava nervosa. Contou sobre o seu dia, as conversas do salão de beleza sobre cirurgia plástica e outras futilidades; Falou sobre o que tinha combinado com a Dirce para a semana; Contou sobre as aulas de etiqueta com a sogra e algumas coisas sobre sua amiga Drica. Henrique a observava com curiosidade, passando o dedo indicador no queixo. Ela era um mistério para ele. Não o olhava em nenhum momento com sensualidade, muito pelo contrário, ela carregava uma inocência verossímil nos olhos. Talvez ele realmente não chamasse a atenção dela. Um cliente dispensável, como ela havia dito. Ele resolveu fazer algumas perguntas.
— Melissa, o que te levou a entrar nessa vida?
Ela o olhou confusa e perguntou:
— O quê?
— O que te levou a entrar para o mundo da prostituição?
— Aaah! — Ela até tinha esquecido disso e ficou tentando inventar uma história convincente em sua mente — Bem... Bem, eu... Eu... estava ... Precisando... de dinheiro, aí eu me... Eu fui até lá... E comecei a fazer programas. Fiz um, depois outro e outro, até que você apareceu.
— E você não tem medo de sair com esses caras estranhos?
— Claro, mas fazer o que, né? É a vida! Eu fiquei com muito medo de você também, mas... Estamos aqui, né?
Henrique a olhou sedutoramente e perguntou:
— E o que você costuma fazer em um programa?
Mel estufou o peito puxando o ar e se desconsertou.
— Ué, de tu-do! — Respondeu ela desviando o olhar.
— Tudo, tudo mesmo? — Insistiu ele, curioso.
— Só não beijo na boca!
— Como é que é?
— Brincadeira. É só uma frase da Julia Roberts do filme “Uma linda Mulher”.
Henrique sorriu.
— Sim, me lembro desse filme. — Falou ele.
Mel bebericou sua taça de vinho e perguntou:
— Por que está me perguntando essas coisas?
Henrique encolheu os ombros
— Só quero saber mais sobre você.
Ela limpou a garganta e falou:
— Olha, Henrique, eu não sou uma prostituta.
— Não?
— Não.
—Não mais, não é mesmo? É assim que se fala! Passado é passado. Vida nova de agora em diante.
Mel esmoreceu. Ele não acreditaria nela. Henrique deslizou a mão direita sobre a mesa e segurou a mão dela carinhosamente. Mel ficou sem reação.
Henrique sorriu e falou entre os dentes:
— Olha bem nos meus olhos e sorria.
Ela obedeceu. Ele se inclinou ainda olhando-a nos olhos e beijou a mão dela.
— O que tá acontecendo? — Perguntou ela entre dentes também, disfarçadamente.
— Paparazzi na segunda coluna. — Explicou ele. — Não olha!
Mel sorriu amplamente.
— Nossa! Tô me sentindo uma celebridade!— Falou ela cochichando.
Henrique sorriu do comentário. O paparazzi se afastou depois de dar os seus cliques. Os pedidos
chegaram e eles começaram a apreciar os pratos, conversando descontraidamente. Mel estava bem desenvolta com os talheres. Ela aprovou o cordeio.
— Você tinha razão. É uma delícia!
— O que eu mais gosto nesse prato é esse molho. Perfeito!
Mel cortou um pedaço da carne elegantemente, levou à boca e fechou os olhos.
— Canela! — Exclamou ela.
— O quê?
Ela ainda de olhos fechados falou:
— O segredo do molho. O cítrico vem de uma redução de balsâmico com mostarda e o toque da canela fez toda diferença.
— É outra frase de filme?
Mel abriu os olhos e respondeu:
— Não. Eu faço gastronomia.
Henrique franziu o cenho.
— Sério? — Perguntou ele. — Estou surpreso!
— Cozinhar sempre foi uma paixão pra mim. Os aromas, as texturas... Os sabores! É tudo tão fascinante! Ah, e muito obrigada por me deixar voltar a estudar. Com o estado do meu pai, os gastos com o tratamento, eu tive que trancar. Não teria como pagar. Mas agora estou muito feliz por poder continuar.
— Que bom! Mas você não tem cara de quem sabe cozinhar!
— Não me subestime! Eu posso reproduzir esse prato perfeitamente.
— Eu duvido! Se você fizer um carret de cordeiro igual a esse, eu te dou um carro!
Mel gargalhou:
— Então, eu já vou fazer minha matrícula na autoescola.
Eles terminaram a refeição e ainda continuaram o papo sobre gastronomia. Antes da sobremesa Mel pediu licença para ir ao banheiro. Ela deixou o celular sobre a mesa, quando esse vibrou recebendo uma mensagem. Henrique foi atraído pelo aparelho, que mesmo com a tela bloqueada era possível ler:
Romeu: E aí gata, a noite que você me prometeu está de pé? Tô ansioso pra me deliciar com o seu mel! Saudade!
Uma onda de fúria se apoderou dele, mas ele tentou se controlar. Mel voltou do banheiro muito empolgada para experimentar a sobremesa. Assim que
chegou, ela conferiu o celular e ficou estranha. Henrique percebeu a mudança. As sobremesas chegaram e ele começou a saborear seu pudim tranquilamente. Mel estava tensa.
— Algum problema, Melissa? — Perguntou ele.
— Não.
Ela tentou comer, mas a mousse de limão não descia. Estava na dúvida se Henrique tinha visto a mensagem ou não.
— Você estava tão empolgada com essa mousse, agora mal a tocou!
— É que não está tão boa assim.— falou ela visivelmente desconfortável.
— Então não coma! — Exclamou ele visivelmente aborrecido.
Pela forma como ele falava com ela, ela teve certeza que ele tinha visto a mensagem. Ele acenou para o garçom pedindo a conta. Mel começou a ficar chorosa.
— Henrique...
— Só vou pagar a conta e vamos.
O garçom se aproximou com a maquininha e depois de realizar o pagamento, Henrique se levantou e seguiu para a saída deixando Mel para trás.
— Henrique! Espera!
Ela o alcançou do lado de fora.
— Henrique! Eu posso explicar!
— Entra no carro!
Henrique entrou no carro batendo a porta. Mel entrou em seguida. Ele ficou parado sem dar a partida.
— Henrique não fica assim!
— Quer que eu te leve pro seu programa? — Perguntou com ironia.
— Para! Não existe programa algum! O Romeu é um idiota! Ele vive me atormentando!
— Ah, com certeza é! Talvez ele seja da lista dos dispensáveis como eu!
— Deixa eu explicar...
— Eu não quero ouvir nada!
— Henrique! —Mel começou a chorar.
— Eu não sei onde eu estava com a cabeça pra colocar uma piranha em minha vida! — Exclamou ele com muita raiva.
— Eu não sou uma piranha, seu imbecil!
Mel saiu do carro e seguiu pela calçada em passos apressados. Henrique saiu também e chamou por ela.
— Melissa! Volta aqui!
— Fica longe de mim!
— Melissa! — Ela seguia andando — Droga, Melissa!
Henrique foi atrás dela a alcançando fazendo-a parar. Ela já estava com a maquiagem borrada pelo choro.
— Me solta! — Gritou ela.
— Pra onde você está indo?
— Pra qualquer lugar bem longe de você.
— Vamos pra casa! — Falou autoritariamente.
— Eu não vou a lugar algum com você!
— Eu estou mandando, Melissa!
Mel olhou para ele com tristeza, tremendo os lábios.
— Por que você tem tanta raiva de mim, Henrique? O que eu te fiz? — Perguntou ela com um fio de voz.
Ele se perdeu no seu olhar. Aquele olhar inocente que parecia o enfeitiçar.
— Por que você faz isso, Mel?
— Isso quê?
Henrique a tomou pela cintura, puxou-a para si e a beijou. Um beijo faminto e desesperado.
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Atualizado até capítulo 76
Comments
Hanna
saudade de que? como disse o Neymar: saudade do que não viveu? kkkkkkkkkk
2025-04-01
0
Hanna
conta logo a verdade
2025-04-01
0
Hanna
kkkkkkkkk
2025-04-01
0