Henrique ficou parado com as mãos nos quadris, assistindo Mel se afastar. Meneou a cabeça negativamente tentando se acalmar. Finalmente ela estava se revelando. Ele não entendia o porquê, mas ela mexia com seus nervos. Sentia raiva, muita raiva daquele jeitinho doce que ela aparentava ter. Uma doçura fingida, em sua opinião. Ele tirou o celular do bolso e ligou para Arthur:
— Fala, Henrique!
— Estou em casa. A que horas você vem?
— Estarei livre daqui a umas duas horas.
— Conseguiu redigir o documento?
— Sim, vou te enviar uma cópia antes de imprimir. Aí, você vê se quer acrescentar alguma coisa.
— Ok, pode mandar!
Henrique foi para seu quarto para tentar descansar um pouco antes da reunião. Deitou-se de costas na cama e ficou olhando para o teto, pensando nos
rumos que sua vida estava tomando. Precisava agir e pensar racionalmente. Tinha grandes planos para a empresa que só conseguiria concretizar se fosse o
presidente. Não deixaria que suas emoções o dominassem. Olhou para a aliança em sua mão esquerda. Tirou-a por um momento e ficou olhando para o “M” nela cravado.
— Marcela! Melissa!... Mulheres! Droga! Eu vou enlouquecer!
Ele colocou a aliança novamente no dedo e fechou os olhos na tentativa de descansar um pouco, mas não estava conseguindo relaxar.
“— Por que eu seria um cliente dispensável? ”— Pensou ele. — “Quem ela pensa que é?”
...
Isabela ligou para Arthur em chamada de vídeo, para lhe pedir um favor.
Ele estava em seu escritório concentrado, mas não pode deixar de atender.
— Oi, Bela?
— Oi, está podendo falar agora?
— Pra você, eu sempre estou disponível. — Respondeu ele com satisfação,
apoiando o celular em sua mesa.
— Obrigada! Preciso de um favor!
— Diga!
— É sobre a Melissa.
— O que tem ela?
— É que eu estou achando muito estranha essa história dela ser garota
de programas. Eu, sinceramente, não acredito nisso!
— Ah, Bela, ela tem esse jeitinho que engana, mas infelizmente é
verdade. Eu estava com o Henrique quando ele foi à boate e ela realmente
trabalhava lá. Inclusive disse que aquela noite só ia dançar, ou seja, fazer strip-tease.
— Eu sei, mas talvez ela tenha um motivo muito forte pra entrar nessa vida!
— Todas têm, Isabela. É sempre aquela velha história de não ter oportunidades...
— E se não fosse isso?
— O que seria então?
— Não sei... Você poderia me ajudar a investigar... Me faria esse favor?
— Ah, não sei não...
— Por favor!
— Ah, Bela, você pedindo desse jeito!
— Diz que sim!
— Tá, eu te ajudo.
Isabela vibrou do outro lado.
— Mas, por que a preocupação com isso? — Perguntou ele, curioso.
Isabela falou meio hesitante:
— Ah, eu gostei da Mel e queria muito que as coisas entre ela e meu irmão dessem certo. Queria muito que o Henrique encontrasse o amor, sabe?
— Entendo, mas sinto te informar. Seu irmão é um caso perdido!
— Não diz isso!
Arthur suspirou, então, perguntou:
— E quanto a você?
— O que tem eu?
— Quando você vai me dar uma chance, hein?
Isabela ficou vermelha e sorriu.
— Ai, Arthur! É complicado!
— Complicado por quê?
— Você é amigo do meu irmão...
— Se você quiser, eu viro inimigo dele agora!
Isabela gargalhou. Arthur, de um jeito manhoso, pediu:
— Me dá uma chance, gata!
Ela fez uma careta e falou:
— Vou pensar... Mas não prometo nada!
Arthur cerrou os punhos e vibrou vitorioso.
— Você vai me ajudar com a Mel? — Insistiu ela.
— Vou ver o que posso fazer.
— Muito obrigada! Depois a gente se fala mais. Não quero mais tomar o seu tempo.
— Tudo bem! Eu passaria o resto do dia conversando com você, mas infelizmente preciso terminar umas coisas aqui.
— Tchau, então!
— Tchau, princesa!
...
Mel continuava ajeitando as coisas em seu quarto, quando a campainha ressoou. Era Arthur. Ela foi atender a porta e sorriu ao avistar o amigo.
— Arthur!
— Oi, Mel!
Os dois se cumprimentaram com dois beijinhos cordiais.
— Entra! — Pediu ela educadamente. — Fique à vontade, eu chamar o Henrique.
— Não precisa, já estou aqui. — Falou Henrique adentrando a sala.
— E aí, cara? — Falou Arthur, indo até ele cumprimenta-lo, com aqueles
gestos típicos de homens. — Como foi a viagem? Muita sombra e água fresca?
— Foi muito boa! Sim, muita bebida e muita mulher bonita! Aproveitei bastante! Estava mesmo precisando disso! — Falou Henrique com empolgação.
Arthur olhou constrangido para Mel, que abaixou o olhar.
— Com licença! Vou preparar um café. — Informou ela, se retirando.
Henrique gesticulou para o amigo se sentar e perguntou:
— O que tem aí pra mim?
— Eu trouxe uns papéis pra você assinar e também o contrato que me pediu. Preciso levar tudo ao cartório bem cedo e como sei que amanhã vai ser um
dia cheio pra você, nada melhor que assinar tudo agora.
— Sim, sim. Amanhã não terei tempo pra nada.
Henrique pegou os documentos e começou a assinar, enquanto Arthur explicava o que era cada um. Henrique começou a ler o contrato e Arthur perguntou:
— E então, como estão as coisas entre vocês?
Henrique tirou a atenção do papel e olhou na direção onde Mel se encontrava.
— Estão como devem que estar.
Nesse momento Mel apareceu com uma bandeja servindo duas xícaras e um bule de café e depositou sobre a mesinha. Sentou-se charmosamente como sua sogra lhe ensinou e perguntou:
— Quer açúcar no seu café, Arthur?
— Sim, uma colherinha apenas.
Arthur e Henrique se olharam. Arthur fez um biquinho provocando o amigo. Mel serviu-lhe uma xícara, adoçou e lhe entregou sorridente. Virou-se para Henrique e perguntou:
— E quanto ao senhor?
Arthur sorriu. Henrique fechou a cara e respondeu:
— Prefiro sem açúcar. E que história é essa de “senhor”?
— Está no manual: Chamar o marido de senhor. — Respondeu ela, enquanto
lhe servia. — O senhor quer que eu prepare algo para comer?
— Não. Quero que leia e assine esse contrato. — Respondeu ele lhe estendendo o documento. — Dê o visto em todas as páginas.
Eram três páginas apenas. Ela pegou os papéis de suas mãos, leu atentamente e perguntou:
— Por que tudo isso?
— Porque eu quero que fique bem claro as coisas entre nós.
Mel voltou a ler o contrato.
— Alguma dúvida? — Perguntou Henrique.
— Sim. Aqui está bem claro que o senhor nunca me dará o divórcio, a não
ser que eu lhe restitua o dobro do que pagou por mim com correções, o que resulta em uma quantia de mais de duzentos mil reais.
— Mesmo se optasse por um litígio, não teria direito a nada, pois se
casaram com separação de bens. — Explicou Arthur.
— Certo. Mas o que acontece se o senhor quiser o divórcio? — Indagou ela se direcionando a Henrique.— Eu ainda teria que te ressarcir?
— Não, nesse caso não, mas isso não vai acontecer. E pare de me chamar de senhor!
— Como devo chama-lo, então?
— Me chame pelo nome e de “Você”. Na presença de estranhos pode me chamar de “Querido”, “Amor”... Ou qualquer apelido carinhoso.
Mel olhou para ele com estranheza.
— Não... Acho melhor chamar só pelo nome mesmo. — Falou ela.
— Tudo bem. Como queira. — Concluiu Henrique.
Mel voltou o olhar para o documento.
—Aqui diz que preciso pedir permissão para tudo que pretenda fazer e que não posso realizar nenhuma atividade sem prévia autorização. O que o senhor...
Você quis dizer com isso?
— Exatamente o que está escrito.
Mel suspirou ainda tentando entender.
— Mais alguma dúvida?
Ela disse que não com a cabeça e assinou o documento com certa hesitação. Depois de assinar, devolveu o papel à Henrique, que por sua vez o entregou a Arthur.
— Então, aproveitando o momento, tem muitas coisas que eu gostaria de pedir permissão.— Revelou Mel.
Henrique revirou os olhos não gostando muito da conversa. Arthur pediu calma com o olhar.
— Que coisas? — Perguntou ele.
— Eu preciso visitar meu pai. Ele está debilitado e precisa de cuidados especiais.
— O que houve com ele?
— Ele... Ele sofreu um acidente. Recebeu alta do hospital há pouco tempo e necessita de uma cadeira de rodas, fisioterapia e outras coisas.
Preciso que me permita estar com ele durante a semana.
Henrique pensou um pouco.
— Tá, tudo bem. Eu vou providenciar um cartão de crédito para que você compre o que for preciso e pode visita-lo uma vez na semana.
— Uma vez na semana?
— Prefere de quinze em quinze dias?
Mel esmoreceu e falou:
— Tudo bem! Uma vez por semana tá ótimo!
— Mais alguma coisa?
—Sim. Também gostaria de voltar a estudar.
— Estudar?
— É, eu estudava à noite e tive que trancar a faculdade depois do
acidente do meu pai, mas...
— De jeito nenhum!
— Por que não?
— Porque como minha esposa você não pode ficar dando sopa por aí. Ainda
mais a noite!
— Eu posso transferir pra outro turno...
— Já disse que não!
— Henrique...
— Você não precisa estudar, Melissa! Aqui não vai te faltar nada!
Mel levantou-se indignada.
— Você vai fazer de mim uma prisioneira, é isso?
Henrique levantou-se também e se colocou diante dela com um olhar desafiador.
— E por que você quer tanto sair, hein? Quer ir atrás dos seus casinhos, é isso?
— Não é nada disso! Eu ralei muito pra entrar naquela faculdade! Eu só queria realizar meu sonho de ter um curso superior.
— Não me faça de bobo, Melissa! Você acha mesmo que pode me enganar?
— Em que eu estou te enganando, Henrique? Só estou pedindo permissão pra continuar os meus estudos! — Falou ela com a sua meiguice peculiar.
Henrique encarou seus olhos grandes, levemente úmidos pela emoção e ficou ainda mais irritado.
— Por que você faz isso? — Perguntou ele entre dentes.
— Do que está falando?
Arthur assistia tudo calado. Henrique passou a mão no rosto e perguntou:
— Quer dizer que você quer estudar?
— Sim.
— E como vai cuidar da casa?
— Eu dou conta.
— Então, tá certo. Eu vou permitir, mas vou te avisar: — Ele gritou com muita fúria — Se você me trair, Melissa, eu juro que te mato!
Mel assustou-se com a declaração. Arthur levantou-se para acalmar o amigo.
— Ei, ei, ei! Não fale bobagem! Ninguém vai matar ninguém! — Falou o amigo levando ele a se sentar.
Mel, impactada, levou a mão ao peito.
— E isso só vale pra mim? — Perguntou ela, indignada.
— Exatamente! Eu dito as regras aqui!
— Então, está certo. Pode me trair como quiser, o quanto quiser, com quem quiser. Com a vizinha, as belas mulheres de Miami, não importa! Só me
deixe em paz!
Mel deixou a sala apressadamente e foi para o seu quarto. Henrique soltou o ar dos pulmões pela boca e ficou em silêncio com o olhar perdido. Arthur meneou a cabeça e guardou a papelada em sua maleta.
— Pega leve com ela, Henrique!
Henrique meneou a cabeça indignado.
— Cara, essa mulher é uma dissimulada! Fica se fazendo de vítima! — E imitando: — “Ai, Henrique, só estou pedindo permissão pra continuar os meus estudos!” Sei o que ela quer estudar! Deve estar é subindo pelas paredes por causa da abstinência.
Arthur gargalhou.
— É um problema fácil de resolver, Henrique! Ela é bonita e deve ser bem experiente!
— Não fala bobagem. Ela não me atrai em nada. Muito pelo contrário, quando eu olho pra ela, só me vem a lembrança do pior dia da minha vida! Ela representa a minha derrota!
— Não exagera, Henrique! A vida é cheia de oportunidades e você fica aí se martirizando. A Melissa pode ser uma pessoa horrível, mas também pode ser uma pessoa maravilhosa. Por que você não tenta descobrir?
Henrique nada respondeu. Arthur juntou suas coisas e falou:
— Bem, eu vou nessa. Diga a Mel que o café estava ótimo!
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Atualizado até capítulo 76
Comments
Hanna
kkkkkkkkkkkkk mata na unha esse estúpido
2025-03-31
0
Ana Lúcia
😂😂😂😂😂😂😂😂 amigo da onça
2024-10-18
0
Olivia Costa Rossi
o que preocupa é o marginal que ameaçou ela. É ela corre perigo
2024-10-11
3